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domingo, 28 de maio de 2017

TOPTULHO MUSICAL # 127! - ESPECIAL GUILHERME ARANTES!



Chegamos a mais um TopTulho Especial - esse, para homenagear nosso querido cantor, produtor e compositor de São Paulo: Guilherme Arantes!

Aviso de antemão que essa votação foi recorde: muitos hits do cara, por isso muita gente ficou dividida e tivemos mais votos do que todas as edições especiais do TopTulho anteriores! Palmas para o Guilherme! O EnTHulho Musical agradece mais uma vez os votos dos amigos leitores!

Ele já foi amplamente homenageado aqui no blogue. Em Abril de 2011, foi Artista Do Mês e, graças a seus fãs, batemos também recorde de visualizações na época. É dessa data, aliás, que tiro o texto-homenagem a ele:

Publicado em 29 de Abril de 2011:

"Guilherme Arantes é sentimental, sensível, delicado...
Suas músicas refletem muito bem sua harmônica relação com o amor, com a melancolia e sua sinergia com todos os sentimentos e elementos. Letras e músicas, diga-se de passagem - por trás do grande letrista, há também um músico dedicado e cuidadoso com seus projetos e empreitadas. Não escondendo também suas participações em projetos sociais e causas nobres.
É sentimento puro!
Refletindo sobre isso, dá pra associá-lo ao lado subjetivo de qualquer relação. E qual seria o seu lado prático, afinal?
Eu respondo: OS FÃS!
Esses queridos que batalham diariamente pra que sua imagem não seja esquecida. Esses incansáveis que não param de pesquisar e procurar novidades, ressuscitando entrevistas antigas, recortando artigos de jornal... há de se destacar que Guilherme Arantes tem os mais calorosos e esforçados fãs clubes do país. Seus seguidores lhe creditam uma importância que ele realmente merece ser - eu acredito piamente que ele deveria ser colocado ao lado dos maiores compositores brasileiros, e que mereça ser tão interpretado por nossas maiores cantoras como os mais óbvios como Chico Buarque e outros tantos.
Eu aprendi e tenho certeza que muita gente conheceu melhor o universo de GA ao longo desse mês no EnTHulho Musical. E foram seus fãs quem nos ensinaram! É sempre bom contar com corações empolgados sempre prontos pra compartilhar suas entusiasmadas informações e a postos para defender seu ídolo a todo custo!"


O TopTulho quis saber quais eram as preferidas do mestre na opinião dos internautas, e o resultado foi o seguinte:

1) MEU MUNDO E NADA MAIS (Álbum "Guilherme Arantes", de 1976)
2) UM DIA, UM ADEUS (Álbum "Guilherme Arantes", de 1987)
3) AMANHÃ (Álbum "Ronda Noturna", de 1977)
4) CHEIA DE CHARME (Álbum "Despertar", de 1985)
5) PEDACINHOS (BYE, BYE, SO LONG) (Álbum "Ligação", de 1983)
6) LINDO BALÃO AZUL (Só consta em coletâneas e álbuns "Ao Vivo")
7) DEIXA CHOVER (Single de 1981)
8) SOB O EFEITO DE UM OLHAR (Álbum "Crescente", de 1992 - Single de 1991)
9) EXTASE (Álbum "Guilherme Arantes", de 1979)
10) PLANETA ÁGUA (Single de 1981 - Festival MPB Shell 1981)
11) BRINCAR DE VIVER (Só consta em coletâneas e álbuns "Ao Vivo")
12) TAÇA DE VENENO (Álbum "Crescente", de 1992)
13) CUIDE-SE BEM (Álbum "Guilherme Arantes", de 1976)
14) OURO (Álbum "Guilherme Arantes", de 1987)
15) OH, MEU AMOR! (Álbum "Ronda Noturna", de 1977)
16) NAVE ERRANTE (Álbum "Guilherme Arantes", de 1976)
17) BAILE DE MÁSCARAS (Álbum "Ronda Noturna", de 1977)
18) LOUCAS HORAS (Álbum "Calor", de 1986)
19) TRILHAS (TRACES) (Álbum "Clássicos", de 1994)
20) FIO DA NAVALHA (Single de 1984)

TAMBÉM FORAM VOTADAS:

21) 14 ANOS
22) MUITO DIFERENTE
23) CINZA INDUSTRIAL
24) DESCER A SERRA (SOROCABANA)
25) GRAFITE
26) MARCA DE UMA ESTRELA
27) O MELHOR VAI COMEÇAR
28) FÃ Nº 01
29) LANCE LEGAL
30) MANIA DE POSSUIR
31) MÁGICA EM MIM
32) RAÇA DE HERÓIS
33) COISAS DO BRASIL
34) APRENDENDO A JOGAR
35) DE REPENTE (FAZER NENÉM)
36) CONDIÇÃO HUMANA
37) BRASÍLIA
38) VAI SER BOM LEMBRAR
39) 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS 
40) SOL AO MEIO DIA
41) ESTRANHO
42) XIXI NAS ESTRELAS
43) VIVA!
44) LENDAS
45) PEQUENOS PECADOS
46) A BANDINHA
47) BOM DIA!
48) LÁGRIMA DE UMA MULHER
49) INTERIOR
50) TURBA
51) CORAÇÃO PAULISTA
52) HORA DE PARTIR O CORAÇÃO
53) CASTELOS
54) MARINA NO AR
55) TODO MÊS DE MAIO NA MAIOR
56) A CIDADE E A NEBLINA
57) PERTO DO CÉU
58) ROMANCES MODERNOS
59) OLHOS VERMELHOS
60) ERA UMA VEZ UM VERÃO
61) HORTELÃ
62) CLARINS E CLARÕES
63) LUZ VERDE
64) O AMOR NASCEU
65) ESTATÍSTICAS

MÚSICAS RELEVANTES NÃO VOTADAS:

A COISA MAIS LINDA QUE EXISTE
A NOITE
ALGUÉM
BOM PRESSÁGIO
CASULO
EU QUERIA AMOR (MY CHERIE AMOUR)
EU QUERO SIM
FANTOCHES
GUARDE O CORAÇÃO
O APRENIDIZ E O CARPINTEIRO
O LADO PRÁTICO DO AMOR
POR VOCÊ, COM VOCÊ
PRONTOS PARA AMAR
SEU BALANÇO
UM POUCO MAIS
UMA ESPÉCIE DE IRMÃO
VIVER OUTRA VEZ (CAMPANHA AIDS 1988)
VÔO DE ÁGUIA



Espero que tenham gostado da homenagem! E agora, fechamo-na com a mais pedida de Guilherme! Direto das duas versões da novela ANJO MAU (1976 e 1997):

MEU MUNDO E NADA MAIS
Guilherme Arantes

Quando eu fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades
Que eu sabia

Só sobraram restos
Que eu não esqueci
Toda aquela paz
Que eu tinha

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo
Estou mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando!
Daria tudo, por um modo
De esquecer

Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais

Não estou bem certo
Se ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura

Como ser mais livre
Como ser capaz
De enxergar um novo dia

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo
Estou mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando!
Daria tudo, por um modo
De esquecer

Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais



Nostalgia boa, hein? Agora a gente volta pra atualidade para conferir o...



