segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A ODISSEIA DO ENTHULHO MUSICAL (30/08)

O blog começou em 2004 e de lá pra cá, muita coisa mudou. Só nele? Não. Em tudo - na minha vida, nos portais de entretenimento da internet, na própria música brasileira, no pensamento dos brasileiros. Tudo sofre mutações. Você hoje já não é mais aquele de alguns dias atrás, por ter sofrido influências em determinado aspectos, por agentes diferentes...
O EnTHulho começou como Henrick's Blogger, no período compreendido entre Junho/2004 e Fevereiro/2005, quando apaguei (burrada) seus primeiros meses e restreei com o nome que estamos acostumados. Ficou imutável até 2010, em Abril, quando deixei o endereço anterior (http://www.thiagohenrick.blogger.com.br/) e rumei para o atual, acrescentando o "Musical" ao título. Funcionou e me rendeu ótimos reconhecimentos, de amigos e de muita gente que sempre acessa e comenta (o marcador de visitas não mente...rs). Agora é hora de mudanças. Não só no lay out (o belo aspecto praiano, apesar de lindo, não condiz com o conteúdo do blog), mas também no conteúdo - cada vez mais o EnTHulho Musical caminhará para ser uma divertida "revista musical brasileira on line", com muitas listas, matérias, vídeos, indicações musicais de amigos, novidades muito bacanas e, claro, sempre no formato que o consagrou e faz valer seu slogan: "letra, música e coração".
Não temo mudanças. Elas sempre são bem vindas. Vejo uma porrada de gente xingando o novo Orkut, mas mudar faz sentido. Causa estranheza no começo, mas a vida seria tão mais chata sem essas pequenas transformações de universos e atmosferas :)

...E para coroar uma fase tão bem sucedida, porque não lançar o primeiro cd, com hits que apareceram no próprio blog, compreendidos entre os meses de Abril e Agosto de 2010? Calma, gravadoras...o disco tem mero caráter simbólico e não será comercializado (no entanto, amigos interessados, contactem-me!rs). Reuni algumas das músicas que figuraram por aqui e a capa (caseiríssima, sou péssimo em estética, desculpem) marca bem todos os meses que entramos no blog e vimos a bela paisagem praiana. A imagem poderia ser concebida como o habitat típico dos luais, pra colocar algum ensejo musical na coisa...
Então..a partir de quinta-feira, dia 02 de Setembro (data escolhida a dedo), uma nova fase no blog será iniciada. E que outras tantas venham, então! :)

P.s.:1 Pra quem tem Orkut, não deixem de entrar na comunidade do EnTHulho Musical, sempre trazendo novidades e atualizações, além de reunir internautas fãs de música brasileira.
Aqui!
P.s.:2 - A lista de músicas do cd, claro! Clicando em cada uma pode-se fazer o download. Quer baixar tudo de uma vez? Clique aqui!


1) São João Xangô Menino - Ponto de Xangô / Maria Bethânia
2) Os Cegos do Castelo (Acústico MTV) / Titãs

3) Busy Man / Carlinhos Brown (part. Marisa Monte)
4) Você Pra Mim (remix) / Fernanda Abreu
5) Pata Pata / Daúde
6) A Miragem / Jay Vaquer
7) Esquece e Vai Sorrir / Ludov
8) Mona Lisa / Jorge Vercilo
9) Eu Sei Que Você Não Vai (Never Can Say Goodbye)(remix) / Patrícia Marx
10) Reforma Agrária no Ar / Wado
11) Madalena / Gilberto Gil
12) Dentro / Chico César (part. Seu Jorge)
13) Chover (invocação para um dia líquido) /
Cordel do Fogo Encantado
14) Tem Espaço na Van /
Ed Motta
15) Casa (Remix Dj Memê. "A house in the jungle") / Lulu Santos
16) Clube de Esquina n. II / Flávio Venturini
17) A Promessa / Engenheiros do Hawaii
18) BOB / Otto
19) Tudo o Que se Quer (All I Ask Of You) / Verônica Sabino & Emílio Santiago
20) Serra do Luar / Leila Pinheiro

21) Sueños Con Serpientes / Mercedes Sosa (part. Milton Nascimento)
22) Aquarela / Toquinho


Produção Musical: TH

Seleção de repertório: TH e Amigos Musicais Convidados

Capa: (vergonhosamente) TH


TH

RANKING - ATUALIZAÇÃO MENSAL (Agosto 2010) (30/08)

Nem um pouco sendo de desgosto, o mês teve duas listas bem legais (a "do tempo em que a tv prestigiava artistas musicais" e a do dia dos pais) e muita música em estilos variados - a merecida homenagem a Adoniran Barbosa com o samba clássico dos seus pupilos, Demônios da Garoa, passando pelo pop brasileiro (Lulu, Ed, Ana Carolina) até os requintes de MPB clássica, pontuados por Gonzaguinha e Caetano Veloso. Mopho, Fafá de Belém e as ótimas Chicas foram as estreias. Agradecimentos também aos amigos musicais convidados, os "Marcos" e o Paulinho.


Legenda:

Azul claro: estreias;
Azul-escuro: artistas que subiram;
Vermelho: artistas que desceram
Preto: artistas que mantiveram a posição


1ª ZÉLIA DUNCAN - 14 músicas (=)
2ª MOSKA - 12 músicas (=)
3ª MARISA MONTE – 11 músicas (=)
4ª CÁSSIA ELLER - 10 músicas (=)
5º CHICO BUARQUE – 9 músicas (=)
6ª RITA LEE – 9 músicas (=)
7ª MARIA BETHÂNIA - 8 músicas (=)
8º CAETANO VELOSO - 7 músicas (+4)
9º DJAVAN - 7 músicas (-1)
10º LENINE - 7 músicas (-1)
11ª VANESSA DA MATA - 7 músicas (-1)
12ª ADRIANA CALCANHOTTO - 6 músicas (-1)

13º CAZUZA - 6 músicas (=)
14º LEGIÃO URBANA - 6 músicas (=)
15ª MARINA LIMA - 6 músicas (=)
16º NANDO REIS - 6 músicas (=)
17ª ANA CAROLINA - 5 músicas (+9)
18ª GAL COSTA - 5 músicas (-1)
19º GILBERTO GIL - 5 músicas (-1)
20ª ELIANA PRINTES - 5 músicas (-1)
21ª ELIS REGINA - 5 músicas (-1)
22º MILTON NASCIMENTO – 5 músicas (-1)
23ª NARA LEÃO – 5 músicas (-1)
24º OS PARALAMAS DO SUCESSO - 5 músicas (-1)

