Está no ar mais um "TopTulho Musical"! Hoje, 23 de Julho, chegamos à edição 135 da "Parada Da Resistência".
Para nós, amantes de MPB, a semana do Prêmio Da Música Brasileira sempre é especial! Ney Matogrosso fez as honras do evento como homenageado esse ano, com apresentação de Maitê Proença e Zélia Duncan. Muitas performances boas, e algumas curiosas (Ivete Sangalo impressionou em sua versão de "Sangue Latino"). Mas restaram controversos mesmo alguns resultados das premiações. O jornalista musical Mauro Ferreira listou todas em sua coluna musical no portal da Globo, e deixo o link para averiguação da opinião dele (com a qual concordo em 90%) aqui -> http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/post/acertos-e-injusticas-pautam-entrega-de-trofeus-do-28-premio-da-musica.html
Na edição de hoje, mais cinco estreias oriundas das enquetes que proponho na comunidade do EnTHulho Musical no Facebook. São elas: Marisa Monte ("Flor Do Ipê"), AnaVitória ("Dengo"), Natiruts ("Sol Do Meu Amanhecer"), Dulce Quental ("Tempo Circular") e Carlinhos Brown ("Orgulho De Nós Dois"). As cinco entram nos lugares de AnaVitória ("Amores Imperfeitos"), Tiê ("Mexeu Comigo"). Manu Gavassi ("Hipnose"), Tiago Iorc ("Tempo Perdido") e Monique Kessous ("Eu Sem Você"), que nos deixaram...
Desbancando Sandy,Anitta alcança a primeira posição com sua "Paradinha". O curioso é que teve uma treta entre as duas recentemente, né? Falaremos mais de Anitta já já, pois agora é hora de conferirmos como ficou a nossa edição 135:
TOPTULHO MUSICAL - EDIÇÃO # 135 - 23/07/17
1) ANITTA - Paradinha (+2) (6 Semanas)
2) CAZUZA & NEY MATOGROSSO - Dia Dos Namorados (=) (8 Semanas)
3) MAJOR LAZER & ANITTA & PABLLO VITTAR - Sua Cara (+7) (2 Semanas)
4) KAROL CONKÁ - Lalá (=) (4 Semanas)
5) PRETA GIL, PABLLO VITTAR & VÁRIOS - Filhos Do Arco-Íris (+1) (5 Semanas)
6) SANDY - Respirar (-5) (12 Semanas)
7) SKANK - A Hard Day's Night (+4) (5 Semanas)
8) ELZA SOARES - Luz Vermelha (=) (7 Semanas)
9) CRIOLO - Menino Mimado (=) (3 Semanas)
10) PABLLO VITTAR - K.O. (+2) (2 Semanas)
11) MALLU MAGALHÃES - Você Não Presta (-6) (9 Semanas)
12) ANA CAÑAS - Respeita (-5) (10 Semanas)
13) JORGE VERCILO - Pode Ser (=) (3 Semanas)
14) MARISA MONTE - Flor Do Ipê (ESTREIA)
15) PROJOTA - Antes Do Meu Fim (=) (3 Semanas)
16) ANAVITÓRIA - Dengo (ESTREIA)
17) NATIRUTS - Sol Do Meu Amanhecer (ESTREIA)
18) DULCE QUENTAL - Tempo Circular (ESTREIA)
19) ILLY - Afrouxa (+1) (2 Semanas)
20) CARLINHOS BROWN - Orgulho De Nós Dois (ESTREIA)
Saem:
ANAVITÓRIA - Amores Imperfeitos (2 Semanas. Maior posição: 14)
TIÊ - Mexeu Comigo (12 Semanas. Maior posição: 01)
MANU GAVASSI - Hipnose (10 Semanas. Maior posição: 09)
TIAGO IORC - Tempo Perdido (13 Semanas. Maior posição: 02)
MONIQUE KESSOUS - Eu Sem Você (14 Semanas. Maior posição: 01)
Sempre é tortuoso pra mim falar de Anitta. Não tenho a menor simpatia pela moça, mas sei reconhecer que ela está no auge. Anitta se tornou a diva pop que faltava no Brasil, para fazer frente às demais cantoras do gênero no mundo (Sia, Taylor Swift, Rihanna, Beyoncé, Lady Gaga, Katy Perry). Não por acaso, a cantora já se uniu aos principais produtores dançantes mundiais e está levando seu rebolado no âmbito internacional - com muito sucesso.
Não é meu estilo musical predileto (inclusive, um amigo - Alessandro Silveira - me disse que queria ver se eu iria começar a rebolar a bunda até o chão quando decidi abrir espaço pro pop no TopTulho - vai ficar querendo...risos). Mas reconheço seu sucesso e, sim, há espaço pro Pop Brasileiro aqui no TopTulho. Ainda não abri espaço para o sertanejo (nem quero), porque há 1000 mídias especializadas nesse estilo, mas o Funk travestido de Pop entrou sim, e tem Anitta como um de seus principais expoentes.
Vamos, então, com o clima caliente de "Paradinha", com letra espanhola e primeira posição de nosso TopTulho!
PARADINHA
Anitta
Yo te quiero ver enloquecer Quiero provocarte Vas a ver que cuando quiero algo Yo lo puedo hacer Si no me conoces No dudes de mí pues
Yo te quiero ver enloquecer Quiero provocarte yo ya sé Que tú no lo admites, pero puedo ver Muérete de ganas Quieres verme hacer aquella paradinha ah ah
A paradinha ah ah ah ah A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah
Yo dejé tu mundo al revés ¿Tu vás a negarlo otra vez? Si me dices la verdad talvez Yo empiezo ahora en un, dos, tres, vá
A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah
Tienes miedo Tú me quieres Solo a tu manera Yo no soy santa Tengo actitud, sí No soy fácil Pero te encanta Porque te olvidas todo con
A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah
Yo dejé tu mundo al revés ¿Tu vas a negarlo otra vez? Si me dices la verdad talvez Yo empiezo ahora en un, dos, tres, vá
A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah A paradinha ah A paradinha ah ah ah ah
E, pra quem não gosta de Anitta, vamos ver quem era a diva pop do Brasil em 1949, pois agora vamos ficar com o...
Hoje a gente traz pra você o "último episódio" da temporada Anos 40 do TopTulho Musical do Passado - o ano 1949! Como anunciado, retomaremos a subseção em Setembro, debulhando a década de 30, mas, hoje, vamos nos despedir dos Anos 40 com louvor!
No Brasil: (informações do Wikipedia)
20 de agosto: Presidente Eurico Gaspar Dutra sanciona a lei, que cria a Escola Superior de Guerra, com sede no Rio de Janeiro.
10 de setembro: fundação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
14 de novembro: A Câmara dos Deputados aprova o acordo firmado entre a Itália e o Brasil no Rio de Janeiro.
7 de dezembro: O Congresso Nacional do Brasil promulga o decreto legislativo n° 64/49, que aprova a Carta da Organização dos Estados Americanos.
27 de Dezembro - Carlos Lacerda funda o Tribuna da Imprensa.
No mundo:
25 de Janeiro: Realiza-se a primeira gala dos Prémios Emmy, no Hollywood Athletic Club de Los Angeles, para galardoar a excelência da indústria televisiva norte-americana.
04 de Abril:É assinado o Tratado do Atlântico Norte que dá origem à NATO, uma aliança militar intergovernamental que visa estabelecer um sistema de defesa colectiva.
Nos cinemas de 1949: Tarde Demais, Sansão e Dalila, As Oito Vítimas, Fúria Sanguinária, Um Dia Em Nova York, A Costela De Adão, A Grande Ilusão, O Terceiro Homem, O Invencível, dentre outros.
Na música internacional de 1949, destaque para a maravilhosa LA VIE EN ROSE, aqui defendida pela ímpar EDITH PIAF. Mais:
ANNE VINCENT - You Call Everybody Darlin
ART MOONEY - Baby Face
ART MOONEY - I'm Looking Over A Four-Leaf Clover
BENNY GOODMAN - On A Slow Boat To China
CARMEN MIRANDA & ANDREW SISTERS - Cuando La Gusta
DICK HAYMES - Little White Lies
DINAH SHORE - Buttons And Bows
DORIS DAY & BUDDY CLARK - Love Somebody
EDDY ARNOLD - Bouquet Of Roses
EDITH PIAF - La Vie En Rose
ELLA FITZGERALD - My Happiness
EVELYN NIGHT - A Little Bird Told Me
JUAN DANIEL - Una Mujer
KAY KYZER - On A Slow Boat To China
KAY KYZER - Woody Woody Pecker
LES BROWN - I've Got My Love To Keep Me Warm
MARGRET WITHIN - A Tree In The Meadow
MEL TORMÉ - Careless Hands
PEGGY LEE - Golden Earrings
RUSS MORGAN - Cruising Down The River
SPIKE JONES - William Tell Overture
TEX WILLIAMS - Smoke! Smoke! Smoke! (That Cigarette)
THE PIED PIPERS - My Happiness
VAUGHN MONROE - Riders In The Sky
XAVIER CUGAT - Cuando La Gusta
E, fechando a década de 40, vamos ver tudo o que fez sucesso em terras tupiniquins, no dileto ano de....1949!
