terça-feira, 7 de dezembro de 2010

UM POUCO DO ENTHULHO NO "INTERVIEW"


Na realidade, nem foi sobre o blog a entrevista. Foi sobre vida pessoal e, claro, música.
Mas como ultimamente não ando me dissociando do EnTHulho, vale a pena dar uma conferida num bate papo divertido e bem musical com o querido Márcio Nicolau, dono do excelente blog literário "Espaço Intertextual" e agora desse projeto de entrevistas bem bacana, o "Interview".

Espaços recomendadíssimos! Confira a entrevista na íntegra aqui!

:)

sábado, 4 de dezembro de 2010

BETHÂNIA JOPLIN

Maria Bethânia, Chico Buarque e Nara Leão, na capa da trilha do filme de Cacá Diegues


Que Maria Bethânia é super versátil, ninguém tem dúvidas. Mas muita gente não a imagina cantando um rock quase "anos 50", por exemplo.
Nesse mini-post, deixo-lhes com uma música de Chico Buarque cantada por ela, criada especialmente pro longa "Quando o Carnaval Chegar", de Cacá Diegues (1972). Aliás, a trilha do filme é muito bacana, recomendadíssima! E Bethânia mais uma vez não decepcioona, firmando-se como uma verdadeira mestra em registrar sua marca com propriedade em qualquer estilo.

Ps.: Letra dedicada ao amigo Vitor Santos, que sei que adora essa vibe "Janis Joplin" da baiana, evidenciada mais ainda no videoclipe logo abaixo! =D


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BAIOQUE
Chico Buarque. Maria Bethânia

Quando eu canto que se cuide
Quem não for meu irmão
O meu canto, punhalada
Não conhece perdão
Quando eu rio
Quando rio, rio seco
Como é seco o sertão, meu sorriso
É uma fenda escavada no chão
Quando eu choro
Quando choro é uma enchente
Surpreendendo o verão
É o inverno, de repente
Inundando o sertão
Quando eu amo
Quando amo eu devoro
Todo o meu coração eu odeio
Eu adoro numa mesma oração
Quando eu canto

Mamy, não quero seguir definhando sol a sol
Me leva daqui, eu quero partir
Requebrando um rock and roll
Nem quero saber como se dança o baião
Eu quero ligar, eu quero um lugar
Ao sol de Ipanema, cinema e televisão


TH - Que se deguste esse lugar, então! :)



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ARTISTA DO MÊS: NEY MATOGROSSO!

Várias facetas e Ney: camaleônico, ousado e profundo!


Antes da escolha do artista do mês de Dezembro, resolvi fazer um referendo nas principais redes sociais com meus amigos (Orkut, Twitter, Messenger, Facebook). A eleição seria entre Paulinho Moska e Ney Matogrosso. Não foi uma disputa fácil: ambos os cantores tem uma forte aceitação pelo público e o resultado por pouco não ficou empatado. Mas os que escolhiam Ney eram taxativos ao afirmarem: "porque ele é formidável!"
Com quase quarenta anos de carreira e quarenta discos, Ney de Souza Pereira é daqueles artistas que dividem opiniões radicalmente: ou muito odeiam, ou muito amam. Performático (herdou o dom quando se aventurou como ator), ele criou uma maneira totalmente peculiar de se apresentar: criando personagens para determinada música, disco ou espetáculo. Falando em espetáculos, o cara tem inúmeros shows conceituadíssimos, bem sucedidos de público e crítica. Detém um verdadeiro ritual de preparação para suas apresentações - fazendo o elo entre a pessoa, o artista e a criação. Figurino inusitado, mudança de roupas e até apresentações sem roupa! O perfeito contraste nos anos 70, quando a censura pegava fogo em terras tupiniquins.
Ele ainda é versátil: não se faz de rogado ao cantar rock (na sua fase "Secos e Molhados"), mambo, merengue, Mpb, forró e tudo o que seu coração que pulsa sangue latino e ousado permitir. Ousadia, aliás, é seu forte! Percebe-se sua sinceridade exacerbada nas (poucas) entrevistas que concede, não economizando verbos em aspectos de sua vida (ele, por exemplo, não é sucinto ao falar de seu relacionamento com Cazuza e também ao confirmar que ainda usa drogas).
Dentre os detratores, existem aqueles que ridicularizam seu jeito de se apresentar - sobretudo os machistas, que não admitem que um homem se apresente rebolando daquela maneira. Pra eles, Ney já foi bem mais direto no deboche com músicas-alfinetadas como "Homem com H", ou " Calúnias (Telma eu não sou gay)".
Assim é o Mr. Matogrosso. Uma bagagem gigantesca num artista super versátil que enriquecerá as "páginas" de nossa revista musical por todo esse mês de Dezembro.
Podem reverenciar, agora...