25ª SIMONE - 5 músicas (+6)
26º ZECA BALEIRO - 5 músicas (-2)
27º ALCEU VALENÇA - 4 músicas (-2)
28ª DANIELA MERCURY - 4 músicas (-1)
29º ENGENHEIROS DO HAWAII - 4 músicas (-1)
30º FLÁVIO VENTURINI - 4 músicas (-1)
31º GONZAGUINHA – 4 músicas (+5)
32º SKANK - 4 músicas (-2)
33º VINICIUS DE MORAIS - 4 músicas (-1)
34º ZÉ RAMALHO - 4 músicas (-1)
35º CHICO CÉSAR - 3 músicas (-1)
36ª FERNANDA ABREU - 3 músicas (=)
37º GUILHERME ARANTES - 3 músicas (=)
38º HERBERT VIANNA - 3 músicas (=)
39º IVAN LINS - 3 músicas (=)
40º JORGE VERCILO - 3 músicas (=)
41º LULU SANTOS - 3 músicas (+30)
42º OS MUTANTES - 3 músicas (-1)
43ª NANA CAYMMI - 3 músicas (-1)
44º PATO FU - 3 músicas (-1)
45º RAUL SEIXAS - 3 músicas (-1)
46ª RITA RIBEIRO - 3 músicas (-1)
47ª ROBERTA SÁ - 3 músicas (-1)
48º TOQUINHO - 3 músicas (-1)
49ª MEMÓRIA INFANTIL: XUXA - 3 músicas (-1)
50º ADONIRAN BARBOSA – 2 músicas (+37)
51ª ALZIRA ESPÍNDOLA - 2 músicas (-2)
52º ARNALDO ANTUNES - 2 músicas (-2)
53º BARÃO VERMELHO - 2 músicas (-2)
54ª BRUNA CARAM - 2 músicas (-2)
55ª BELLÔ VELOSO - 2 músicas (-2)
56º CAPITAL INICIAL - 2 músicas (-2)
57º CARLINHOS BROWN – 2 músicas (-2)
58º CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI - 2 músicas (-2)
59ª CÉU - 2 músicas (-2)
60ª CLARA NUNES - 2 músicas (-2)
61º ED MOTTA - 2 músicas (+52)
62ª ELBA RAMALHO - 2 músicas (-3)
63ª ELIZETH CARDOSO – 2 músicas (-3)
64ª ELZA SOARES - 2 músicas (-3)
65ª FERNANDA TAKAI - 2 músicas (-3)
66º ITAMAR ASSUMPÇÃO - 2 músicas (-3)
67º JAY VAQUER – 2 músicas (-3)
68º JORGE BEN - 2 músicas (-3)
69ª INTERNACIONAL CONVIDADA: JULIETA VENEGAS - 2 músicas (-3)
70º KID ABELHA - 2 músicas (-3)
71ª LEILA PINHEIRO - 2 músicas (-3)
72ª CANTRIZ: LETÍCIA SABATELLA - 2 músicas (-3)
73º LOS HERMANOS - 2 músicas (-3)
74ª MARIA RITA - 2 músicas (-2)

75ª MONICA SALMASO - 2 músicas (-2)
76º NEY MATOGROSSO – 2 músicas (-2)
77º O RAPPA - 2 músicas (-2)
78º OSWALDO MONTENEGRO - 2 músicas (-2)
79ª PATRICIA MARX - 1 música (-2)
80º PEDRO LUIS E A PAREDE - 2 músicas (-2)
81ª PITTY - 2 músicas (-2)
82º ROBERTO CARLOS – 2 músicas (-2)
83ª SELMA REIS - 2 músicas (-2)
84º TOM ZÉ - 2 músicas (-2)
85º MEMÓRIA INFANTIL: TREM DA ALEGRIA - 2 músicas (-2)
86º VEGA - 2 músicas (-2)
87ª VERÔNICA SABINO - 1 música (-2)
88º WADO – 2 músicas (-2)
89ª ALICE RUIZ - 1 música (-1)
90ª ANA CAÑAS – 1 música (-1)
91ª ANELIS ASSUMPÇÃO - 1 música (-1)
92ª ANGELA RO RO - 1 música (-1)
93º ANTONIO CARLOS NÓBREGA - 1 música (-1)

94ª AS CHICAS – 1 música *ESTREIA
95º MEMÓRIA INFANTIL: AQUARIOUS - 1 música (-2)
96º MEMÓRIA INFANTIL: BALÃO MÁGICO - 1 música (-2)
97ª BANDA REFLEXU’S – 1 música (-2)
98ª BEATRIZ AZEVEDO – 1 música (-2)
99ª BETH CARVALHO - 1 música (-2)
100ª BEBEL GILBERTO - 1 música (-2)
101ª BIQUINI CAVADÃO - 1 música (-2)
102º CARLOS MOURA - 1 música (-2)
103ª CARMEM MIRANDA - 1 música (-2)
104º MEMÓRIA INFANTIL: CICLONE - 1 música (-2)
105º CIDADE NEGRA - 1 música (-2)
106º CLAUDIO NUCCI - 1 música (-2)
107º COMADRE FLORZINHA (-2)
108º CORDEL DO FOGO ENCANTADO - 1 música (-2)
109ª DANNI CARLOS - 1 música (-2)
110ª DALVA DE OLIVEIRA – 1 música (-2)

111ª DAÚDE – 1 música (-2)
112º DEMÔNIOS DA GAROA – 1 música *ESTREIA
113º DOMINGUINHOS - 1 música (-3)
114º DORIVAL CAYMMI - 1 música (-3)
115ª INTERNACIONAL CONVIDADA: DULCE PONTES - 1 música (-3)
116º EDU LOBO - 1 música (-2)
117º EMÍLIO SANTIAGO – 1 música (-2)
118º ERASMO CARLOS - 1 música (-2)
119ª FAFÁ DE BELÉM – 1 música *ESTREIA
120ª FERNANDA GUIMARÃES - 1 música (-3)
121ª FERNANDA PORTO - 1 música (-3)
122º FRED MARTINS - 1 música (-3)
123º GABRIEL PENSADOR - 1 música (-3)
124º GERALDO AZEVEDO - 1 música (-3)
125º GERALDO VANDRÉ - 1 música (-3)
126ª HELENA ELIS - 1 música (-3)
127º HERÓIS DA RESISTÊNCIA – 1 música (-3)

128º IRA – 1 música (-3)
129ª ISABELLA TAVIANI - 1 música (-3)
130ª KÁTIA B - 1 música (-3)
131ª LEILA MARIA - 1 música (-3)
132º LOBÃO - 1 música (-3)
133ª LUCIANA MELLO - 1 música (-3)
134º LUDOV – 1 música (-3)
135ª CANTRIZ: LUCINHA LINS - 1 música (-3)
136º INTERNACIONAL CONVIDADO: MADREDEUS - 1 música (-3)
137ª MARIA GADU – 1 música (-3)
138ª MARIANA AYDAR – 1 música (-3)
139ª MARTINÁLIA - 1 música (-3)
140ª MAYSA - 1 música (-3)
141ª INTERNACIONAL CONVIDADA: MERCEDES SOSA – 1 música (-3)
142º METRÔ – 1 música (-3)
143º MOINHO - 1 música (-3)

144º MOPHO – 1 música *ESTREIA
145º MORAES MOREIRA – 1 música (-4)
146ª NA OZETTI - 1 música (-4)
147º NASI - 1 música (-4)
148º NILA BRANCO - 1 música (-4)
149º INTERNACIONAL CONVIDADO: NUNO MINDELLIS - 1 música (-4)
150º OTTO – 1 música (-4)
151ª PAULA FERNANDES - 1 música (-4)
152ª PAULA LIMA - 1 música (-4)
153º PAULINHO DA VIOLA - 1 música (-4)
154º RAIMUNDO FAGNER – 1 música (-4)
155ª RENADA ARRUDA - 1 música (-4)
156º SECOS & MOLHADOS - 1 música (-4)
157ª TAMY – 1 música (-4)
158º TIM MAIA - 1 música (-4)
159° TITÃS – 1 música (-4)
160º TRIO VIRGULINO - 1 música (-4)
161º MEMÓRIA INFANTIL: TURMA DA MÔNICA - 1 música (-4)
162º VANDER LEE - 1 música (-4)
163ª VANGE LEONEL – 1 música (-4)
164ª VANIA BASTOS - 1 música (-4)
165ª WANDERLÉA - 1 música (-4)
166ª ZIZI POSSI – 1 música (-4)


TH - E vamo que vamo!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

AS "CHICAS BACANAS" (25/08)

