domingo, 24 de outubro de 2010

ELAS CANTAM CHICO



Muitas são as opiniões sobre Chico Buarque – o artista do mês. Uma das mais atuantes é a de que ele não passa emoção ao cantar (apesar de, “Trocando em Miúdos” ser uma canção perfeita para sua própria voz miúda). Então, para contrabalançar e não deixar suas obras tão emblemáticas e sensíveis sem a interpretação exata, temos inúmeros bons intérpretes de suas composições. Nesse campo, como não poderia deixar de ser, quem mais se destaca são as femininas! Chico tem o dom de compor magníficamente se colocando no lugar das mulheres e isso é captado com louvor pelas melhores cantoras brasileiras. Escolher um Top 10 com as melhores interpretações da obra de Chico Buarque é covardia, mas como o EnTHulho paga por um desafio, vamos lá!
Lista, como sempre, meramente afetiva!

Detalhe: a lista abaixo não necessariamente representa a ótima ilustração acima!




1) ELIS REGINA (Canta "Atrás da Porta")

A interpretação de Elis para “Atrás da Porta” se tornou referência absoluta para as novas intérpretes. Nunca se viu tamanha emoção ou agonia ao agarrar com unhas e dentes uma composição e fazê-la instrumento da própria dor como fez Elis. E os “olhos de adeus” então descritos fizeram todos os telespectadores do MPB Especial na TV Cultura em 1973 e a própria Elis literalmente chorarem. Aplausos de pé e primeiro lugar com louvor em qualquer lista.



2) MARIA BETHÂNIA (Canta "Olhos nos Olhos)


Bethânia tem interpretações bastante interessantes de Chico Buarque, inclusive que lhe renderam coletâneas duplas. Fácil vê-la brilhar em musicas como “Com açúcar, com afeto”, “o meu amor”, “Terezinha”, entretanto a que mais me reaviva a memória é mesmo “Olhos nos olhos’, um belíssimo retrato de “volta por cima” depois do baque, que a cantora nos emociona ao interpretá-la até nos shows mais contemporâneos.

“Quando você me quiser rever. Já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos Olhos, quero ver o que você diz. Quero ver como me suporta me ver tão feliz!”

3) GAL COSTA (Canta "Folhetim")

Uma das escolhidas para a nova microssérie da Globo que estreia em Janeiro, sobre a obra de Chico Buarque. Não conheço melhor interpretação que a de Gal Costa, que conquistou todos num dueto irresistível com Chico. O hilário é vê-los juntos na atuação e nunca imaginar que o dono da música é justamente a voz mirrada que se torna mais pequenina e engolida pelo furacão “Gal”.

“Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim. Por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim”

4) NARA LEÃO (Canta "João e Maria")


Essa beleza foi indicada em maio pela primeira amiga musical convidada do blog, Vera Calvão. A parceria com Nara foi bastante acertada, sobretudo nessa canção, que mostrou o talento e a faceta de Chico pra escrever pros pequenos.

“Agora eu era o herói, e me cavalo só falava inglês. A noiva do cowboy, era você além das outras três”




5) ZIZI POSSI (Canta "Pedaço de Mim")

Confesso que quis colocar a versão da Gal aqui, mas é inegável a importância da interpretação da música para a carreira da super Zizi Possi. Aliás, Maria Izildinha Possi tem coisas bem legais de Chico, e sua voz penetrante e suave é certeira para pontuá-las!

“Ò pedaço de mim. Ó metade afastada de mim. Leva o teu olhar que a saudade é o pior tormento. É pior do que o esquecimento. É pior do que se entrevar”


6) CLARA NUNES (Canta "Apesar de Você")


A sexta posição traz Clara cantando um samba delicioso de Chico. Clara sempre foi ótima pra colocar sua boa energia nas interpretações, e fez esse “sambão” ter um charme a mais. Das que mais aguçam minha memória auditiva afetiva, sem dúvidas!

“Apesar de você, amanhã há de ser um novo dia”






7) MONICA SALMASO (Canta "Ciranda da Bailarina")


Das contemporâneas, Monica, acredito eu, é a que mais tem química com as letras de Mr. Buarque. Tem todo um preparo jazzístico e uma elegante postura cênica que casam bem com a grife Buarque de ser. E “Ciranda da Bailarina”, pra mim, é seu auge!

"Procurando bem, todo mundo tem pereba, marca de bexiga ou vacina. E tem piriri, tem lombriga, tem ameba. Só a bailarina que não tem”


8) ÂNGELA MARIA (Canta "Gente Humilde")


A composição de Chico (que, na verdade, diz que os versos são de Vinicius) praticamente salvou a carreira de Angela, que se encontrava no declínio na época. Apesar de preferir a música com Maria Bethânia (que a interpreta magistralmente em seus shows), eu gosto muito dessa versão também.

“São casas simples, com cadeiras na calçada / e na fachada escrito em cima que é um lar / pela varanda, flores tristes e baldias / como a alegria que não tem onde encostar...”


9) MIÚCHA (Canta "Sobre Todas as Coisas")

Mais uma com uma infinidade de ótimas intérpretes... Zizi, Bethânia, Maria Rita, Nana Caymmi... Mas eu vou destacar a da irmã de Chico, Miúcha, que conseguiu captar com propriedade mais uma música com enfoque eminentemente feminino composta por Chico. Aliás, a eterna “galinha” do espetáculo infantil “Saltimbancos” nunca esteve por aqui!

“Pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado? Desprezar quem te quer bem...não vê que Deus até fica zangado...”


10) FAFÁ DE BELÉM (Canta "Sob Medida")


Quem se lembra da matéria dos bafões da música brasileira, sabe que essa música foi praticamente o pomo da discórdia entre as cantoras Simone (que gravou primeiro) e Fafá de Belém, que gravou quase no mesmo ano. Gosto das duas, mas considero a da Fafá mais bonita e emocionante...

“Se você crê em Deus, encaminhe pros céus, uma prece...e agradeça ao senhor, você tem o amor, que merece”





PARA SE TER!



Em 2009, a Som Livre lançou a grande coletânea dupla "Chico Buarque por Eles e Elas", contando um elenco completo de grandes artistas brasileiros recitando a poesia de Chico Buarque. Você pode conferir a relação dos artistas logo abaixo!

CHICO POR ELES!