[Biografia resumida, retirada do site oficial do cantor]


Ney de Souza Pereira nasceu em 1º de agosto de 1941 na pequena cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. Desde cedo demonstrou vocação artística: cantava, pintava, interpretava. Ainda pequeno, escolheu o caminho do questionamento das reticências do mundo adulto, inconformando-se com seus preconceitos e incoerências. Teve a infância e a adolescência marcadas pela solidão, em parte voluntária - gostava de passar horas seguidas no mato, acompanhado somente por seus cachorros - e por outra parte forçada, pelas constantes mudanças da família, decorrentes das transferências de seu pai militar.
Até completar 17 anos, sua família morou, além de Bela Vista, no Recife, em Salvador, no Rio de Janeiro e em Campo Grande. Quando deixou a casa da família para entrar na Aeronáutica, Ney ainda não fazia idéia do que faria de sua vida. Gostava de teatro e cantava esporadicamente, mas acabou indo trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília, a convite do primo. Tempos depois, passou a fazer recreação com crianças.
Nessa época, foi convidado para participar de um festival universitário e chegou a formar um quarteto vocal, sob protestos da professora de canto e apesar do regente do coral do qual fazia parte elogiar sua voz especial.
Depois do festival, fez de tudo um pouco, até atuou em um programa de televisão. Também concentrou suas atenções no teatro, decidido a ser ator. Atrás deste sonho, ele desembarcou no Rio de Janeiro em 1966, onde passou a viver da confecção e venda de peças de artesanato em couro. Ney adotou completamente a filosofia de vida hippie.
Neste período, viveu entre o Rio, São Paulo e Brasília, até conhecer João Ricardo, através da grande amiga Luli, que mais tarde tornou-se compositora de alguns de seus maiores sucessos. João procurava um cantor de voz aguda para um conjunto musical. e convidou Ney para ser o cantor do grupo. Ele mudou-se para São Paulo, de encontro a um ano de exaustivos ensaios, que entremeou com a participação em espetáculos teatrais e o artesanato. Começou a se revelar, então, Ney Matogrosso. O nome artístico, ele resgatou na própria família: seu pai tinha Matogrosso no sobrenome.

Foi criado então o conjunto "Secos & Molhados", que apenas com um ano e meio de existência alçou fama nacional. É bom lembrar que o Secos e Molhados, apesar de cantar letras de cunho literário, era essencialmente um conjunto de rock. Sem abandonar este traço básico, Ney resgatou tesouros escondidos da chamada MPB tradicional, como "Bambo de Bambu", do repertório de Carmem Miranda - provavelmente a artista, em toda a história da música brasileira que, sob determinado ponto de vista, que mais se aproxima do que seria uma definição de Ney Matogrosso. Mas, ao contrário dela, e apesar de não faltarem oportunidades, Ney jamais se interessou em desenvolver uma carreira internacional.Uma viagem promocional o levou o Secos e Molhados ao México. Moracy do Val, na época empresário do grupo, recebeu diversas propostas para levar o Secos e Molhados para os Estados Unidos e a Europa. Não por acaso, ele garante, pouco tempo depois surgiu um grupo de heavy metal com os rostos pintados em estilo semelhante com o lançado por Ney Matogrosso. Era o Kiss, sucesso mundial na década de 70.
Com sua maquiagem marcante, roupas e requebros, Ney Matogrosso contrastava com aquela época de muita censura e preconceito - partiu para a carreira solo.