Estamos vivendo uma grave crise política. 

Ano passado eu defendi a Democracia quando me posicionei contrário ao Impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, mas acabaram rasgando nossa Constituição e condenaram-na injustamente, num perfeito golpe de tomada de poder. Pois bem, continuo defendendo a democracia,  mas decidi seguir a máxima jurídica que indica que "quando a lei é injusta, não devemos apenas desobedê-la, mas temos obrigação disso". Refiro-me à ordem constitucional de sucessão presidencial, diante da já certa queda do Presidente Michel Temer. 

Sei que está na Constituição a sucessão do Mandato Tampão em caso de impedimento presidencial, mas já rasgaram nossa Carta Magna por demais. Estamos diante de um 1964 declarado, enquanto o que eu quero mesmo é a volta de 1984, a retomada da Democracia, aliada a uma forte e eficaz reforma política. Por isso, ainda que inconstitucionalmente, hoje estou ao lado dos que estão dando a cara (e a vida) a tapa nas manifestações em prol de novas eleições. Hoje me sinto muito mais representado por eles do que por esses políticos corruptos e imundos que vemos por aí. DIRETAS JÁ!

Falemos de música. Na parada contemporânea, saem Elza Soares (snif) e AnaVitória com Tiago Iorc, e estreiam Mallu Magalhães (com o clipe de "Você Não Presta", aliás, foi acusado de racismo, e a cantora pediu desculpas publicamente por ele, a despeito de ser um bom e uma ótima música), e Johnny Hooker, regressando ao TopTulho, dessa vez com uma versão de "Como Vai Você", do rei Roberto Carlos.  Por falar no Rei, ele segue no comando da parada com "Sereia".  E Silva alcança a medalha de prata. Vamos dar o destaque mais uma vez a esse cantor de talento, jovem e forte voz da nossa MPB, que conseguiu dar uma roupagem assobiável às canções da rainha Marisa Monte. A gente confere primeiro como ficou a parada e ouvimos "Eu Sei" logo a seguir, encerrando Maio com chave de ouro!

TOPTULHO MUSICAL - EDIÇÃO # 128 - 28/05/17

1) ROBERTO CARLOS - Sereia (=) (8 Semanas) 
2) SILVA - Eu Sei (+1) (8 Semanas)  
3) TIAGO IORC - Tempo Perdido (-1) (6 Semanas) 
4) TIÊ - Mexeu Comigo (+3) (5 Semanas) 
5) ROBERTA SÁ - Pra Você (=) (8 Semanas)  
6) URBANA LEGION - Apóstolo São João (=) (9 Semanas)   
7) SANDY - Respirar (+3) (3 Semanas) 
8) PROJOTA - Oh Meu Deus! (-4) (12 Semanas)     
9) FILIPE CATTO - Do Fundo Do Meu Coração (+3) (4 Semanas) 
10) BAIANA SYSTEM - Invisível (+3) (7 Semanas)  
11) ANA VILELA - Trem Bala (-2) (21 Semanas) 
12) BRUNA CARAM - Par (+3) (5 Semanas) 
13) MANU GAVASSI - Hipnose (+4) (3 Semanas)
14) ANA CAROLINA - A Pele (-6) (9 Semanas)   
15) JOHNNY HOOKER - Como Vai Você? (ESTREIA)
16) ANA CAÑAS - Respeito (+4) (2 Semanas)
17) CAETANO VELOSO - O Quereres 2017 (-1) (6 Semanas)  
18) MALLU MAGALHÃES - Você Não Presta (ESTREIA)
19) CLÁUDIA LEITTE - Taquitá (-5) (9 Semanas)   
20) MILTON NASCIMENTO & HAMILTON DE HOLANDA - Bicho Homem (-9) (6 Semanas) 

Saem:

ANAVITÓRIA & TIAGO IORC - Trevo (15 Semanas. Maior posição: 01)
ELZA SOARES - A Mulher Do Fim Do Mundo (13 Semanas. Maior posição: 01)  



EU SEI (NA MIRA)
Marisa Monte
Silva

Um dia eu vou estar à toa
E você vai estar na mira
Eu sei que você sabe
Que eu sei que você sabe
Que é difícil de dizer
O meu coração
É um músculo involuntário
E ele pulsa por você
Um dia eu vou estar contigo
E você vai estar na minha

Enquanto eu vou andando o mundo gira
E nos espera numa boa
Eu sei, eu sei
Eu sei



TH - Que venha o querido JUNHO!

domingo, 19 de abril de 2015

TOPTULHO MUSICAL # 20



Chegamos à vigésima edição do TopTulho, a seção que mais uma vez bateu recordes de visualizações! Deixo aqui novamente meu agradecimento!

Hoje, dia 19 de Abril, é dia do Índio, a quem devemos demais, desde o império, até hoje. Sim, ainda existem os índios e eles estão sofrendo demais com as questões de demarcações de suas terras, que encontram óbice com os gananciosos de plantão e ruralistas. Mas isso aqui é um blogue de música...

O TopTulho é constituído das paradas musicas das mídias especializadas em Mpb e rock brasileiro, mas você também pode votar! Seja nos comentários, seja no Feicebuque. Sim, há um grupo do EnTHulho Musical no Face, dá uma chegadinha lá! :)

Quem assume a liderança da parada dessa vez é a vampira Paula Toller, que chega ao 1º lugar com "Transbordada", música-título de seu último álbum, desbancando, assim Marjorie Estiano. A maior queda fica por conta da parceria de Fernanda Takai e Samuel Rosa: desceram 6 posições!! Maria Rita e Casuarina também caíram bastante: 5 degraus a menos, cada um. 

Ao contrário das semanas anteriores, nesta só temos uma estreia, mas também É A ESTREIA! Elba Ramalho nos dá a honra de sua presença, ressurgindo num estilo completamente diferente do habitual: um reggae que regravou do grande Edson Gomes! Oswaldo Montenegro cedeu seu lugar para a nordestina, saindo da parada com "A Porta Da Alegria" (só ficou uma semana!). 