As Chicas: Paula Leal, Fernanda Gonzaga, Amora Pera e Isadora Medella


Ao assistir o Som Brasil especial sobre Gonzaguinha (protagonista do post anterior, eleito pelo querido amigo Marcos Vieira), eu me deparei com essa que é uma das promessas que se cumprem na "moderna" música popular brasileira. As aspas se fazem necessárias pois o repertório das moças, apesar de eclético, nos remete a um quê de antiguidade feliz (até na versão de "Me Deixa", do Rappa). Alegria nas apresentações, suavidade nos nuances sonoros e muito, muito carisma. São AS CHICAS!
O grupo é formado pelas filhas de Gonzaguinha, Amora Pêra (filha também de Sandra Pêra) e Fernanda Gonzaga (filha apenas do mestre). Somam-se ainda ao quarteto Paula Leal e Isadora Medella. Na supracitada apresentação, o mulherio absorveu com profundidade todo o rico legado musical deixado pelo compositor e nos presenteou com uma emocionada performance, abrilhantada mais ainda pela participação de Simone. Como a opinião do povo é a que vale, no dia seguinte eram incontáveis os comentários elogiosos na internet sobre a apresentação do grupo, equivalendo-se à sintonia da fervorosa plateia que contemplou a gravação do programa. Todos respondendo com louvor a energia plantada pelas novas divas da MPB. Prata da boa.
As Chicas nos remetem à velha discussão sobre como está o rumo da música popular brasileira. Há um bom tempo não vemos lançados nomes que causem uma sensação de quase 'unanimidade" na aceitação como acontecia antigamente. Os tradicionalistas reagem mal à chamada "nova geração da MPB", mas com relação às Chicas, contudo, eu ouço comentários bem afáveis da velha guarda, dando a entender que elas passaram bem pelo filtro qualitativo dos mais exigentes consumidores da nossa música. Concordam ou não?




Barulhinho bom!


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EU APENAS QUERIA QUE VOCÊ SOUBESSE
Gonzaguinha
As Chicas. Part. Simone


Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também


TH - Eu também :)



domingo, 22 de agosto de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 11 - Marcos Vieira! (22/08)

Homem forte de Palmeira dos Índios - AL


Promover alguém que trabalha com promoções e eventos. Isso é que é diplomacia!
Marcos e eu nos conhecemos em 2008, estebelecendo, desde então, uma saudável sintonia, refinada mais ainda por termos muitas opiniões e pensamentos em comum, além, claro, do gosto musical afim. Cabe exaltar que, dos amigos que moram perto, por ironia, é um dos que menos vejo, mas é daqueles que se faz presente ainda que à distância, pela maneira com que se disponibiliza e se entrega à amizade. Muito bom :)
Marquinhos é daquelas pessoas que não conseguem ficar quietas. Reacionário, não se conforma com meio termo: é quente ou frio. Faz questão de ser extremista e assumir logo uma posição de parcialidade tão típica de advogados, que defende com unhas e dentes aquilo que acredita. Posturas políticas, apontar os problemas que devem ser logo resolvidos ou até nas opiniões sobre música - ele consegue ser bastante incisivo e competente nos argumentos. Mas claro que isso se suaviza com a emoção com que se envolve em outros tantos assuntos. Um equilibrado bom senso, que é uma de suas melhores qualidades.
Posso defini-lo ainda como um cara feliz, esforçado, comunicativo, extrovertido, simpático e bem apessoado. Outras tantas características, mas só quem o conhece pessoalmente consegue dimensionar bem cada uma.
Além disso, é um belo profissional do campo jurídico e também mentor da Premmium - Cõmunicação, Eventos e Promoções, empresa conceituadíssima que (merecidamente) só progride e se consagra mais a cada trabalho. Mais informações logo abaixo.
Chegando à parte musical da coisa, o moço é uma verdadeira sumidade sonora! Conhece tanta música, tem opiniões bastante pertinentes sobre trocentos artistas, além de ter um gosto apuradíssimo e eclético. Sua escolha, inclusive, é uma das músicas que também mais gosto nessa vida. Querem exemplo melhor para comprovar nossa bem sintonizada frequência? ;)


Sou um cara feliz.
Não sei bem definir o conceito de felicidade, mas vivo de bem comigo, com os outros, com o mundo.
Problemas todos nós temos, mas e daí? Viver não é esse mar de rosas que nos ensinaram e ao crescer a gente vai entendendo melhor essa roda louca que gira sem parar, que é o mundo.
Quem disse que crescer é bom, mentiu! E feio! Crescer é chato, e cheio de obrigações e contas pra pagar. Melhor a segurança da adolescência, onde as únicas obrigações, eram tirar boas notas, praticar esportes e se divertir... Hunf!!!
Detesto pieguices, obviedade, frases feitas, batida perfeita, preto no branco, 2+2=4, enfim... Mas gosto de muitas outras coisas... Gosto de viver, de ver onde as coisas vão dar, de sentir o abismo perto... quer saber, as vezes as pessoas às vezes se sentem presas, com medo de cair e eu... eu já me joguei faz tempo! Mas, gosto de ser, estar e fazer... Gosto de saber que estar vivo é um paraíso de infinitas possibilidades.
Dentre essas possibilidades, gosto de música, porque é bom, porque é legal, porque me acalma, porque faz bem ao coração e porque é bom e ponto final.
Desde pequeno, ouvia boa música, graças a Deus, meu avô curtia Elizeth Cardoso, Nelson Gonçalves, Alcione, Tom Jobim, Bossa Nova, Ataulfo Alves, Dalva de Oliveira entre tantos... Com a adolescência nos anos 80 veio o gosto próprio e tome: Paralamas, Capital, Titãs Barão Vermelho, Djavan, Alceu Valença, Kid Abelha, Engenheiros do Hawai, Legião Urbana, Sting, The Smiths, The Cure, Lionel Ritchie, George Benson, Tina Turner, David Bowie, Chaca Kan, Madonna, RPM, Ritchie, Blitz e toda efervescência musical de uma época... Também vieram os descartáveis e os inesquecíveis...
De muitas coisas que me lembro... um música sempre vai estar associada a boa e feliz vida que tive. Gonzaguinha, apesar do samba, do protesto, do romantismo, fez uma das melhores músicas que eu conheço...
Lindo lago do amor, é assim: simples, mágica com gosto de dia feliz... Sempre que ouço me lembro com carinho de uma época fantástica e bem vivida, que não volta mais, mas que ao mesmo tempo foi absorvida com toda intensidade, daí o seu lado atual, porque não sinto qualquer saudosismo ao ouvi-la. Pelo contrário, é sempre um prazer, um sentimento de que querendo ou não, a gente veio ao mundo pra ser feliz, gostem disso ou não, essa é a verdade. E é a magia dessa canção.
Eu indico.



MARCOS VIEIRA



Gonzaguinha: romantismo e poesia na música



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LINDO LAGO DO AMOR
Gonzaguinha

E bem que viu o bem-te-vi
A sabiá sabia já
A lua só olhou pro sol
A chuva abençoou
O vento diz "ele é feliz"
A águia quis saber
Por quê, por que, por qual será
O sapo entregou
Ele tomou um banho d'água fresca
No lindo lago do amor
Maravilhosamente clara água
No lindo lago do amor


TH - Saudosíssima. Parabéns, Marcos!







sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MÚSICA ALAGOANA "DE FORA" (20/08)


O primeiro disco da banda, lançado há dez anos.