Há 68 anos...
1) EMILINHA BORBA - Chiquita Bacana
2) WALDIR AZEVEDO - Brasileirinho
3) NELSON GONÇALVES - Normalista
4) FRANSCISCO ALVES - Chuvas De Verão
5) 4 ASES E 1 CORINGA - Cabelos Brancos
6) LINDA BATISTA - Nega Maluca
7) ELVIRA RIOS - Pecadora
8) RAUL DE BARROS - Da Glória
9) DIRCINHA BATISTA - O Sanfoneiro Só Tocava Isso
10) ANJOS DO INFERNO - Nega
11) DICK FARNEY - Ponto Final
12) MARLENE - Brasil Diferente
13) CARMÉLIA ALVES & IVON CURY - Me Leva
14) NUNO ROLAND - Bailarina
15) BOB NELSON - Eu Tiro O Leite
16) GILBERTO ALVES - Dolores
17) ONÉSSIMO GOMES - Violão
18) ANTONIO RAGO - Jamais Te Esquecerei
19) LUIZ GONZAGA - Juazeiro
20) JAMELÃO - Pensando Nela
MENÇÕES HONROSAS:
4 ASES E 1 CORINGA - Essa Merece Um Samba
4 ASES E 1 CORINGA - Moita
ANTONIETA DE BARROS - Tambatajá
ARACY DE ALMEIDA - Filosofia
ARACY DE ALMEIDA - João Ninguém
ATAULFO ALVES - Vida Da Minha Vida
BLECAUTE - General Da Banda
BLECAUTE - O Pedreiro Valdemar
CARLOS GALHARDO - Conhece Recife?
CARLOS GALHARDO - Porque Cantam Os Passarinhos?
CARLOS GALHARDO - Ricardo, O Felizardo
DICK FARNEY - Feliz Natal
DICK FARNEY - Junto A Mim
DICK FARNEY - Olhos Tentadores
DICK FARNEY - Sempre Teu
DIRCINHA BATISTA - Adeus
DIRCINHA BATISTA - La Vie En Samba
DIRCINHA BATISTA - Vulto
EDU DA GAITA - Dança Ritual Do Fogo
EMILINHA BORBA - Boca Negra
EMILINHA BORBA - Capelinha De Mamão
EMILINHA BORBA - Porta Bandeira
EMILINHA BORBA & NUNO ROLAND - Tem Marujo No Samba
FRANCISCO ALVES - Na Lapa
FRANCISCO ALVES - Saudades Do Passado
FRANCISCO ALVES - Uma Apresentação
FRANCISCO ALVES - Velhas Cartas De Amor
FRANCISCO CARLOS - Distância
ISAURA GARCIA - Seresteiro
JACOB DO BANDOLIM - Cabuloso
JACOB DO BANDOLIM - Feia
JACOB DO BANDOLIM - Flor Amorosa
JACOB DO BANDOLIM - Língua De Preto
JACOB DO BANDOLIM - Remelexo
JUAN DANIEL - Maria Bonita
LUIZ GONZAGA - Forro Do Mané Vito
LUIZ GONZAGA - Mangaratiba
MARLENE - Candonga
NELSON GONÇALVES - Pepita
NELSON GONÇALVES - Quando Voltares
NUNO ROLAND - Serenata Chinesa
ORLANDO SILVA - A Que Ponto Chegaste?
ORLANDO SILVA - Mensagem De Saudade
ORLANDO SILVA - Pecadora
PALMEIRA & BIÁ - Carro De Boi
SILVIO CALDAS - Chora Que Passa
SILVIO CALDAS - Não Me Pergunte
SOLON SALLES - Juazeiro
TRIGÊMEOS VOCALISTAS - El Cumbanchero
TRIGÊMEOS VOCALISTAS - Don Pedrito
VICENTE CELESTINO - Ser Ou Não Ser?
VOCALISTAS TROPICAIS - Jacarepaguá
VOCALISTAS TROPICAIS - Trevo De Quatro-Folhas
WALDIR AZEVEDO - Carioquinha
COMENTÁRIO: Interessante traçar um paralelo sobre quem era a "diva" de 1949 (Emilinha Borba) e a de 2017 (Anitta). Não apenas na diferença de gêneros musicais - através das duas músicas dançantes (Chiquita Bacana e Paradinha), podemos ver a identidade das duas épocas. Uma era mais ingênua, e a atual, bem mais ousada!
Mas já falamos de Anitta, agora é hora de abrir (um merecido) espaço para uma das maiores cantoras brasileiras de choro, samba e marchinhas (inclusive, a música de hoje é uma). As informações a seguir foram adaptadas da biografia da cantora:
Emilinha começou a cantar criança, meio que contra a vontade de sua mãe, e chegou inclusive a cantar numa dupla infantil que fez com Bidú Reis, chamada "As Moreninhas". Saiu da dupla e passou a cantar sozinha, sendo de imediato contratada pela Rádio Mayrink Veiga e recebendo de Cesar Ladeira o slogan "Garota Grau Dez".
Depois, amadrinhada por Carmen Miranda, e, por ainda ser menor de idade e na ânsia de conseguir o emprego, alterou sua idade para alguns anos a mais. Carmen ainda lhe ajudou, lhe emprestando vestido apropriado e sapatos de plataforma, e a ajuda valeu ouro: foi aprovada pelo Sr. Joaquim Rollas, diretor artístico do Cassino e ali passou a se apresentar como "crooner", tornando-se logo em seguida uma das principais atrações daquela casa de espetáculos.
Transferiu-se da Columbia Discos para a gravadora Odeon, de onde já era contratada sua irmã e também cantora, Nena Robledo, casada com o compositor Perterpan. Lá, em fins de 1941 e já com o nome de Emilinha Borba, gravou "O Fim da Festa" de Nelson Trigueiro e Nelson Teixeira e "Eu Tenho um Cachorrinho" de Oswaldo Santiago e Georges Moran. Em 1944 retorna à Columbia Discos (com a etiqueta de Continental Discos), permanecendo naquela gravadora até fins de 1958, quando, então, transferiu-se para a CBS (hoje Sony Music) e ali ficando contratada por 18 anos consecutivos.
Em 1942 foi contratada pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, desligando-se meses depois. Em Setembro de 1943 retornou ao "cast" daquela Emissora, firmando-se a partir de então, e durante os 27 anos que lá permaneceu contratada, como a "Estrela Maior" da emissora PRE-8, a líder de audiência.
Enquanto naquela emissora, Emilinha atingiu o ápice de sua carreira artística, tornando-se a cantora mais querida e popular do país. Teve participação efetiva em todos os seus programas musicais, bem como, foi a "campeã absoluta em correspondência" por 19 anos consecutivos (até quando durou a pesquisa naquela emissora) de 1946 à 1964.
Fiquemos, agora, com sua lúdica performance na marchinha carnavalesca "Chiquita Bacana", campeã de 1949, encerrando com chave de ouro essa temporada!
Com quase cinquenta anos de carreira e inúmeros discos, Ney de Souza Pereira é daqueles artistas que dividem opiniões radicalmente: ou muito odeiam, ou muito amam. Performático (herdou o dom quando se aventurou como ator), ele criou uma maneira totalmente peculiar de se apresentar: criando personagens para determinada música, disco ou espetáculo. Falando em espetáculos, o cara tem inúmeros shows conceituadíssimos, bem sucedidos de público e crítica. Detém um verdadeiro ritual de preparação para suas apresentações - fazendo o elo entre a pessoa, o artista e a criação. Figurino inusitado, mudança de roupas e até apresentações sem roupa! O perfeito contraste nos anos 70, quando a censura pegava fogo em terras tupiniquins.
Ele ainda é versátil: não se faz de rogado ao cantar rock (na sua fase "Secos e Molhados"), mambo, merengue, Mpb, forró e tudo o que seu coração que pulsa sangue latino e ousado permitir. Ousadia, aliás, é seu forte! Percebe-se sua sinceridade exacerbada nas (poucas) entrevistas que concede, não economizando verbos em aspectos de sua vida (ele, por exemplo, não é sucinto ao falar de seu relacionamento com Cazuza e também ao confirmar que ainda usa drogas).
Dentre os detratores, existem aqueles que ridicularizam seu jeito de se apresentar - sobretudo os machistas, que não admitem que um homem se apresente rebolando daquela maneira. Pra eles, Ney já foi bem mais direto no deboche com músicas-alfinetadas como "Homem com H", ou " Calúnias (Telma eu não sou gay)".