O vigésimo TopTulho ficou assim:

1) PAULA TOLLER - Transbordada (+1) (9 Semanas)
2) MARJORIE ESTIANO E GILBERTO GIL - Luz Do Sol (-1) (8 Semanas)
3) ALICE CAYMMI - Como Vês (=) (10 Semanas)
4) SKANK - Esquecimento (=) (13 Semanas)
5) LULU SANTOS - Luís Maurício (+1) (9 Semanas)
6) MART'NÁLIA E PEDRO LUÍS - Tem Juízo, Mas Não Usa (+1) (7 Semanas)
7) VANESSA DA MATA - Por Onde Ando, Tenho Você (+3) (7 Semanas)

8) JOTA QUEST - Dentro De Um Abraço (=) (14 Semanas)
9) THIAGO PETHIT - Honey Bi (=) (4 Semanas)
10) PITTY - Serpente (+1) (3 Semanas)
11) FERNANDA TAKAI E SAMUEL ROSA - Pra Curar Essa Dor (-6) (11 Semanas)
12) TIAGO IORC - Dia Especial (=) (4 Semanas)
13) MARIA BETHÂNIA - Eu Te Desejo Amor (+3) (2 Semanas)
14) CAPITAL INICIAL - Coração Vazio (+1) (3 Semanas)
15) JOTA QUEST - Entre Sem Bater (+1) (3 Semanas)

16) ELBA RAMALHO - Árvore (ESTREIA)
17) MART'NÁLIA - Pra Que Chorar? (+3) (2 Semanas)
18) MARIA RITA - É Alma, É Corpo, É Religião (-5) (6 Semanas)
19) CASUARINA - A Vizinha Do Lado (-5) (12 Semanas)
20) ZECA BALEIRO - Ai Que Saudade D' Ocê (-2) (20 Semanas)


Saiu:

OSWALDO MONTENEGRO - A Porta Da Alegria (1 Semana. Maior posição: 19)


Ele foi se chegando de mansinho...subindo uma posição aqui, caindo outra acolá...e hoje conseguiu finalmente alcançar o Top 5, aparecendo na 5ª posição. 

Nos anos 80, essa dificuldade de "arrancar" nas paradas seria impensável para Lulu Santos, é só conferir nos TopTulhos Do Passado anteriores: o rei do pop sempre mandava bem e contabilizou inúmeros hits, talvez o maior hittmaker do cenário brasileiro. 

"Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia..."

O lance é que ele está nas paradas, com uma música alter-ego. Prova que ainda é bem mais do que mero jurado impiedoso do "The Voice Brasil", né?



Hoje tem Lulu, tentando ainda reinar o Pop Brasileiro!


LUÍS MAURÍCIO
Lulu Santos

Não entendo de política
Não tive educação
O que não quer dizer que vá confundir, fato com boato

Já vivi de aparência
Transitei na ilusão
Mas agora ando bem melhor
E muito menos drama

Porque o coração
Trabalha como uma bússola
E errar o rumo também faz parte

Não me ligo em filosofia
Não me dá tesão
O que não segue que vá menosprezar
O saber e a razão

Não sou bom em matemática
Nem com a bola no chão
Mas uma coisa eu sei que posso fazer, que é levar um som

Porque o coração
Trabalha como uma bússola
E errar o rumo também faz parte

Equinócio e solstício
Leste, oeste, norte ou sul
Eu me chamo Luiz Maurício
Mais conhecido como Lulu

Porque o coração
Trabalha como uma bússola
E errar o rumo também faz parte

Equinócio e solstício
Leste, oeste, norte ou sul
Eu me chamo Luiz Maurício
Mais conhecido como Lulu

Eu disse muito menos drama!





Já se deleitou com o hit do Lulu? Mas não sai daí não...agora a gente começa o...


O TopTulho Musical Do Passado viaja hoje para 1987...valeria a pena voltar?

Era o ano do Plano Bresser, lançado pelo Ministro da Fazenda José Sarney, numa tentativa de conter a inflação brasileira. E vocês reclamando de hoje, hein?

Na televisão, as novelas Brega e Chique, Mandala, Direito De Amar, Bambolê, Sassaricando e O Outro fizeram bastante sucesso. A Mara Maravilha despontava no SBT para tentar conter o fenômeno Xuxa na Globo...

Na música, muitos sucessos, destaque para a pluralidade de ritmos, bem como a quantidade enorme de sucessos super populares convivendo harmonicamente com músicas mais, digamos, refinadas, como você conferirá agora.

Apertem os cintos, pois a nave do TopTulho viaja agora para...1987!

Há 28 anos...

1) GUILHERME ARANTES - Um Dia, Um Adeus
2) RITA LEE E ROBERTO DE CARVALHO - Bwana
3) MARIA BETHÂNIA - Gostoso Demais
4) MARINA - Virgem
5) ROSANA - O Amor E O Poder
6) SANDRA DE SÁ - Retratos e Canções
7) ULTRAJE A RIGOR - Pelado
8) ROUPA NOVA - Volta Pra Mim
9) CAZUZA - O Nosso Amor A Gente Inventa
10) NEY MATOGROSSO - O Mundo É Um Moinho
11) LEGIÃO URBANA - Quase Sem Querer
12) RAUL SEIXAS - Cowboy Fora Da Lei
13) DULCE QUENTAL - Caleidoscópio
14) OS PARALAMAS DO SUCESSO - A Novidade
15) JOANNA - Amanhã, Talvez
16) ZIZI POSSI - A Paz
17) FAUSTO FAWCETT E OS ROBÊS EFÊMEROS - Kátia Flávia
18) BANDA REFLEXU'S - Madagascar Olodum
19) REGINALDO ROSSI - Garçom
20) DOMINÓ - Manequim


COMENTÁRIOS DE TH: Quando eu disse "pluralidade de ritmos", não estava brincando, hein? Diferente das últimas edições do TopTulho Do Passado, onde o rock nacional estava reinando, nessa temos alternância para estilos como "brega", "romântico", "axé", "reggae", "pop de Boy Band" e outros. E nesta edição também podemos ver que há uma abertura maior para músicas mais populares, como "O Amor e O Poder", da Rosana, que é um hit clássico e obrigatório para qualquer trash 80's que se preze...

Sandra De Sá também mostra sua faceta mais popular, reflexo da Sullivarização de sua música, que lhe rendeu muito $$$$$ e o passaporte para o estrelato. De tantos hits seus de 87, escolhi "Retratos e Canções" para lhe representar. Aliás, sullivanizada também aparece Joanna, com aquele sucesso do radinho da sua secretária do lar: "só mais uma vez, amanhã talvez". 

Seguindo a mesma linha de "sentir a dor sem medo de ser cafona", temos o Roupa Nova, com mais um de seus megassucessos radiofônicos "Volta Pra Mim". Eu os classificaria como a "boy band" brasileira com talento. E por falar em boy band...

...o que é "Manequim", do Dominó, hein? Até hoje eu sinto vergonha dessa música...mas, eles tem uma relevância ímpar na década de 80, e mereceram aparecer sim!

Passando dessas músicas de "brega não declarado", vamos para o super declarado defensor do estilo Reginaldo Rossi, que lançou nesse ano a música que marcaria sua carreira para sempre: "Garçom". Mestre!