Em 1975, Ney estreou no Rio de Janeiro o show Homem de Neanderthal, uma ousada super-produção com ricos cenários, iluminação e na qual ele surgiu meio bicho/meio homem. Ney subia no palco coberto por peles, chifres e penas, fruto de sua própria e exclusiva criação. Sete meses depois do fim do fenômeno Secos e Molhados, Ney Matogrosso conquistou sucesso de público e crítica com seu primeiro show e o disco - Água do Céu-Pássaro - solos.
Novo show, novo disco. Em 1976, Ney ressurgiu mais simples e despojado, em Bandido. Foi com a música "Bandido Corazón", presente da amiga Rita Lee, que ele alcançou seu primeiro sucesso nacional como artista solo. No ano seguinte, uma enquete realizada na Penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro, indicou o artista como predileto dos detentos, para fazer o show de encerramento do festival de música local. Para os presos, Ney era símbolo da liberdade, assim como para o público de maneira geral: Ney era a própria personificação de desejos reprimidos por uma época. Em 1977, lança o disco Pecado, com músicas do repertório do show Bandido que ainda não haviam sido gravadas. Seus shows tornaram-se cada vez mais ousados, enquanto o reconhecimento de seu talento como intérprete cresceu, na mesma proporção. O show e o disco Feitiço, em 1978, trouxeram a consagração de uma fase luminosa.

No decorrer da carreira, Ney aperfeiçoou-se como intérprete, passando a acrescentar uma carga tão intensa de estilo pessoal a uma música, praticamente tornando-se co-autor. Ney transformou-se em um dos intérpretes mais precisos de Chico Buarque em músicas como "Deixa a Menina", "Tanto Amar", "Até o Fim" e "Las Muchachas de Copacabana"; foi veículo ideal para as divertidas composições de Eduardo Dusek, como "Folia no Matagal", "O Rei das Selvas", "Cobra Manaus" e "Destino de Aventureiro"; e injetou ainda em sua explosiva receita o sangue fresco da nova geração comprometida com o rock, como atestam as faixas "Por que a Gente é assim?", "Pro dia nascer Feliz", "Fogo e Risco" e "Tão Perto".
No show Seu Tipo, de 1980, ele investiu em um visual mais simples. Ney Matogrosso escolheu o palco de um circo para estrelar o show Destino de Aventureiro, em 1984, no circo Tihany, do Rio de Janeiro, no qual revisitou 10 anos de carreira, travestindo-se de Homem de Neanderthal, bicho selvagem, bandido latino-americano e forrozeiro. Dois anos depois gravou Bugre, que acabou restrito ao vinil, pois show não chegou a ser feito, em nome da coerência profissional que sempre guiou o cantor.
Em 1986, na temporada de A Luz do Solo, no Rio de Janeiro, pela primeira vez Ney Matogrosso subiu ao palco sem qualquer máscara ou fantasia. Iniciou-se ali a fase em que a valorização do cantor, acima de qualquer outro aspecto, atingiu a sua plenitude. O intérprete revisitou, com emoção à flor da pele, o chamado repertório clássico da MPB, em músicas como "Dora", "Nem Eu", "Retrato em Branco e Preto", "Último Desejo", "Três Apitos", "Da Cor do Pecado", "No Rancho Fundo", "Modinha", "Autonomia" e "Na Baixa do Sapateiro", revelando maturidade e frescor, soando sempre novo, original. Inúmeros músicos o acompanharam: Hélio Delmiro, Marcio Motarroyos, Caetano Veloso, Severino Araíjo, Dori Caymmi, Erich Bulling, Paulinho da Costa, Eugênia Melo e Castro, César Mariano, Robertinho Silva, Paulinho Braga, Antonio Adolfo, Gal Costa, Jaques Morelembaum, Wagner Tiso e Arrigo Barnabé, até chegar ao quarteto formado por Raphael Rabello, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Chacal no disco e show Pescador de Pérolas, de 1987, no qual adquiriu um prestígio no Brasil que ele próprio não confiava que tivesse.

