segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

TEMA DE NOVELA ESPECIAL: DOSSIÊ NEY MATOGROSSO!




"A voz de Ney Matogrosso combina com abertura de novela", é a frase de quase todo telemaníaco quando perguntado sobre a inserção do cantor nas trilhas sonoras.
É fato que Ney consegue chamar atenção em qualquer coisa que pontue - temas de filmes, sucessos radiofõnicos...mas é nas novelas mesmo que ele reina, com um filão imenso de grandes sucessos nos mais variados estilos - não apenas temas de abertura dançantes, mas músicas feitas sob encomenda pra sublinhar cenas e universos dos ricos personagens brasileiros.
Como eleger uma lista de 10 apenas é uma tarefa MUITO difícil, contei com a ajuda providencial de amigos noveleiros recomendadíssimos - e a maioria esmagadora escolheu "O Viajante' como melhor tema (da novela "Baila Comigo"), mas relembraram muito mais e o resultado rendeu essa nova edição da seção "Tema de Novela" com nosso artista do mês!

Agradecimentos: Eddy Fernandes, Eduardo Secco, Evana Ribeiro, Fábio Leonardo, Guilherme Staush, Ivan Gomes, José Marques Neto, Marcelo Ramos, Vitor Santos, Walter de Azevedo e Wesley Vieira. Valeu gente!


1) "VIAJANTE" (BAILA COMIGO, Globo, 1981)

Curiosamente, o tema mais indicado pelos noveleiros (e que também seria meu eleito) não nos remete ao Ney rebolativo tão característico, mas a sua sensível e sentimental interpretação para a composição de Teresa Tinoco, "Viajante" - combinando muito bem com o drama dos gêmeos vividos por Tony Ramos em "Baila Comigo". Toda a mentira da mãe deles (Helena, da saudosa Lilian Lemmertz) causava um clima bem melancólico na saga dos personagens, que tinham a canção como tema (às vezes, só o pianinho inicial dava impressão que era um tema incidental criado especialmente para a novela de Manoel Carlos). Merecidíssimo primeiro lugar!

2) PROMESSAS DEMAIS (Paraíso, Globo, 1982)


O tema de abertura da primeira versão de "Paraíso" já demonstrava que a novela era bem mais "urbana" que o remake apresentado em 2009. Também bastante eleita pelos noveleiros, ainda funcionava como tema do casal principal da novela, vivido por Kadu Moliterno e Cristina Mullins. Sobre a música, Vitor Santos, do blog "Prefiro Melão". acrescenta: "Achava linda a parte lenta, que era o tema do casal. Quando a música "crescia" virava a abertura da novela... ". Participam da gravação ainda Paulo Leminski e Moraes Moreira.

"Quem sabe o coração me dirá? Dirá se cabe ou não no mesmo lugar. Lugar comum..."


3) VEREDA TROPICAL (Vereda Tropical, Globo, 1984)

Uma das mais lembradas aparições do nosso artista do mês em aberturas, o ritmo "caliente" da gravação de Ney combinava com o ritmo da trama de Carlos Lombardi, além de mostrar seu potencial e capacidade de cantar em outro idioma. "Eu conheço a gravação original da música, mas a gravação de Ney é de uma sensualidade sem precedentes" diz o pesquisador Marcelo Ramos.

"Voy por la vereda tropical, la noche plena de quietud, con su perfume de humedad..."

4) MANEQUIM (Tititi, Globo, 1985)


Os amigos noveleiros também apontaram demais essa música como uma das mais preferidas: Manequim funcionava como encomenda como tema do primeiro Jacques Leclair (Reginaldo Faria). "Gosto demais de "Manequim", na primeira versão de Tititi", diz o jornalista mineiro Wesley Vieira. No remake desse ano Ney também faz parte da trilha, com a música "Seu Tipo".

"O teu jeito me faz sentir, sabor de "you and me", chegar de mansinho, carinho é bom de fazer..."

5) VIDA VIDA (Jogo da Vida, 1981, Globo)

A maioria dos noveleiros reivindicou a presença deste tema de abertura na lista - Segundo eles, a novela de Silvio de Abreu era gostosa de acompanhar, e certamente o tema de abertura é um dos mais lembrados de todos os tempos.

"Vida vida que mais te quero ainda. Linda vida que mais te faço linda..."


6) BELÍSSIMA (Belíssima, 2005, Globo)


A faixa-título da novela de Silvio de Abreu é uma das mais belas interpretações de Ney. Triste, caía como uma luva pra melancolia disposta nos primeiros momentos da protagonista Júlia (Glória Pires), que possuía uma sem-graceza quase apática e acabou sendo alvo da super vilã Bia Falcão (Fernanda Montenegro). Elementos muito ensejadores para uma grande volta por cima da heroína na reta final da trama.

"Porque a beleza te escolheu para se representar..?"


7) NÃO EXISTE PECADO AO SUL DO EQUADOR (Pecado Rasgado, Globo, 1979 e Dona Anja, SBT, 1996)

Na novela da Globo do fim da década de 70, Ney, que já havia se firmado como um polêmico artista performático solo em tempos de censura, coroaria ainda mais fazendo parte de uma novela cujo título já continha "pecado". O roteirista Eduardo Secco elogia a música: "Gosto bastante dela, mas a conheci mesmo na novela "Dona Anja""
De fato: "Não Existe Pecado Ao Sul do Equador" também foi tema de abertura da trama do SBT, e um dos maiores sucessos da carreira do cantor.

"Vamos fazer um pecado rasgado e suado a todo vapor!"


8) O MUNDO É UM MOINHO (O Outro, 1987, Globo)


Mais um lindo tema bem lembrado pelos nossos amigos noveleiros. Pontuava bem o romance de Edwiges (Cláudia Raia) e Genésio (José de Abreu) e fazia parte da fase "Cartola" que Ney vivenciou na década de 80, se firmando definitivamente como um dos melhores intérpretes brasileiros.

"Ainda é cedo amor...mas começastes a conhecer a vida"


9) LIG LIG LIG LÉ (Negocio da China, Globo, 2008)

Negócio da China não foi das novelas mais bem sucedidas que existiram. Pelo contrário: é uma das que menos gosto na faixa das 18h. Porém, ter Ney na abertura serviu pra constatar que, por mais tempo que passe, é fato: ele sempre é genial cantando qualquer abertura. E pra ser sincero, Lig Lig Lig Lé é uma das únicas coisas que me lembro da trama...


"Lá vem Seu China na ponta do pé...lig lig lig lig lé"

10) MARIA ESCANDALOSA (Deus Nos Acuda, Globo, 1992)


Essa vai por minha indicação mesmo. Eu não consigo lembrar de Cláudia Raia na novela "Deus Nos Acuda" sem associar imediatamente a deliciosa versão que Ney fez pra "Maria Escandalosa", que combina totalmente com o perfil da trambiqueira personagem. Ney deveria fazer cada vez mais temas para Cláudia Raia - eles se afinam!


"E a Maria Escandalosa. É muito prosa. É mentirosa, mas é gostosa!"