E teve rock nacional: Os Paralamas Do Sucesso vinham com "novidade" em seu repertório: um reggae-rock delicioso; É do Herbert Vianna também a letra de "Caleidoscópio", da Dulce Quental (lembra dela? Ex-Sempre Livre), e a moça ainda ganhou a produção de seu disco por ele; Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, para você que pensava que era bagunça da Fernanda Abreu, saiba que foi um grande hit de Fausto Fawcett deste ano; Legião Urbana e Cazuza, daí pra frente, serão onipresentes nos futuros anos; Teve Raul Seixas ainda, com um de seus últimos sucessos; Teve Marina, que finalmente conseguia posições mais assobiáveis nas paradas com a linda "Virgem", do ótimo disco de mesmo nome; e o hit-mor do Ultraje a Rigor (abertura da novela "Brega e Chique, aquela da bunda do Vinicius Manne) completa a seleção.

Ney Matogrosso dá um toque de classe à seleção, cantando "O Mundo É Um Moinho", de Cartola, numa interpretação perfeita!

E as cantoras classudas, claro que não deixariam de aparecer: Zizi Possi vinha de 1986 (que foi o ano internacional da paz), enviando mensagens pacíficas também em 1987, com "A Paz", sucesso que atravessou o ano; Maria Bethânia traz sua releitura para "Gostoso Demais", que ficou divina em sua voz, "imponente suave"; Por fim, Rita Lee reaparece com o sucesso "Bwana", mais um pra sua farta coleção, garantindo o segundo lugar!

(Menção honrosa para o axé cult da Banda Reflexu's, trazendo importantes mensagens históricas. E teve a Sarajane, que não entrou na seleção, mas fez o mundo abrir a roda do axé, consolidando o ritmo em definitivo!)


O primeiro lugar foi merecidamente para Guilherme Arantes, e seu sucesso melancólico "Um Dia, Um Adeus", que, além de ter sido tema de novela, afogou as mágoas de tantos relacionamentos desfeitos em 1987. Hino da dor de cotovelo!

Aliás, há exatos 4 anos, o EnTHulho Musical dedicou o mês inteiro de Abril de 2011 a vasculhar a vida e a obra do Guilherme. Que tal dar uma conferida o histórico do blogue?


UM DIA, UM ADEUS
Guilherme Arantes

Só você pra dar a minha vida direção
O tom, a cor, me fez voltar a ver
A luz, estrela do deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza

Um dia um adeus, eu indo embora, quanta loucura
Por tão pouca aventura
Agora entendo, que andei perdido
O que que eu faço, pra você me perdoar

Ah que bom seria se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir como a primeira vez
Te dar o carinho que você merece ter
Eu sei te amar, como ninguém mais
Ninguém mais, como ninguém jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou, ninguem mais
Como ninguém jamais te amou, ninguém jamais
Te amou

Como eu


TH - Bom Domingo!


terça-feira, 26 de abril de 2011

TUDO O QUE ELE TOCA VIRA OURO!


Guilherme Arantes em:


New Classical Piano Solos


Por Grazi Ella Feliz Ares, SP




Nova York, às 19 horas do dia 18 de julho de 2000. Numa sala de estilo clássico do Steinway Hall, acompanhado pelos músicos da Juilliard School, Guilherme Arantes apresenta suas composições no famoso piano de Vladimir Horowitz diante de 150 espectadores selecionados. Trata-se do lançamento do álbum instrumental New Classical Piano Solos. Fruto de anos de dedicação, o trabalho foi submetido à avaliação da fabricante de pianos Steinway & Sons no início do referido ano, rendendo a Guilherme o convite para integrar o Roster of Steinway Artists sendo nomeado Steinway Artist pela conceituada galeria integrada pelos melhores pianistas do mundo.

“Quando eu mandei meu CD instrumental para a apreciação do Conselho da Steinway, fui chamado para integrar o Roster of Steinway Artists, o que foi minha maior emoção em toda a carreira. Nessa ocasião eu também obtive acolhida para meu projeto de tocar no Steinway Hall, e saí de lá com as pernas bambas... Fiz um mini concerto, para seleta plateia, no dia 18 de julho de 2000. Pude contar com músicos da Juilliard School - que tem um Office of Career Placement - uma espécie de escritório de agenciamento de músicos, que me possibilitou escalar uma excelente formação de dois violinos, uma viola, um violoncelo, um contrabaixo de orquestra, uma flauta, um oboé e um clarinete. A experiência valeu demais, até pelo trabalhão que as partituras me deram... Mas ficou impecável e esse pequeno "ensemble" soou maravilhosamente bem.”

Não há dúvidas de que Guilherme Arantes é um músico completo. Excelente cantor, exímio pianista, sabe como ninguém expressar o equilíbrio entre razão e emoção, em cada composição. O álbum New Classical Piano Solos contempla obras belíssimas para piano, compostas por Guilherme, ao longo de sua carreira. Seus dedos sobre o piano traduzem, em acorde, a alma de cada uma das canções. Guilherme estava em busca de novos horizontes para sua música:

“Talvez libertando o meu som das letras, da barreira da língua, da minha voz, da imagem, eu consiga ampliar os horizontes para minha música mais profunda... O verdadeiro artista existe para desafiar, oferecendo para um mundo preguiçoso a incerteza do novo, mesmo que para poucos. Cada um faz suas opções.”


O book promocional do álbum (que pode ser consultado em http://ligacomga.sites.uol.com.br/principal.htm) revela o âmago de cada composição: “O barco livre” é o “tema do fogo, sereno e constante”. “Irish Coffee”, denota “forte influência da música irlandesa”, com a participação especial da cantora Marietta Vittal (filha de Guilherme). “Xiva Nataraja” é o “tema do lago, do mar sereno”. “Paola” em homenagem à filha caçula do cantor, “uma canção delicada”. “O olhar profundo” é o “tema do vento e dos seus mistérios”. “Magnos” é o “tema da tempestade”. “Pra começar o dia”, uma “ode matinal à paz do campo”. “Pérolas de Néon”, traduz a influência do rock progressivo na carreira do músico. “Marietta”, canção que leva o nome de sua primeira filha, “possui um arranjo bem brasileiro”, contagiante. “Purus Paralelo 7”, uma das primeiras composições de Guilherme, escrita na época da faculdade, sobretons do rock progressivo costuram o tema. “Poslúdio”, “uma meditação diurna”. “Entardecer” convida à meditação “propondo um contraponto ao ruidoso trânsito das grandes cidades ao cair da noite”. “A primeira voz desperta”, uma verdadeira “valsa brasileira”. “A coisa mais linda que existe”, uma canção de amor. “Pout Pourri da Sala do Papai” traz trechos das canções A Saudade Mata a Gente (Antonio Almeida/João de Barro), Caco Velho (Ary Barroso), Águas de Março (Tom Jobim), Carinhoso (PIxinguinha) e No Rancho Fundo (Lamartine Babo/Ary Barroso), em homenagem ao pai, Gelson, o principal incentivador de sua musicalidade.