Mopho é uma banda de rock que ajuda Alagoas a se situar no mapa musical brasileiro. Não tem a visibilidade nacional que merece, ou ainda tantos discos lançados para se projetar como deviam, mas todo merchan e propaganda que nosso blog puder oferecer ainda será pouco. Os caras são muito bons e desfilam com elegância por estilos retrôs, psicodélicos, folk e rock - do clássico ao mais pesado. Ainda fazem o público brasileiro preconceituoso pagar a língua - nunca imaginavam um grupo tão criativo e moderno na seara musical alagoana, sempre remetida a músicas mais populares ou folclóricas. Nada contra, diga-se de passagem. Alagoas é uma capital onde o folclore se faz presente sempre - é da nossa raiz, apenas festejo a versatilidade dos integrantes do Mopho (João Paulo, guitarra e voz; Hélio Pisca, bateria; Junior Bocão, baixo e Dinho Zampier, piano e teclados), que conseguem também outro tipo de público para nosso estado.
O nome da banda é dos mais óbvios possíveis: quem escuta a sonoridade "a la" Beatles e Mutantes, entende que se ouve música com um quê de antiguidade (mas com arranjos modernos e atuais). Nada menos que um "Mofo" resmaterizado e clean. Aliás, "Mofo" usualmente nos remete a coisa estragada, bolorenta...mas nem sempre é assim. O próprio canal Mofo TV, da internet, é um dos maiores campos de resgate da memória televisiva, por exemplo. Essa coisa de dar uma nova cor a palavras que inicialmente soam negativas é um dom...posso até colocar o "EnTHulho" nessa - à primeira audição, o nome soa feio e lembra roupa amontoada, armário lotado....mas aqui, falamos de nosso querido blog especializado em música brasileira de todos os tipos! ;)
A seguir, mais dos mofados roqueiros alagoanos, que estão lançando seu terceiro disco agora, em 2010. Infelizmente, constatando que não dá pra se viver do rock que eles fazem só em nosso estado. Trampolim, contudo, pro resto do país apreciar sua excelente música.

FICHA:
INÍCIO DE TUDO: 1995
INFLUÊNCIAS: Beatles, Mutantes, Secos & Molhados, Pink Floyd, Raul Seixas, Pholhas
DISCOGRAFIA:
DEMOS:
1995 - Uma Leitura Mineral Incrível
1998 - Geladeira
DISCOS DE ESTÚDIO:
2000 - Mopho
2004 - Sine Diabolo Nullos Deus
P.s.: A banda encontra-se produzindo seu terceiro disco, mixando e trabalhando bastante. Fora isso, existe um muito bom disco ao vivo deles, de 2006, intitulado "Mopho É Um Barato", apresentação ocorrida no Teatro Deodoro.

A formação do grupo em 2000



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A CARTA
Mopho

Fale eu não ligo meu amor
Antes que eu acorde
Seja como for
Não pode ser pior
Que ficar deixando tudo pra depois
A esperar fazendo planos inúteis

Nada faz sentido
Hoje eu sei
Todo aquele tempo quanta ilusão
Foi tudo o que eu quis
E pensar me faz querer um pouco mais
Compreender o que não tem explicação

Escreva uma carta
Nela me diga que você
Não esqueceu de mim
Que sente a minha falta e quer
Me beijar

E pensar me faz querer um pouco mais
Compreender o que não tem explicação

Escreva uma carta
Nela me diga que você
Não esqueceu de mim
Que sente a minha falta e quer
Me beijar, oh



TH - Parece música alagoana?


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VAMOS COMER CAETANO! (18/08)

...vamos comê-lo cru!

Adriana Calcanhotto já fez música se deliciando na degustação de cada parte sua; Djavan criou o verbo "caetanear" no meio de sua "Sina" e a própria Maria Bethânia, em meio a seus shows e profusões de divindades, cita-o como uma espécie de semideus junto a seus tão poderosos orixás. Caetano Veloso, um outrora tímido rapaz que, graças à oportunidade de se apresentar ao Brasil (feita pela irmã Bethânia), pôde mostrar que tinha muito mais a dizer e ser ouvido e hoje se consagra como um dos maiores compositores já existentes, com uma relevância indescritível para a música brasileira - e com reflexo nas de outras nações também.
Caetano tem um percurso muito único na música popular brasileira. Criou hinos de revolta política panfletária; fundou movimentos musicais (Tropicalismo); fez com Gilberto Gil uma das parcerias mais intelectuais e afinadas em termos de composição, e, unindo ainda sua irmã e Gal Costa (as cantoras que mais lhe interpretaram, até hoje), compôs o quarteto hippie dos anos 70 "Doces Bárbaros", conquistadores de público e crítica. A partir da década de 80 proliferou-se no exterior, tendo sua música alcançado diversos países. Isso, é claro, sem contar a infinidade de músicas que se popularizaram como hits em coletâneas, filmes, novelas...
Alguns torcem o nariz pra seu jeito de agora, mais "soberbo" ou sem tanta paciência. Outros, contudo, constatam: o cara tem uma opinião que vale ouro. Passou pelo crivo de Caetano, pode esperar que é coisa boa. Abençoa novatos, opina com propriedade sobre trabalhos de colegas. É ser chique, ser cult, é demonstração de nível elevado mostrar que gosta do compositor e que acata suas opiniões como fiéis seguidores da escola 'boa cultura de ser", tendo o baiano como referência intelectual. Uma espécie de religião Caetano que, como as doutrinas religiosas, provoca polêmicas e não consegue fidelizar todo mundo, mas que ainda assim tenta, de tempos em tempos, convocar mais seguidores...
Eu me situo no cantinho mais confortável e contemplador da parte de cima do muro. Gosto dele, acho que tem talento e capacidade de criar coisas que acabam se tornando lendárias, mas também vejo que existe gente com tanto talento quanto, o que dismistifica essa coisa de "Deus". Admiro bem mais sua trajetória e prefiro os hinos da época da ditadura e de todos aqueles anos difíceis do que escutá-lo, hoje, dando suas declarações bombásticas sobre assuntos diversos (política, no topo). É aquela coisa: gostava mais do moço quando "fazia". Língua ferina todos nós temos...
Fiquemos então, pois, com um dos pontos mais fortes do cantor. A música "Alegria Alegria" enfoca elementos culturais do exterior e pincela em pontos beligerantes tão críticos naquele tempo (década de 60). Provocou, quando foi apresentada (1967, num dos grandes festivais típicos da época) uma estranheza inicial e um discreto sentimento xenófobo, mas que logo foram substuídos pela "alegria' propriamente dita. É uma música totalmente cinematográfica - "letra-cãmera-na-mão" como bem definiu Décio Pignatari. Fora ainda dos marcos iniciais do tropicalismo e tema de abertura da novela Sem Lenço Sem Documento (1977) e da minissérie Anos Rebeldes (1992). Vamos então à letra e ao vídeo, para que tirem vocês mesmos as próprias conclusões sobre o que Caetano de fato representa.


Semideus?



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ALEGRIA ALEGRIA
Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...



TH - Sigamos, pois...

domingo, 15 de agosto de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 10 - Paulo Ricardo Diniz (15/08)


O "menino de ouro" do grupo Memória da TV!


Hoje a sessão "Amigo Musical Convidado" aterrissa em terras paulistanas (especificadamente em "Aparecida do Norte") pra trazer a indicação de Paulo Ricardo Diniz, o Paulinho, integrante de um grupo de especialistas televisivos (do qual faço parte) denominado "Memória da TV".
A turma é formada por profissionais de diversas áreas: atores, Djs, jornalistas, roteiristas, advogados, professores, fisioterapeutas...todos possuindo a paixão televisiva como ponto comum.
Paulo formou-se esse ano em Comunicação Social e é um super querido! Passamos horas tricotando via MSN sobre assuntos diversos e percebo que é um rapaz super preocupado com o futuro e seus próximos passos. O moço fez 22 anos há duas semanas e já está se sentindo "velho" e repleto de prioridades profissionais a serem logo cumpridas! Daí vocês tiram...risos
Vale destacar aqui o TCC dele, que é um filme/documentário sobre a trajetória da Rede Globo e suas décadas de telenovela, intitulado "Fábrica de Ilusões - décadas de telenovela: do realismo ao fantástico". Quem já teve oportunidade de conferir aprovou o bem arrojado projeto, que contou com depoimentos de inúmeros profissionais e craques entendedores do assunto, debatendo com conteúdo muito rico, numa conversa bem sincronizada e harmônica. Uma obra que merece todo destaque possível!
Paulo também me ajuda bastante aqui no blog. Volta e meia ele mostra o que está bom ou não, dá dicas de linguagem jornalística e mostra o que torna a leitura cansativa ou proveitosa.
Lendo tudo isso, não há como discordar: é mesmo nosso menino de ouro! E selecionou uma música que, segundo o mesmo, já fez parte de sua vida e volta agora para marcar um momento de transição seu.
Atentemos ao depoimento do garoto...



