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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 45 - Raphaella Chaves !


Ela estava lá nos meus primeiros passos como advogado, com a conhecida paciência, com a vontade de ajudar que tanto lhe é característica. "Isso pode ser considerado Obrigação de Fazer, vá por esse caminho", "O Projudi é complicado mesmo, mas se você fizer assim, vai conseguir". 

Minha passagem pelo Curso Marcato, onde trabalhei por quase 4 anos, foi marcada por conhecer pessoas que vou levar pra vida, principalmente alunos. É uma alegria reconfortante reencontrar tanta gente querida que conheci por lá, todas as vezes que volto a Maceió, 

A Rapha é uma das principais pessoas que conheci lá, não me encabulo em dizer. O contato diário a tornou minha amiga mais generosa. Tenho muito orgulho desta advogada eficiente, que hoje é uma dedicada professora do mundo jurídico que, vez por outra, vira noites e mais noites exercendo (com prazer) o ofício de preparar aulas e corrigir trabalhos. 

A diplomacia é outra qualidade sua que costumo sempre apontar. A despeito de visões políticas discordantes, sempre houve muito respeito e cordialidade em nossos saudáveis debates, para mim super enriquecedores. Uma bela discussão vai além de um combate "fla x flu": são nos pormenores que advém o conhecimento, e, exatamente por eles é que sou eternamente grato à Rapha! 

Também fascinada por música, não foi difícil que contribuísse com um relato "agradecido" de um momento de sua vida, que foi devidamente pontuado por uma de suas bandas preferidas, O Rappa. Sua vez, Rapha!



Em 2009 esta música me ajudou a tomar decisões importantes. Que até demoraram um pouco pra serem tomadas. Na prática, não digo que foi por falta de coragem, é que às vezes o comodismo escolhe por você.

Junto das grandes escolhas vieram as consequências. Boas ou ruins, todas foram imprescindíveis. Crescimento, amadurecimento, reforma íntima até doem, mas é preciso passar por cada um deles...

Se eu me arrependo? Nenhum pouco. Nenhum dia!

Hoje (04/02/15) foi (novamente) um dia importante (por isso relembrei a música... ouvi-la me encheu de coragem). De novas decisões, escolhas.

O que me aguarda?! Não ousarei responder. Prefiro esperar.

O melhor desta vida é viver!

Chego a acreditar numa frase da minha mãe: Filha, você é destemida!


RAPHAELLA CHAVES
Advogada e Professora Jurídica
Maceió, AL



Rappa e Rapha: esse post só poderia ser perfeito ;)


MEU MUNDO É O BARRO
O Rappa

Moço, peço licença
Eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui
Sou novo aqui
Sou novo aqui

Eu tenho fé fé
Que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé Zé
Não é noticiário de jornal, não é é
Não é noticiário de jornal, não é é

Sou quase um cara
Não tenho cor, nem padrinho
Nasci no mundo, sou sozinho
Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono

Tentei ser crente
Mas, meu cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz
No meio daquela luz, daquela luz vai

Moço, peço licença
Eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui
Sou novo aqui
Sou novo aqui

Eu tenho fé fé
Que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé Zé
Não é noticiário de jornal, não é é
Não é noticiário de jornal, não é é

Sou quase um cara
Não tenho cor, nem padrinho
Nasci no mundo, eu sou sozinho
Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono

Tentei ser crente
Mas, meu cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz
No meio daquela luz, daquela luz

E eu voltei pro mundo aqui embaixo
Minha vida corre plana
Comecei errado, mas hoje eu tô ciente
Tô tentando se possível zerar do começo e repetir o play
Repetir o play

Não me escoro em outro e nem cachaça
O que fiz tinha muita procedência
Eu me seguro em minha palavra
Em minha mão, em minha lavra

Sou quase um cara
Não tenho cor, nem padrinho
Nasci no mundo, eu sou sozinho
Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono

Tentei ser crente
Mas, meu cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz, dele é sem cruz
No meio daquela luz, daquela luz



TH - Luz pra vocês, também!



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MÚSICA COMUNITÁRIA

A banda prima por concretizar tudo aquilo que prega em suas letras


O Rappa, como a própria banda responde, não tem estilo definido. Hora soam reggae, noutra rock pauleira, mas é possível reconhecer ainda suas facetas samba, MPB, Hip Hop...
O que mais lhes credencia, contudo, é o forte discurso social. O engajamento, diferente dos políticos, não fica apenas no palanque. Desde os primórdios ele acontece, e isso é constatado quando se vê, por exemplo, quando os integrantes Yuka, Falcão, Lobato, Xandão e Lauro chegam à favela carioca do Vigário Geral. Não são recebidos como celebridades ou artistas soberbos. Eles são abordados para um papo normal, comum, um "trocar de ideias", para saber das novidades.
Artista engajado se torna chato e repetitivo quando soam 'políticos", cujas promessas ficam apenas na boca. Mas felizmente há exceções: Bono Vox é a mais conhecida delas no mundo, porém no Brasil quem detém esse título é o Rappa. Eles possuem inúmeros projetos sociais e tornam em atitude tudo aquilo que proliferam em suas letras. Há o compromisso, o bom senso, a preocupação bem maior do que rechear os bolsos com cachês de shows ou vendagens de discos. E projetos como inserção de menores e jovens no mundo da música - fazendo com que seus dotes artísticos apareçam e que façam sucesso com as "minas" por esbanjar esse talento, e nunca pelo lado bandidão e destemido de outrora, fazem mesmo os brasileiros se orgulharem!

"A receita é simples, dar uma chance pro lado bom surgir. Quando se vê de uma maneira positiva, a pessoa passa a acreditar mais nisso", defende o baterista Yuka.

Sobre os hits da banda, ninguém contesta. Até hoje eu me emociono ao rever o vídeo de "A Minha Alma" (a paz que eu não quero), um dos mais verdadeiros e tocantes relatos sociais num clipe. E nos álbuns também - a banda se supera a cada lançamento, e faz valer seu esforço com o reconhecimento da mídia e do público - eles sempre aparecem nos maiores veículos de comunicação e paradas musicais! Graças ao sucesso alcançado, puderam estender seus projetos a nível nacional. "Eu sou apenas um cara comum, quando estou nas comunidades. Aquele que as crianças vêem como alguém que está ali pra ajudar" orgulha-se Falcão.

Ironia de vida é que, apesar do trabalho conscientizador e esperançoso de seus integrantes, o baterista Marcelo Yuka foi vítima da violência carioca ao tentar socorrer uma mulher num assalto, em Novembro de 2001. Levou tiros que paralisaram seu corpo e lhe entrevaram numa cadeira de rodas. Deu, contudo, a volta por cima e retomou a carreira, além de ter criado um movimento que congrega juristas, acadêmicos e artistas para denunciar essa situação e foi recebido pelo relator da ONU, que investiga os excessos da polícia carioca. Yuka critica a criminalização da pobreza e lamenta um equivocado consenso da sociedade - o de que a violência urbana só pode ser resolvida pela força...Ele, entretanto, deixa a banda por outros motivos.


Logo abaixo, mais uma realidade nua e crua defendida num videoclipe quase épico. E saudações à mais engajada e completa banda brasileira!


Falcão, vocalista da banda. No centro, a discografia e, à direita, o grande crítico social e exemplo maior: Marcelo Yuka.




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O QUE SOBROU DO CÉU
O Rappa. Composição: Marcelo Yuka


Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia
Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia

O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal


O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina


Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá



TH - Tiro o chapéu pra quem tem algo a dizer (e fazer)



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