Ney Matogrosso sempre foi um artista. Não se considera um cantor, apenas. A voz é mais uma de suas habilidades artísticas. Ney foi ator de cinema - em "Sonho de Valsa", longa-metragem de Ana Carolina, e "Caramujo Flor", curta de Joel Pizzini -, fez iluminação de Nanna Caymmi, Nelson Gonçalves, Chico Buarque, da Fundação Oswaldo Cruz, peças de teatro como Mistério do Amor, dirigiu dois Prêmios Sharp com os temas "Ângela e Cauby"e "Gilberto Gil", os shows do RPM, Cazuza e Simone e, mais recentemente, a peça Somos Irmãs.
Em 1992, uniu-se ao grupo Aquarela Carioca para realizar "As Aparências Enganam", que teve músicas como "El Manisero", "A Tua Presença Morena" e "Sangue Latino". Dois anos depois, o disco e o show Estava Escrito, homenagearam Ângela Maria, dando ao seu samba-canção uma roupagem requintada, uma leitura luminosa.
O show "Um Brasileiro", de 1996, no qual exerce uma das melhores interpretações de Chico Buarque, também virou disco e se mantem até hoje na estrada, embora em 1997 Ney tenha gravado "Cair da Tarde", disco no qual entrelaça as obras de Tom Jobim e Villa Lobos.

"Batuque" é um alegre passeio de Ney Matogrosso por um dos mais criativos períodos da música brasileira: as décadas de 30 e 40. Num momento em que as rádios do país não cansam de abrir espaço para o que o cantor define como "malícia pesada", "Batuque" celebra o balanço contagiante e a ingenuidade matreira de sambas, choros e marchinhas que definiram uma época de ouro da MPB. "Eu conhecia essas canções sem saber porque as ouvia desde criança. Mas não faço um espetáculo de época de resgate, porque essas músicas não se perderam. Estão à disposição de quem as quiser cantar e gravar", Ney explicou em uma entrevista para o jornal "O Estado de S.Paulo".
Com a ajuda de quatro pesquisadores (Jairo Severiano, Zuza Homem de Melo, Paulinho Albuquerque e Fausto Nilo), Ney definiu o repertório desta viagem musical no tempo. As músicas do espetáculo incluem as faixas que constam do disco, reproduzingo os mesmos empolgantes arranjos acústicos, e algumas outras, como "Batuque na Cozinha" e "Barco Negro".

Ney promove no palco e na platéia uma festa dançante que oscila entre a vibração de uma roda de samba e o entusiasmo de uma gafieira, com músicas como "O Que É Que a Baiana Tem?", "Tico-Tico no Fubá" e "E o Mundo Não se Acabou", que foram sucesso na voz de Carmen Miranda. Apesar de seis das músicas terem sido gravadas pela Pequena Notável, Ney revela que não se trata de uma celebração à carreira da cantora, como contou à "Folha de S.Paulo": "Não estou prestando uma homenagem a Carmen, não quis me limitar a ela. Mas o melhor daquelas décadas passava por ela mesmo. Eu teria que passar, inevitavelmente".
Produtor de reconhecida competência, Ney mais uma vez também assumiu as luzes e os cenários, criando um ambiente que define como "de teatro de revista". Para os figurinos, contou com a ajuda do estilista Ocimar Versolato, buscando peças nos brechós de Paris: "É extravagante, embora sóbrio, mas erótico porque é todo preto", explicou ao "Estadão". O espetáculo, que depois do Rio segue para São Paulo, vai dar origem a um DVD.