1. A Rita - Zeca Pagodinho
2. Gente Humilde - Renato Russo e Hélio Delmiro
3. Beatriz - Milton Nascimento
4. Samba do Grande Amor - João Nogueira
5. Samba e Amor -
Caetano Veloso
6. Até o Fim - Zeca Baleiro
7. Cotidiano -
Marcelinho da Lua (com Seu Jorge)
8. Bye Bye Brasil - Ed Motta e João Donato
9. Tatuagem -
Djavan
10. Sonho de um Carnaval - Paulinho da Viola
11. A Banda - Wilson Simonal
12. Roda Viva - Ivan Lins e Nó em Pingo D'Água
13. Construção -
Ney Matogrosso
14. Baticum - Lenine


CHICO POR ELAS:

1. Partido Alto - Cássia Eller
2. Apesar de Você -
Clara Nunes
3. Olhos nos Olhos -
Nara Leão
4. Deixa a Menina -
Ivete Sangalo
5. Com Açúcar, com Afeto - Fernanda Takai
6.Quem Te Viu, Quem Te Vê - Mônica Salmaso
7. Atrás da Porta -
Elis Regina
8. Anos Dourados -
Miúcha
9. O Meu Amor - Maria Bethânia -
Alcione
10. Sobre Todas as Coisas -
Maria Rita
11. A História de Lilly Braun - Maria Gadú
12. Ciranda da Bailarina - Adriana Calcanhoto
13. O Meu Guri -
Beth Carvalho
14. Valsinha -
Monique Kessous


*******************************************

ATRÁS DA PORTA*
Elis Regina. Composição: Frances Hime e Chico Buarque

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teu peito, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua


TH - Pausa contemplativa...

* Música já constante no blog antigo, no dia 13 de Dezembro de 2007!


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ENCANTO INTERIORANO

Renato Teixeira. Artista "da terra", oriundo da cidade grande



Minhas lembranças primeiras de Renato se deram num programa antigo da Rede Record, o "Tom Brasileiro", onde ele dava ênfase a músicas regionais - bem brasileiras. Esbanjando simpatia e dando grandes canjas.

Depois de adulto fiquei conhecendo sua rica obra - e admirado por descobrir que famosas interpretações eram de sua autoria, como "Romaria" eternizada por Elis Regina, ou "Tocando Em Frente", por Maria Bethânia. Enxergo Renato como um verdadeiro artista "da terra" - sua música, em quase totalidade enfoca elementos e nuances seresteiros que lhe credenciam como tal; curiosamente, o cantor/compositor nasceu em Santos, SP. Desde criancinha dado a música, sua primeira "aparição" foi cantando a música "Dadá Maria", de sua autoria, ao lado de Gal Costa, que tinha defendido a canção no festival da Record em 1967.

Trecho retirado do site oficial do compositor:

"Sempre procurei conhecer a nossa história musical, ouvir todas as canções e todos os gêneros. Do samba à música caipira. Em tudo que ouvi sempre deparei com o talento e a vocação dos compositores brasileiros. A geração musical que frutificou da Bossa Nova, nos anos sessenta era chocante. Uma linda síntese de tudo que aconteceu de essencial na música brasileira até então. Foi uma festa. Ouvi a Banda do Chico em São José dos Campos, antes do festival e foi um impacto inesquecível. Ainda morava em Taubaté.
Ouvi Milton Nascimento antes do sucesso, e era deslumbrante. Todos que o conheceram nessa época, já tinham por ele uma admiração que só os grandes mitos podem desfrutar. Vimos e ouvimos Elis, todos os dias. Assisti bem de perto o surgimento do Tropicalismo. Na virada dos anos sessenta para os setenta a música silenciou. Fui fazer jingles publicitários para sobreviver. Acontece que gostei muito do assunto!"

Sua ascenção, contudo, se deu mesmo com a gravação de "Romaria" por Elis Regina. E com a acertada parceria com Almir Sater, que lhe rendeu seus maiores e mais conhecidos sucessos.

Um post inaugural sobre Renato Teixeira, que ainda não havia aparecido no blog. Fortíssimo candidato a um futuro "artista do mês", graças à grandiosidade de sua participação na música brasileira. Pimentinha final: analisando suas composições, um colega (não o identificarei) chegou à conclusão que muitas de suas letras - descontando as composições por encomenda para nossas grandes cantoras interpretes, versam ou dão a entender sobre o amor pelo sexo masculino. Entra na próxima lista de bafões ou não?


Renato de cabelo purpura: dubiedades até nos títulos de suas músicas.




*************************************************************

AMANHECEU, PEGUEI A VIOLA
Renato Teixeira


Amanheceu eu peguei a viola
Botei na sacola e fui viajar
Sou cantador e tudo nesse mundo
Vale prá que eu cante e possa praticar
A minha arte sapateia as cordas
E esse povo gosta de me ouvir cantar

Amanheceu...

Ao meio dia eu tava em Mato Grosso
Do Sul ou do Norte, não sei explicar
Só sei dizer que foi de tardezinha
Eu já tava cantando em Belém do Pará

Amanheceu...

Em Porto Alegre um tal de coronel
Pediu que eu musicasse uns versos que ele fez
Para uma china, que pela poesia
Nem lá de Pequim se vê tanta altivez

Amanheceu...

Parei em Minas prá tocar as cordas
E segui direto para o Ceará
E no caminho fui pensando, é lindo
Essa grande aventura de poder cantar

Amanheceu...

Chegou a noite e me pegou cantando
Num bailão, lá no norte do Paraná
Daí prá frente ninguém mais se espanta
E o resto da noitada eu não posso contar

Anoiteceu e eu voltei prá casa
Que o dia foi longo e o sol quer descansar


TH - Clássico da "country music brasileira"



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

AMOR EM QUATRO ATOS: A OBRA DE CHICO BUARQUE NA TELINHA!




Seguindo a tradição iniciada em 2009, a música tomará conta também do mês de Janeiro de 2011 na Rede Globo (Maysa, Dalva de Oliveira & Herivelto Martins estiveram à frente nos anos anteriores). Só que desta vez, ao invés de uma biografia baseada na vida dos artistas eleitos, o foco agora será o conteúdo da obra de um deles. Quem? Nosso artista do mês: Chico Buarque de Hollanda!
A nova microssérie da emissora contará com 4 capítulos e, por ora, o EnTHulho só tem informações concretizadas sobre o primeiro deles, que será baseado na letra de "Mil Perdões"; terá direção de Roberto Talma e Tandê Bassane e texto de Antônia Pellegrino. Carolina Ferraz, Gisele Fróes, Dudu Azevedo e Dalton Vigh estrelarão o episódio.
Lógico que em Janeiro pretendo falar mais desse projeto, mas como o Chico é nosso artista do mês, não poderia deixar em branco. Então, logo abaixo, conheçam as cinco letras das escolhidas para toda a obra televisiva. Quem sabe já não dá pra se ter um aperitivo instigado pelo conteúdo de cada uma e nosso imaginário? ;)





1) MIL PERDÕES
(Uma aula do quanto o perdão pode ser um sentimento (re)buscado. Dueto com Daniela Mercury, no vídeo. Crédito: "Carolzinha124")




Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais...
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair



2) VITRINES
(Esta música pertence ao LP "Almanaque do Chico". Curioso ver a letra na contracapa refletida num espelho :) Crédito do vídeo: "Tauil")



Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir...
Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão...