Assim é o Mr. Matogrosso. Uma bagagem gigantesca num artista super versátil. As recentes posturas reacionárias do rapaz não tem me agradado, mas é um direito dele como cidadão...enfim...
Esse TopTulho Especial (que, mais uma vez, bateu recorde na votação) é uma singela, porém merecida homenagem ao nosso camaleão brasileiro!
P.s.: E pensar que em Janeiro fui vê-lo em Maceió, no Festival de Verão da cidade, e o show foi cancelado por causa da chuva :(
Eis, então, o resultado da enquete que eu fiz nas redes sociais, sobre qual música de Ney não poderia nunca deixar de ser votada! Ah, deixei claro que a fase "Secos & Molhados" do artista também estava valendo e...não deu outra! A mais votada foi justamente um dos hinos da banda!
1) ROSA DE HIROSHIMA (Álbum "Secos & Molhados", de 1973) 2) BALADA DO LOUCO (Álbum "Bugre", de 1986) 3) SANGUE LATINO (Álbum "Secos & Molhados", de 1973) 4) PROMESSAS DEMAIS (Álbum "Matogrosso", de 1982) 5) VIAJANTE (Álbum "Ney Matogrosso", de 1981) 6) COUBANAKAN (Álbum "Água No Céu - Pássaro", de 1975) 7) HOMEM COM H (Álbum "Ney Matogrosso", de 1981) 8) O VIRA (Álbum "Secos & Molhados", de 1973) 9) POEMA (Álbum "Olhos de Farol", de 1999) 10) FALA (Álbum "Secos & Molhados", de 1973) 11) TANTO AMAR (Álbum "Matogrosso", de 1982) 12) AMÉRICA DO SUL (Álbum "Água No Céu - Pássaro", de 1975) 13) NÃO EXISTE PECADO AO SUL DO EQUADOR (Álbum "Feitiço", de 1978) 14) ATÉ O FIM (Álbum "...Pois É", de 1983) 15) BANDIDO CORAZON (Álbum "Bandido", de 1976) 16) RUA DA PASSAGEM (Álbum "Atento Aos Sinais", de 2013) 17) MAL NECESSÁRIO (Álbum "Feitiço", de 1978) 18) BANDOLEIRO (Álbum "Feitiço", de 1978) 19) PEITO VAZIO (Álbum "Ney Matogrosso Interpreta Cartola Ao Vivo", de 2003) 20) TANGO PARA TEREZA (Álbum "Beijo Bandido", de 2009) Também foram votadas: 21) SEGREDO 22) AÇÚCAR CANDY 23) BARCO NEGRO 24) DELÍRIO 25) AMOR 26) AMOR OBJETO 27) PRO DIA NASCER FELIZ 28) POR DEBAIXO DOS PANOS 29) EX-AMOR 30) TUPI FAISÃO 31) MESMO QUE SEJA EU 32) ILUSÃO DA CASA 33) NOVAMENTE 34) BICHO DE SETE CABEÇAS 35) VEJA BEM MEU BEM 36) BELÍSSIMA 37) COM A BOCA NO MUNDO 38) SEU TIPO 39) NAPOLEÃO 40) DESTINO DO AVENTUREIRO 41) BESAME MUCHO 42) COMIDA 43) NEGUE 44) O CIÚME 45) ESTAVA ESCRITO 46) O CAIR DA TARDE 47) POEMA PARA GABRIELA 48) A CARA DO BRASIL 49) VIRA LATA DE RAÇA 50) O QUE É QUE A BAIANA TEM? 51) BASTA DE CLAMARES INOCÊNCIA 52) VAGABUNDO 53) A ORDEM É SAMBA 54) CANTO EM QUALQUER CANTO 55) O TEMPO NÃO PARA 56) A DISTÂNCIA 57) FLORES ASTRAIS 58) MENTE MENTE 59) INDIO 60) O PATRÃO NOSSO DE CADA DIA SUCESSOS QUE NÃO FORAM VOTADOS: A GAIVOTA A TUA PRESENÇA ANDO MEIO DESLIGADO ARDENTE CALÚNIAS (TELMA EU NÃO SOU GAY) CHEIRO DA SAUDADE DANÇA DA LUA DIVINO MARAVILHOSO DOCE VAMPIRO DOS CRUCES FALANDO DE AMOR JEITO DE AMAR LIG LIG LIG LÉ MAL ME QUER MANEQUIM MARIA ESCANDALOSA MEU PAPO É RETO NADA POR MIM NO RANCHO FUNDO O MUNDO É UM MOINHO PRA NÃO MORRER DE TRISTEZA SAMBA RASGADO TIC TAC DO MEU CORAÇÃO TIVE SIM TRENZINHO DO CAIPIRA UMA BRASILEIRA UM POUCO DE CALOR VEREDA TROPICAL VIDA NOVA
UFA!!! Tantos hits ficaram de fora, não é? Mas com o Ney, não tem jeito mesmo!
Fiquemos agora com a grande campeã, essa música linda que merece ser executava diariamente, principalmente nesses tempos de ódio gratuito dentro e fora das redes sociais! Poesia maravilhosa!!
ROSA DE HIROSHIMA Vinícius de Morais. Musicado por Gerson Conrad Secos &/ Molhados Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada
Espero que vocês tenham gostado da homenagem ao Ney...sem esquecer que agora vai começar o...
Como se sabe, a parada contemporânea não pode parar nem em dias de TopTulhos especiais. Nada mais é do que o compêndio do que faz sucesso nas principais mídias no mundo da MPB!
Temos duas estreias de peso!! Ana Carolina e Seu Jorge retomam a parceria numa música que parece já ter nascido clássica!! E olha que anunciei essa volta deles na edição passada, e cá já estão eles, estreando em 15º com "Mais Uma Vez (Nós Dois)", título super sugestivo pra retomada da parceria! A outra estreia foi do xará Thiago Pethit, com "1992". Para essas músicas entrarem, nos despedimos de Alcione e do Malta!
Ana Carolina perde a hegemonia da primeira posição e a parada agora passa a ser comandada pelo Casuarina!
Sem delongas, vamos à edição de hoje!
TOPTULHO MUSICAL - EDIÇÃO # 64! - 28/02/2016 1) CASUARINA - Queira Ou Não Queira (+2) (6 Semanas) 2) JORGE VERCILO - Pra Valer (=) (9 Semanas) 3) LENINE - Castanho (+1) (9 Semanas) 4) ANA CAROLINA - Coisas (-3) (7 Semanas) 5) DANIELA MERCURY - Sem Argumento (=) (6 Semanas) 6) TIAGO IORC - Amei Te Ver (+2) (6 Semanas) 7) SURICATO - Pra Tudo Acontecer (+2) (8 Semanas) 8) TULIPA RUIZ & MARCELO JENECI - Dia a Dia, Lado a Lado (-1) (6 Semanas) 9) BANDA DO MAR - Faz Tempo (+3) (4 Semanas) 10) CAETANO VELOSO & EMICIDA - Baiana (+4) (2 Semanas) 11) ARMANDINHO & BEBETO - Menina Do Verão (+6) (3 Semanas) 12) ROGÊ & SEU JORGE - Presença Forte (-2) (6 Semanas) 13) JOHNNY HOOKER - Segunda Chance (+6) (2 Semanas) 14) NANDO REIS - All Star (Ao Vivo) (+4) (3 Semanas) 15) ANA CAROLINA & SEU JORGE - Mais Uma Vez (Nós Dois) (ESTREIA) 16) JOTA QUEST & ANITTA - Blecaute (-10) (8 Semanas) 17) FALAMANSA & GABRIEL, O PENSADOR - Cacimba de Mágoa (+3) (2 Semanas) 18) PAULA LIMA - Fiu Fiu (-7) (10 Semanas) 19) THIAGO PETHIT - 1992 (ESTREIA) 20) DIOGO NOGUEIRA - Clareou (-7) (14 Semanas) Saem: ALCIONE - Juízo Final (6 Semanas. Maior posição: 08) MALTA - Dona Da Voz (13 Semanas. Maior posição: 02)
E ele tá sempre em destaque aqui no TopTulho!!
Já falamos tanto dele, que hoje só vou deixar a voz. E "Pra Valer", seu atual single, chegou pra valer e está arrebentando na segunda posição da parada!
Salve Jorge!!
Jorge: sócio do TopTulho!