2002: Ney Matogrosso comemora 30 anos de carreira mergulhando no universo musical de um dos nossos maiores compositores: Agenor de Oliveira, o Cartola. A admiração pelo sambista carioca veio muito antes do inicio da sua carreira. Ney chegou a cantar composições de Cartola em discos anteriores como Pescador de Pérolas e À Flor da Pele, mas desta vez resolveu dedicar uma obra inteira ao mestre. O desejo de fazer uma antologia veio atrelado a outro projeto antigo: a publicação de um livro que compilasse em fotografias momentos da sua carreira. “Ousar Ser”, lançado em 2002 (272 páginas), do compositor e escritor Bené Fonteles, contém 135 fotos de autoria de Luiz Fernando Borges da Fonseca durante 20 anos da carreira de Ney, as quais retratam inúmeras perfomances em shows e revelam várias mudanças no visual do artista, traçando assim um perfil de sua atitude e ousadia, além de depoimentos do cantor. O disco, no qual Ney interpreta composições de Cartola, a princípio, seria apenas um complemento do livro, mas acabou ganhando vida própria. Teve registro ao vivo (com mais músicas que a versão em estúdio) e um DVD. No repertório há clássicos como “O Sol Nascerá”, “O Mundo é um Moinho”, “As Rosas não Falam”, “Basta de Clamares Inocência”, entre outras preciosidades.
Participam do projeto os músicos Zé Nogueira (Sax), Jorge Helder (baixo), Celsinho Silva e Zero (percussão), Ricardo Silveira (guitarra) e Marcelo Gonçalves (violão). Este show percorre todo o Brasil e Europa, completando um total de 100 apresentações em Portugal, sendo sucesso de publico e critica por onde passa.
Em 1997, Ney Matogrosso grava Caramujo Jah no CD “Astronauta Tupy” de Pedro Luís e A Parede, ano em que conhece o trabalho da banda e gosta muito. Em 1999, Ney inclui músicas de Pedro Luís no CD “Olhos de Farol” (Miséria no Japão e Fazê o Quê), e participa de vários shows da banda. Surge a idéia de trabalharem juntos num mesmo projeto um dia. O fruto desta idéia é “Vagabundo”, O CD com desdobramento em dois DVD´s: um da etapa de ensaios e gravações e outro do show registrado ao vivo no Olympia em junho de 2005 (ainda a ser lançado).

Com músicas variadas, “Vagabundo” é composto de 14 faixas, passeia desde a época do Secos&Molhados com “Assim Assado”, passando por “Disritmia” (Martinho da Vila), A Ordem é Samba (Jackson do Pandeiro e Severino Ramos), Napoleão (Luhli e Lucina), entre outras.
O cenário é baseado em desenhos do artista plástico Rodrigo Cabelo, que viram animação nas mãos do fotografo Cafi. A luz é de Ney Matogrosso e Juarez Farion. Ney veste figurinos de Ocimar Versolato enquanto a Parede e os músicos convidados são vestidos por Helena Gastal.
Depois da estréia no Rio de Janeiro, o show percorreu as principais capitais brasileiras e várias cidades do interior do Brasil, foi apresentando algumas vezes em Portugal, e a turnê se estende até o final do ano. Sucesso de público e critica, “Vagabundo” ganhou alguns prêmios: foi eleito pelos críticos da APCA como um dos melhores discos de 2004 e de melhor grupo em 2005.
Comportado ou transgressor, Ney mantém alta a qualidade de suas interpretações.
Para milhares de pessoas ou para um publico pequeno o canto do Ney realmente cabe em qualquer canto. "Canto em qualquer canto" durou dois anos, viajou o Brasil de ponta a ponta, em junho de 2007 cruzou o Atlântico e encerrou a turnê na Itália.
O estilo mais comportado que esteve presente no show anterior foi deixado de lado, agora ele mostra novo visual, inspirado em seus modelos mais extravagantes, no seu novo show Inclassificáveis que teve a sua estréia em Juiz de Fora no início da primavera.
“Gosto de mudar, de mexer para que a coisa fique atraente para que eu possa fazer. Não é uma preocupação com o público, mas com o meu prazer de estar fazendo. E me aproximo de novo do pop rock, que é uma coisa que gosto de fazer. Surgi assim, e de vez em quando eu gosto de fazer. Daí muda tudo, banda, tudo. Montei uma banda em São Paulo, ensaiamos durante um mês e meio lá. É isso, um show pop rock, portanto com bastante liberdade de figurinos e ação. Apesar de estar me sentindo muito à vontade ali, o Canto em Qualquer Canto era um recital pop, mas me restringia. Esse não, me dá uma maior liberdade.”