3) ELA FAZ CINEMA
(Dá pra imaginar uma atriz bem dissimulada interpretando a moça da letra, não? Videoclipe da música, créditos a "leocineasta")



Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama
Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual
Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama
Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz
Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama
Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.


4) FOLHETIM
(Aqui, Gal Costa dá uma das melhores interpretações para a canção "folhetinesca". Créditos do vídeo a "Cleicianenza")



Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que é o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim

5) CONSTRUÇÃO
(Tá. Quem nunca a teve como exemplo numa aula gramatical? A criativa e lúdica letra de Chico é, talvez, a mais "dramaturgica" das suas, e está inserida no meu álbum predileto do cantor, de mesmo nome. Crédito do vídeo a WolfganGrosauro)



Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado




TH - Ansiosíssimo!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 15 - Guilherme Staush!


O grande mentor do Memória da TV!



- TH, não tenho nada contra sua "jente"!
Com uma frase quase assim, começa mais uma de nossas conversas non-senses via MSN, onde eu sou o 'jagunço" sem instrução e ele o meu professor de finesse, sempre com altas dicas de como "me portar" e ter o nariz em pé diante de reles mortais que estão à solta pelo mundo.
Divertimento é talvez nossa maior sintonia. Não nego que me pego rindo pra caramba com papos tão absurdos e às vezes beirando à surrealidade. Mas, contrariando toda porra-louquice, tenho uma admiração ímpar pela inteligência e o bom senso com suas posturas e opiniões, sobre música (foco do EnTHulho) e sobre TV. Falando nela, convém apresentar, pra quem não conhece: ele é dono de um dos blogs mais completos sobre o tema, o Memória da TV, que encontra complemento no portal de vídeos on line de mesmo nome.
O trabalho do Gui é excelente! Resgata a memória televisiva mediante recortes escaneados de periódicos antigos, vídeos (cenas de novelas, shows, programas e até capítulos de teledramaturgia inteiros), matérias antigas ou escritas por ele mesmo...É utilizado no blog material próprio e mais alguns enviados por colaboradores, deixando sua contribuição pra memória televisiva cada vez mais completa!
Eu não o conheço. Nem pessoalmente, nem por telefone ou sequer vi seu rosto. Mas Freud explicaria o carinho que tenho pela figura, que preza por discrição (porque acham que não quis mostrar o rosto?) e tem uma sensibilidade musical muito grande. A curiosidade é algo de fato inerente ao ser humano, mas com o passar do tempo e das muitas conversas, percebi que ele já nos oferece tanto que temos a impressão de já o conhecermos das antigas! Não há como não respeitar sua postura reservada e não nos tocarmos de que já temos o melhor do moço bem acessível! :)
Aproveitando o dia oportuno, desejo-lhe feliz dia dos mestres (ele é professor lá no Rio Grande do Sul) e deixo-lhe justificar a indicação musical, uma das músicas mais lindas (e injustamente esquecida) do cancioneiro brasileiro.
Dá-lhe limão! :D


Jane Duboc estreia com louvor no EnTHulho Musical!

Acho que todos nós, amantes da música, temos um pouco de sentimento de posse com relação aos nossos “tesouros musicais”. Sabem quando a gente descobre uma daquelas músicas “lado B”, escondidinhas num cd, e temos a sensação de que ninguém mais conhece esse tesouro, e que, se por uma manobra do destino, essa música tem o azar de cair numa trilha de novela das 8, ficará banalizada, e dessa forma, todo mundo vai descobrir nosso “tesouro”, e ele perderá todo o seu valor? Pois é. ..Por mais mesquinho e egoísta que isso possa parecer, a maioria de nós já experimentou essa sensação. Acho que essa é mais uma das várias sensações que a música tem o poder de depositar em nós. A música pode nos tornar um pouco egoístas e por muitas vezes sensíveis demais, chegando a despertar nossa ira. Quem nunca se sentiu ofendido ao ver seu cantor preferido ou sua canção predileta serem duramente criticados, chegando a reagir de forma exacerbada? Ou então, reagir negativamente quando não há silêncio e queremos nos deleitar com uma canção emocionante e sensível? Talvez isso seja uma mera conseqüência. Afinal, se a música nos sensibiliza, é natural que deixe todos os nossos sentimentos mais aguçados, por menos nobres que possam parecer.
“Verdes Anos”, composição de Tulio Mourão e Ronaldo Bastos, e gravada por Jane Duboc, representa um desses meus tesouros. É uma belíssima canção que fala da inocência infantil em contraste com as barbaridades a que somos expostos quando adultos, ainda que seja possível, através do amor, manter essa doçura, guardar essa chama de inocência infantil.
A brilhante interpretação de Jane Duboc e o arranjo muito bem adequado da música me fizeram sentir que essa canção estaria entre minhas favoritas desde o primeiro momento que a escutei. Não há como não se emocionar com a letra, em prefeita sintonia com a contagiante voz da cantora. “Verdes Anos” tem sabor de nostalgia, de inocência e de melancolia.

GUILHERME STAUSH

Memória da TV: http://memoriadatv.blogspot.com/




******************************************
VERDES ANOS
Jane Duboc.

Composição: Túlio Mourão e Ronaldo Bastos


Quando os bichos falavam
Era noite sem cara
Eu era apenas menino
O mundo terminava
Na curva de uma estrada
Pra lá de mim estava o sonho
E eu, menino, sonhava
A incontável beleza
Que vinha encher as retinas
A terra sem fronteiras
País das brincadeiras
Eu era feliz no meu cantinho

Veio o tempo da guerra
Veio a hora do exílio
Nem despedi da criança
Entrou na minha vida
Poupou minha alegria
Mas não sepultou a esperança
Quis prender meus amigos
Separar os amantes
E abusar da tortura
Cruzou o meu caminho
Feriu com seu espinho
Mas não conseguiu
A chama apagar

O amor valerá
Por certo, valeu
Os meus vinte anos com pedras na mão
O que eu sonhei será para sempre
O amor vai reinar
Eterno senhor
Dos meus verdes anos com pedras na mão
Guardei a doçura
E mando pra você


TH - Linda!


P.s.: O vídeo abaixo foi editado pelo próprio Gui, com a música em questão, e faz uma bela homenagem a profissionais da TV que já fizeram sua "viagem".