PRA VALER
Jorge Vercillo
Lembra que fizemos de tudo para renegar o desejo que ficou Nos abrimos pra meio mundo só pra nos provar que era melhor mudar
Tudo que rolou ficou suspenso no ar como um vitrô, como um holograma Só pelo nosso amor o acaso planejou pro tempo cristalizar
Lembra quando a gente, terminou para valer E provamos de tudo, que há pra provar Conhecemos meio mundo só para ver que eu, você, e esse amor tem nada, vai mudar
Lembra que fizemos de tudo para renegar o desejo que ficou Nos abrimos pra meio mundo só pra nos provar que era melhor mudar
Tudo que rolou ficou suspenso no ar como um vitrô, como um holograma Só pelo nosso amor o acaso planejou pro tempo cristalizar
Lembra quando a gente, terminou para valer E provamos de tudo, que há pra provar Conhecemos meio mundo só para ver que eu, você, e esse amor tem nada, vai mudar
Lembra quando a gente, terminou para valer E provamos de tudo, que há pra provar Conhecemos meio mundo só para ver que eu, você, e esse amor tem nada, vai mudar
[Ao som de "Um Pouco de Calor", faixa extraída do DVD "Inclassificáveis"]
“Quando eu entrava no palco e via as pessoas na plateia, eu tinha uma vontade inimaginável de trepar com aquela gente toda. Hoje, com a idade, isso diminuiu. Mas o palco ainda me dá um prazer orgásmico sim”
Tanto dá que, acredito-me, a realização maior de Ney Matogrosso ainda é se apresentando. De acordo com sua postura em entrevistas, ele transparece bem que, independente da pirataria que assola o mercado fonográfico, ele se sente muito mais à vontade em garantir seu sustento da melhor forma que sabe: nas esfuziantes performances musicais que nos presenteia... Quando descobri que ele seria o artista do mês de Dezembro, eu notei que só conhecia seu universo superficialmente. Dediquei-me a "estudá-lo" musicalmente, colocando vários discos de sua carreira no meu Mp3 (aparelhinho inseparável meu - aonde vou, carrego a música junto). Percebi que Ney é aquele típico artista que já nos faz pensar na postura "ao vivo" ainda que escutemos suas gravações de estúdio. Temos a necessidade de contemplá-lo dando sua energia visual aos acordes musicais. Um videoclipe vivo, que sente prazer em nos fazer delirar com todo seu vigor cênico. O único show que assisti de Ney foi o "Inclassificáveis", aqui mesmo em Maceió, e em Garanhuns (PE), em 2008. O espetáculo em Pernambuco foi ao ar livre - o que não comportou, pois o show de Ney não é nem de longe feito pra se "ouvir" a música enquanto toma uma cervejinha e bate papo com amigos. Ele requer toda atenção direcionada. Quer ser protagonista absoluto daquela noite - sob pena da mágica perder efeito. Um artista que sabe seu papel muito bem e não deixa de arrogar para si a importância, fascínio e o poder que exerce diante das pessoas. Fato semelhante ocorre quando nega conversar sobre Secos & Molhados ou sobre Cazuza, pois tiram-lhe o foco nas entrevistas, que passam a ser apenas centradas nesses pilares de sua carreira. O moço precisa de muito mais. Um inclassificável afinal - não se limita e tem como meta tao somente o limiar do desconhecido. Surpreendente. Dono de si e reconhecido por anos e anos de carreira. E por muitos e muitos tantos ainda será!
TH
Obs.: Fui ousado em consentir que ele tenha sido destaque por todo esse mês no blog. Nunca fui aprofundado em sua carreira, porém acho que o trabalho foi válido, e a partir de então ele sempre terá lugar cativo aqui no blog. Merecidíssimo!
[Texto de Marcio Almeida Nicolau, diretamente pro EnTHulho Musical]
“Está errado”, o Ney dispara a sua metralhadora cheia de mágoas. “O tempo não para” é baseado no livro de Lucinha Araujo, mãe de Agenor de Miranda Araújo Neto. Mas está errado, segundo ele, se pretendia contar a história do Cazuza. De fora do filme, Ney Matogrosso afirma, sobre sua relação com o maior abandonado, líder do Barão: “fui o único que sobrou, só eu posso contar.” Exagerado? Na verdade, não. Foi Ney quem impulsionou a carreira do Barão Vermelho. Sem falar que Cazuza foi um dos três amores de sua vida. Forte, mas não por acaso, o primeiro encontro dos dois aconteceu em Ipanema e ambos ficaram enlouquecidos. "Uns quatro meses de labaredas" resumem. Os dois gostavam de passear juntos de carro pelo Rio e viajar até o sítio dos pais do roqueiro ouvindo Cartola. Pro dia nascer feliz. Quando a família ficou sabendo que o filho do João Araújo estava namorando o Ney, ordenou que Cazuza fosse para a Suíça. Cazuza não queria e reagiu. "O nosso amor a gente inventa", Ney o tranquilizou, esperaria por Cazuza. Pra ele, o amor entre dois homens não é bom nem ruim, é normal. Mentiras sinceras, afinal, lhe interessam. Porém, mais uma dose e o romance acabaria. Ney conta que Cazuza desapareceu por três dias e chegou em casa acompanhado de um traficante. "Ele cuspiu em mim. Eu dei um bofetão nele." E a emoção acabou. Ney conheceu na intimidade um Cazuza, desarmado, segundo ele, e apaixonante. Por isso ficaram amigos sem rancor e Ney dirigiu o último show de Cazuza, quando ele estava doente. Foi Ney quem o convenceu a terminar com "O tempo não para". E estava certo. Sobrevivendo sem um arranhão, hoje o poeta está vivo.
[Ao som de "Poema", de Cazuza, interpretada por Ney Matogrosso]
"A voz de Ney Matogrosso combina com abertura de novela", é a frase de quase todo telemaníaco quando perguntado sobre a inserção do cantor nas trilhas sonoras.
É fato que Ney consegue chamar atenção em qualquer coisa que pontue - temas de filmes, sucessos radiofõnicos...mas é nas novelas mesmo que ele reina, com um filão imenso de grandes sucessos nos mais variados estilos - não apenas temas de abertura dançantes, mas músicas feitas sob encomenda pra sublinhar cenas e universos dos ricos personagens brasileiros.
Como eleger uma lista de 10 apenas é uma tarefa MUITO difícil, contei com a ajuda providencial de amigos noveleiros recomendadíssimos - e a maioria esmagadora escolheu "O Viajante' como melhor tema (da novela "Baila Comigo"), mas relembraram muito mais e o resultado rendeu essa nova edição da seção "Tema de Novela" com nosso artista do mês!
Agradecimentos: Eddy Fernandes, Eduardo Secco, Evana Ribeiro, Fábio Leonardo, Guilherme Staush, Ivan Gomes, José Marques Neto, Marcelo Ramos, Vitor Santos, Walter de Azevedo e Wesley Vieira. Valeu gente!
1) "VIAJANTE" (BAILA COMIGO, Globo, 1981) Curiosamente, o tema mais indicado pelos noveleiros (e que também seria meu eleito) não nos remete ao Ney rebolativo tão característico, mas a sua sensível e sentimental interpretação para a composição de Teresa Tinoco, "Viajante" - combinando muito bem com o drama dos gêmeos vividos por Tony Ramos em "Baila Comigo". Toda a mentira da mãe deles (Helena, da saudosa Lilian Lemmertz) causava um clima bem melancólico na saga dos personagens, que tinham a canção como tema (às vezes, só o pianinho inicial dava impressão que era um tema incidental criado especialmente para a novela de Manoel Carlos). Merecidíssimo primeiro lugar!
2) PROMESSAS DEMAIS (Paraíso, Globo, 1982)
O tema de abertura da primeira versão de "Paraíso" já demonstrava que a novela era bem mais "urbana" que o remake apresentado em 2009. Também bastante eleita pelos noveleiros, ainda funcionava como tema do casal principal da novela, vivido por Kadu Moliterno e Cristina Mullins. Sobre a música, Vitor Santos, do blog "Prefiro Melão". acrescenta: "Achava linda a parte lenta, que era o tema do casal. Quando a música "crescia" virava a abertura da novela... ". Participam da gravação ainda Paulo Leminski e Moraes Moreira.
"Quem sabe o coração me dirá? Dirá se cabe ou não no mesmo lugar. Lugar comum..."
3) VEREDA TROPICAL (Vereda Tropical, Globo, 1984) Uma das mais lembradas aparições do nosso artista do mês em aberturas, o ritmo "caliente" da gravação de Ney combinava com o ritmo da trama de Carlos Lombardi, além de mostrar seu potencial e capacidade de cantar em outro idioma. "Eu conheço a gravação original da música, mas a gravação de Ney é de uma sensualidade sem precedentes" diz o pesquisador Marcelo Ramos.
"Voy por la vereda tropical, la noche plena de quietud, con su perfume de humedad..."