O espetáculo subverte a ordem natural da indústria fonográfica, que dita que um artista deve lançar um CD novo para depois sair em turnê. No caso de “Inclassificáveis”, Ney Matogrosso fará o contrário, talvez assinalando o que há anos já se discute: o fim da indústria fonográfica tal qual nós a conhecemos. “Para mim, o disco sempre foi um veículo para meus shows. Agora com a derrocada do CD sinto-me mais livre para exercitar minha verdadeira paixão, que é o palco”.
A apresentação terá 22 canções, 12 delas releituras de sucessos de outros cantores. Só de Cazuza são quatro composições. Ney abre o show com 'O Tempo Não Pára' e termina com 'Pro Dia Nascer Feliz'. Ainda serão apresentadas 'Por que a Gente É Assim?' e 'Seda', letra inédita do compositor, que ganhou arranjos de Lobão. No repertório ainda há versões de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil e Jorge Drexler. Entre as inéditas, destaque para os novos compositores, que permeiam o repertório. Estarão no show canções de Pedro Luis, Iara Rennó, Alice Ruiz e Fred Martins, além de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, e de Arnaldo Antunes.
Sobre o repertório, o intérprete conta que a idéia é trazer coisas novas, já que seu lema é: “sempre para frente, o que ficou pra trás é passado. Das antigas, vem ‘Mal Necessário’, que é dos anos 80, fez sucesso e nunca mais cantei”, 'Mente Mente' de Robinson Borba, 'Novamente' de Fred Martins.
O figurino tem assinatura de Ocimar Versolato, sempre mostrando um cantor provante e ousado. Ney aparece coberto de brilhos, que no decorrer do show se transformam em outros, a partir de cada troca em cena de adereços e peças. Uma recuperação do Ney “exótico” dos anos de 1970 e 80, época que encarnava um pavão misterioso andrógino e espalhafatoso. “Não é uma tentativa de recuperar nada daquela época, apenas uma proposta visual que achei bonita. Do passado só guardo meu espírito sempre crítico.”
A direção musical é de Emílio Carrera, ex-integrante dos Secos e Molhados.
O cenário do novo show remete aos tempos de extravagâncias cênicas e leva a assinatura de Milton Cunha. No palco, uma nova banda renova o cantor: Carlinhos Noronha (baixo), Junior Meirelles (guitarra / violão), Sergio Machado (bateria), Emilio Carrera (piano, teclado e direção musical), DJ Tubarão (percussão e pick up) e Felipe Roseno (percussão).
Em março de 2008 lançou o CD/DVD Inclassificáveis.

Ney comemora seus 35 anos com projetos ambiciosos, dois deles realizados pelo cineasta Joel Pizzini, em parceria com o Canal Brasil: o filme “Olho Nu” e um documentário ainda sem titulo. Ambos relatam etapas importantes da vida e da trajetória do cantor, mostrando o resgate de imagens raríssimas.
No premiado “Depois de Tudo”, curta metragem de 12 minutos, o cantor interpreta um homem casado há 35 anos, que mantêm um relacionamento extraconjugal com outro homem (interpretado pelo ator Nildo Parente). Cenas do cotidiano como cozinhar, assistir filmes, dormir abraçado e beijos ternos preenchem a tela de forma sutil e sensível.“Me ver beijando na boca de outro homem, era tudo o que as pessoas queriam". A frase foi dita por Ney Matogrosso durante a coletiva de imprensa realizada antes da primeira exibição de "Depois de Tudo" (2008), curta de Rafael Saar, que teve sua estréia no II For Raibow - Festival de Cinema da Diversidade Sexual, realizado entre 05 e 09 de setembro na cidade de Ceará.
O cantor destaca "Pescador de Pérolas" (1987) como um trabalho de importância fundamental em sua trajetória. “Até Pescador de Pérolas, eu tinha certa insegurança em saber se era realmente um cantor ou se eu era um ator que cantava. Um ator pode até cantar bem, dominar a técnica, mas é diferente de um cantor. Um cantor tem que ser intuitivo. Naquele show, de ambiente camerístico e no qual eu não usava maquiagem nem fantasia para me comunicar com o público, entendi que eu era mesmo um cantor”. A caixa foi organizada pelo jornalista e pesquisador Rodrigo Faour.
Em dezembro de 2008, estreia em Santos seu novo show: .
Em fevereiro de 2009 começaram as filmagens do longa “Luz Nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha”, continuação do clássico de 1968 “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, baseado na história do criminoso João Acácio (1942-1998). No remake, Ney interpretará o próprio bandido, vivido por Paulo Villaça (1946-1992) no primeiro filme. “Assim como o personagem, Ney tem personalidade fortíssima”, afirma a diretora e viúva de Sganzerla, Helena Ignez. “É um artista extraordinário”. “Gosto de desafios. Acho a vida interessante com desafios. Nesse, tem o que me assusta e o que me atrai, que é fazer a continuação disso, principalmente por ser um roteiro de Sganzerla”, disse Ney à Folha, após acompanhar, no 41º Festival de Brasília, a exibição do curta “Depois de Tudo”, de Rafael Saar, em que atua. O elenco do longa ainda conta com nomes como Maria Luisa Mendonça, Djin Sganzerla e Simone Spoladore. Selton Mello e Daniel Filho também devem fazer participações. Enquanto isso, Inclassificáveis, com algumas alterações, continuou na estrada, paralelo a todos esses projetos.

