quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

ÚLTIMA FAIXA: Classificar pra quê, afinal? (Crônica)



[Ao som de "Um Pouco de Calor", faixa extraída do DVD "Inclassificáveis"]



“Quando eu entrava no palco e via as pessoas na plateia, eu tinha uma vontade inimaginável de trepar com aquela gente toda. Hoje, com a idade, isso diminuiu. Mas o palco ainda me dá um prazer orgásmico sim”

Tanto dá que, acredito-me, a realização maior de Ney Matogrosso ainda é se apresentando. De acordo com sua postura em entrevistas, ele transparece bem que, independente da pirataria que assola o mercado fonográfico, ele se sente muito mais à vontade em garantir seu sustento da melhor forma que sabe: nas esfuziantes performances musicais que nos presenteia...
Quando descobri que ele seria o artista do mês de Dezembro, eu notei que só conhecia seu universo superficialmente. Dediquei-me a "estudá-lo" musicalmente, colocando vários discos de sua carreira no meu Mp3 (aparelhinho inseparável meu - aonde vou, carrego a música junto). Percebi que Ney é aquele típico artista que já nos faz pensar na postura "ao vivo" ainda que escutemos suas gravações de estúdio. Temos a necessidade de contemplá-lo dando sua energia visual aos acordes musicais. Um videoclipe vivo, que sente prazer em nos fazer delirar com todo seu vigor cênico.
O único show que assisti de Ney foi o "Inclassificáveis", aqui mesmo em Maceió, e em Garanhuns (PE), em 2008. O espetáculo em Pernambuco foi ao ar livre - o que não comportou, pois o show de Ney não é nem de longe feito pra se "ouvir" a música enquanto toma uma cervejinha e bate papo com amigos. Ele requer toda atenção direcionada. Quer ser protagonista absoluto daquela noite - sob pena da mágica perder efeito. Um artista que sabe seu papel muito bem e não deixa de arrogar para si a importância, fascínio e o poder que exerce diante das pessoas.
Fato semelhante ocorre quando nega conversar sobre Secos & Molhados ou sobre Cazuza, pois tiram-lhe o foco nas entrevistas, que passam a ser apenas centradas nesses pilares de sua carreira. O moço precisa de muito mais. Um inclassificável afinal - não se limita e tem como meta tao somente o limiar do desconhecido. Surpreendente. Dono de si e reconhecido por anos e anos de carreira. E por muitos e muitos tantos ainda será!

TH



Obs.: Fui ousado em consentir que ele tenha sido destaque por todo esse mês no blog. Nunca fui aprofundado em sua carreira, porém acho que o trabalho foi válido, e a partir de então ele sempre terá lugar cativo aqui no blog. Merecidíssimo!



9 comentários:

  1. Um dos artistas mais completos que esse país já viu!

    Parabéns pelo post!

    Feliz ano novo!

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  2. Não gosto do Ney no palco.
    Sinceramente, não acho a menor graça em vê-lo coberto de maquiagem, rebolando e fazendo caras e bocas. Acho que isso não atrai o público gay em geral. Atrai mais as mulheres mesmo...
    Prefiro o Ney em estúdio, gosto de escutá-lo. Não é preciso ver uma performance de palco para se reconhecer um verdadeiro artista, eu acho.

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  5. THiago

    Excelente a crônica! Sou teu fã.

    O Ney, de fato, está acima de qualquer classificação.

    Quanto ao comentário do Gui, se me permite, gostaria de dizer o seguinte: estou certo de que o Ney não se preocupa em fazer espetáculos que atraiam a públicos que se auto-rotulam (gays ou outros).

    E mais: se quer saber, Gui, sou fã desse artista justamente porque ele tem jogo de cintura e, ao mesmo tempo, mostra a cara. Além disso, quando abre a boca tem o que dizer.

    É clara a diferença entre perfomance artística e apelação. Não se pode comparar um artista como o Ney Matogrosso a uma loira do Tchan ou a uma Mulher Melancia.

    É preciso cuidado pra não ser reacionário. O Ney (em estúdio ou ao vivo) é um artista revolucionário.

    Um abraço THiago.

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  6. Eu não sei se o Ney se preoucpa em fazer um espetáculo para o público, x, y ou z, Márcio.
    Apenas disse que o que ele faz no palco não me atrai. Nao é o que eu espero de um show. E não é preconceito, não. Achava o que o Sidney Magal fazia no palco muito mais interessante, apesar de ele ser um "cigano de araque fabricado até o pescoço".
    Acho que tenho o direito de não gostar do Ney no palco, não tenho?

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  7. você tem direito a tudo, Gui.

    O que chamo a atenção é para o equívoco na tua fala. O Ney não faz "caras e bocas", ele encena, interpreta.

    Uma pergunta: o que há de interessante no Sidney é o mesmo que você não gosta no Ney, o rebolado?

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  8. THiago

    releio sempre, gostaria que você soubesse disso. Re-leituras, pra mim, são novas leituras. Por isso estou aqui novamente.

    Tua crônica é belíssima, mas o que me chama atenção na tua postagem é o despreparo de alguns leitores. Sobretudo porque são inflexíveis em suas posturas e facilmente perdem o rebolado.

    Teu texto aponta para uma direção extraordinária: classificar pra que, afinal? Somos inclassificáveis, não é mesmo? Você compreendeu a essência da arte do Ney.

    Sugiro: esqueçamos os rótulos, pois são todos "de araque, fabricados".

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