CURIOSIDADES/ MENÇÕES HONROSAS:

Guilherme Staush, do "Memória da TV', indica um de seus temas preferidos: "Dança da Lua", parceria que Ney fez com a cantora portuguesa Eugênia Melo e Castro. A música foi abertura da novela "Antônio Maria", na Rede Manchete, em 1985.

Já José Marques Neto, do "Mofo TV", prefere relembrar uma pouco conhecida: ""A Gaivota" é uma composição de Gilberto Gil gravada por Ney no início de sua carreira solo, quando ainda pertencia ao cast da pequena gravadora Continental e que foi um dos principais temas da tb pouco assistida novela O Espantalho de Ivani Ribeiro.
Ao relembrar esta letra fiquei impressionado como tem a ver com meu momento pessoal."

O amazonense Eddy Fernandes acrescenta ainda o tema de abertura de "Coquetel do Amor', novelinha inserida dentro de "Espelho Mágico" de 1977, "Bandido Corazon"

Outro tema de abertura famoso foi Kubanacan, da novela das 19h de mesmo nome (2003). Mais uma vez Ney abrindo uma novela de Carlos Lombardi.

Quase entrou na lista, mas ficou por fora por falta de espaço: a bela "Jeito de Amar" de "Sétimo Sentido" (1982)

Valem a pena, sem dúvidas: "Veja Bem Meu Bem" (Beleza Pura), "Pra Não Morrer de Tristeza" (Saramandaia), "Tic Tac do meu coração" (Feijão Maravilha), "Falando de Amor" (Chega Mais) e "Mal me Quer" (da minissérie Tereza Batista).


UFA! Agora é com vocês: relembrem mais algum sucesso de Ney em alguma novela. Faltaram MUUUUITAS ainda!


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VIAJANTE
Teresa Tinoco. Ney Matogrosso

Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez
Mas o viajante é talvez covarde
Ou talvez seja tarde pra gritar que arde no maior ardor
A paixão contida, retraída e nua
Correndo na sala ao te ver deitada
Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar
Talvez esperando desse viajante
Algo que ele espera também receber
E quebrar as cercas que insistimos tanto em nos defender
Eu me sinto tolo como um viajante
Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia
E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria
É que arde o medo onde o amor ardia
Mansidão no peito trazendo o respeito
Que eu queria tanto derrubar de vez
Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez

TH - Perfeita!



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO #20 - Grazi Ella Feliz Ares

Ela tem manha de personagem de desenho animado! =D


Chegou a aguardada vez da garotinha feliz!
Não, eu não conheço a Grazi pessoalmente. Troquei pouquíssimos papos com ela no MSN e volta e meia nos comunicamos por outras redes sociais, mas dá pra percorrer muito pelo seu mundinho e sabem porque? Porque é transparente!
Um dos meus melhores amigos (Dan McPhee) é seu amigo de infância e garante com convicção que ela é do jeitinho que se expressa: tímida no início, mas empolgadíssima quando tem conhecimento do assunto ou se o mesmo é do seu agrado. Eu sempre a idealizei assim: aquela que ficava observando reticente seu ídolo de longe (qualquer um dos Carpenters, por exemplo), porém um aceno amistoso a faria correr pra se apresentar, fazer mil perguntas e falar, falar, falar, falar, falar...sempre com o termômetro da empolgação nas alturas!
Esta linda professorinha de Araraquara (SP) consegue me remeter aos amigos que eu tinha quando pequeno, aqueles que viravam noites de sexta feira assistindo filmes em sequência, conversando sobre música e devorando guloseimas. Gente que consegue eternizar esses momentos amenos como jóias raras da vida. Gente que vive, que consegue aproveitar o melhor que o outro pode oferecer em gestos simples, mas que se eternizam. É a leitura que faço dela, sob a ótica do seu amigo Dan.
Sua admiração por ABBA, Carpenters, comerciais antigos, brincadeiras de infância, seriados que lhe divertiam (dia desses ela forneceu uma matéria excepcional sobre o conceituado "Anos Incríveis" pro blog "Alfarrábio do Meu Coração"), Guilherme Arantes "das antigas", a credenciam como uma exímia saudosista. Volta e meia ela leva cultura de seu agrado pra mostrar aos seus alunos, tão carentes de boa difusão cultural nos dias de hoje...
O EnTHulho fica muito feliz em publicar o relato sensível, bem descrito e empolgado (como não poderia deixar de ser) de uma menina que adora compartilhar as aleluias de seu universo. E o mundo requer cada vez mais pessoas assim! =D
P.s.: Mais uma que O-D-E-I-A exposição virtual. Por isso a grafia "Grazi Ella Feliz Ares" é a "marca registrada".


Guilherme nos primeiros anos de carreira: a admiração fervorosa de Grazi é contagiante!



“Sinto agora que o vento
Traz coisas de longe de casa libertando a voz
São lugares perdidos, imagens confusas de tempos
Que não voltam mais...”


Sabe aquelas canções que permanecem vivas na memória apesar de passados os anos? Aquelas que nos remetem a fatos, lugares, sentimentos, sabores dos tempos de outrora?

“...E pessoas com quem convivi, suas palavras, seus sonhos,
Seus atos, seus modos de ver a vida
Olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar
Olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar...”


Década de 80. Enquanto, no quintal, o tempo voa nas brincadeiras próprias da infância, minha mãe deixa rolar “As dez mais” na estação de rádio local... ao fundo, canções que, confesso, escutava a contragosto... Claro, eu queria mesmo era brincar ao som de Balão Mágico, meu favorito absoluto. O que eu não podia imaginar é que aquelas canções marcariam minha existência e memória afetiva de forma indelével...

“...Pela rua deserta e forrada
De folhas caídas que voam ao léu
Corre o meu pensamento
No rastro das nuvens pesadas que habitam o céu...”

Enquanto a estação de rádio desfilava o rol de canções que marcariam o ritmo dos inesquecíveis anos 80 – Reluz (Marcos Sabino), Muito estranho (Dalto), Vitoriosa (Ivan Lins), Lua e flor (Oswaldo Montenegro), Canção de verão (Roupa Nova), Todo azul do mar (Flávio Venturini), Pelo interfone (Ritchie), Asa morena (Zizi Possi), Sonho de Ícaro (Biafra) – um compositor e intérprete viria a se tornar meu preferido, e conquistaria meu coração de criança que, na época, só tinha ouvidos para Tob, Mike e Simony... Sim, eu me lembro como vibrei, pulei, dancei quando ouvi pela primeira vez “Lindo Balão Azul”. Num primeiro momento, imaginei ser um novo sucesso do Balão (aliás, ainda hoje há adultos que associam essa canção ao referido grupo, porque era o tema de abertura do programa), mas meu pai insistia em dizer que o nome do compositor daquele que viria a ser um dos maiores sucessos infantis da história da música brasileira era Guilherme Arantes... A música ganhou inclusive uma versão que cantávamos “até ficar afônicos”: “Pegar carona nessa classe de capeta, ver a professora de ponta cabeça, brincar de esconde-esconde na diretoria, voltar pra casa suspensão de trinta dias...”.
O próprio Guilherme Arantes comentava numa reportagem da época: “Minha música é a voz da garotada”... E os tempos passaram...