4) MANEQUIM (Tititi, Globo, 1985)
Os amigos noveleiros também apontaram demais essa música como uma das mais preferidas: Manequim funcionava como encomenda como tema do primeiro Jacques Leclair (Reginaldo Faria). "Gosto demais de "Manequim", na primeira versão de Tititi", diz o jornalista mineiro Wesley Vieira. No remake desse ano Ney também faz parte da trilha, com a música "Seu Tipo".
"O teu jeito me faz sentir, sabor de "you and me", chegar de mansinho, carinho é bom de fazer..."
5) VIDA VIDA (Jogo da Vida, 1981, Globo) A maioria dos noveleiros reivindicou a presença deste tema de abertura na lista - Segundo eles, a novela de Silvio de Abreu era gostosa de acompanhar, e certamente o tema de abertura é um dos mais lembrados de todos os tempos.
"Vida vida que mais te quero ainda. Linda vida que mais te faço linda..."
6) BELÍSSIMA (Belíssima, 2005, Globo)
A faixa-título da novela de Silvio de Abreu é uma das mais belas interpretações de Ney. Triste, caía como uma luva pra melancolia disposta nos primeiros momentos da protagonista Júlia (Glória Pires), que possuía uma sem-graceza quase apática e acabou sendo alvo da super vilã Bia Falcão (Fernanda Montenegro). Elementos muito ensejadores para uma grande volta por cima da heroína na reta final da trama.
"Porque a beleza te escolheu para se representar..?"
7) NÃO EXISTE PECADO AO SUL DO EQUADOR (Pecado Rasgado, Globo, 1979 e Dona Anja, SBT, 1996) Na novela da Globo do fim da década de 70, Ney, que já havia se firmado como um polêmico artista performático solo em tempos de censura, coroaria ainda mais fazendo parte de uma novela cujo título já continha "pecado". O roteirista Eduardo Secco elogia a música: "Gosto bastante dela, mas a conheci mesmo na novela "Dona Anja"" De fato: "Não Existe Pecado Ao Sul do Equador" também foi tema de abertura da trama do SBT, e um dos maiores sucessos da carreira do cantor.
"Vamos fazer um pecado rasgado e suado a todo vapor!"
8) O MUNDO É UM MOINHO (O Outro, 1987, Globo)
Mais um lindo tema bem lembrado pelos nossos amigos noveleiros. Pontuava bem o romance de Edwiges (Cláudia Raia) e Genésio (José de Abreu) e fazia parte da fase "Cartola" que Ney vivenciou na década de 80, se firmando definitivamente como um dos melhores intérpretes brasileiros.
"Ainda é cedo amor...mas começastes a conhecer a vida"
9) LIG LIG LIG LÉ (Negocio da China, Globo, 2008) Negócio da China não foi das novelas mais bem sucedidas que existiram. Pelo contrário: é uma das que menos gosto na faixa das 18h. Porém, ter Ney na abertura serviu pra constatar que, por mais tempo que passe, é fato: ele sempre é genial cantando qualquer abertura. E pra ser sincero, Lig Lig Lig Lé é uma das únicas coisas que me lembro da trama...
"Lá vem Seu China na ponta do pé...lig lig lig lig lé"
10) MARIA ESCANDALOSA (Deus Nos Acuda, Globo, 1992)
Essa vai por minha indicação mesmo. Eu não consigo lembrar de Cláudia Raia na novela "Deus Nos Acuda" sem associar imediatamente a deliciosa versão que Ney fez pra "Maria Escandalosa", que combina totalmente com o perfil da trambiqueira personagem. Ney deveria fazer cada vez mais temas para Cláudia Raia - eles se afinam!
"E a Maria Escandalosa. É muito prosa. É mentirosa, mas é gostosa!"
CURIOSIDADES/ MENÇÕES HONROSAS:
Guilherme Staush, do "Memória da TV', indica um de seus temas preferidos: "Dança da Lua", parceria que Ney fez com a cantora portuguesa Eugênia Melo e Castro. A música foi abertura da novela "Antônio Maria", na Rede Manchete, em 1985.
Já José Marques Neto, do "Mofo TV", prefere relembrar uma pouco conhecida: ""A Gaivota" é uma composição de Gilberto Gil gravada por Ney no início de sua carreira solo, quando ainda pertencia ao cast da pequena gravadora Continental e que foi um dos principais temas da tb pouco assistida novela O Espantalho de Ivani Ribeiro. Ao relembrar esta letra fiquei impressionado como tem a ver com meu momento pessoal."
O amazonense Eddy Fernandes acrescenta ainda o tema de abertura de "Coquetel do Amor', novelinha inserida dentro de "Espelho Mágico" de 1977, "Bandido Corazon"
Outro tema de abertura famoso foi Kubanacan, da novela das 19h de mesmo nome (2003). Mais uma vez Ney abrindo uma novela de Carlos Lombardi.
Quase entrou na lista, mas ficou por fora por falta de espaço: a bela "Jeito de Amar" de "Sétimo Sentido" (1982)
Valem a pena, sem dúvidas: "Veja Bem Meu Bem" (Beleza Pura), "Pra Não Morrer de Tristeza" (Saramandaia), "Tic Tac do meu coração" (Feijão Maravilha), "Falando de Amor" (Chega Mais) e "Mal me Quer" (da minissérie Tereza Batista).
UFA! Agora é com vocês: relembrem mais algum sucesso de Ney em alguma novela. Faltaram MUUUUITAS ainda!
Eu me sinto tolo como um viajante Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria É que arde o medo onde o amor ardia Mansidão no peito trazendo o respeito Que eu queria tanto derrubar de vez Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez Mas o viajante é talvez covarde Ou talvez seja tarde pra gritar que arde no maior ardor A paixão contida, retraída e nua Correndo na sala ao te ver deitada Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar Talvez esperando desse viajante Algo que ele espera também receber E quebrar as cercas que insistimos tanto em nos defender Eu me sinto tolo como um viajante Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria É que arde o medo onde o amor ardia Mansidão no peito trazendo o respeito Que eu queria tanto derrubar de vez Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez
Uma das mais intrigantes capas da música brasileira
"Ney Matogrosso sai dos Secos & Molhados da mesma forma como entrou, sem nada. Permaneceu no Rio de Janeiro onde tinham ido gravar o Fantástico, mas terminou não aguentando o cerco da imprensa em busca de maiores explicações. Desapareceu. Foi para Mato Grosso deixar a poeira baixar, curtindo uma curiosa liberdade: não possuía vínculos com ninguém. Nem com a firma Secos & Molhados, cujo contrato se recusara a assinar e gerara a separação, nem com a gravadora Continental, já que o responsável pelo grupo era João Ricardo. Livre novamente, sem um tostão (gastara todo o dinheiro com os amigos), mas com tempo para imaginar sua vida dali para a frente." (Um Cara Meio Estranho - Ney Matogrosso - Denise Pires Vaz).
O que muita gente talvez não saiba é que, apesar de Ney Matogrosso ter integrado o conceituado grupo "Secos & Molhados", não foi seu idealizador. A banda começou com João Ricardo, que criou o nome em 1970. Em 1971, começa suas atividades com outros integrantes e Ney só entraria no final do mesmo ano. Nesse período, vários músicos se interessavam em fazer parte da promissora banda de rock (?) mas João Ricardo parecia ter um rígido critério seletivo, de modo que a formação clássica ficou mesmo ele, Ney e Gerson Conrad. O primeiro disco é lançado em 1973, e com o auxílio da aparição no programa global "Fantástico", tornam-se o maior objeto de discussão do país.
As apresentações eram ousadas, o figurino irreverente e as maquiagens exageradas. Não faltaram vozes que os alardeassem como os "Kisses" brasileiros, contudo não haviam guitarras distorcidas ou agressividade gratuita - o rock pesado da equipe era acrescido de poesia, dança folclórica e críticas contra a ditadura. Ganharam uma hiper notoriedade nesse período, até o lançamento do segundo álbum, "Secos & Molhados II" em 1974, ano em que, apesar de ainda estarem no auge (o que engloba uma viagem para se apresentar no México) desentendimentos financeiros fizeram essa formação clássica se dissipar. João Ricardo continuou com a marca por muitos anos, e Ney Matogrosso partiu pra bem sucedida (até hoje) carreira solo.
COMENTÁRIO DE TH: Admiro o potencial de João Ricardo de persistir com seu projeto por tantos anos. Lançou discos até o ano 2000 (Memória Velha) mas, sem dúvidas, os melhores são mesmo os que Ney integrou. O cantor desde cedo já magnetizava no grupo, e inevitavelmente roubou todos os destaques para si, refletidos em sua carreira solo. Os dois discos (Secos & Molhados I e II) são perfeitos e figuram fácil na minha lista de melhores álbuns da música brasileira. As marcas do grupo são gigantes: hits absolutos como "Sangue Latino" e "Rosa de Hiroshima" até hoje são regravadas sempre. A canção "O Vira" é passada para frente de geração à geração, e atualmente, quase quarenta anos depois do fim da formação original do grupo, é executada em rádios e programas de televisão.