O álbum foi lançado no ano 2000, pela Sony Music. Nas palavras de Guilherme:


“Lancei em julho de 2000 um CD de solos de piano, New Classical Piano Solos, com temas delicados e intensos. Esse CD foi inteiramente concebido e executado em meu "estudiozinho" em São Paulo, durante quase oito anos, e posteriormente lançado por meu selo Verde Vertente Audio (atual Coaxo do Sapo), com distribuição da Sony Music. O fato da Sony se interessar pela distribuição desse trabalho foi um grande incentivo para mim, por ser um produto atípico, totalmente pessoal e ético, num mercado de uma "grande mídia" apodrecida, corrupta e entregue aos ratos e baratas que compactuam com um esquema fechado à novidade.”

Apesar do trabalho impecável construído ao longo de muitos anos de composição e estúdio, Guilherme se sentiu um tanto frustrado, pois o álbum não teve a repercussão esperada, devido ao descaso da mídia. Em uma entrevista ao “Fã Clube GA Registro” (http://www.guilhermearantes.net/zine4.htm), Guilherme desabafa:

"Tive que me conformar em ver o New Classical Piano Solos na prateleira de cantores românticos, junto com Amado Batista, Odair José, José Augusto, Biafra e Peninha na Virgin Records Store, do Times Square em Nova York! E aqui no Brasil, era pra fazer o programa “Jô Soares onze e meia” mas fui preterido pela produtora Anne Porlan, pra ceder lugar a uma entrevista do Alexandre Frota, que lançava um filme pornográfico com a Rita Cadillac. Acharam que o Guilherme Arantes tocando no piano do Wladimir Horowitz, no Steinway Hall, sessenta anos depois de Guiomar Novaes tocar ali, não era pauta para o Jô. Nunca mais um brasileiro havia tocado no Steinway Hall até então".

Recentemente, durante um show em São Paulo, Guilherme também não escondeu sua decepção sobre o então lançamento da obra em 2000. Mas não se deu por vencido, anunciando que, em 2011, ano em que também comemora 35 anos de carreira, irá relançar o álbum em CD, DVD e Vinil, pela produtora Coaxo do Sapo (propriedade de Guilherme):



“O New Classical Piano Solos, um trabalho atemporal por tratar-se de um CD instrumental, voltará ao catálogo da Coaxo do Sapo, passando, antes, nada mais nada menos, que pelo Estúdio Abbey Road – aquele famoso na capa do disco dos Beatles (Abbey Road/1969) – e, depois, por prensagem analógica, na Austrália”. (http://www.planetaguilhermearantes.com/2010_cd_guilhermearantespianosolos.htm)

O álbum New Classical Piano Solos é um marco na carreira de Guilherme, a obra que o consagrou enquanto membro do Roster of Steinway Artists. E por meio de sua reedição o músico oferece, com carinho e consideração, uma nova oportunidade para que nós, brasileiros, apuremos os ouvidos e abramos o coração para admirarmos e apreciarmos suas composições instrumentais. Pois, acreditem, “tudo o que ele toca vira ouro”!



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No vídeo abaixo, Guilherme Arantes rasga o verbo acerca da pouca repercussão do disco.
Agradecimento ao fã clube "Planeta Guilherme Arantes" e a Grazi Ella Feliz Ares pela supermatéria!



sexta-feira, 15 de abril de 2011

ENTHULHO MUSICAL APRESENTA: MOTO PERPÉTUO!



Pra quem não conhece, foi uma banda de rock progressivo nosso artista do mês, Guilherme Arantes, participava.
Quem apresenta é a ilustre convidada Grazi Ella Feliz Ares, mais uma vez enriquecendo nossa revista musical on-line.
Boa leitura!



"Guilherme Arantes já pilotou um "Moto Perpétuo". Por Grazi Ella Feliz Ares, SP.



Guilherme Arantes foi um adolescente privilegiado. Por influência do tio que trabalhava na TV Record, presenciou, no teatro da emissora, as disputas musicais entre os cantores que se tornariam os grandes nomes da MPB. Nessa época, Guilherme já fazia parte de conjuntos musicais cujo repertório incluía canções dos Beatles e da Jovem Guarda. O primeiro deles chamava-se “Os Polissonantes”, cujo baixista era o ator Kadu Moliterno:
“Conheci o Chicão, o Pudim, o Michelin, o Kadú (Moliterno) e o Capê. O Polissonante na verdade não passou muito dos ensaios e de algumas apresentações no Tênis Clube e no Círculo Militar, onde era o máximo tocar. A gente vivia zoando no ônibus elétrico pela Aclimação, soltando sacos de bolinhas de gude no chão, e nos ensaios do conjunto eu brilhava porque tirava tudo de ouvido na hora, era o mais novinho da turma, as garotas curtiam com a minha cara de bebezão (cheia de espinhas, por uns 6 anos de inesquecível angústia).”

Apesar do talento, a família de Guilherme ainda não estava convencida de que o meio musical era o melhor caminho. Guilherme prestou vestibular para Arquitetura, influenciado pela mãe, mas não passou. Fez cursinho e, como ele mesmo diz:

“Após ralar brilhantemente naquela fábrica de salsicha - todos os ‘cursinhos’ são uma espécie de igreja de lavagem cerebral - acabei passando no Mackenzie e na tão sonhada FAU, da USP. Optei pela FAU, e gostei de cara da escola, fiz muitos amigos, e gostava muito das tertúlias musicais na casa do Bicalho, que morava perto da USP. Acho que o curso era bom demais pra mim... Já no segundo ano eu estava de novo distante, com a cabeça em outro chamado, não passei do primeiro semestre em várias matérias básicas. Conheci o Claudio Lucci, brilhante violonista, e com ele fui procurar um velho amigo, o Diógenes, o melhor baterista que vi tocar em toda minha vida.”



Quando Diógenes se uniu ao grupo, trouxe consigo o guitarrista Egydio Conde e o baixista Gerson Tatini. E assim o Moto Perpétuo (cujo nome foi inspirado numa das mais famosas obras do compositor e violinista italiano Niccolò Paganini) dava seus primeiros passos na São Paulo de 1974. O grupo recebeu grande influência do Clube da Esquina e do Rock Progressivo (estilo bastante difundido entre os estudantes da época).
Era numa casa, no bairro do Brás, que a banda marcava suas reuniões, nem sempre amistosas. Os integrantes chegaram a discutir com Guilherme por ter agendado uma sessão de gravações num estúdio muito simples: “O Moto logo gravou o primeiro disco, meio precário, com produção do Pena Smith, legendário talento, fazendo milagres no estúdio da Sonima (em São Paulo), de apenas oito canais. Na banda entraram o Gerson Tatini, baixo, o Egydio Conde, guitarrista, e a gente se enfurnou numa casa no Brás, para ensaiar. Os meus colegas, sempre brigando comigo por causa da minha ‘precipitação’ de ter aceito fazer o precioso disco num estúdio de poucos canais e em condições bem diferentes daquelas que eles tinham ouvido falar sobre o Yes, etc. Um dia o Gerson falou pra mim: ‘Você não ouve disco, saca?’ Ele era o mais radical nessa formatação para estar de acordo com uma época, e eu respondi, malcriado e injusto ‘Não ouço disco porque nasci pra fazer disco, saca?’”.