Lulu: pilastra do pop brasileiro



Tudo na vida merece uma trilha sonora. É o que eu costumo dizer. Difícil é escolher a música-tema de sua vida. Acredito que as músicas marcam momentos e quando escutadas nos remetem ao mesmo. Para mim, remete ao ano, ao contexto do que eu vivia, pessoas, situações, lugares.
Quando TH me convidou a escrever, eu achei que não deveria desperdiçar este importante espaço com qualquer música. Logo de cara eu escreveria sobre Elephant Gun – do Beirut, que mais se aproxima de ser a minha música-tema, mas como o blog é sobre a boa música brasileira, surgiu a dúvida. Pensei em Mutante, de Daniela Mercury, e Um Dia, Um Adeus, do Guilherme Arantes. Mas, não queria nada que lembrasse alguém. Não desta forma romântica. Atualmente na minha variada playlist toca desde os meus clássicos bregas às internacionais, parando nas “xonadas” sertanejas e claro, trilhas de novelas. Tenho escutado bastante a linda Amor Eterno, de Gian e Giovani, da trilha da novela “Sinhá Moça”, atual cartaz do Vale a Pena Ver de Novo. Mas, como eu disse, não queria escrever de uma canção momentânea.
Refinando mais uma vez, escolhi Avassaladoras, do meu xará Paulo Ricardo, pois “se as coisas são como devem ser, avassaladoras serão nossas vidas então”. E a minha vida segue um pouco disto, com surpresas e emoções.
Porém, a música que me inspirou a escrever este texto é Casa, do Lulu Santos. Inclusive é a que ouço enquanto escrevo este texto e de certa forma presto esta homenagem.
Casa me remete a um momento feliz no ano de 2002. Eu, no caminho entre meus 14 e 15 anos, no auge da adolescência, no 1º ano do Ensino Médio. Na época, estava no ar a programa “Fama”, da Rede Globo, e conheci a música quando cantada pelos participantes desta 1ª edição. Para contextualizar ainda mais, tomando como base a TV, estava no ar a novela “Coração de Estudante”, no horário das seis, e “Desejos de Mulher”, no horário das sete. No Vale a Pena Ver de Novo, me deliciava com Maneco e as duas primeiras Helenas de Regina Duarte,História de Amor” seguida de “Por Amor”. Na escola, um momento feliz de amizade e um ar de novidade com a chegada do colegial. E a vida amorosa também estava boa.
E não é, que neste momento esta música volta à tona e faz todo sentido com o momento que estou vivendo. Digamos que eu esteja “voltando pra casa outra vez”.
Sempre tinha a cama pronta e rango no fogão. Luz acesa, espera no portão”.


PAULO RICARDO DINIZ


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CASA
Lulu Santos


Primeiro era vertigem
Como em qualquer paixão
Era só fechar os olhos
E deixar o corpo ir
No ritmo...

Depois era um vício
Uma intoxicação
Me corroendo as veias
Me arrasando pelo chão
Mas sempre tinha
A cama pronta
E rango no fogão...

Luz acesa
Me espera no portão
Pra você ver
Que eu tô voltando pra casa
Me vê!
Que eu tô voltando pra casa
Outra vez...

Às vezes é tormenta,
Fosse uma navegação.
Pode ser que o barco vire
Também pode ser que não

Já dei meia volta ao mundo
Levitando de tesão
Tanto gozo e sussurro
Já impressos no colchão...
Pois sempre tem
A cama pronta
E rango no fogão, fogão!...

Luz acesa
Me espera no portão
Prá você ver
Que eu tô voltando prá casa
Me vê! ê! ê! ê! ê! ê!
Que eu tô voltando prá casa...


TH - Homecoming!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A BOCA QUE FERE (12/08)

O falastrão

Antes de escrever sobre Ed Motta, realizei uma pesquisa de campo com alguns colegas de MSN, perguntando-lhes o que achavam do carioca sobrinho de Tim Maia. Opiniões diversas, mas o que mais predominou foram elogios a seu talento/voz e críticas às atrocidades que comete ao falar da música brasileira.
Ed é inteligentíssimo. Teve a soul music como base, e percorre com talento e facilidade por ritmos não necessariamente brasileiros como Jazz, Disco e Funk. Mas não ter tido embasamento em terras tupiniquins fez com que sua boca, desde que começou (no fim dos anos 80), além de emitir o vozeirão que estamos acostumados a apreciar, também disparasse a metralhadora para tudo aquilo que não gostava dentro de nossa música. Algumas opiniões causaram polêmica, como falar mal do rap brasileiro logo no início de sua carreira; também dizer-se americano e não gostar de MPB e, recentemente, metralhar a axé music, o que desagradou o baiano Netinho, que respondeu a deselegância à altura via Twitter. Algumas vezes o falastrão se retrata - sabe-se que até pedir desculpas a Chico Buarque e Tom Jobim, depois de ter caído em lágrimas ao ouvi-los, ele fez.
Que ninguém cerceie o direito de ninguém de emitir opiniões. Liberdade de expressão é direito constitucionalmente garantido a todos os cidadãos, e Ed faz nada menos do que prezam tantos roqueiros: "rock e respeito não devem mesmo andar de mãos dadas". O problema é ser diametralmente vítima das próprias proliferações. Na mente de muitos, sobretudo os fãs de música nossa, Ed é um músico talentoso, mas não passa de um ser altamente arrogante e egocêntrico, com pitadas de xenofobia.
Não sou profundo entendedor de seu universo, tampouco sou fã. Reproduzo, aqui, apenas a opinião da "massa". Gosto do swing, tenho algumas coisas da Conexão Japeri (sua antiga banda) e tenho o disco "As Segundas Intenções do Manual Prático". E, democraticamente, mostro mais de seu trabalho no EnTHulho.




Conhecido bebericador de vinhos de preço exorbitante, Ed também rechaça comparações a seu tio, Tim Maia, e preza por ser conhecido por seu talento. Que é inegável!

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TEM ESPAÇO NA VAN

Composição: Seu Jorge
Ed Motta


Se arruma aqui que tá bom, aqui tá dez
Se arruma tem espaço na van
Tem espaço na van

Pega o trem, vem pro baile
Ser feliz
Sem disfarce
Tudo bem
Tudo vale
Só nos resta sorrir e dançar em paz

Vem cá meu bem me dê a mão
Vamos jogar nesse salão
Ainda bem que você chegou
Vem cá te quero
Um brinde a vida e só nos dois


TH - Dispa-se de preconceitos e se jogue no salão :)



terça-feira, 10 de agosto de 2010

UMA ALELUIA DE BELÉM (10/08)

Feliz aniversário, Fafá!