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MEMÓRIA MUSICAL INFANTIL: ESPECIAL DIA DAS CRIANÇAS!




Domingo desses, batendo um papo despretensioso com meu pai, veio a constatação: “mas antes tinha tanta música boa pra criança, né, pai?” Ao invés de responder, ele começou a dedilhar “Aquarela” no violão, que era apenas a primeira de uma série de clássicos da nossa MPB que reinou o repertório daquela tarde em sua casa...
No dia das crianças, os leitores do EnTHulho Musical merecem reavivar as melhores memórias musicais infantis. Para isso, compartilho uma seleta lista de vários hits de nossa música aos pequenos!
A Música popular brasileira por vezes banca a “educativa” e entretém a criançada (e muitos adultos) com grandes obras privilegiadas. Quem não se lembra da “Arca de Noé (1 e 2)”, obras prima de Vinícius de Morais? Ou, para se fazer mais recente, da sequência de “Partimpins”, novidade expressa pela multitalentosa Adriana Calcanhotto? Ela tem mesmo capacidade de externar nossa alma, e muitas vezes conseguiu alcançar os mais puros coraçõezinhos infantis!
Como todas as listas do blog, esta é meramente exemplificativa e, claro, acabei deixando muita coisa de fora. Vale a pena conferir – cada canção eleita tem um lugarzinho especial cativo no meu coração. Soltemos as crianças que existem em nós e vamos nos divertir!

“Hoje eu vou brincar de ser criança e nessa dança, quero encontrar você. Distraído, querido. Perdido em muitos sorrisos, sem nenhuma razão de ser ” Zélia Duncan

1) PIRUETAS (Chico Buarque & Os Trapalhões)



Vamos começar com nosso artista do mês. Chico, na década de 70, criou, junto a Sérgio Bardotti e Luiz Enriquez Bacalov uma peça teatral que adaptava o conto ‘Os músicos de Bremen”, dos irmãos Grimm, intitulada “Os Saltimbancos”. Em 1981, Os Trapalhões, no auge de sua inserção no cinema, lançaram seu filme mais bem sucedido, “Os Saltimbancos Trapalhões’, baseado na peça. Da rica trilha sonora, eu escolho a grande “Piruetas”, que mantém viva toda atmosfera circense que toda criança idolatra. Chico comprovava ter talento nato não apenas para emocionar adultos, mas um faro invejável pra oferecer qualidade à gurizada. Medalha de ouro!

“Uma pirueta, duas piruetas, bravo, bravo. Superpiruetas, Ultrapiruetas, Bravo, bravo Salta sobre a arquibancada e tomba de nariz, que a moçada Vai pedir bis! "


2) DEPENDE DE NÓS (Ivan Lins & Balão Mágico)


Ivan Lins se juntava a um dos grupos musicais infantis mais conceituados da década de 80, “Balão Mágico”, e criava o tema de abertura do programa dos garotos, na Globo. Uma lembrança muito afetiva e “mágica” – não há adulto hoje que não tenha se emocionado com o pelo refrão da canção – um tempo em que música infantil era assoviável e tinha conteúdo. E o Balão iniciou um filão de grupos de “criança” falando para criança, abençoados com louvor pelo titio sensível Ivan.

“Depende de nós...quem já foi ou ainda é criança...quem acredita ou tem esperança...quem faz tudo prum mundo melhooooor”



3) AQUARELA (Toquinho)


Nosso Amigo Musical Convidado Antonio Elias já fez um irretocável texto sobre sua importância no post de 28 de Julho deste ano, mas ela nunca poderia deixar de constar nessa lista! Aliás, Toquinho fez um trabalho na MPB muito bonito destinado ao público infantil e Aquarela fez sucesso inclusive internacional – no site oficial de Toquinho, conta-se uma linda história sobre o nascimento de Aquarela, que veio de Acquarello, em italiano, e ele segue: “a música desperta a criança que temos dentro de nós, reforça o romantismo e a amizade, aviva as delícias de se ganhar o mundo com a rapidez moderna e, por fim, nos alerta para o enigma do futuro que guarda em seu bojo a implacável ação do tempo”. Lição de vida!

“Numa folha qualquer, eu desenho um sol amarelo. E com cinco ou seis retas, é fácil fazer um castelo...”

4) A GUERRA DOS MENINOS (Roberto Carlos)


Talvez nem tenha sido um hit destinado às crianças, mas minha memória afetiva infantil ativa imediatamente quando revejo, na internet, o videoclipe onde o rei contracenava com várias crianças, cantando essa letra tão “pra cima” e primorosa. Não vejo, hoje em dia, algo parecido fazendo tanto sucesso nas paradas e veículos de comunicação. Curiosidade adicional: essa foi uma das músicas atacadas com “mensagens subliminares” de acordo com inúmeros “fanálunáticos” pelo tema...tsc..tsc...


“E saí cantando meu pequeno hino
Quando vi que alguém também cantava
Vi minha esperança na voz de um menino
Que sorrindo me acompanhava
Outros que brincavam mais além
Deixavam de brincar pra vir também
E cada vez crescia mais aquele batalhão de paz
Onde já marchavam mais de cem”


5) O LEÃOZINHO (Xuxa & Caetano Veloso)

Pouco antes de virar a rainha absoluta dos baixinhos, Xuxa perambulou pela Manchete e comandou o “Clube da Criança”. Lá, com voz miúda e nem um pouco trabalhada, ousou e lançou dois discos intitulados “Xuxa e seus amigos’. O volume 2, no entanto, reside absoluto em minha memória afetiva – parcerias bem afinadas com Marina Lima, Erasmo Carlos, Nara Leão, Chico Buarque e Os Trapalhões garantiram a qualidade do produto – no entanto o hit de Caetano, “Leãozinho”, é de longe o mais bem sucedido sucesso do LP. E Xuxa acaba de regravá-lo ao lado de Maria Gadu, numa bem merecida homenagem. Palmas para a loira!

“Gosto tanto de te ver, Leãozinho, caminhando sob o sol...”


6) BRINCAR DE VIVER (Maria Bethânia)


Também já esteve presente no blog graças ao Amigo Musical Convidado Ivan Gomes, que compartilhou conosco suas memórias infantis mais emocionantes! A música, contudo, da lista, parece ser a menos “destinada” ao público infantil, apesar de sua mensagem positiva e a letra tão preciosa de Guilherme Arantes, numa interpretação magistral de Maria Bethânia. O hit fez parte do programa Plunct Plact Zum – num tempo em que havia sortimento no menu de opções televisivas aos pequenos.