“... Vejo a casa na qual me criei,
Vejo a escola, o jardim,
Vejo a cara de cada um dos meus companheiros.
Olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar
Olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar...”

Guilherme Arantes continuou a percorrer sua trajetória como compositor e intérprete inigualável, sua maturidade musical desabrochava a cada novo sucesso, ao mesmo tempo em que se tornava a trilha sonora de minha vida e da vida de muitos outros brasileiros. Eterno poeta, suas canções falam ao coração de quem acredita que viver “é uma arte”.
Escutar Guilherme Arantes, sem pré-conceitos, sentir toda a riqueza de suas melodias, cujas mensagens trazem verdadeiras lições de vida, é uma deliciosa viagem no tempo pra quem deseja “nunca perder esse riso largo e essa simpatia estampada no rosto”...
Para figurar a memória musical do EnTHulho escolhi duas canções. Uma Lado B, lançada no primeiro LP de Arantes, em 1976, intitulada “Antes da chuva chegar” – cuja letra foi tecida ao longo desta matéria e revela meu íntimo, minha alma, meu jeito de ser. E uma Lado A, “Cuide-se bem” – do mesmo LP – minha assinatura, meu registro, meu autorretrato, meu jeito de estar...


GRAZI ELLA FELIZ ARES


[Seu desejo é uma ordem. Pela primeira vez no EnTHulho, uma indicação musical dupla! =D]


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ANTES DA CHUVA CHEGAR [Lado B]
Guilherme Arantes

Sinto agora que o vento
traz coisas de longe de casa libertando a voz
são lugares perdidos, imagens confusas de tempos
que não voltam mais
e pessoas com quem conviví, suas palavras, seus sonhos,
seus atos, seus modos de ver a vida
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar

Pela rua deserta e forrada
de folhas caídas que voam ao léu
corre o meu pensamento
no rastro das nuvens pesadas que habitam o céu

Vejo a casa na qual me criei,
vejo a escola, o jardim,
vejo a cara de cada um dos meus companheiros.
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar


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CUIDE-SE BEM [Lado A]
Guilherme Arantes

Cuide-se bem!
Perigos há por toda a parte
E é bem delicado viver
De uma forma ou de outra
É uma arte, como tudo...

Cuide-se bem!
Tem mil surpresas
A espreita
Em cada esquina
Mal iluminada
Em cada rua estreita
Em cada rua estreita
Do mundo...

Pra nunca perder
Esse riso largo
E essa simpatia
Estampada no rosto...

Cuide-se bem!
Eu quero te ver com saúde
E sempre de bom humor
E de boa vontade
E de boa vontade
Com tudo...

Pra nunca perder
Esse riso largo
E essa simpatia
Estampada no rosto


TH - Duas jóias do pop brasileiro num mesmo LP! Parabéns, Grazi!




terça-feira, 14 de dezembro de 2010

INTERNACIONAL ESPECIALMENTE CONVIDADO: ZUCO 103

Conjunto europeu se destaca cantando música brasileiríssima!


Direto dos Países Baixos, temos uma excelente banda correspondente que faz a devida homenagem à música brasileira em alguns de seus trabalhos, priorizando bossa, samba, eletropop e o charme que os brasileiros naturalmente possuem, contrastando forte com o "glacial way of life' típico dos europeus: Zuco 103!
A vocalista brasileira Lilian Vieira parece saber bem unir as esferas rítmicas dos dois lugares, fazendo um som diferenciado - que nos orgulha por trazer o melhor de nossa música pra Holanda e adjacências. Torna-se, por conseguinte, mais uma que valoriza (muito bem) nossa cultura lá fora (enquanto tantos do lado de cá do mar a menosprezam...). Foi morar em Amsterdã em 1998, onde estudou música no Conservatório Musical de Roterdã, onde fez barulho por diversas bandas de jazz até que, no ano seguinte, já lançava o disco "Outro Lado", oriundo do encontro com o alemão Stefan Schmid e o holandês Stefan Kruger. Com o êxito da primeira empreitada, o trio decidiu formar a equipe, que continua até hoje.
O grande trunfo do Zuco é, na minha opinião, modernizar sem perder a essência de brasilidade, ou ostentar o chato ar basé presente em alguns trabalhos de Bebel Gilberto, por exemplo. Além da humildade - Lilian tem um carisma tão exorbitante que a impressão que tenho é a de me sentir à vontade de conhecer e passar horas discutindo sobre música, sem se tornar didático ou monótono. O swing da moça é tão diferenciado que chega a dar ares de novas músicas até pra hinos genuinamente brasileiros como Bebete Vãobora (Jorge Ben) e Maracatu Atômico!

Indicada pelo amigo Pedro Lucena, grudei neles! A discografia da banda não sai do meu Mp3 e eu gostaria de compartilhar essa "fase" totalmente Zuco que tenho tido.

À esquerda, a brasileira Lilian solta a voz. À direita, meu disco preferido: "Tales Of High Fever (2002)



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TREASURE
Zuco 103


Sim, amiga música
Vem de novo me salvar
E assim me abre esse livro cheio de estoria boa
E a gente aprende se desprende
Se descobre em outra pessoa

Que vem te dizer : ninguém sofre sozinha
Sempre vai ter um cuidando o teu caminho

Vem, amiga música
Vem de novo me salvar
E assim me abre esse livro cheio de estoria boa
Que a gente aprende se desprende
Se descobre em outra pessoa

Só prá te dizer : ninguém sofre sozinho
Sempre vai ter um cuidando o teu caminho

(They) Can't take anything away from me
I will never lose my melody


Tanta coisa pra aprender
Tanta coisa pra esquecer
Quem caiu já se levanta
Sacode a poeira e até canta


TH - A amiga música também já me salvou TANTAS VEZES!


sábado, 11 de dezembro de 2010

SECOS & MOLHADOS: POESIA NUMA ÉPOCA DE CHUMBO!


Uma das mais intrigantes capas da música brasileira



"Ney Matogrosso sai dos Secos & Molhados da mesma forma como entrou, sem nada. Permaneceu no Rio de Janeiro onde tinham ido gravar o Fantástico, mas terminou não aguentando o cerco da imprensa em busca de maiores explicações. Desapareceu. Foi para Mato Grosso deixar a poeira baixar, curtindo uma curiosa liberdade: não possuía vínculos com ninguém. Nem com a firma Secos & Molhados, cujo contrato se recusara a assinar e gerara a separação, nem com a gravadora Continental, já que o responsável pelo grupo era João Ricardo. Livre novamente, sem um tostão (gastara todo o dinheiro com os amigos), mas com tempo para imaginar sua vida dali para a frente." (Um Cara Meio Estranho - Ney Matogrosso - Denise Pires Vaz).