Uma crítica: eu D-E-T-E-S-T-O o disco "Assim Assado: Tributo a Secos & Molhados", lançado oportunamente em 2003, 30 anos depois do primeiro lançamento do grupo. Não gostei das versões, tampouco de alguns dos escolhidos (Ritchie, Pitty, Toni Garrido, etc.). A homenagem merecia melhores intérpretes, na minha opinião...
************************************* ROSA DE HIROSHIMA Secos & Molhados Composição: Vinicius de Morais & Gerson Conrad
Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada
Várias facetas e Ney: camaleônico, ousado e profundo!
Antes da escolha do artista do mês de Dezembro, resolvi fazer um referendo nas principais redes sociais com meus amigos (Orkut, Twitter, Messenger, Facebook). A eleição seria entre Paulinho Moska e Ney Matogrosso. Não foi uma disputa fácil: ambos os cantores tem uma forte aceitação pelo público e o resultado por pouco não ficou empatado. Mas os que escolhiam Ney eram taxativos ao afirmarem: "porque ele é formidável!" Com quase quarenta anos de carreira e quarenta discos, Ney de Souza Pereira é daqueles artistas que dividem opiniões radicalmente: ou muito odeiam, ou muito amam. Performático (herdou o dom quando se aventurou como ator), ele criou uma maneira totalmente peculiar de se apresentar: criando personagens para determinada música, disco ou espetáculo. Falando em espetáculos, o cara tem inúmeros shows conceituadíssimos, bem sucedidos de público e crítica. Detém um verdadeiro ritual de preparação para suas apresentações - fazendo o elo entre a pessoa, o artista e a criação. Figurino inusitado, mudança de roupas e até apresentações sem roupa! O perfeito contraste nos anos 70, quando a censura pegava fogo em terras tupiniquins. Ele ainda é versátil: não se faz de rogado ao cantar rock (na sua fase "Secos e Molhados"), mambo, merengue, Mpb, forró e tudo o que seu coração que pulsa sangue latino e ousado permitir. Ousadia, aliás, é seu forte! Percebe-se sua sinceridade exacerbada nas (poucas) entrevistas que concede, não economizando verbos em aspectos de sua vida (ele, por exemplo, não é sucinto ao falar de seu relacionamento com Cazuza e também ao confirmar que ainda usa drogas). Dentre os detratores, existem aqueles que ridicularizam seu jeito de se apresentar - sobretudo os machistas, que não admitem que um homem se apresente rebolando daquela maneira. Pra eles, Ney já foi bem mais direto no deboche com músicas-alfinetadas como "Homem com H", ou " Calúnias (Telma eu não sou gay)". Assim é o Mr. Matogrosso. Uma bagagem gigantesca num artista super versátil que enriquecerá as "páginas" de nossa revista musical por todo esse mês de Dezembro. Podem reverenciar, agora...
[Biografia resumida, retirada do site oficial do cantor]
Ney de Souza Pereira nasceu em 1º de agosto de 1941 na pequena cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. Desde cedo demonstrou vocação artística: cantava, pintava, interpretava. Ainda pequeno, escolheu o caminho do questionamento das reticências do mundo adulto, inconformando-se com seus preconceitos e incoerências. Teve a infância e a adolescência marcadas pela solidão, em parte voluntária - gostava de passar horas seguidas no mato, acompanhado somente por seus cachorros - e por outra parte forçada, pelas constantes mudanças da família, decorrentes das transferências de seu pai militar. Até completar 17 anos, sua família morou, além de Bela Vista, no Recife, em Salvador, no Rio de Janeiro e em Campo Grande. Quando deixou a casa da família para entrar na Aeronáutica, Ney ainda não fazia idéia do que faria de sua vida. Gostava de teatro e cantava esporadicamente, mas acabou indo trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília, a convite do primo. Tempos depois, passou a fazer recreação com crianças. Nessa época, foi convidado para participar de um festival universitário e chegou a formar um quarteto vocal, sob protestos da professora de canto e apesar do regente do coral do qual fazia parte elogiar sua voz especial. Depois do festival, fez de tudo um pouco, até atuou em um programa de televisão. Também concentrou suas atenções no teatro, decidido a ser ator. Atrás deste sonho, ele desembarcou no Rio de Janeiro em 1966, onde passou a viver da confecção e venda de peças de artesanato em couro. Ney adotou completamente a filosofia de vida hippie. Neste período, viveu entre o Rio, São Paulo e Brasília, até conhecer João Ricardo, através da grande amiga Luli, que mais tarde tornou-se compositora de alguns de seus maiores sucessos. João procurava um cantor de voz aguda para um conjunto musical. e convidou Ney para ser o cantor do grupo. Ele mudou-se para São Paulo, de encontro a um ano de exaustivos ensaios, que entremeou com a participação em espetáculos teatrais e o artesanato. Começou a se revelar, então, Ney Matogrosso. O nome artístico, ele resgatou na própria família: seu pai tinha Matogrosso no sobrenome. Foi criado então o conjunto "Secos & Molhados", que apenas com um ano e meio de existência alçou fama nacional. É bom lembrar que o Secos e Molhados, apesar de cantar letras de cunho literário, era essencialmente um conjunto de rock. Sem abandonar este traço básico, Ney resgatou tesouros escondidos da chamada MPB tradicional, como "Bambo de Bambu", do repertório de Carmem Miranda - provavelmente a artista, em toda a história da música brasileira que, sob determinado ponto de vista, que mais se aproxima do que seria uma definição de Ney Matogrosso. Mas, ao contrário dela, e apesar de não faltarem oportunidades, Ney jamais se interessou em desenvolver uma carreira internacional.Uma viagem promocional o levou o Secos e Molhados ao México. Moracy do Val, na época empresário do grupo, recebeu diversas propostas para levar o Secos e Molhados para os Estados Unidos e a Europa. Não por acaso, ele garante, pouco tempo depois surgiu um grupo de heavy metal com os rostos pintados em estilo semelhante com o lançado por Ney Matogrosso. Era o Kiss, sucesso mundial na década de 70. Com sua maquiagem marcante, roupas e requebros, Ney Matogrosso contrastava com aquela época de muita censura e preconceito - partiu para a carreira solo. Em 1975, Ney estreou no Rio de Janeiro o show Homem de Neanderthal, uma ousada super-produção com ricos cenários, iluminação e na qual ele surgiu meio bicho/meio homem. Ney subia no palco coberto por peles, chifres e penas, fruto de sua própria e exclusiva criação. Sete meses depois do fim do fenômeno Secos e Molhados, Ney Matogrosso conquistou sucesso de público e crítica com seu primeiro show e o disco - Água do Céu-Pássaro - solos. Novo show, novo disco. Em 1976, Ney ressurgiu mais simples e despojado, em Bandido. Foi com a música "Bandido Corazón", presente da amiga Rita Lee, que ele alcançou seu primeiro sucesso nacional como artista solo. No ano seguinte, uma enquete realizada na Penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro, indicou o artista como predileto dos detentos, para fazer o show de encerramento do festival de música local. Para os presos, Ney era símbolo da liberdade, assim como para o público de maneira geral: Ney era a própria personificação de desejos reprimidos por uma época. Em 1977, lança o disco Pecado, com músicas do repertório do show Bandido que ainda não haviam sido gravadas. Seus shows tornaram-se cada vez mais ousados, enquanto o reconhecimento de seu talento como intérprete cresceu, na mesma proporção. O show e o disco Feitiço, em 1978, trouxeram a consagração de uma fase luminosa. No decorrer da carreira, Ney aperfeiçoou-se como intérprete, passando a acrescentar uma carga tão intensa de estilo pessoal a uma música, praticamente tornando-se co-autor. Ney transformou-se em um dos intérpretes mais precisos de Chico Buarque em músicas como "Deixa a Menina", "Tanto Amar", "Até o Fim" e "Las Muchachas de Copacabana"; foi veículo ideal para as divertidas composições de Eduardo Dusek, como "Folia no Matagal", "O Rei das Selvas", "Cobra Manaus" e "Destino de Aventureiro"; e injetou ainda em sua explosiva receita o sangue fresco da nova geração comprometida com o rock, como atestam as faixas "Por que a Gente é assim?", "Pro dia nascer Feliz", "Fogo e Risco" e "Tão Perto". No show Seu Tipo, de 1980, ele investiu em um visual mais simples. Ney Matogrosso escolheu o palco de um circo para estrelar o show Destino de Aventureiro, em 1984, no circo Tihany, do Rio de Janeiro, no qual revisitou 10 anos de