“Você verá que é sempre assim, a história não tem fim. Continua sempre que você responde sim à sua imaginação. A arte de sorrir, cada vez que o mundo diz, não”


7) SUPERFANTÁSTICO (Balão Mágico & Djavan)

Dispensa totalmente apresentações! O Balão se juntava ao meu conterrâneo Djavan e, juntos, criaram uma bela parceria – das mais lembradas até hoje. Aliás, os cantores e compositores de MPB eram tão mais flexíveis para isso – faziam com gosto e muito bem! Talvez seja o maior hit do grupo infantil. Jair Oliveira, o Jairzinho, que entrou no grupo em 1984, comenta que o programa do Balão era gravado duas vezes por semana para não atrapalhar o estudo dos pequenos, que tinham um verdadeiro trabalho de gente grande! A equipe “tiny” era bem unida e se entrosava facinho com as “participações especiais”. Muito legal!

“Sou feliz, por isso estou aqui. Também quero viajar nesse balão...superfantástico, no balão mágico, o mundo fica bem mais divertido!”


8) HI LILI (Gal Costa & Trem da Alegria)


O Trem da Alegria chegou logo após o Balão, com uma premissa bem ‘pop” e abençoados demais pela dupla de compositores populares Michael Sullivan e Paulo Massadas. Era bem fácil vê-los em programas infantis, e com bastantes participações no Xou da Xuxa, por exemplo. A minha eleita para a oitava posição é uma versão para a popular música internacional “Hi-Lili, Hi-Lo", de Bronislau Kaper, consoante em regravações de muitos, como Richard Chamberlain e até Ray Connif. Aqui no Brasil, Gal Costa cantou a música lindamente, acompanhada do festivo coro infantil ao seu final. E uma das que mais marcaram minha infância, sem dúvidas!

“Eu vivo a vida cantando...Hi Lili Hi Lili, Hi Lo...por isso sempre contente estou, o que passou passou. O mundo gira depressa, e nessas voltas eu vou. Cantando a canção tão feliz que diz, Hi Lili Hi lili Hi Lo..”

9) LINDO BALÃO AZUL (Guilherme Arantes & vários)


Mais um gol certeiro de Guilherme Arantes, essa alma sensível que consegue verbalizar emoções puras para ouvintes de todas as idades. Essa eu acho que já bateu o recorde de regravações: Balão Mágico, Angélica, SNZ, Claudinho & Buchecha... sinal de que foi mesmo marcante pra toda essa gente e pra todos os pequenos daquele começo dos anos 80!

“Pegar carona nessa cauda de cometa, ver a Via Láctea, estrada tão bonita! Brincar de esconde-esconde numa nebulosa, voltar pra casa, nosso lindo balão azul!”

10) CARIMBADOR MALUCO (Raul Seixas)


O Disco “Plunct Plact Zum”, com músicas do programa, foi lançado em 1983 e é até hoje uma grande referência de entretenimento musical destinado ao público mirim. Temos nele muitos hits – a já citada “Brincar de Viver”, “Sereia”, composição de Lulu Santos cantada aqui por Fafá de Belém, dentre outras. Mas, sem dúvidas, a canção que abre o disco é a mais conhecida. Sucesso absoluto colocando Raul Seixas numa experiência interessante: loguinho o cantor de hits psicodélicos setentistas se tornou o tiozão da molecada graças a seu “Plunc Plact Zummmmm”


"O seu Plunct Plact Zum, não vai a lugar nenhum! Plunct Plact Zum, pode partir sem problema algum!"


11) A HISTÓRIA DE UMA GATA (Nara Leão)

Essa também faz parte da obra musical “Os Saltimbancos” e já teve inúmeras intérpretes. Contudo essa, digamos, formação original é a que mais gosto. Miúcha dava vida à galinha, Ruy ao cão, Magro ao jumento e Nara à independente bichana. Acho que caiu como uma luva pra bela voz da leoa, que é uma das cantoras que mais admiro... Texto original de Sérgio Bardotti, tradução e adaptação de Chico Buarque/1977

“Nós gatos já nascemos pobres, porém, já nascemos livres! Senhor, senhora, senhorio...felino, não reconhecerás!


12) DONA FELICIDADE (Lucinha Lins & Trem da Alegria)

Essa me dá uma saudade apertada...(risos). A música é linda e Lucinha sempre teve esse lado maternal de lidar com crianças desde cedo – basta relembrar sua experiência no Lupu Lipim Caplô Topô! (Manchete) ou sua participação no filme “Os Saltimbancos Trapalhões” cantando “História de uma gata’. Aqui, ela busca a felicidade junto à turma do Trem da Alegria, numa bela e entrosada parceria!

“Mas parece ninguém sabe, aonde a Felicidade, resolveu de vez morar
Até que um anjo me disse que ela existe e é tão fácil encontrar
Bem lá no fundo do peito, o amor é feito, é só você se entregar. E você vai ser muito feliz, é só na vida acreditar!”


13) CIRANDA DA BAILARINA (Mônica Salmaso)

Vocês vão terminar enjoando de me ouvir falar de Chico Buarque (risos). Mas ele é o artista do mês, e ainda será muito citado ao longo do mesmo. Aqui, ele faz uma divertida letra, já interpretada por tanta gente, como a própria Adriana Calcanhotto. A melhor versão pra mim, contudo, foi uma que descobri, ironicamente, depois de adulto, que foi a da simpaticíssima paulistana Mônica Salmaso, de voz firme, mas conseguindo suaviza-la pra dar uma interpretação rica pra criançada!

“Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem”

14) AS ABELHAS (Moraes Moreira)

Representando meus amigos nordestinos, Moraes canta a que acho mais legal canção do clássico disco “Arca de Noé”, de 1980. Composição de quem? De Vinicius, é claro! :D
Tem a cara das tardes que passava com minha mana ouvindo LP que marcou gerações!

“Abelha mestra
E as abelinhas
Estão todas prontinhas
Pra ir para a festa”




15) BOLA DE MEIA, BOLA DE GUDE (Milton Nascimento & 14 Bis)



Milton Nascimento representa Minas com uma louvável ode aos pequenos. A poesia de Milton é linda e é mais do que representativa para qualquer adulto que preserva o espírito infantil intacto. Faz com que, de repente, constatemos que não se deve nunca deixar de lado o “regresso às origens” quando a vida de adulto se torna chata ou apática! A melhor versão, em minha opinião, é a do 14 Bis, que canta com Samuel Rosa!

“Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão”


16) ACALANTO (Dorival Caymmi & Nana Caymmi)


Da Bahia, temos esse verdadeiro “acalanto” ao coração. Quem nunca foi “ninado’ ou dormiu ao som dessa deliciosa canção? Eu já! Se dizem que Dorival era craque em compor deitado em sua rede, acho que ele estava inspiradíssimo ao fazer tantos pequenos dormirem ao som dessa beleza (risos)


“É tão tarde
A manhã já vem,
Todos dormem. A noite também.