Madame Rita Lee, no auge da segunda versão de sua "Arrombou a Festa", disparou: "no meio disso tudo a Fafá vem dar um jeito. Além de muita voz ela também tem muito peito!". Verdade. Fafá é dona de uma das vozes mais poderosas de nossa música popular brasileira e seus famosos seios fartos não chegaram a causar estranheza quando começou, em 1975, aparecendo como a voluptuosa cantora acima do peso que cantava descalça e tinha um vozeirão. Arrombando todas as festas!
Ela poderia também (como tantos outros) constar na lista que fiz dos artistas que tiveram um upgrade na carreira por causa da TV, pois foi graças a Gabriela, a novela, que a cantora se tornou conhecida Brasil afora com a bela interpretação para "Filho da Bahia". Consagraria, a partir de então, uma longa carreira de altos e baixos como qualquer outro artista, percorrendo por diversos ritmos - com direito a forró, sertanejo e até lambada - versatilidade sempre foi o forte dessa aleluia de Belém.
Minha preferidas, contudo, estavam no começo da trajetória da moça. Escutando Mp3 antigos, notei que, tal qual Simone, o problema da Fafá foi deixar a verve romântica em massa gritar mais alto na década de oitenta, perdendo a identidade de cantora mais refinada que tinha atraído até o mais temido crítico musical, José Ramos Tinhorão, na época do lançamento de seu primeiro disco. Mas, como tudo tem seu lado positivo, sua popularização lhe trouxe mais sucesso e fez com que atingisse até as periferias com sua voz firme e alta. Foi competente parceira inclusive de Michael Sullivan, sempre tido como o "embregador" da carreira dos artistas.
O único show de Fafá que contemplei foi em 2005, na inauguração do memorial Teotônio Vilela, aqui em Maceió. A cantora, sabe-se, é uma das maiores interpretes da música "Menestrel das Alagoas" de Milton Nascimento e Fernando Brant que foi composta para o falecido senador alagoano na década de 80. Quase que eu reproduzia a canção aqui, mas como estamos em tempos políticos e como Teotônio Vilela Filho é candidato a reeleição em nosso estado, não quero fazer panfletagem. Logo escolhi a sensível letra de Sueli Costa, renomada compositora que atinge em cheio corações mais aflitos e emotivoss, casando perfeitamente, com o inegável talento de Fafá.

Em pesquisa minha feita na net, não se decidem se seu aniversário é 09/08 ou 10/08. Na dúvida, parabéns pra moça de resPEITO!


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DENTRO DE MIM MORA UM ANJO
Sueli Costa e Cacaso
Fafá de Belém


Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que tem a boca pintada
Que tem as unhas pintadas
Que tem as asas pintadas
Que passa horas à fio
No espelho do toucador
Dentro de mim mora um anjo
Que me sufoca de amor
Dentro de mim mora um anjo
Montado sobre um cavalo
Que ele sangra de espora
Ele é meu lado de dentro
Eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que arrasta suas medalhas
E que batuca pandeiro
Que me prendeu em seus laços
Mas que é meu prisioneiro
Acho que é colombina
Acho que é bailarina
Acho que é brasileiro
Quem me vê assim cantando


TH - A melhor fase da cantora, mesmo.

domingo, 8 de agosto de 2010

COMO NOSSOS PAIS (08/08)





Filho de peixe, peixinho é? Grandiosidade se herda também??
Não posso afirmar se isso sempre é verdade, só sei que no mundo musical brasileiro, diversos filhos seguiram as carreiras de seus pais. Uns se inspiraram livremente; outros pegaram gancho na fama, até por não terem entre si uma relação tão afetuosa assim, mas uma coisa é fato: o gene musical tá a solta e o EnTHulho hoje procura relembrar alguns casos de pais musicais famosos - filhos idem. Com ou sem talento (risos).
Que tal me ajudarem a complementar a lista?? É com vocês!
Uma observação: dedico o post a meu pai, Nelson Vieira, músico seresteiro e talentoso daqui de Alagoas. Feliz dia dos pais a todos!





1) DORIVAL CAYMMI

Podem chamá-lo de boa vida, daqueles que passam o dia inteiro deitado na rede esperando a inspiração chegar para poder compor, mas o fato é que Dorival foi um gênio da música brasileira. E ensinou muito de seu ofício a sua prole – Danilo, Dori e principalmente Nana Caymmi. É de dar gosto ver como a cantora tem uma verdadeira adoração pela memória do pai. Em show recente, constatei esse amor, pois ela lamentou profundamente o quanto os músicos de hoje menosprezam a obra de Dorival, sobretudo por suas composições não serem tão regravadas como as de outros. Isso é que é amor de filha....medalha de ouro pros baianos!

2) JAIR RODRIGUES

Jair Rodrigues surpreendeu positivamente plateias mundo afora com sua tão boa engajada parceria com Elis Regina. Do Samba à Bossa Nova, o sorrisão de Jair sempre lhe conferiu um grande carisma, que é evidenciado mais ainda pela bela maneira com que se relaciona com seus filhos, que seguiram o sucesso do pai. Jair Oliveira, que foi famoso integrante do Balão Mágico, hoje se tornou um talentoso compositor, depois de ter se dedicado mesmo aos estudos musicais fora do país. E Luciana Mello parece que herdou o gene da boa voz do pai, conseguindo também causar surpresa e emoção quando se apresenta. Família de orgulho, medalha de prata pr’ eles!

3) MARTINHO DA VILA

O sambista Martinho Da Vila afirma não ser um bom pai por sempre estar viajando na época do dia dos pais, frustrando a expectativa de seus oito filhos. Mart’nália, a mais famosa, diz que é caduquice dele e que sempre foi um bom pai sim, conferindo-lhes base mais em cima dos palcos do que com presença física. A cantora começou uma boa carreira com pé no samba, mas com uns dedinhos na MPB contemporânea. Medalha de bronze pro cara que já teve mulheres de todos os tipos, mas que é um ótimo pai :)

4) LUIZ GONZAGA

Um dos parentescos mais festejados do mundo da música, Gonzaguinha é, na verdade, filho adotado de Luiz Gonzaga. Foi criado por tios e padrinhos, e, de alguma forma herdou o talento do pai e se tornou tão conhecido e aclamado como o rei do Baião, tornando-se cantor e compositor respeitado e gravado por muita gente. É do Nordeste o quarto lugar!



5) WILSON SIMONAL

Wilson sempre chamou atenção por sua grande voz que se amoldava com facilidade ao fino da Bossa Nova, mas poderia percorrer tranquilamente por demais ritmos musicais. Teve outros grandes méritos, como ter sido o primeiro negro a e apresentar sozinho num programa de televisão no país (o show em...si...monal) e reinar na copa do mundo de 70 ao lado de Pelé e de seus amigos da seleção Canarinho. A partir daí desenvolveu uma carreira complicada por conta de suas relações com polícia, política e órgãos de informação, caindo no ostracismo em plena década de 80. Seus dois filhos famosos, Wilson Simoninha e Max de Castro passaram o pão que o diabo amassou sendo eternamente apontados como crias do homem maldito. Sempre o defendem, alegando que a história está, na verdade, incompleta e a partir da década de 2000 começaram paralelamente suas carreiras musicais. Esse gesto de amor com um pai que pôde não ter se situado sempre num caminho linear, merece ser apontado.


6) ALTEMAR DUTRA

Altemar Dutra, às do bolero brasileiro, foi sucesso em toda América Latina, iniciando seu trabalho na rádio. Seu filho, Altemar Filho, destaca-se, além da música, nos esportes, sendo campeão sul americano de kickboxing full contact. Apesar dos poucos discos gravados, sempre elogia e relembra as glórias de seu pai.



7) MORAIS MOREIRA

Morais pai dispensa apresentações. Mais de 40 discos gravados, integrante renomado do grupo “Novos Baianos” e conceituadíssimo no cenário musical. Morais filho começou como integrante de bandas de cantores como Caetano Veloso, Marisa Monte e Vanessa da Mata; ficou mais conhecido quando se casou com Ivete Sangalo e agora se dedica a uma tímida carreira solo.