carreira, travestindo-se de Homem de Neanderthal, bicho selvagem, bandido latino-americano e forrozeiro. Dois anos depois gravou Bugre, que acabou restrito ao vinil, pois show não chegou a ser feito, em nome da coerência profissional que sempre guiou o cantor. Em 1986, na temporada de A Luz do Solo, no Rio de Janeiro, pela primeira vez Ney Matogrosso subiu ao palco sem qualquer máscara ou fantasia. Iniciou-se ali a fase em que a valorização do cantor, acima de qualquer outro aspecto, atingiu a sua plenitude. O intérprete revisitou, com emoção à flor da pele, o chamado repertório clássico da MPB, em músicas como "Dora", "Nem Eu", "Retrato em Branco e Preto", "Último Desejo", "Três Apitos", "Da Cor do Pecado", "No Rancho Fundo", "Modinha", "Autonomia" e "Na Baixa do Sapateiro", revelando maturidade e frescor, soando sempre novo, original. Inúmeros músicos o acompanharam: Hélio Delmiro, Marcio Motarroyos, Caetano Veloso, Severino Araíjo, Dori Caymmi, Erich Bulling, Paulinho da Costa, Eugênia Melo e Castro, César Mariano, Robertinho Silva, Paulinho Braga, Antonio Adolfo, Gal Costa, Jaques Morelembaum, Wagner Tiso e Arrigo Barnabé, até chegar ao quarteto formado por Raphael Rabello, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Chacal no disco e show Pescador de Pérolas, de 1987, no qual adquiriu um prestígio no Brasil que ele próprio não confiava que tivesse. Ney Matogrosso sempre foi um artista. Não se considera um cantor, apenas. A voz é mais uma de suas habilidades artísticas. Ney foi ator de cinema - em "Sonho de Valsa", longa-metragem de Ana Carolina, e "Caramujo Flor", curta de Joel Pizzini -, fez iluminação de Nanna Caymmi, Nelson Gonçalves, Chico Buarque, da Fundação Oswaldo Cruz, peças de teatro como Mistério do Amor, dirigiu dois Prêmios Sharp com os temas "Ângela e Cauby"e "Gilberto Gil", os shows do RPM, Cazuza e Simone e, mais recentemente, a peça Somos Irmãs. Em 1992, uniu-se ao grupo Aquarela Carioca para realizar "As Aparências Enganam", que teve músicas como "El Manisero", "A Tua Presença Morena" e "Sangue Latino". Dois anos depois, o disco e o show Estava Escrito, homenagearam Ângela Maria, dando ao seu samba-canção uma roupagem requintada, uma leitura luminosa. O show "Um Brasileiro", de 1996, no qual exerce uma das melhores interpretações de Chico Buarque, também virou disco e se mantem até hoje na estrada, embora em 1997 Ney tenha gravado "Cair da Tarde", disco no qual entrelaça as obras de Tom Jobim e Villa Lobos. "Batuque" é um alegre passeio de Ney Matogrosso por um dos mais criativos períodos da música brasileira: as décadas de 30 e 40. Num momento em que as rádios do país não cansam de abrir espaço para o que o cantor define como "malícia pesada", "Batuque" celebra o balanço contagiante e a ingenuidade matreira de sambas, choros e marchinhas que definiram uma época de ouro da MPB. "Eu conhecia essas canções sem saber porque as ouvia desde criança. Mas não faço um espetáculo de época de resgate, porque essas músicas não se perderam. Estão à disposição de quem as quiser cantar e gravar", Ney explicou em uma entrevista para o jornal "O Estado de S.Paulo". Com a ajuda de quatro pesquisadores (Jairo Severiano, Zuza Homem de Melo, Paulinho Albuquerque e Fausto Nilo), Ney definiu o repertório desta viagem musical no tempo. As músicas do espetáculo incluem as faixas que constam do disco, reproduzingo os mesmos empolgantes arranjos acústicos, e algumas outras, como "Batuque na Cozinha" e "Barco Negro". Ney promove no palco e na platéia uma festa dançante que oscila entre a vibração de uma roda de samba e o entusiasmo de uma gafieira, com músicas como "O Que É Que a Baiana Tem?", "Tico-Tico no Fubá" e "E o Mundo Não se Acabou", que foram sucesso na voz de Carmen Miranda. Apesar de seis das músicas terem sido gravadas pela Pequena Notável, Ney revela que não se trata de uma celebração à carreira da cantora, como contou à "Folha de S.Paulo": "Não estou prestando uma homenagem a Carmen, não quis me limitar a ela. Mas o melhor daquelas décadas passava por ela mesmo. Eu teria que passar, inevitavelmente". Produtor de reconhecida competência, Ney mais uma vez também assumiu as luzes e os cenários, criando um ambiente que define como "de teatro de revista". Para os figurinos, contou com a ajuda do estilista Ocimar Versolato, buscando peças nos brechós de Paris: "É extravagante, embora sóbrio, mas erótico porque é todo preto", explicou ao "Estadão". O espetáculo, que depois do Rio segue para São Paulo, vai dar origem a um DVD. 2002: Ney Matogrosso comemora 30 anos de carreira mergulhando no universo musical de um dos nossos maiores compositores: Agenor de Oliveira, o Cartola. A admiração pelo sambista carioca veio muito antes do inicio da sua carreira. Ney chegou a cantar composições de Cartola em discos anteriores como Pescador de Pérolas e À Flor da Pele, mas desta vez resolveu dedicar uma obra inteira ao mestre. O desejo de fazer uma antologia veio atrelado a outro projeto antigo: a publicação de um livro que compilasse em fotografias momentos da sua carreira. “Ousar Ser”, lançado em 2002 (272 páginas), do compositor e escritor Bené Fonteles, contém 135 fotos de autoria de Luiz Fernando Borges da Fonseca durante 20 anos da carreira de Ney, as quais retratam inúmeras perfomances em shows e revelam várias mudanças no visual do artista, traçando assim um perfil de sua atitude e ousadia, além de depoimentos do cantor. O disco, no qual Ney interpreta composições de Cartola, a princípio, seria apenas um complemento do livro, mas acabou ganhando vida própria. Teve registro ao vivo (com mais músicas que a versão em estúdio) e um DVD. No repertório há clássicos como “O Sol Nascerá”, “O Mundo é um Moinho”, “As Rosas não Falam”, “Basta de Clamares Inocência”, entre outras preciosidades. Participam do projeto os músicos Zé Nogueira (Sax), Jorge Helder (baixo), Celsinho Silva e Zero (percussão), Ricardo Silveira (guitarra) e Marcelo Gonçalves (violão). Este show percorre todo o Brasil e Europa, completando um total de 100 apresentações em Portugal, sendo sucesso de publico e critica por onde passa. Em 1997, Ney Matogrosso grava Caramujo Jah no CD “Astronauta Tupy” de Pedro Luís e A Parede, ano em que conhece o trabalho da banda e gosta muito. Em 1999, Ney inclui músicas de Pedro Luís no CD “Olhos de Farol” (Miséria no Japão e Fazê o Quê), e participa de vários shows da banda. Surge a idéia de trabalharem juntos num mesmo projeto um dia. O fruto desta idéia é “Vagabundo”, O CD com desdobramento em dois DVD´s: um da etapa de ensaios e gravações e outro do show registrado ao vivo no Olympia em junho de 2005 (ainda a ser lançado). Com músicas variadas, “Vagabundo” é composto de 14 faixas, passeia desde a época do Secos&Molhados com “Assim Assado”, passando por “Disritmia” (Martinho da Vila), A Ordem é Samba (Jackson do Pandeiro e Severino Ramos), Napoleão (Luhli e Lucina), entre outras. O cenário é baseado em desenhos do artista plástico Rodrigo Cabelo, que viram animação nas mãos do fotografo Cafi. A luz é de Ney Matogrosso e Juarez Farion. Ney veste figurinos de Ocimar Versolato enquanto a Parede e os músicos convidados são vestidos por Helena Gastal. Depois da estréia no Rio de Janeiro, o show percorreu as principais capitais brasileiras e várias cidades do interior do Brasil, foi apresentando algumas vezes em Portugal, e a turnê se estende até o final do ano. Sucesso de público e critica, “Vagabundo” ganhou alguns prêmios: foi eleito pelos críticos da APCA como um dos melhores discos de 2004 e de melhor grupo em 2005. Comportado ou transgressor, Ney mantém alta a qualidade de suas interpretações. Para milhares de pessoas ou para um publico pequeno o canto do Ney realmente cabe em qualquer canto. "Canto em qualquer canto" durou dois anos, viajou o Brasil de ponta a ponta, em junho de 2007 cruzou o Atlântico e encerrou a turnê na Itália. O estilo mais comportado que esteve presente no show anterior foi deixado de lado, agora ele mostra novo visual, inspirado em seus modelos mais extravagantes, no seu novo show Inclassificáveis que teve a sua estréia em Juiz de Fora no início da primavera. “Gosto de mudar, de mexer para que a coisa fique atraente para que eu possa fazer. Não é uma preocupação com o público, mas com o meu prazer de estar fazendo. E me aproximo de novo do pop rock, que é uma coisa que gosto de fazer. Surgi assim, e de vez em quando