17) A CORUJINHA (Elis Regina)

Outra da dupla imbatível Toquinho & Vinicius, aqui defendida da melhor forma possível por Elis Regina. Elis quase entraria aqui com “Aguas de Março” que, não é exatamente uma canção infantil, mas foi muito importante e constante na minha infância. Mas fico com corujinha que, aliás, é um dos bichinhos que mais admiro! :p


“Corujinha, corujinha,
Que peninha de você.
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei quê.”




18) CASA (Toquinho)


Não sei por que, mas essa me remete a antigas cantigas de ninar que algumas babás cantavam pra mim quando era pequeno. A obra da dupla é tão vasta que ficou bem difícil selecionar o que faria parte ou não dessa lista, mas a “Casa” mais famosa do cancioneiro infantil não poderia ficar de fora!

“Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão”




19) PEDRINHO (Aquarious. Composição: Dori Caymmi)


Representando o Sítio do Picapau Amarelo - que sempre foi tão importante pras minhas memórias de criança (e de todos, suponho), uma bela "cantiga", que mostrava como eu realmente queria ser, junto à minha imaginação. Não só eu - todo moleque que também adorava deixar as asas da imaginação voarem mais alto. Perfeito!

"Ele imaginava
Que era rei, soldado
Herói, pirata e domador
Era o que queria ser
Porque era um sonhador..."


20) É TÃO LINDO (Roberto Carlos & Balão Mágico)


Para fechar com chave de ouro, o rei compartilhava sua majestade com o Balão (olha eles aí, mais uma vez!), numa das mais deliciosas canções “ever”, com aquele ritminho gostoso que eu costumava “repetir” sempre recolocando a agulha da vitrola no inicio. Que falta fazia um botão de repeat, hein? :D

“É tão lindo!
Não precisa mudar
É tão lindo!
É tão bom se gostar”



MENÇÕES HONROSAS (Ou as que, por razão de espaço, infelizmente ficou de fora)


O CADERNO – CHICO BUARQUE
QUADRO NEGRO – ALCEU VALENÇA
MARACANGALHA – GILBERTO GIL
BORBOLETA – MARISA MONTE
A GALINHA – MIÚCHA

MENININHA – TOQUINHO & MARIA BETHÂNIA
O RELÓGIO – WALTER FRANCO
HOLLYWOOD - LUCINHA LINS
GATINHA MANHOSA – ADRIANA PARTIMPIM
PETER PAN – XUXA (composição: RITA LEE)
A PULGA – BEBEL GILBERTO



Agora é a vez de vocês! Contem-me as suas músicas preferidas de infância. Vamos fazer do nosso cantinho musical um verdadeiro baú de recordações sonoras e afetivas!


TH - Espalhando o espírito infantil!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

MÚSICA COMUNITÁRIA

A banda prima por concretizar tudo aquilo que prega em suas letras


O Rappa, como a própria banda responde, não tem estilo definido. Hora soam reggae, noutra rock pauleira, mas é possível reconhecer ainda suas facetas samba, MPB, Hip Hop...
O que mais lhes credencia, contudo, é o forte discurso social. O engajamento, diferente dos políticos, não fica apenas no palanque. Desde os primórdios ele acontece, e isso é constatado quando se vê, por exemplo, quando os integrantes Yuka, Falcão, Lobato, Xandão e Lauro chegam à favela carioca do Vigário Geral. Não são recebidos como celebridades ou artistas soberbos. Eles são abordados para um papo normal, comum, um "trocar de ideias", para saber das novidades.
Artista engajado se torna chato e repetitivo quando soam 'políticos", cujas promessas ficam apenas na boca. Mas felizmente há exceções: Bono Vox é a mais conhecida delas no mundo, porém no Brasil quem detém esse título é o Rappa. Eles possuem inúmeros projetos sociais e tornam em atitude tudo aquilo que proliferam em suas letras. Há o compromisso, o bom senso, a preocupação bem maior do que rechear os bolsos com cachês de shows ou vendagens de discos. E projetos como inserção de menores e jovens no mundo da música - fazendo com que seus dotes artísticos apareçam e que façam sucesso com as "minas" por esbanjar esse talento, e nunca pelo lado bandidão e destemido de outrora, fazem mesmo os brasileiros se orgulharem!

"A receita é simples, dar uma chance pro lado bom surgir. Quando se vê de uma maneira positiva, a pessoa passa a acreditar mais nisso", defende o baterista Yuka.

Sobre os hits da banda, ninguém contesta. Até hoje eu me emociono ao rever o vídeo de "A Minha Alma" (a paz que eu não quero), um dos mais verdadeiros e tocantes relatos sociais num clipe. E nos álbuns também - a banda se supera a cada lançamento, e faz valer seu esforço com o reconhecimento da mídia e do público - eles sempre aparecem nos maiores veículos de comunicação e paradas musicais! Graças ao sucesso alcançado, puderam estender seus projetos a nível nacional. "Eu sou apenas um cara comum, quando estou nas comunidades. Aquele que as crianças vêem como alguém que está ali pra ajudar" orgulha-se Falcão.

Ironia de vida é que, apesar do trabalho conscientizador e esperançoso de seus integrantes, o baterista Marcelo Yuka foi vítima da violência carioca ao tentar socorrer uma mulher num assalto, em Novembro de 2001. Levou tiros que paralisaram seu corpo e lhe entrevaram numa cadeira de rodas. Deu, contudo, a volta por cima e retomou a carreira, além de ter criado um movimento que congrega juristas, acadêmicos e artistas para denunciar essa situação e foi recebido pelo relator da ONU, que investiga os excessos da polícia carioca. Yuka critica a criminalização da pobreza e lamenta um equivocado consenso da sociedade - o de que a violência urbana só pode ser resolvida pela força...Ele, entretanto, deixa a banda por outros motivos.


Logo abaixo, mais uma realidade nua e crua defendida num videoclipe quase épico. E saudações à mais engajada e completa banda brasileira!


Falcão, vocalista da banda. No centro, a discografia e, à direita, o grande crítico social e exemplo maior: Marcelo Yuka.




***********************************
O QUE SOBROU DO CÉU
O Rappa. Composição: Marcelo Yuka


Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia
Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia

O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal


O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina


Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá



TH - Tiro o chapéu pra quem tem algo a dizer (e fazer)



terça-feira, 5 de outubro de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 14 - João Dionísio Soares!


Autor das máximas mais "máximas" ever!