O que muita gente talvez não saiba é que, apesar de Ney Matogrosso ter integrado o conceituado grupo "Secos & Molhados", não foi seu idealizador. A banda começou com João Ricardo, que criou o nome em 1970. Em 1971, começa suas atividades com outros integrantes e Ney só entraria no final do mesmo ano. Nesse período, vários músicos se interessavam em fazer parte da promissora banda de rock (?) mas João Ricardo parecia ter um rígido critério seletivo, de modo que a formação clássica ficou mesmo ele, Ney e Gerson Conrad. O primeiro disco é lançado em 1973, e com o auxílio da aparição no programa global "Fantástico", tornam-se o maior objeto de discussão do país.


As apresentações eram ousadas, o figurino irreverente e as maquiagens exageradas. Não faltaram vozes que os alardeassem como os "Kisses" brasileiros, contudo não haviam guitarras distorcidas ou agressividade gratuita - o rock pesado da equipe era acrescido de poesia, dança folclórica e críticas contra a ditadura. Ganharam uma hiper notoriedade nesse período, até o lançamento do segundo álbum, "Secos & Molhados II" em 1974, ano em que, apesar de ainda estarem no auge (o que engloba uma viagem para se apresentar no México) desentendimentos financeiros fizeram essa formação clássica se dissipar. João Ricardo continuou com a marca por muitos anos, e Ney Matogrosso partiu pra bem sucedida (até hoje) carreira solo.


COMENTÁRIO DE TH: Admiro o potencial de João Ricardo de persistir com seu projeto por tantos anos. Lançou discos até o ano 2000 (Memória Velha) mas, sem dúvidas, os melhores são mesmo os que Ney integrou. O cantor desde cedo já magnetizava no grupo, e inevitavelmente roubou todos os destaques para si, refletidos em sua carreira solo. Os dois discos (Secos & Molhados I e II) são perfeitos e figuram fácil na minha lista de melhores álbuns da música brasileira.
As marcas do grupo são gigantes: hits absolutos como "Sangue Latino" e "Rosa de Hiroshima" até hoje são regravadas sempre. A canção "O Vira" é passada para frente de geração à geração, e atualmente, quase quarenta anos depois do fim da formação original do grupo, é executada em rádios e programas de televisão.
Uma crítica: eu D-E-T-E-S-T-O o disco "Assim Assado: Tributo a Secos & Molhados", lançado oportunamente em 2003, 30 anos depois do primeiro lançamento do grupo. Não gostei das versões, tampouco de alguns dos escolhidos (Ritchie, Pitty, Toni Garrido, etc.). A homenagem merecia melhores intérpretes, na minha opinião...



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ROSA DE HIROSHIMA
Secos & Molhados
Composição: Vinicius de Morais & Gerson Conrad


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada


TH - Quem não se emociona?



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO #19 - Márcio Almeida Nicolau

O dono do "Intertextual". Não conhece? Que vergonha pra você!



Interligado intimamente na internet por 3 vias: Intertextual, Intermediário e Interview.

Instigante. Interativo. Inteligente. Intenso.

Conheci o Márcio graças ao excelente "Espaço Intertextual", blog literário que comanda. O que mais me chamou a atenção foi a maneira com a qual ele se traduz - pela interligação. Não apenas de palavras, mas seu universo inteiro aparenta precisar desse tipo de interlocução - ganchos que se buscam ávidamente. Seja nas palavras de seus ricos textos, seja na maneira com a qual entrevista seus convidados (vejam a entrevista que lhe concedi no post anterior), ele tem o lúdico dentro de si, e a genialidade de aproveitar detalhes imperceptíveis/mínimos para "provocar" adiante uma questão mais aprofundada e oportuna. Sempre fazendo valer a máxima da interligação - é alguém que não concebe a ideia de palavras soltas ou rasas. Tudo requer complemento e fundamento recíproco, sob pena de perder toda a mágica.
Definir o Marcio pessoa: apesar do pouco contato que tivemos, dá pra "pescar" muito do que é por sua obra.. Assim como letras de nossa música popular brasileira, há muito mais revelações na arte dos poetas do que se pensa e eles dificilmente são mesmo fingidores, como diz "Pessoa". Mas é alguém que prima pela discrição antes de tudo, preferindo sabiamente manter-se distante e se expressar de forma tácita/indireta.
Alucinado por Marina Lima, recordo-me fácil uma de suas primeiras frases aqui: "que beleza ver a Marina tão bem colocada no ranking do EnTHulho". A afinidade musical estabeleceu-se. "Música é outro grande vício meu". Conexão - e o início de uma grande parceria na blogsfera, com ares de duradoura. Deixo-lhes então com o belo relato deste virginiano de Rio das Ostras (RJ) que é, como não poderia deixar de ser, feito com sua marca registrada e bem peculiar de se manifestar - o forma lúdica de manusear habilmente as palavras!

"O certo é incerto, o incerto é uma estrada reta"



[Para Marina Lima]


Pra começar, é virgem o signo. Eu analiso. O olhar atento sinaliza. Ampla a significação, inteira se mostra. Por partes. Divide-se e amplia. Estrangeira, todavia, traduz, revela semelhança. Pela diferença, se identifica. Música, letra e dança.
Lá nos primórdios, acesa a chama, dança. Simples como fogo a expressão. Eu criança, dizia: eu danço bem e não vou parar. Fugaz a infância, ensina a não dançar tão devagar.
A vida segue. E no vai e vem aponta: "um certo norte está onde ela está". Na sua. Intensa presença. Sutil, é notada. No escuro se lança, grávida de som, dá luz à canção.
Linguagem universal. Atemporal, urbana, intimista, contemporânea: arte. Inquieta. É discreta sua voz. Única.
Até a ausência é marcante. E é sonoro o retorno. Difícil, às vezes. Segue o chamado, desperta. Ao acordar, ouve acordes. É setembro, me chama, eu leio sinais. Um arco de luz. “Você me abre seus braços e a gente faz um país.”


MARCIO ALMEIDA NICOLAU

Intertextual:http://espacointertextual.blogspot.com/
Intermediário [Com Saulo Taveira]: http://espacointertextual.blogspot.com/p/interme-diario.html
Interview: http://espacointertextual.blogspot.com/p/interview.html

Entrevista para Loba de Ray-Ban: http://lobaderayban.blogspot.com/2010/12/marcio-nicolau-quando-intertextualidade.html?zx=4d40624a52c190e7


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FULLGÁS
Antonio Cicero. Marina Lima

Meu mundo você é quem faz
Música, letra e dança
Tudo em você é fullgás
Tudo você é quem lança
Lança mais e mais
Só vou te contar um segredo
Não nada
Nada de mal nos alcança
Pois tendo você meu brinquedo
Nada machuca, nem cansa

Então venha me dizer
O que será
Da minha vida
Sem você

Noites de frio
Dia não há
E um mundo estranho
Pra me segurar
Então onde quer que você vá
É lá, que eu vou estar
Amor esperto
Tão bom te amar

E tudo de lindo que eu faço
Vem com você, vem feliz
Você me abre seus braços
E a gente faz um país
Você me abre seus braços
E a gente faz um país


TH - Deliciosamente Pop!





terça-feira, 7 de dezembro de 2010

UM POUCO DO ENTHULHO NO "INTERVIEW"


Na realidade, nem foi sobre o blog a entrevista. Foi sobre vida pessoal e, claro, música.
Mas como ultimamente não ando me dissociando do EnTHulho, vale a pena dar uma conferida num bate papo divertido e bem musical com o querido Márcio Nicolau, dono do excelente blog literário "Espaço Intertextual" e agora desse projeto de entrevistas bem bacana, o "Interview".