8) JOÃO GILBERTO

João Gilberto, perdoem-me os fãs, pra mim sempre foi um porre. Daqueles que brigava com a plateia, que insistia em dizer que “vaia de bêbado não vale”. O que não desconfigura seu talento e relevância para a música popular brasileira. Um de seus muitos trunfos é a filha Bebel Gilberto, uma das que mais luta pra representar nossa música lá fora. Muitos não topam com o ar blasé da moça, mas verdade seja dita: ela sempre honrou a confiança depositada por seu pai. E muito bem!

9) HERIVELTO MARTINS

A história de Herivelto Martins e seu filho, Pery Ribeiro, foi contada na minissérie “Dalva & Herivelto”, no início do ano na Rede Globo. Herivelto casou-se com Dalva de Oliveira e iniciaram uma relação recheada de brigas e traições. Nesse cenário, Pery desde cedo começou a cantar profissionalmente e, apesar de tudo, nunca deixou de demonstrar o orgulho do ofício de seu pai.






10) GILBERTO GIL

No fim da parada, temos Gilberto Gil, ex ministro da cultura e músico como poucos nesse país. Sua filha, Preta Gil, por sua vez, consegue a façanha de não ser unanimidade. Sua carreira versátil não a situou num só ramo, e muitos torcem o nariz pra isso. Do pai, só herdou a fama e as facilidades adquiridas com ela, pois mais que talento, Preta chama mais atenção pela maneira sincera e despojada nas entrevistas e apresentações. E, claro, por sua exuberância, tão pouco a ver com a simplicidade do pai.


TH - Parabéns, papais!

sábado, 7 de agosto de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 9 - Marcos Mendonça! (07/08)


Escorpiano dos brabos! rs


Lembrar do Marcos é relembrar de "turmas de saída e baladas". Quem já não teve uma fase saideira? Por mais que hoje me veja tão caseiro e quieto, já fui baladeiro de carteirinha. Meus chegados eram chamados de "turma do Will" (outro que futuramente nos presenteará com um belo post musical) - denominação esta pois meu amigo Will assumia a posição de líder, intermediando a comunicação de diversos segmentos de amigos. Como não poderia deixar de ser, encontrei Marcos numa dessas "reuniões".
Claro que num grupo grande, após um certo tempo há a "filtração natural", ou seja, os acontecimentos são determinantes para saber quem fica ou não. Marcos me chamou logo atenção por ter personalidade forte e ser sincero - eu diria que muitos admiram sua sinceridade, mas até ela ser voltada contra eles (risos). Isso por vezes lhe foi prejudicial, causando o afastamento de algumas pessoas que antes eram importantes em seu dia a dia. Infelizmente, a vida tem mesmo essa forma torta de mecanizar as coisas e pessoas...
Fazendo um contraponto, invoco aqui o quanto ele sempre foi generoso e simpático comigo. O tempo nos afastou, mas nunca posso dizer que ele não "ficou, pois mesmo com o afastamento, toda vez que a gente se reencontra constatamos que a empatia permanece. Já fomos protagonistas de muitas histórias: casa de praia no Francês; na Barra; as caras e bocas do moço medroso no parque de diversões, sendo alvo de deboche até de um menininho super corajoso de 10 anos; nossas aventuras nos Culture Rangers, em que também era integrante, dentre outras.
Fora isso, fico feliz por ele ter se realizado na área veterinária - realmente ama o que faz!
Minha relação com escorpianos é extremada. Sempre me dou muito bem ou muito mal E, graças a Deus, Marcos pertence ao primeiro grupo.
Solta o verbo musical, rapaz! :)


Vem com a Carol, vem!

Ui... falar de uma musica para mim não é complicado. Quando alguém pergunta “Qual a sua musica?” ou “ Pensa numa musica.” Só me vem uma: "Confesso" da Ana Carolina.
Bom... comecei bem direto né? Era isso mesmo que eu queria passar, posso dizer mil musicas que marcaram minha vida “Por Enquanto”, “Negue”, “Sempre não é Nada”,“Ursinho Pimpão”, “S”, “ Meu Cãozinho Xuxo” (chorei escutando essa musica com ela) e etc, mas sempre existe aquela... aquela que você acorda de manhã triste ou alegre, agitado ou calmo, tenso ou relex e só vem ela em sua mente e por conta disso dependendo do seu estado de espírito você vai dar mais ênfase a frase do dia e para mim é assim com Confesso, pois algo mexe comigo quando penso nessa musica, ela diz muito de mim, não em um momento da minha vida, mas em todos, não sou o tipo de cara que faz as coisas por fazer, só faço com Paixão, amor, tesão e prazer - tem que existir nem que seja um prazer mórbido de levantar todos os dias e fazer a mesma coisa só para saber ate onde eu agüento ir. Sou do signo de Escorpião então não me vejo parado quieto só pelo simples fato de estar quieto, não... tudo tem um sentido, uma busca e é isso que essa musica me passa, sabe, uma vontade louca de mudar e ao mesmo tempo de quem sabe um dia voltar atrás só para ter o gostinho de saber se realmente aquilo que deixei “para trás” não era exatamente o que eu estava procurando e na época eu achava que era. Menino, viajei hein? Mas é isso mesmo que faço quando escuto uma musica, às vezes me pego escutando uma musica no carro e parece que aquela musica é trilha sonora do meu momento novela das 8...rs
Parar e escutá-la é como se fosse eu falando de mim mesmo... CONFESSO ACORDEI ACHANDO TUDO INDIFERENTE, VERDADE ACABEI SENTINDO CADA DIA IGUAL... sou eu quando vou mudar alguma coisa, nem que seja o corte do cabelo...kkkkkk
Gente, escutem a musica e me escutem cantando... só isso... amo musica e mesmo escutando todo dias boiada, forró eletrônico, Bethânia... não desmerecendo nenhum estilo musical, mas tenho minhas preferências... simmmm... também sou "Iveteiro"..kkkkk CONFESSO!!!!! ;-)



MARCOS MENDONÇA



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CONFESSO
Ana Carolina
Ana Carolina e Totonho Valory


Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final

Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz

Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer

Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais

Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais



TH - Democraticamente, publicando AC :)



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

OS DEMÔNIOS HOMENAGEIAM SEU MENTOR (06/08)



Adoniran Barbosa, que costumava dizer: "pobre não nasce, aparece", apareceu de diversas maneiras. Foi entregador de marmita, auxiliar de construção em estrada de ferro, metalúrgico, mascate, garçom, varredor, balconista... sem nunca deixar de cantar e compor. Na época em que se apresentava em programas de rádio, João Rubinato (seu nome real) criou e representeou diversos personagens. O imaginário popular casava-se bem com a criatividade do artista, e por muitas vezes ele mesmo se confundia com suas criações. Dentre elas, o próprio Adoniran, alcunha emprestada pelo sambista e companheiro de boêmia Luiz Barbosa.
Desde cedo o cantor e compositor mais típico dos brasileiros já pegava no batente. Aprendiz das ruas, queria ser artista e em cada ofício adquirido transparecia sua vontade. Com sua boa voz, aos poucos foi se aprimorando e aproveitando todas as primeiras oportunidades ofertadas. Cantava sambas bem trabalhados, que ia de Luiz Barbosa, Ismael Silva até Noel Rosa. Consolidou-se numa bela carreira, com inúmeros discos e parcerias sublimes, até falecer em 1982, depois de anos lutando contra o enfisema pulmonar que lhe vitimou. No entanto, convém ressaltar o quanto o cantor, mesmo doente, se esmerava para tentar gravar, inebriado de música até o último instante.
Vitória pra persistência de um dos brasileiros mais humanistas que se tornou um mestre. Reconhecimento dos melhores possíveis. :)

O grupo foi um dos mais atuantes intérpretes da arte de Adoniran

Os Demônios da Garoa, em mais de 60 anos de carreira, foram os intérpretes mais fixos de Adoniran. Na realidade, da parceria com o cantor (se conheceram durante as gravações do filme "O Cangaceiro", em 1949) o grupo paulistando ganhou reconhecimento nacional, tornando-se, hoje, o conjunto nacional mais antigo ainda em atividade, comprovando-se mais ainda com aparição de música na mais nova novela das oito da Globo, "Passione'. O grupo entrou até no Guiness Book por todos esses anos de atividade. Nada mais justo, afinal, do que chamá-los para fazer a merecida homenagem ao mestre. Ele seria aniversariante do dia...e com muita festa e samba do pra comemorar.