eu gosto de fazer. Daí muda tudo, banda, tudo. Montei uma banda em São Paulo, ensaiamos durante um mês e meio lá. É isso, um show pop rock, portanto com bastante liberdade de figurinos e ação. Apesar de estar me sentindo muito à vontade ali, o Canto em Qualquer Canto era um recital pop, mas me restringia. Esse não, me dá uma maior liberdade.” O espetáculo subverte a ordem natural da indústria fonográfica, que dita que um artista deve lançar um CD novo para depois sair em turnê. No caso de “Inclassificáveis”, Ney Matogrosso fará o contrário, talvez assinalando o que há anos já se discute: o fim da indústria fonográfica tal qual nós a conhecemos. “Para mim, o disco sempre foi um veículo para meus shows. Agora com a derrocada do CD sinto-me mais livre para exercitar minha verdadeira paixão, que é o palco”. A apresentação terá 22 canções, 12 delas releituras de sucessos de outros cantores. Só de Cazuza são quatro composições. Ney abre o show com 'O Tempo Não Pára' e termina com 'Pro Dia Nascer Feliz'. Ainda serão apresentadas 'Por que a Gente É Assim?' e 'Seda', letra inédita do compositor, que ganhou arranjos de Lobão. No repertório ainda há versões de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil e Jorge Drexler. Entre as inéditas, destaque para os novos compositores, que permeiam o repertório. Estarão no show canções de Pedro Luis, Iara Rennó, Alice Ruiz e Fred Martins, além de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, e de Arnaldo Antunes. Sobre o repertório, o intérprete conta que a idéia é trazer coisas novas, já que seu lema é: “sempre para frente, o que ficou pra trás é passado. Das antigas, vem ‘Mal Necessário’, que é dos anos 80, fez sucesso e nunca mais cantei”, 'Mente Mente' de Robinson Borba, 'Novamente' de Fred Martins. O figurino tem assinatura de Ocimar Versolato, sempre mostrando um cantor provante e ousado. Ney aparece coberto de brilhos, que no decorrer do show se transformam em outros, a partir de cada troca em cena de adereços e peças. Uma recuperação do Ney “exótico” dos anos de 1970 e 80, época que encarnava um pavão misterioso andrógino e espalhafatoso. “Não é uma tentativa de recuperar nada daquela época, apenas uma proposta visual que achei bonita. Do passado só guardo meu espírito sempre crítico.” A direção musical é de Emílio Carrera, ex-integrante dos Secos e Molhados. O cenário do novo show remete aos tempos de extravagâncias cênicas e leva a assinatura de Milton Cunha. No palco, uma nova banda renova o cantor: Carlinhos Noronha (baixo), Junior Meirelles (guitarra / violão), Sergio Machado (bateria), Emilio Carrera (piano, teclado e direção musical), DJ Tubarão (percussão e pick up) e Felipe Roseno (percussão). Em março de 2008 lançou o CD/DVD Inclassificáveis. Ney comemora seus 35 anos com projetos ambiciosos, dois deles realizados pelo cineasta Joel Pizzini, em parceria com o Canal Brasil: o filme “Olho Nu” e um documentário ainda sem titulo. Ambos relatam etapas importantes da vida e da trajetória do cantor, mostrando o resgate de imagens raríssimas. No premiado “Depois de Tudo”, curta metragem de 12 minutos, o cantor interpreta um homem casado há 35 anos, que mantêm um relacionamento extraconjugal com outro homem (interpretado pelo ator Nildo Parente). Cenas do cotidiano como cozinhar, assistir filmes, dormir abraçado e beijos ternos preenchem a tela de forma sutil e sensível.“Me ver beijando na boca de outro homem, era tudo o que as pessoas queriam". A frase foi dita por Ney Matogrosso durante a coletiva de imprensa realizada antes da primeira exibição de "Depois de Tudo" (2008), curta de Rafael Saar, que teve sua estréia no II For Raibow - Festival de Cinema da Diversidade Sexual, realizado entre 05 e 09 de setembro na cidade de Ceará. O cantor destaca "Pescador de Pérolas" (1987) como um trabalho de importância fundamental em sua trajetória. “Até Pescador de Pérolas, eu tinha certa insegurança em saber se era realmente um cantor ou se eu era um ator que cantava. Um ator pode até cantar bem, dominar a técnica, mas é diferente de um cantor. Um cantor tem que ser intuitivo. Naquele show, de ambiente camerístico e no qual eu não usava maquiagem nem fantasia para me comunicar com o público, entendi que eu era mesmo um cantor”. A caixa foi organizada pelo jornalista e pesquisador Rodrigo Faour. Em dezembro de 2008, estreia em Santos seu novo show: . Em fevereiro de 2009 começaram as filmagens do longa “Luz Nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha”, continuação do clássico de 1968 “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, baseado na história do criminoso João Acácio (1942-1998). No remake, Ney interpretará o próprio bandido, vivido por Paulo Villaça (1946-1992) no primeiro filme. “Assim como o personagem, Ney tem personalidade fortíssima”, afirma a diretora e viúva de Sganzerla, Helena Ignez. “É um artista extraordinário”. “Gosto de desafios. Acho a vida interessante com desafios. Nesse, tem o que me assusta e o que me atrai, que é fazer a continuação disso, principalmente por ser um roteiro de Sganzerla”, disse Ney à Folha, após acompanhar, no 41º Festival de Brasília, a exibição do curta “Depois de Tudo”, de Rafael Saar, em que atua. O elenco do longa ainda conta com nomes como Maria Luisa Mendonça, Djin Sganzerla e Simone Spoladore. Selton Mello e Daniel Filho também devem fazer participações. Enquanto isso, Inclassificáveis, com algumas alterações, continuou na estrada, paralelo a todos esses projetos. O CD, lançado em outubro, apresenta uma necessidade de Ney em intercalar trabalhos ousados com mais introspectivos. A maioria das canções se trata de relações amorosas. O repertório começou a ser montado a partir do desejo de recuperar canções que havia gravado com outras pessoas e que ficaram de fora da caixa Camaleão, organizada por Rodrigo Faour, além de outras que ele já tinha vontade de cantar. O título Beijo Bandido foi inspirado na letra de “Invento”, música do compositor gaúcho Vitor Ramil. Ney da um banho de interpretação, técnica e sedução, mesclando músicas antigas com canções contemporâneas. A direção musical e os arranjos são de Leandro Braga, cujo piano se sobressai por vontade de Ney. Além de Braga, que já trabalhou com o cantor em projetos anteriores, completam a banda Lui Coimbra (cello e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão).
COMENTÁRIO DE TH: Ufa! A biografia é gigantesca (e olha que dei uma resumida básica!) mas eu recomendo: leiam! Leiam pois testemunharão a grandiosidade de um artista que não tem receio de se aventurar pelos mais diversos campos e tem opiniões bem impactantes sobre muitos assuntos (adorei sua visão sobre a derrocata do cd - que faz ele se satisfazer com o melhor que pode oferecer, que são suas performances nos palcos). Ney sempre tocou aqui em casa, apesar do preconceito do meu avô (como não poderia deixar de ser), minha avó adorava e eu sempre escutei com curiosidade hinos como "Sangue Latino", "Bandido Corazon" e muitos outros. O único show que contemplei (2 vezes) foi o da turnê "Inclassificáveis" - vi um Ney mais maduro e consciente de seu papel como artista. Gostei tanto que escolhi esse disco pra aparecer no alto do EnTHulho. Outro disco que adoro é o "Um Brasileiro", de 1996. Para homenageá-lo, escolhi uma composição de Caetano que já tinha sido eternizada por Maria Bethânia e que Ney deu uma leitura completamente diferente! Salve Ney!
***************************************** A TUA PRESENÇA (MORENA) Caetano Veloso. Ney Matogrosso
A tua presença: entra pelos sete buracos da minha cabeça A tua presença: pelos olhos, boca, narinas e orelhas A tua presença: paralisa meu momento em que tudo começa A tua presença: desintegra e atualiza a minha presença A tua presença: envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas A tua presença: é branca verde, vermelha azul e amarela A tua presença: É negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra A tua presença: transborda pelas portas e pelas janelas A tua presença: silencia os automóveis e as motocicletas A tua presença: se espalha no campo derrubando as cercas A tua presença: é tudo que se come, tudo que se reza A tua presença: coagula o jorro da noite sangrenta A tua presença: é a coisa mais bonita em toda a natureza A tua presença: mantém sempre teso o arco da promessa A tua presença: morena, morena, morena, morena, morena, morena, morena