Espaços recomendadíssimos! Confira a entrevista na íntegra aqui!

:)

sábado, 4 de dezembro de 2010

BETHÂNIA JOPLIN

Maria Bethânia, Chico Buarque e Nara Leão, na capa da trilha do filme de Cacá Diegues


Que Maria Bethânia é super versátil, ninguém tem dúvidas. Mas muita gente não a imagina cantando um rock quase "anos 50", por exemplo.
Nesse mini-post, deixo-lhes com uma música de Chico Buarque cantada por ela, criada especialmente pro longa "Quando o Carnaval Chegar", de Cacá Diegues (1972). Aliás, a trilha do filme é muito bacana, recomendadíssima! E Bethânia mais uma vez não decepcioona, firmando-se como uma verdadeira mestra em registrar sua marca com propriedade em qualquer estilo.

Ps.: Letra dedicada ao amigo Vitor Santos, que sei que adora essa vibe "Janis Joplin" da baiana, evidenciada mais ainda no videoclipe logo abaixo! =D


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BAIOQUE
Chico Buarque. Maria Bethânia

Quando eu canto que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto, punhalada
Não conhece perdão
Quando eu rio
Quando rio, rio seco
Como é seco o sertão, meu sorriso
É uma fenda escavada no chão
Quando eu choro
Quando choro é uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno, de repente
Inundando o sertão
Quando eu amo
Quando amo eu devoro
Todo o meu coração eu odeio
Eu adoro numa mesma oração
Quando eu canto

Mamy, não quero seguir definhando sol a sol
Me leva daqui, eu quero partir
Requebrando um rock and roll
Nem quero saber como se dança o baião
Eu quero ligar, eu quero um lugar
Ao sol de Ipanema, cinema e televisão


TH - Que se deguste esse lugar, então! :)



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ARTISTA DO MÊS: NEY MATOGROSSO!

Várias facetas e Ney: camaleônico, ousado e profundo!


Antes da escolha do artista do mês de Dezembro, resolvi fazer um referendo nas principais redes sociais com meus amigos (Orkut, Twitter, Messenger, Facebook). A eleição seria entre Paulinho Moska e Ney Matogrosso. Não foi uma disputa fácil: ambos os cantores tem uma forte aceitação pelo público e o resultado por pouco não ficou empatado. Mas os que escolhiam Ney eram taxativos ao afirmarem: "porque ele é formidável!"
Com quase quarenta anos de carreira e quarenta discos, Ney de Souza Pereira é daqueles artistas que dividem opiniões radicalmente: ou muito odeiam, ou muito amam. Performático (herdou o dom quando se aventurou como ator), ele criou uma maneira totalmente peculiar de se apresentar: criando personagens para determinada música, disco ou espetáculo. Falando em espetáculos, o cara tem inúmeros shows conceituadíssimos, bem sucedidos de público e crítica. Detém um verdadeiro ritual de preparação para suas apresentações - fazendo o elo entre a pessoa, o artista e a criação. Figurino inusitado, mudança de roupas e até apresentações sem roupa! O perfeito contraste nos anos 70, quando a censura pegava fogo em terras tupiniquins.
Ele ainda é versátil: não se faz de rogado ao cantar rock (na sua fase "Secos e Molhados"), mambo, merengue, Mpb, forró e tudo o que seu coração que pulsa sangue latino e ousado permitir. Ousadia, aliás, é seu forte! Percebe-se sua sinceridade exacerbada nas (poucas) entrevistas que concede, não economizando verbos em aspectos de sua vida (ele, por exemplo, não é sucinto ao falar de seu relacionamento com Cazuza e também ao confirmar que ainda usa drogas).
Dentre os detratores, existem aqueles que ridicularizam seu jeito de se apresentar - sobretudo os machistas, que não admitem que um homem se apresente rebolando daquela maneira. Pra eles, Ney já foi bem mais direto no deboche com músicas-alfinetadas como "Homem com H", ou " Calúnias (Telma eu não sou gay)".
Assim é o Mr. Matogrosso. Uma bagagem gigantesca num artista super versátil que enriquecerá as "páginas" de nossa revista musical por todo esse mês de Dezembro.
Podem reverenciar, agora...


[Biografia resumida, retirada do site oficial do cantor]


Ney de Souza Pereira nasceu em 1º de agosto de 1941 na pequena cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. Desde cedo demonstrou vocação artística: cantava, pintava, interpretava. Ainda pequeno, escolheu o caminho do questionamento das reticências do mundo adulto, inconformando-se com seus preconceitos e incoerências. Teve a infância e a adolescência marcadas pela solidão, em parte voluntária - gostava de passar horas seguidas no mato, acompanhado somente por seus cachorros - e por outra parte forçada, pelas constantes mudanças da família, decorrentes das transferências de seu pai militar.
Até completar 17 anos, sua família morou, além de Bela Vista, no Recife, em Salvador, no Rio de Janeiro e em Campo Grande. Quando deixou a casa da família para entrar na Aeronáutica, Ney ainda não fazia idéia do que faria de sua vida. Gostava de teatro e cantava esporadicamente, mas acabou indo trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília, a convite do primo. Tempos depois, passou a fazer recreação com crianças.
Nessa época, foi convidado para participar de um festival universitário e chegou a formar um quarteto vocal, sob protestos da professora de canto e apesar do regente do coral do qual fazia parte elogiar sua voz especial.
Depois do festival, fez de tudo um pouco, até atuou em um programa de televisão. Também concentrou suas atenções no teatro, decidido a ser ator. Atrás deste sonho, ele desembarcou no Rio de Janeiro em 1966, onde passou a viver da confecção e venda de peças de artesanato em couro. Ney adotou completamente a filosofia de vida hippie.
Neste período, viveu entre o Rio, São Paulo e Brasília, até conhecer João Ricardo, através da grande amiga Luli, que mais tarde tornou-se compositora de alguns de seus maiores sucessos. João procurava um cantor de voz aguda para um conjunto musical. e convidou Ney para ser o cantor do grupo. Ele mudou-se para São Paulo, de encontro a um ano de exaustivos ensaios, que entremeou com a participação em espetáculos teatrais e o artesanato. Começou a se revelar, então, Ney Matogrosso. O nome artístico, ele resgatou na própria família: seu pai tinha Matogrosso no sobrenome.