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TREM DAS ONZE
Demônios da Garoa
Composição: Adoniran Barbosa



Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora as onze horas
Só amanhã de manhã.
Além disso mulher
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar,
Sou filho único
Tenho minha casa para olhar
E eu não posso ficar.

TH - Das letras mais simples e identificáveis.



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

UM TEMPO EM QUE A TV PRESTIGIAVA A BOA MÚSICA BRASILEIRA...(02/08)

Artistas cujas carreiras tiveram um UP com programas televisivos

Ao ver determinados artistas com suas carreiras hoje consolidadas, será que você seria capaz de imaginar que eles estão onde estão graças a uma considerável ajuda ofertada pela mídia televisiva? Não que só se tornaram cantores/compositores por conta de programas de televisão - eles venceram por mérito próprio, claro, mas certamente atingiram o grande público país afora com ajuda da tão boa divulgação de música na telinha. Surpresos? Tinhamos isso antes...
Antigamente existia espaço pra música brasileira na tevê aberta. Dezenas de festivais de música eram disponibilizados ao público em horários nobres e acessíveis, fazendo a família toda se reunir e torcer fervorosamente por todas as competições televisionadas e contemplar seus shows recheados de música de qualidade. Quem imagina, hoje em dia, um festival igual ao que tivemos na Record em 1967, onde competiam Chico Buarque, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Edu Lobo?
O espaço pra boa música atualmente fica restrito a programas de emissoras especializadas em cultura, como a própria Tv Cultura. A Globo e a Record, atuais líderes de audiência, não oferecem mais abertura para a nossa MPB se manifestar e quando fazem, só em horários bem alternativos como o Som Brasil. Foi-se o tempo em que a música de qualidade era prestigiada tal qual final de capítulo de novela ou reality shows. Mas nem sempre foi assim...e o EnTHulho tenta resgatar alguns exemplos de como a tevê ajudou na revelação e na projeção de grandes ídolos musicais nossos.
1) ELIS REGINA

A TV Excelsior era uma emissora centrada em filmes, jornalismo e seriados estrangeiros, e entrou no ar em Julho de 1960. Foi escolhida para sediar o I Festival da Música Popular Brasileira, em 1965, onde Elis Regina conquistou o primeiro lugar com a música “Arrastão”, composição de Edu Lobo e Vinicius de Morais. Aliás, nessa mesma época, a cantora ficou conhecida como “Elis-Cóptero”, graças à maneira rodopiante com a qual se empolgava nas interpretações. Elis então iniciou uma carreira bem promissora, reconhecida e identificada por tantos!

2) CHICO BUARQUE DE HOLLANDA

Chico Buarque hoje se tornou referência para muita gente e sempre foi um dos compositores mais gravados na nossa MPB. São marcas suas os versos morfologicamente estilizados e grande politização. Mas pouca grande sabe que ele só foi apresentado oficialmente ao resto do país graças ao Festival Nacional da Música Popular Brasileira, na TV Excelsior,em 1966, com a música “PEDRO Pedreiro”. No mesmo ano, contudo, participou da segunda edição do Festival da Música Popular Brasileira, na Record, onde competia com a festiva “A Banda”, cantando ao lado de Nara Leão (uma de suas melhores e mais clássicas parcerias). No referido festival, o cantor venceu a competição, mas exigiu que os louros da vitória fossem divididos com “Disparada”, na voz de Jair Rodrigues, a qual julgava mais adequada para levar o prêmio maior. Seu pedido resultou num empate e na empatia do cantor com o público, cativo até hoje.

3) MILTON NASCIMENTO

Na segunda edição do Festival Internacional da canção (Rede Globo), o mineiro Milton teve um bom destaque e foi a grande revelação do evento com “Travessia’, histórica parceria sua com Fernando Brant e que foi a canção vice-campeã. A partir dela, o cantor e compositor mineiro conseguiu espaço pra mostrar ao mundo toda a beleza de sua música, MPB com pitadas de rock beatlemaníaco





4)GAL COSTA


Bem antes de dar voz às tantas músicas do cancioneiro brasileiro que a eternizou, Gal suou frio. A baiana cantou no IV Festival da Música Brasileira (Record, 1968) e de ínicio causou estranheza no público, que logo depois se rendeu à magistral interpretação de “Divino Maravilhoso” (Caetano/Gil). Gal já tinha timidamente começado carreira, sendo uma das vozes mais partidárias da Tropicália, mas esse festival foi determinante para que se tornasse mais conhecida.


5) DJAVAN
Claro que meu conterrâneo entraria na lista. Sobre ele, contudo, tenho uma história a relatar Ele foi namorado de uma tia minha (Neuza) na adolescência, e ninguém dava cartaz àquele menino negrinho e franzino, que vivia dizendo que seria cantor de sucesso. Deu no que deu, e aconteceu graças ao “Festival de abertura”, da Rede Globo em 1975, onde o cantor ficou em segundo colocado com a música “Fato Consumado”.





6) BETH CARVALHO

Na terceira edição do Festival Internacional da canção (Rede Globo), em 68, Beth Carvalho ganhou fama nacional com a melhor interpretação até hoje para a canção “Andança”, de Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, iniciando, assim, uma bem sucedida carreira no samba






7) CLARA NUNES


Clara passeava pelo samba, pela bossa, pelos bolerões...e já tinha uma relativa carreira bem sucedida, mas sem dúvidas sua aparição no “Festival Universitário da Música Popular Brasileira” (Tupi, 1969) lhe rendeu ótimos frutos. A cantora interpretou “De esquina em esquina”, de César Costa Filho e Aldir Blanc.




8) SANDRA DE SÁ



Na década de 80 a Rede Globo continuava a prestigiar artistas brasileiros com diferentes festivais criados a cada ano, como o MPB SHELL e o MPB 80. Este último trouxe, entre suas participações, Sandra Sá (como a cantora grafava seu nome) cantando a excelente “Demônio Colorido”, trazendo-lhe reconhecimento nacional.

9) LEILA PINHEIRO

Foi graças ao Festival dos festivais (Globo, 1985) que Leila, cantora que tinha um tímido sucesso em shows no Rio de Janeiro até então, explodiu seu primeiro hit radiofônico, “Verde”, que ficou em 3º lugar na competição e fez a nortista de Belém do Pará ser divulgada ao resto do país.

10) MARISA MONTE

Marisa já tinha chamado atenção das gravadoras, mas foi graças ao especial MM na Rede Manchete (que sem dúvidas, foi uma das emissoras mais musicais já existentes), em 1988 que a bela começou sua bem conduzida carreira. Muitos torcem o nariz pro fato da moça se recusar a aparecer em programas de TV nos dias de hoje, mas, sinceramente? Ela não está mais começando e não precisa mesmo disso...










Para esta matéria, utilizei referências do Almanaque da TV (Bia Braune e Rixa) e algumas informações colhidas nos sites oficiais dos cantores. Também fez parte da pesquisa o site http://kiminda.wordpress.com/2010/07/30/cine-uma-noite-em-67-o-festival-que-mudou-a-mpb/ .

Aguardem mais matérias sobre os festivais supracitados. Novo empreendimento do EnTHulho Musical: estudar a história da música brasileira!


TH - E eis que o site está me dando mais alegria e gás do que imaginava

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