Aliás, os demais integrantes da banda eram bastante fiéis ao estilo rock progressivo, enquanto Guilherme preferia as baladas. O gosto musical de Guilherme influenciou muito a banda, já que as canções, em sua maioria, eram compostas por ele, que também era o vocalista principal. Das onze canções, apenas duas foram compostas por Cláudio Lucci. Apesar das diferenças e desavenças, o disco saiu em 1974, com arranjos bastante inusitados para a época. Como a banda não recebia espaço para divulgação na mídia, para alavancar a venda dos LPs, o grupo passou a vender as cópias durante os shows em universidades, no Teatro 13 de Maio ou em festivais hippies. Entretanto, Guilherme detestava o ambiente dos festivais hippies, se irritava com os banheiros sempre sujos e a falta de educação da plateia que não entendia a mensagem da banda: “Em Iacanga, festival de Águas Claras, fomos ser chacota da galera boçal que gritava: "Toca Rock!!". Ali se apresentaram "O Terço", "Som Nosso de Cada Dia", etc. Eu nunca gostei do lado escatológico do movimento Hippie - o fedor, a sujeira dos ‘banheiros’, a comida comunitária, os bichos grilos em profusão, num movimento já esvaziado e nostálgico. Cedo percebi a estupidez das multidões, a falsidade do tributo que cada época nos obriga a pagar... Aquele grito "Toca Rock!!" ficou sendo emblemático para mim. Cada período cobraria seu tributo, seja nos cabelos e nas roupas, nas bandas pretensiosas, no discurso político, mais tarde o bate estaca da discoteca, do "desbunde" do pó, até o pragmatismo eficiente dos Axés, dos rodeios, do Dance Music com seus DJs, MCs e Promoters, tudo me soa como se o mundo houvesse "curralizado" a cultura de massa. Também, de que vale essa cultura?”

Sobre o Moto Perpétuo, é interessante notar a ingenuidade das composições do grupo, a maioria das canções era composta por poemas musicados. Recentemente, comprei um dos últimos exemplares do relançamento em CD, pela Warner. É, sem dúvida, um disco para ser saboreado... A cada audição é possível destacar uma canção. “Duas” é uma balada bem ao estilo Elton John. “Verde Vertente” é, de longe, a música preferida de Guilherme (e até hoje faz parte do playlist de seus shows). “Matinal” é uma faixa deliciosa, com uma pegada hippie. “Conto Contigo” é bem animada apesar da letra quase enigmática. “Mal o Sol” tem o refrão recorrente como um mantra. “Não reclamo da chuva” outra composição enigmática, com vocal bastante inusitado, gostosa de cantar. Em todas as canções, a voz do Guilherme é aconchegante, chama a atenção para as letras e linhas melódicas de sua composição. “Três e eu”, composta e interpretada por Cláudio Lucci é uma faixa que também merece destaque, pela introdução com um violão meio flamenco, se desmanchando na melodia bastante poética: “Eram três e eu, noite apontou... eram três e eu, num subúrbio que passou... Vagão vago azul, carvão vapor... eram três e eu... vento escuro nos cabelos”.
Após este disco, cada integrante da banda tomou um rumo próprio, em busca do sucesso. Guilherme Arantes trabalhou com a composição e gravação de alguns jingles e partiu em busca de apoio para gravar um disco solo, que em 1976, estourou nas paradas musicais com Meu Mundo e Nada Mais: “No final de 75 resolvi seguir o meu destino de cantor popular e fui procurar a Som Livre, na Rua Augusta, em frente ao atual Columbia. Na época, as baladas pianísticas de Elton John estavam na moda, eu estava com sorte. O Otávio Augusto, o Guto Graça Mello e o João Araújo resolveram me lançar como tema da novela das 7 ("Anjo Mau"), e aí sim começaria de verdade a minha história”.

Uma história, diga-se de passagem, de muito sucesso e grandes conquistas...



Texto exclusivo do EnTHulho Musical. Todos os direitos reservados.


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Agora, vamos à música do Moto que o próprio Guilherme considera como a sua favorita!


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VERDE VERTENTE
Moto Perpétuo.
Composição: Guilherme Arantes

Granulou-se verde vertente
onde o brilho solar atinge
muitos anos já se passaram e quase não vi
que espalhou-se o verde em vertente
onde o brilho solar refringe
muitos anos já se passaram que desconhecia
o seguinte passo
nada que não faço mal e mal me faça passar
qual a nova sêde
que é de tanta sêde que não sente
não é nova, novamente
nesse assônico escuto o simples
pois há meios de boa fala
muitos anos já me bastaram sem voltar aqui
nesse assônico escuto o simples
pois semeio-me sem forçá-lo
muitos anos já me bastaram até este dia...



TH - Mais uma luxuosa colaboração de Dona Grazi! Obrigado!



sábado, 9 de abril de 2011

TEMA DE NOVELA ESPECIAL: DOSSIÊ GUILHERME ARANTES!



"Guilherme Arantes e Roupa Nova foram quem mais se beneficiaram no
cenário musical brasileiro por terem suas músicas associadas a novelas."

Nilson Xavier



Ter música em novela significa o quê para os músicos brasileiros?
Maior visibilidade? Projeção nacional? Evidente. O alcance que as trilhas sonoras da teledramaturgia não tem limites – há casos documentados de artistas que construíram carreiras graças à presença de suas músicas nas cenas de nossas novelas.
Por outro lado, existem também os que rejeitam – consideram um crime imperdoável cogitar que suas músicas constem em trilhas sonoras televisivas – seria o mesmo que “vender a alma” de maneira bastante capitalista só para fazer sucesso.
O público também se divide. A maioria se torna fã imediatamente de uma música que toca naquela cena-chave – e no dia seguinte já está lá, ligando pra rádio pra pedir que toque (ou, nos dias de hoje, corre pra baixar da internet). Também há os detratores - quem nunca escutou um “iiih, essa música já tocou tanto na novela que não agüento mais” – reflexo do costume da novela brasileira de tocar seus temas reiteradamente...
Discussões à parte, a verdade é que a força da televisão brasileira comporta também que vários cantores e bandas “casem” com tantas cenas e personagens. Um enlace tão poderoso que por décadas e décadas permanecem de mãos dadas. Neste cenário encontra-se Guilherme Arantes, que se valeu do veículo pra alcançar a notoriedade que ostenta e pode ser considerado talvez como o cantor que mais obteve êxito com as trilhas sonoras. Não falo de quantidade, claro, mas na grandeza de sua comunicação sonora. Linguagem auditiva tão deliciosamente associada a grandes vidas fictícias de nossa telinha. Falo de Rodrigo ao som de “Meu Mundo e Nada Mais”, de Elvira ao som de “Taça de Veneno”, de “Sob o Efeito de Um Olhar”, que pontuava as cenas de Capitão Jonas em Armação dos Anjos (Vamp, aliás, volta ao ar nesta segunda feira, no canal Viva!), dentre tantas mais.
Como o trabalho é pesado, novamente convoquei uma equipe que é fera no assunto, verdadeiros críticos televisivos (e que, digam-se de passagem, bem melhores que muitos que estão por aí) para compartilharem conosco suas memórias, lembranças e emoções nas novelas ao som de Guilherme Arantes. De antemão, muitíssimo obrigado, gente!