Foi criado então o conjunto "Secos & Molhados", que apenas com um ano e meio de existência alçou fama nacional. É bom lembrar que o Secos e Molhados, apesar de cantar letras de cunho literário, era essencialmente um conjunto de rock. Sem abandonar este traço básico, Ney resgatou tesouros escondidos da chamada MPB tradicional, como "Bambo de Bambu", do repertório de Carmem Miranda - provavelmente a artista, em toda a história da música brasileira que, sob determinado ponto de vista, que mais se aproxima do que seria uma definição de Ney Matogrosso. Mas, ao contrário dela, e apesar de não faltarem oportunidades, Ney jamais se interessou em desenvolver uma carreira internacional.Uma viagem promocional o levou o Secos e Molhados ao México. Moracy do Val, na época empresário do grupo, recebeu diversas propostas para levar o Secos e Molhados para os Estados Unidos e a Europa. Não por acaso, ele garante, pouco tempo depois surgiu um grupo de heavy metal com os rostos pintados em estilo semelhante com o lançado por Ney Matogrosso. Era o Kiss, sucesso mundial na década de 70.
Com sua maquiagem marcante, roupas e requebros, Ney Matogrosso contrastava com aquela época de muita censura e preconceito - partiu para a carreira solo.

Em 1975, Ney estreou no Rio de Janeiro o show Homem de Neanderthal, uma ousada super-produção com ricos cenários, iluminação e na qual ele surgiu meio bicho/meio homem. Ney subia no palco coberto por peles, chifres e penas, fruto de sua própria e exclusiva criação. Sete meses depois do fim do fenômeno Secos e Molhados, Ney Matogrosso conquistou sucesso de público e crítica com seu primeiro show e o disco - Água do Céu-Pássaro - solos.
Novo show, novo disco. Em 1976, Ney ressurgiu mais simples e despojado, em Bandido. Foi com a música "Bandido Corazón", presente da amiga Rita Lee, que ele alcançou seu primeiro sucesso nacional como artista solo. No ano seguinte, uma enquete realizada na Penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro, indicou o artista como predileto dos detentos, para fazer o show de encerramento do festival de música local. Para os presos, Ney era símbolo da liberdade, assim como para o público de maneira geral: Ney era a própria personificação de desejos reprimidos por uma época. Em 1977, lança o disco Pecado, com músicas do repertório do show Bandido que ainda não haviam sido gravadas. Seus shows tornaram-se cada vez mais ousados, enquanto o reconhecimento de seu talento como intérprete cresceu, na mesma proporção. O show e o disco Feitiço, em 1978, trouxeram a consagração de uma fase luminosa.

No decorrer da carreira, Ney aperfeiçoou-se como intérprete, passando a acrescentar uma carga tão intensa de estilo pessoal a uma música, praticamente tornando-se co-autor. Ney transformou-se em um dos intérpretes mais precisos de Chico Buarque em músicas como "Deixa a Menina", "Tanto Amar", "Até o Fim" e "Las Muchachas de Copacabana"; foi veículo ideal para as divertidas composições de Eduardo Dusek, como "Folia no Matagal", "O Rei das Selvas", "Cobra Manaus" e "Destino de Aventureiro"; e injetou ainda em sua explosiva receita o sangue fresco da nova geração comprometida com o rock, como atestam as faixas "Por que a Gente é assim?", "Pro dia nascer Feliz", "Fogo e Risco" e "Tão Perto".
No show Seu Tipo, de 1980, ele investiu em um visual mais simples. Ney Matogrosso escolheu o palco de um circo para estrelar o show Destino de Aventureiro, em 1984, no circo Tihany, do Rio de Janeiro, no qual revisitou 10 anos de carreira, travestindo-se de Homem de Neanderthal, bicho selvagem, bandido latino-americano e forrozeiro. Dois anos depois gravou Bugre, que acabou restrito ao vinil, pois show não chegou a ser feito, em nome da coerência profissional que sempre guiou o cantor.
Em 1986, na temporada de A Luz do Solo, no Rio de Janeiro, pela primeira vez Ney Matogrosso subiu ao palco sem qualquer máscara ou fantasia. Iniciou-se ali a fase em que a valorização do cantor, acima de qualquer outro aspecto, atingiu a sua plenitude. O intérprete revisitou, com emoção à flor da pele, o chamado repertório clássico da MPB, em músicas como "Dora", "Nem Eu", "Retrato em Branco e Preto", "Último Desejo", "Três Apitos", "Da Cor do Pecado", "No Rancho Fundo", "Modinha", "Autonomia" e "Na Baixa do Sapateiro", revelando maturidade e frescor, soando sempre novo, original. Inúmeros músicos o acompanharam: Hélio Delmiro, Marcio Motarroyos, Caetano Veloso, Severino Araíjo, Dori Caymmi, Erich Bulling, Paulinho da Costa, Eugênia Melo e Castro, César Mariano, Robertinho Silva, Paulinho Braga, Antonio Adolfo, Gal Costa, Jaques Morelembaum, Wagner Tiso e Arrigo Barnabé, até chegar ao quarteto formado por Raphael Rabello, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Chacal no disco e show Pescador de Pérolas, de 1987, no qual adquiriu um prestígio no Brasil que ele próprio não confiava que tivesse.

Ney Matogrosso sempre foi um artista. Não se considera um cantor, apenas. A voz é mais uma de suas habilidades artísticas. Ney foi ator de cinema - em "Sonho de Valsa", longa-metragem de Ana Carolina, e "Caramujo Flor", curta de Joel Pizzini -, fez iluminação de Nanna Caymmi, Nelson Gonçalves, Chico Buarque, da Fundação Oswaldo Cruz, peças de teatro como Mistério do Amor, dirigiu dois Prêmios Sharp com os temas "Ângela e Cauby"e "Gilberto Gil", os shows do RPM, Cazuza e Simone e, mais recentemente, a peça Somos Irmãs.
Em 1992, uniu-se ao grupo Aquarela Carioca para realizar "As Aparências Enganam", que teve músicas como "El Manisero", "A Tua Presença Morena" e "Sangue Latino". Dois anos depois, o disco e o show Estava Escrito, homenagearam Ângela Maria, dando ao seu samba-canção uma roupagem requintada, uma leitura luminosa.
O show "Um Brasileiro", de 1996, no qual exerce uma das melhores interpretações de Chico Buarque, também virou disco e se mantem até hoje na estrada, embora em 1997 Ney tenha gravado "Cair da Tarde", disco no qual entrelaça as obras de Tom Jobim e Villa Lobos.

"Batuque" é um alegre passeio de Ney Matogrosso por um dos mais criativos períodos da música brasileira: as décadas de 30 e 40. Num momento em que as rádios do país não cansam de abrir espaço para o que o cantor define como "malícia pesada", "Batuque" celebra o balanço contagiante e a ingenuidade matreira de sambas, choros e marchinhas que definiram uma época de ouro da MPB. "Eu conhecia essas canções sem saber porque as ouvia desde criança. Mas não faço um espetáculo de época de resgate, porque essas músicas não se perderam. Estão à disposição de quem as quiser cantar e gravar", Ney explicou em uma entrevista para o jornal "O Estado de S.Paulo".
Com a ajuda de quatro pesquisadores (Jairo Severiano, Zuza Homem de Melo, Paulinho Albuquerque e Fausto Nilo), Ney definiu o repertório desta viagem musical no tempo. As músicas do espetáculo incluem as faixas que constam do disco, reproduzingo os mesmos empolgantes arranjos acústicos, e algumas outras, como "Batuque na Cozinha" e "Barco Negro".