E esses "Amigos Musicais Convidados" me dão um trabalho! Mas não no pior sentido da palavra: a tarefa árdua aqui é conseguir reunir, num simples textinho de apresentação, o melhor de cada um. E sempre acho tão insuficiente!
Vejam o João Dionísio. Editor de cultura do Jornal Tribuna Independente daqui de Alagoas, sempre com textos inspirados e bastante diferentes do usual, aproximando-se cada vez mais do público e acertando em cheio o que eles querem ler. Como tecer elogios à altura de alguém que, além de bom profissional, é inteligente e nos presenteia com "máximas" certeiras, criativas e até absurdas?
Conheci João em 2006 e de lá pra cá, apesar de esporádicos encontros pessoalmente, temos uma refinada sintonia e é alguém com quem me sinto à vontade de falar sobre tudo. Bom de se ter perto, amigo de dizer verdades sem papas na língua e um ser humano que admiro demais. Dia desses batemos um papão sobre "coragem" e ele me veio com um ensinamento acidental e oportuno: "gente covarde é pior do que gente burra!"
A despeito de seu natural "abuso" (e os amigos podem dizer: a natureza abusada é bem constante), é um cara bem afável e romântico de carteirinha! Daqueles que resistem pra se confessarem assim. Normal...tudo a seu tempo!
Agora o moço percorre no ramo jurídico. Já cansei de chamá-lo de louco (risos), pois eu quero seguir o caminho inverso: do jurídico pro jornalismo. Coisas da vida...
Por fim: segue abaixo um dos mais inspirados relatos para a seção - altamente à altura dos textos de cultura do rapaz no http://www.tribuna-al.com.br/ . E fica também o agradecimento por ter colocado duas matérias do EnTHulho Musical - a do Dia do Rock e a dos 20 anos da morte de Cazuza, impressas no jornal dominical.
Priceless!

Pérola quase esquecida do cancioneiro brasileiro



SORRISO MAIS QUE ABERTO
João Dionisio Soares

Thiago me pediu para falar de uma música, uma canção dessas que marcam, que avassalam, que nos estragam e nos acompanham. Foi difícil achar uma, são tantas que fazem esse serviço. Tenho as minhas primeiras referências musicais, quando meu pai nos colocava ( eu, minha mãe, minhas três irmãs e uma tia ) em sua caravan dourada e partia rumo a praia. E naquela toca fita ia de tudo, sonho meu com Gal e Bethânia, os estrondosos sucessos melosos de Julio Iglesias, a potência de Alcione, Roberto Carlos, Ivone Lara, João Nogueira (quem tem mais de 30 se emociona com "Espelho"), Nelson Gonçalves, Caetano, Agepê a malícia de Wando. Mais tarde quando o carro era uma Parati – a inocência dos anos 70 e a tia já não nos acompanhava - tinha até Cazuza e C&A (meu pai se modernizou e adorava ouvir Rita Lee, Paralamas e até Legião – os mestres antigos como Cartola e Nelson do Cavaquinho nunca deixaram nossos passeios). Era uma mistura maravilhosa. Como se diz hoje, ia tudo junto e misturado. Era uma ansiedade saber o que iríamos ouvir no próximo domingo, sempre tinha uma novidade Na procura ordenada por TH me veio uma canção que me acompanha, vai não vai, vira e mexe, mexe para lá e para cá e ela tá por perto traduzindo. “Sorriso aberto” de Jovelina Perola Negra. O sambão, que é a cara do Brasil, não podia deixar de ser a minha. Pra cima, otimista, correndo atrás, na frente, pelo que acredita. E como ela diz “Logo, eu com meu sorriso aberto. E o paraíso perto, pra vida melhorar”. A música é uma homenagem a esperança, ao retorno ao que vai por e para cima. Ah! ela também lembra a minha mãe, quando voltávamos dos passeios à praia tomando banho de mangueira no quintal e lavando os cabelos longos das filhas, me chamando para deixar o cachorro quieto (saudades do cheique) e tomar banho. E era para na segunda-feira começar tudo novamente. Somos felizes assim até hoje, nos banhos de mangueira, agora o quintal tem uma enorme goiabeira, e nos altos e baixos que a vida nos deu ao longo dos anos, nunca se deixou de ter um sorriso aberto e a vontade de que vai tudo ficar bem logo, logo !!! Então, Th, não é preciso muito. Basta ler a letra. Ah e quando colocar deixa o "laia laia" tá?


***************************************
SORRISO ABERTO
Jovelina Pérola Negra. Composição: Guará

La, laia laia laiá
Laiá laiá laiá laiá
Laiá Laiá...

É
Foi ruim a beça
Mas pensei depressa
Numa solução para a depressão
Fui ao violão
Fiz alguns acordes
Mas pela desordem do meu coração
Não foi mole não

Quase que sofri desilusão
Quase que sofri desilusão

Tristeza foi assim se aproveitando
Pra tentar se aproximar
Ai de mim
Se não fosse o pandeiro, o ganzá e o tamborim
Pra ajudar a marcar (o tamborim)

Logo eu com meu sorriso aberto
O paraiso certo, pra vida melhorar
Malandro desse tipo
Que balança mais não cai
De qualquer jeito vai
Ficar bem mais legal
Pra nivelar
A vida em alto astral

A vida em alto astral...

TH - Vivamos a positividade!


domingo, 3 de outubro de 2010

ARTISTA DO MÊS: CHICO BUARQUE DE HOLLANDA!


Como falar sem soar hiperbólico?
Não consigo. Nem que tentasse mil anos.
Na abertura da seção "Artista do Mês" do EnTHulho Musical, um dos caras que mais admiro nessa vida. Durante todo esse mês de Outubro, Chico Buarque de Hollanda será, de uma forma ou de outra, destacado aqui no blog.
Nascido no Rio de Janeiro, (também morou em São Paulo e, posteriormente, na Itália), Chico é filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim. Sua casa era frequentada por intelectuais e futuros parceiros, dentre eles Vinicius de Morais. Foi nesse âmbito que surgiu seus primeiros interesses por música - e, sobretudo, por unir harmonia, melodia e letras perfeitas. Hoje, Chico se torna referência absoluta no quesito "letras-verdades" : o cantor e compositor concebe um jogo bem sintonizado de palavras morfologicamente bem dispostas. Com conteúdo arrebatador!
Um início tímido como "o misterioso compositor" de "Pedro Pedreiro", revelado ao público numa das edições do Festival da Música Popular Brasileira, na década de 60. A partir de então conhecido, Chico não parou e até hoje está na ativa (ainda que só lance material novo de maneira bem rarefeita).