Abaixo, 10 momentos de Guilherme que merecem ser destacados - sem ordem de preferência. Logo após, os depoimentos dos convidados.


- "MEU MUNDO E NADA MAIS" [Anjo Mau, primeira e segunda versão, Globo - 1976 e 1997)


A música na novela Anjo Mau, de Cassiano Gabus Mendes, foi a grande responsável pela popularização de Guilherme Brasil afora. Era tema do personagem Rodrigo (José Wilker), que era seduzido pela babá de seu sobrinho, Nice (Susana Vieira). Na releitura da novela feita por Maria Adelaide Amaral, em 1997, uma vez mais o tema foi utilizado, pontuando as cenas de Rodrigo, agora defendido por Kadu Moliterno. O mocinho é um dos mais sem graça da história da telenovela brasileira, na minha opinião, porém o tema é marcante e até hoje fica cravado em nossas lembranças!


“Quando fui ferido... vi tudo mudar... das verdades que eu sabia...”



- "CUIDE-SE BEM" [Duas Vidas, Globo, 1977]

A prática de compor música especialmente pra novela era bem constante nas décadas de 70 e 80. Guilherme não se fez de rogado e inseriu “Cuide-se Bem”, música com um refrão belíssimo e forte apelo sentimental na trilha de “Duas Vidas”, de Janete Clair. Muita gente ainda associa a música à trama até hoje!


“Pra nunca perder esse riso largo..e essa simpatia estampada no rosto!”


- "AMANHÃ" [Dancin' Days, Globo, 1978]

O tema representava bem a esperança, que era o fio-condutor da vida de Júlia Matos (Sônia Braga), a presidiária e protagonista da trama de Gilberto Braga. A necessidade de sempre acreditar que “amanhã será um lindo dia!


“Amanhã, está toda a esperança, por menor que pareça, existe e é pra vicejar!”


- "14 ANOS" [Pai Herói, Globo, 1979]


Mais uma vez “trabalha” com Janete Clair. Aqui, a indicação pra música, que consta no LP “A Cara e a Coragem”, partiu do próprio Guilherme. Tratava da temática de um jovem nos anos 70, meio angustiado e perdido numa sociedade que se industrializava em nome do progresso. Na trama, pertencia ao bandido Pepo, interpretado por Osmar Prado.

“Sabe, quando eu tinha 14 anos, como todos os todos os jovens urbanos, nos bailes eu não ia dançar (e vocês)?”



- "DEIXA CHOVER" [Baila Comigo, Globo, 1981]

Naquele início dos anos 80, Guilherme Arantes estava no auge. A canção “Planeta Água", apesar de ter perdido o primeiro lugar no Festival MPB Shell, de 1981, para “Purpurina”, interpretada por Lucinha Lins, fazia o cantor ficar em voga. Este mesmo ano foi especial pois “Deixa Chover”, hit lançado no compacto homônimo, bombou na novela “Baila Comigo”, de Manoel Carlos. A música era jovial, alegre, despojada, e combinou certeiramente com a personagem Joana, professora de aeróbica da academia da novela, defendida por Betty Faria. A personagem se envolveria com um dos gêmeos da trama.

“Infelizmente nem tudo é... exatamente como a gente quer... Deixa Chover!”


- "GRAFITE" [Louco Amor, Globo, 1983]

Era tema da protagonista Patrícia, vivida por Bruna Lombardi, jovem e rica pertencente à família Drummond e apaixonada pelo filho da empregada, Luis Carlos (Fábio Junior). O tema da novela de Gilberto Braga não fez tanto sucesso, mas sem dúvida é mais um caso de música que combina demais com seu respectivo personagem.

“Na esquina do horizonte com seus olhos
Pixo o muro pra você se lembrar”


- "UM DIA, UM ADEUS" [Mandala, Globo, 1987]

Sem dúvidas a preferida da maioria dos noveleiros (como podem ler na parte do depoimento deles). É uma música melancólica, inspiradora e belíssima, um dos maiores acertos da carreira de Guilherme Arantes. Foi amplamente utilizada para as cenas da personagem Vera (Deborah Evelyn/Imara Reis). Por toda excelência e predileção, foi a que escolhi pra representar com letra de música e vídeo, ao fim da matéria.



- "OURO" [Sassaricando, Globo, 1987]

Outra bastante votada pelos noveleiros, inclusive com justificativas bem interessantes. A música era tema da “super mulher” Camila Abdalla, de Maitê Proença, na novela de Sílvio de Abreu. E mais uma vez nosso querido Guilherme Arantes nos presenteia com uma letra feita sob encomenda pra rica personagem!

“Basta um gesto e eu esqueço o resto...
Tudo o que ela toca vira ouro...!!”



- "SOB O EFEITO DE UM OLHAR" [Vamp, Globo, 1991]

Noveleiro que é noveleiro sabe bem do que fala, pois todos são quase unânimes em suas escolhas! Entendem mesmo do que funciona nas cenas, do que realmente marca e eterniza! A maioria dos consultados relembrou também “Sob o Efeito de Um Olhar”, como uma das mais marcantes da novela Vamp, de Antonio Calmon. Antes de ser infestada de vampiros, a fictícia Armação dos Anjos era uma cidade pacata e a música acentuava bem seus “takes”.

“O universo vai se abrir
Sob o efeito de um olhar...”


- "TAÇA DE VENENO" [Deus Nos Acuda, Globo, 1992]

Se alguém tinha dúvidas do poder das trilhas sonoras... antes da reprise de “Deus Nos Acuda”, em 2004, eu tinha reescutado “Taça de Veneno” ao acaso e imediatamente me lembrei da pérfida Elvira, vilã interpretada pela grande Marieta Severo na novela de Sílvio de Abreu. Não deu outra: mais um caso de música que fica marcada pelo personagem e vice-versa. E com letra propícia, diga-se de passagem!