Ney promove no palco e na platéia uma festa dançante que oscila entre a vibração de uma roda de samba e o entusiasmo de uma gafieira, com músicas como "O Que É Que a Baiana Tem?", "Tico-Tico no Fubá" e "E o Mundo Não se Acabou", que foram sucesso na voz de Carmen Miranda. Apesar de seis das músicas terem sido gravadas pela Pequena Notável, Ney revela que não se trata de uma celebração à carreira da cantora, como contou à "Folha de S.Paulo": "Não estou prestando uma homenagem a Carmen, não quis me limitar a ela. Mas o melhor daquelas décadas passava por ela mesmo. Eu teria que passar, inevitavelmente".
Produtor de reconhecida competência, Ney mais uma vez também assumiu as luzes e os cenários, criando um ambiente que define como "de teatro de revista". Para os figurinos, contou com a ajuda do estilista Ocimar Versolato, buscando peças nos brechós de Paris: "É extravagante, embora sóbrio, mas erótico porque é todo preto", explicou ao "Estadão". O espetáculo, que depois do Rio segue para São Paulo, vai dar origem a um DVD.

2002: Ney Matogrosso comemora 30 anos de carreira mergulhando no universo musical de um dos nossos maiores compositores: Agenor de Oliveira, o Cartola. A admiração pelo sambista carioca veio muito antes do inicio da sua carreira. Ney chegou a cantar composições de Cartola em discos anteriores como Pescador de Pérolas e À Flor da Pele, mas desta vez resolveu dedicar uma obra inteira ao mestre. O desejo de fazer uma antologia veio atrelado a outro projeto antigo: a publicação de um livro que compilasse em fotografias momentos da sua carreira. “Ousar Ser”, lançado em 2002 (272 páginas), do compositor e escritor Bené Fonteles, contém 135 fotos de autoria de Luiz Fernando Borges da Fonseca durante 20 anos da carreira de Ney, as quais retratam inúmeras perfomances em shows e revelam várias mudanças no visual do artista, traçando assim um perfil de sua atitude e ousadia, além de depoimentos do cantor. O disco, no qual Ney interpreta composições de Cartola, a princípio, seria apenas um complemento do livro, mas acabou ganhando vida própria. Teve registro ao vivo (com mais músicas que a versão em estúdio) e um DVD. No repertório há clássicos como “O Sol Nascerá”, “O Mundo é um Moinho”, “As Rosas não Falam”, “Basta de Clamares Inocência”, entre outras preciosidades.
Participam do projeto os músicos Zé Nogueira (Sax), Jorge Helder (baixo), Celsinho Silva e Zero (percussão), Ricardo Silveira (guitarra) e Marcelo Gonçalves (violão). Este show percorre todo o Brasil e Europa, completando um total de 100 apresentações em Portugal, sendo sucesso de publico e critica por onde passa.
Em 1997, Ney Matogrosso grava Caramujo Jah no CD “Astronauta Tupy” de Pedro Luís e A Parede, ano em que conhece o trabalho da banda e gosta muito. Em 1999, Ney inclui músicas de Pedro Luís no CD “Olhos de Farol” (Miséria no Japão e Fazê o Quê), e participa de vários shows da banda. Surge a idéia de trabalharem juntos num mesmo projeto um dia. O fruto desta idéia é “Vagabundo”, O CD com desdobramento em dois DVD´s: um da etapa de ensaios e gravações e outro do show registrado ao vivo no Olympia em junho de 2005 (ainda a ser lançado).

Com músicas variadas, “Vagabundo” é composto de 14 faixas, passeia desde a época do Secos&Molhados com “Assim Assado”, passando por “Disritmia” (Martinho da Vila), A Ordem é Samba (Jackson do Pandeiro e Severino Ramos), Napoleão (Luhli e Lucina), entre outras.
O cenário é baseado em desenhos do artista plástico Rodrigo Cabelo, que viram animação nas mãos do fotografo Cafi. A luz é de Ney Matogrosso e Juarez Farion. Ney veste figurinos de Ocimar Versolato enquanto a Parede e os músicos convidados são vestidos por Helena Gastal.
Depois da estréia no Rio de Janeiro, o show percorreu as principais capitais brasileiras e várias cidades do interior do Brasil, foi apresentando algumas vezes em Portugal, e a turnê se estende até o final do ano. Sucesso de público e critica, “Vagabundo” ganhou alguns prêmios: foi eleito pelos críticos da APCA como um dos melhores discos de 2004 e de melhor grupo em 2005.
Comportado ou transgressor, Ney mantém alta a qualidade de suas interpretações.
Para milhares de pessoas ou para um publico pequeno o canto do Ney realmente cabe em qualquer canto. "Canto em qualquer canto" durou dois anos, viajou o Brasil de ponta a ponta, em junho de 2007 cruzou o Atlântico e encerrou a turnê na Itália.
O estilo mais comportado que esteve presente no show anterior foi deixado de lado, agora ele mostra novo visual, inspirado em seus modelos mais extravagantes, no seu novo show Inclassificáveis que teve a sua estréia em Juiz de Fora no início da primavera.
“Gosto de mudar, de mexer para que a coisa fique atraente para que eu possa fazer. Não é uma preocupação com o público, mas com o meu prazer de estar fazendo. E me aproximo de novo do pop rock, que é uma coisa que gosto de fazer. Surgi assim, e de vez em quando eu gosto de fazer. Daí muda tudo, banda, tudo. Montei uma banda em São Paulo, ensaiamos durante um mês e meio lá. É isso, um show pop rock, portanto com bastante liberdade de figurinos e ação. Apesar de estar me sentindo muito à vontade ali, o Canto em Qualquer Canto era um recital pop, mas me restringia. Esse não, me dá uma maior liberdade.”