A seguir, quase toda sua trajetória, com um texto retirado do site oficial do cantor:



Em 1964, apresenta-se pela primeira vez em um show, no Colégio Santa Cruz, cantando Canção dos Olhos. A música Tem Mais Samba também é desse ano e o show de TV então era O Fino Da Bossa, onde se apresentavam, entre outros, Alaíde Costa, Zimbo Trio, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Nara Leão, Sérgio Mendes e Os Cariocas. No auditório do Colégio Rio Branco, Chico mostra a sua canção Marcha Para Um Dia de Sol.
Em 1965, é lançado seu primeiro compacto com Pedro Pedreiro e Sonho de Um Carnaval, sua primeira música inscrita em um festival, o da TV Excelsior. A canção defendida é depois gravada por Geraldo Vandré e não se classifica. O primeiro lugar vai para Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, interpretada por Elis Regina.
No Juão Sebastião Bar, reduto paulista da bossa nova na época, conhece Gilberto Gil. Nesse mesmo ano, conhece Caetano Veloso, que se entusiasmara ao ouvir Chico cantando Olê, Olá num show estudantil. Em 1966, A Banda divide com Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré, o primeiro lugar no II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela Record.

Mesmo morando no Rio, continua mantendo vínculos com São Paulo, onde passa a gravar, ao lado de Nara Leão, o programa musical Pra Ver a Banda Passar, da TV Record. Carolina fica em terceiro lugar no II FIC - Festival Internacional da Canção - promovido pela Rede Globo. Roda Viva também se classifica em terceiro no III Festival da MPB, promovido pela TV Record.
Em 1968 vence o Festival Internacional da Canção, com Sabiá, feita em parceria com Tom Jobim, com quem compõe, no mesmo ano, Pois É e Retrato Em Branco e Preto. Em janeiro de 1969 deixa o Brasil e se apresenta na grande Feira da Indústria Fonográfica, em Cannes, na França. Parte depois para um auto-exílio na Itália.
Retorna ao Brasil em 1970 e afasta-se do samba tradicional, variando mais a linha das composições e revelando novas influências como a toada, em Rosa dos Ventos, o iê-iê-iê italiano com Cara a Cara, e o protesto político com Apesar de Você. Em abril de 1975 é vetado integralmente pela censura seu samba Bolsa de Amores. Rompe com a TV Globo e cancela sua inscrição, junto com outros convidados, no VI Festival Internacional da Canção, em sinal de protesto contra o fato de a emissora criar uma inscrição especial para que os mais famosos não precisassem passar pelas fases eliminatórias.

Em 1972, compõe quase todas as músicas do filme Quando O Carnaval Chegar. Voltaria a fazer músicas para mais dois filmes de Cacá Diegues: Joanna, a Francesa, em 1973, e Bye Bye, Brasil, de 1979. Em 1973, a música Cálice, feita em parceria com Gilberto Gil, é proibida pela própria Phonogram. Com medo de represálias, a gravadora desliga os microfones do palco e impede Chico e Gil até mesmo de tocarem a melodia da música.
Também em 72, a censura proíbe a capa do disco Chico Canta, com as músicas da peça Calabar. Para driblar a censura, cria o personagem heterônimo Julinho da Adelaide. A artimanha dá certo e as canções Acorda, Amor, Jorge Maravilha e Milagre Brasileiro passam sem grandes problemas pela censura. Julinho da Adelaide concede ao escritor e jornalista Mario Prata uma longa entrevista para o jornal Última Hora. O público só tomaria conhecimento da verdade por meio de uma reportagem publicada em 1975 pelo Jornal do Brasil.
Em 1975, resiste às tentativas dos que querem transformá-lo em um símbolo da luta política contra o regime militar. Em 1976, compõe O Que Será, para o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto. Sai o disco Meus Caros Amigos.

Em 1978, estréia a peça Ópera do Malandro. No mesmo ano, ganha o Prêmio Molière como melhor autor teatral pelo seu trabalho em Gota d´Água e lança o LP Chico Buarque 1978, e Chapeuzinho Amarelo, o primeiro livro infantil de sua autoria, ilustrado por Donatella Berlendis, além do álbum duplo Ópera do Malandro.
Em 1980, lança o LP Vida, que traz, entre outras, a música Eu Te Amo, feita especialmente para o filme homônimo de Arnaldo Jabor. Lança ainda os discos: Almanaque e Saltimbancos Trapalhões. Em 1982, em parceria com Edu Lobo, compõe as canções para o balé O Grande Circo Místico, que seria lançado em disco no ano seguinte.

Em 1983, compõe o samba Vai Passar, que no ano seguinte se tornaria uma referência na campanha pelas Diretas Já, da qual participa ativamente. Lança o disco Chico Buarque 1984. Em 1986 comanda, ao lado de Caetano Veloso, o programa de televisão "Chico e Caetano", que permaneceu por sete meses na programação da Rede Globo. Em 1987, lança o disco Francisco e volta aos palcos dirigido por Naum Alves de Souza. Em 1989, lança o disco Chico Buarque.
Em 1992, lança seu primeiro romance, Estorvo, publicado pela Companhia das Letras, com o qual ganha o Prêmio Jabuti de Literatura e vende 7.500 exemplares em apenas três dias, surpreendendo a Editora Dom Quixote. Em 1995, escreve o segundo romance, Benjamim, que, lançado em 1995, recebe críticas desfavoráveis de parte da crítica literária, não obstante o sucesso de vendas e os elogios de grandes nomes da literatura.

Em 1997, participa do disco Chico Buarque de Mangueira, com regravações de clássicos dos compositores da escola e com duas canções inéditas (Levantados do Chão e Assentamento) e, em 1998, é o homenageado no desfile em que a Mangueira sagrou-se campeã do carnaval de 1998. De Paris, escreve artigos para os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo durante a Copa do Mundo. O CD As Cidades, com sete canções inéditas e quatro regravações, chega às lojas cinco anos depois de Paratodos. É seu primeiro trabalho lançado na Internet.










COMENTÁRIO DE TH: Falar de Chico Buarque, como mesmo supracitei, é árduo. Não poderia, contudo, ter estreado melhor a seção. Ao longo do mês, volta e meia o artista será citado e colocarei mais matérias sobre ele. Acima, no lay out do blog, pus meu disco preferido dele, "Construção", verdadeira obra musico-literária nossa. E aguardem mais novidades do mestre aqui no EnTHulho! ;)
Parto difícil foi escolher uma música para representá-lo, mas como esta é a matéria de abertura, nada mais justo do que relembrar a canção que documentadamente lhe projetou o sucesso pro país inteiro, e abaixo, vídeo do filme realizado inspirado na letra da canção.




*************************************************
PEDRO PEDREIRO
Chico Buarque de Hollanda


Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando

Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também


Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém

Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo espere alguma coisa mais linda que o mundo

Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem



TH - Que bela estreia, hein??


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...