“Todos precisam de um veneno
pra encher a sua taça de desejo"




COMENTÁRIOS DOS NOVELEIROS:



Gosto muito do repertório de Guilherme Arantes, desde que era pequeno e ouvia suas canções em temas de novelas. É impossível não associar o cantor aos folhetins de televisão.
Da minha relação das canções preferidas de Guilherme Arantes, existem pelo menos três que me arremetem imediatamente aos personagens das quais elas foram temas.

- "Meu Mundo e Nada Mais", tema de Rodrigo de "Anjo Mau" nas duas versões da novela, 1976 (José Wilker) e 1997 (Kadu Moliterno).
- "Um Dia o Adeus", tema da romântica Vera (Imara Reis) em "Mandala" (1987)
- e "Ouro", tema de Camila (Maitê Proença) em "Sassaricando" (1987).

Mas existem outras duas músicas dele que eu adoro e que não associo a novelas:

- "Coisas do Brasil", lançada em meados dos anos 80 - que música linda!
- e "Taça de Veneno", dos anos 90, que eu sabia que havia sido de uma novela, mas não me recordava de qual. Thiago clareou minha lembrança: foi tema da vilã Elvira (Marieta Severo) em "Deus Nos Acuda" (1992) - novela da qual não fui fiel seguidor, por isso não lembrava!
 
Nilson Xavier (SP), dono do site “TELEDRAMATURGIA” , autor do ALMANAQUE DA TELENOVELA BRASILEIRA e especialista em telenovelas.



"O meu tema preferido do Guilherme Arantes é "Ouro" tema da Camila (Maitê Proença) em Sassaricando. A música tem um pop bem gostoso, uma melodia interessante e ao mesmo tempo uma letra que reverencia uma mulher especial pois "tudo o que ela toca vira ouro". A letra ilustrava muito bem as peripécias de Camila, a mocinha da novela - praticamente uma mulher 'maravilha'.


Wesley Vieira (MG), jornalista e roteirista, dono do blog “E Eu Não Sei”



"A música Ouro exalta o potencial de sedução de uma bela mulher, muito independente, que era a principal característica de Camila Varella, uma mulher à frente do seu tempo. Naquele tempo, uma moça sair de casa pra morar sozinha era um escândalo, não é à-toa que sua mãe Lucrécia tanto lamentava seu estilo de vida. Nesse tempo, a Maitê, junto com a Bruna Lombardi, era unanimidade como símbolo da beleza da mulher na televisão. "

Marcelo Ramos (RJ), publicitário e comunicólogo, com projeto de pesquisa em telenovela.





Quando ganhei o LP Nacional de “Mandala”, “Um Dia, Um Adeus”
logo de cara tornou-se a minha faixa favorita do disco. E até hoje me vem à
lembrança a personagem da Imara Reis, música de quem era tema.

Daniel Pepe (SP), Engenheiro Civil, integrante do blog “Agora é que são eles”



Link
Em se tratando de temas de novelas Guilherme Arantes, tenho meu TOP 3: "Meu mundo e nada mais", "Sob um efeito de um olhar" e "Um dia, um adeus", cada uma significativa a seu modo (se bem que Deixa Chover era o tema de Betty Faria em Baila Comigo... (risos).
Mas se for pra fazer a escolha de Sofia, fico com "Um dia, um adeus", tema de Vera (Imara Reis) e Creonte (Gracindo Jr.) em Mandala. Primeiro porque simpatizava com a personagem, interpretada por uma de minhas atrizes favoritas, Deborah Evelyn, na primeira fase da novela. Depois porque a música é linda (junto com "O amor e o poder" e "A paz" era uma das faixas que eu mais ouvia em meu antigo LP). Além disso, era pra lá de inspiradora. Na época escrevia mais uma de minhas “novelinhas” e a canção também entrou na trilha sonora de minha novela, claro, tema de um dos casais mais românticos. Ouço a música até hoje com o mesmo prazer e o mesmo frescor de mais de vinte anos atrás.

Vitor Santos (RJ), professor, roteirista e dono do blog “Prefiro Melão - novelas e cia”



Gosto particularmente de duas: "Sob o Efeito de um Olhar" (tema da novela "Vamp"), pela poesia da música e por tudo que ela me faz imaginar. A música tem "gosto" de sol, mar e areia...
E "Taça de Veneno" porque acho uma das músicas do Guilherme que mais se adequaram a uma personagem. No caso, Elvira (Marieta Severo) em "Deus nos Acuda". Os acordes da guitarra de Frejat no arranjo da música casaram perfeitamente com a frieza e crueldade da personagem.

Guilherme Staush (RS), professor universitário e dono do blog Memória da TV, além de também integrar o projeto “Agora é que são eles”.




Meu tema de novela preferido do Guilherme é Sob Efeito de um Olhar, de Vamp. As poucas lembranças que tenho da novela, quase todas da reprise de 1993, possuem essa música como trilha sonora. Lembro de takes da fictícia Armação dos Anjos, com a ótima letra e a gostosa melodia da música rolando...

Eduardo Secco (SP), fisioterapeuta, roteirista e integrante do “Agora é que são eles”




NÃO VÁ SE PERDER POR AÍ...



Baila De Máscaras - Coquetel De Amor
Bom Presságio - Lua Cheia De Amor
Casulo - Agora É Que São Elas
Fazer Neném - Vereda Tropical
Fio Da Navalha - Partido Alto
O Amor Nascer - O Homem Proibido
O Lado Prático Do Amor - Renascer
O Melhor Vai Começar - Sol De Verão
Por Você, Com Você - Tieta
Prontos Para Amar - Porto Dos Milagres
Raça De Heróis - Que Rei Sou Eu?
Sonho De Ícaro - Caminhos Do Coração
Trilhas - A Próxima Vítima
Um Pouco Mais - Sonho Meu
Uma Espécie De Irmão - Salsa E Merengue




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ABAIXO, UM CLIP COM IMAGENS DA NOVELA VAMP, QUE REESTREIA NO CANAL VIVA AMANHÃ, AO SOM DE "SOB O EFEITO DE UM OLHAR". VÍDEO PRODUZIDO PELO FÃ CLUBE OFICIAL DE GUILHERME ARANTES!







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E AGORA, EIS O TEMA MAIS QUERIDO PELOS NOVELEIROS FÃS DAS MÚSICAS DE GUILHERME ARANTES!


UM DIA UM ADEUS
Guilherme Arantes

Só você pra dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver a luz
Estrela no deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza...

Um dia um adeus
E eu indo embora
Quanta loucura
Por tão pouca aventura...

Agora entendo
Que andei perdido
O que é que eu faço
Pra você me perdoar...

Ah! que bom seria
Se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir
Como a primeira vez
Te dar o carinho
Que você merece ter
E eu sei te amar
Como ninguém mais...

Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou...



TH - Quantos fãs já não amaram assim?


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