O espetáculo subverte a ordem natural da indústria fonográfica, que dita que um artista deve lançar um CD novo para depois sair em turnê. No caso de “Inclassificáveis”, Ney Matogrosso fará o contrário, talvez assinalando o que há anos já se discute: o fim da indústria fonográfica tal qual nós a conhecemos. “Para mim, o disco sempre foi um veículo para meus shows. Agora com a derrocada do CD sinto-me mais livre para exercitar minha verdadeira paixão, que é o palco”.
A apresentação terá 22 canções, 12 delas releituras de sucessos de outros cantores. Só de Cazuza são quatro composições. Ney abre o show com 'O Tempo Não Pára' e termina com 'Pro Dia Nascer Feliz'. Ainda serão apresentadas 'Por que a Gente É Assim?' e 'Seda', letra inédita do compositor, que ganhou arranjos de Lobão. No repertório ainda há versões de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil e Jorge Drexler. Entre as inéditas, destaque para os novos compositores, que permeiam o repertório. Estarão no show canções de Pedro Luis, Iara Rennó, Alice Ruiz e Fred Martins, além de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, e de Arnaldo Antunes.
Sobre o repertório, o intérprete conta que a idéia é trazer coisas novas, já que seu lema é: “sempre para frente, o que ficou pra trás é passado. Das antigas, vem ‘Mal Necessário’, que é dos anos 80, fez sucesso e nunca mais cantei”, 'Mente Mente' de Robinson Borba, 'Novamente' de Fred Martins.
O figurino tem assinatura de Ocimar Versolato, sempre mostrando um cantor provante e ousado. Ney aparece coberto de brilhos, que no decorrer do show se transformam em outros, a partir de cada troca em cena de adereços e peças. Uma recuperação do Ney “exótico” dos anos de 1970 e 80, época que encarnava um pavão misterioso andrógino e espalhafatoso. “Não é uma tentativa de recuperar nada daquela época, apenas uma proposta visual que achei bonita. Do passado só guardo meu espírito sempre crítico.”
A direção musical é de Emílio Carrera, ex-integrante dos Secos e Molhados.
O cenário do novo show remete aos tempos de extravagâncias cênicas e leva a assinatura de Milton Cunha. No palco, uma nova banda renova o cantor: Carlinhos Noronha (baixo), Junior Meirelles (guitarra / violão), Sergio Machado (bateria), Emilio Carrera (piano, teclado e direção musical), DJ Tubarão (percussão e pick up) e Felipe Roseno (percussão).
Em março de 2008 lançou o CD/DVD Inclassificáveis.

Ney comemora seus 35 anos com projetos ambiciosos, dois deles realizados pelo cineasta Joel Pizzini, em parceria com o Canal Brasil: o filme “Olho Nu” e um documentário ainda sem titulo. Ambos relatam etapas importantes da vida e da trajetória do cantor, mostrando o resgate de imagens raríssimas.
No premiado “Depois de Tudo”, curta metragem de 12 minutos, o cantor interpreta um homem casado há 35 anos, que mantêm um relacionamento extraconjugal com outro homem (interpretado pelo ator Nildo Parente). Cenas do cotidiano como cozinhar, assistir filmes, dormir abraçado e beijos ternos preenchem a tela de forma sutil e sensível.“Me ver beijando na boca de outro homem, era tudo o que as pessoas queriam". A frase foi dita por Ney Matogrosso durante a coletiva de imprensa realizada antes da primeira exibição de "Depois de Tudo" (2008), curta de Rafael Saar, que teve sua estréia no II For Raibow - Festival de Cinema da Diversidade Sexual, realizado entre 05 e 09 de setembro na cidade de Ceará.
O cantor destaca "Pescador de Pérolas" (1987) como um trabalho de importância fundamental em sua trajetória. “Até Pescador de Pérolas, eu tinha certa insegurança em saber se era realmente um cantor ou se eu era um ator que cantava. Um ator pode até cantar bem, dominar a técnica, mas é diferente de um cantor. Um cantor tem que ser intuitivo. Naquele show, de ambiente camerístico e no qual eu não usava maquiagem nem fantasia para me comunicar com o público, entendi que eu era mesmo um cantor”. A caixa foi organizada pelo jornalista e pesquisador Rodrigo Faour.
Em dezembro de 2008, estreia em Santos seu novo show: .
Em fevereiro de 2009 começaram as filmagens do longa “Luz Nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha”, continuação do clássico de 1968 “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, baseado na história do criminoso João Acácio (1942-1998). No remake, Ney interpretará o próprio bandido, vivido por Paulo Villaça (1946-1992) no primeiro filme. “Assim como o personagem, Ney tem personalidade fortíssima”, afirma a diretora e viúva de Sganzerla, Helena Ignez. “É um artista extraordinário”. “Gosto de desafios. Acho a vida interessante com desafios. Nesse, tem o que me assusta e o que me atrai, que é fazer a continuação disso, principalmente por ser um roteiro de Sganzerla”, disse Ney à Folha, após acompanhar, no 41º Festival de Brasília, a exibição do curta “Depois de Tudo”, de Rafael Saar, em que atua. O elenco do longa ainda conta com nomes como Maria Luisa Mendonça, Djin Sganzerla e Simone Spoladore. Selton Mello e Daniel Filho também devem fazer participações. Enquanto isso, Inclassificáveis, com algumas alterações, continuou na estrada, paralelo a todos esses projetos.

O CD, lançado em outubro, apresenta uma necessidade de Ney em intercalar trabalhos ousados com mais introspectivos. A maioria das canções se trata de relações amorosas.
O repertório começou a ser montado a partir do desejo de recuperar canções que havia gravado com outras pessoas e que ficaram de fora da caixa Camaleão, organizada por Rodrigo Faour, além de outras que ele já tinha vontade de cantar.
O título Beijo Bandido foi inspirado na letra de “Invento”, música do compositor gaúcho Vitor Ramil. Ney da um banho de interpretação, técnica e sedução, mesclando músicas antigas com canções contemporâneas.
A direção musical e os arranjos são de Leandro Braga, cujo piano se sobressai por vontade de Ney. Além de Braga, que já trabalhou com o cantor em projetos anteriores, completam a banda Lui Coimbra (cello e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão).


COMENTÁRIO DE TH: Ufa! A biografia é gigantesca (e olha que dei uma resumida básica!) mas eu recomendo: leiam! Leiam pois testemunharão a grandiosidade de um artista que não tem receio de se aventurar pelos mais diversos campos e tem opiniões bem impactantes sobre muitos assuntos (adorei sua visão sobre a derrocata do cd - que faz ele se satisfazer com o melhor que pode oferecer, que são suas performances nos palcos).
Ney sempre tocou aqui em casa, apesar do preconceito do meu avô (como não poderia deixar de ser), minha avó adorava e eu sempre escutei com curiosidade hinos como "Sangue Latino", "Bandido Corazon" e muitos outros. O único show que contemplei (2 vezes) foi o da turnê
"Inclassificáveis" - vi um Ney mais maduro e consciente de seu papel como artista. Gostei tanto que escolhi esse disco pra aparecer no alto do EnTHulho. Outro disco que adoro é o "Um Brasileiro", de 1996. Para homenageá-lo, escolhi uma composição de Caetano que já tinha sido eternizada por Maria Bethânia e que Ney deu uma leitura completamente diferente!
Salve Ney!



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A TUA PRESENÇA (MORENA)
Caetano Veloso. Ney Matogrosso

A tua presença: entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença: pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença: paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença: desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença: envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença: é branca verde, vermelha azul e amarela
A tua presença: É negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra
A tua presença: transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença: silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença: se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença: é tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença: coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença: é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença: mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença: morena, morena, morena, morena, morena, morena, morena



TH - Orgasmo artístico!



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