O CD, lançado em outubro, apresenta uma necessidade de Ney em intercalar trabalhos ousados com mais introspectivos. A maioria das canções se trata de relações amorosas.
O repertório começou a ser montado a partir do desejo de recuperar canções que havia gravado com outras pessoas e que ficaram de fora da caixa Camaleão, organizada por Rodrigo Faour, além de outras que ele já tinha vontade de cantar.
O título Beijo Bandido foi inspirado na letra de “Invento”, música do compositor gaúcho Vitor Ramil. Ney da um banho de interpretação, técnica e sedução, mesclando músicas antigas com canções contemporâneas.
A direção musical e os arranjos são de Leandro Braga, cujo piano se sobressai por vontade de Ney. Além de Braga, que já trabalhou com o cantor em projetos anteriores, completam a banda Lui Coimbra (cello e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão).


COMENTÁRIO DE TH: Ufa! A biografia é gigantesca (e olha que dei uma resumida básica!) mas eu recomendo: leiam! Leiam pois testemunharão a grandiosidade de um artista que não tem receio de se aventurar pelos mais diversos campos e tem opiniões bem impactantes sobre muitos assuntos (adorei sua visão sobre a derrocata do cd - que faz ele se satisfazer com o melhor que pode oferecer, que são suas performances nos palcos).
Ney sempre tocou aqui em casa, apesar do preconceito do meu avô (como não poderia deixar de ser), minha avó adorava e eu sempre escutei com curiosidade hinos como "Sangue Latino", "Bandido Corazon" e muitos outros. O único show que contemplei (2 vezes) foi o da turnê
"Inclassificáveis" - vi um Ney mais maduro e consciente de seu papel como artista. Gostei tanto que escolhi esse disco pra aparecer no alto do EnTHulho. Outro disco que adoro é o "Um Brasileiro", de 1996. Para homenageá-lo, escolhi uma composição de Caetano que já tinha sido eternizada por Maria Bethânia e que Ney deu uma leitura completamente diferente!
Salve Ney!



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A TUA PRESENÇA (MORENA)
Caetano Veloso. Ney Matogrosso

A tua presença: entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença: pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença: paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença: desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença: envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença: é branca verde, vermelha azul e amarela
A tua presença: É negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra
A tua presença: transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença: silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença: se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença: é tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença: coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença: é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença: mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença: morena, morena, morena, morena, morena, morena, morena



TH - Orgasmo artístico!



terça-feira, 30 de novembro de 2010

RANKING - ATUALIZAÇÃO MENSAL (Novembro 2010)


Super mês esse na nossa revista musical!
Zélia Duncan, a artista de Novembro, fez o número de acessos ao blog crescer consideravelmente! Agradeço aos fãs da moça, que teve 5 super matérias durante esses 30 dias.
Os nordestinos, após a agressão com as eleições, foram super representados pelas inserções de Elba Ramalho e Lenine, este último eleito pelo amigo musical convidado Felipe Ramirez, que resolveu homenagear sua terra com a fodástica "Leão do Norte".
A outra amiga convidada, quebrando o jejum de só ter machos como indicadores musicais foi minha própria sister Ale Moura, que relembrou a canção que embalava seus momentos infantis: "Samba Lelê", versão de Zé Renato, que estreou aqui no EnTHulho.
Toques de classe do mês: Nana Caymmi e Violeta Parra (outra estreia). Djavan, Cássia Eller e os irreverentes Mutantes fecham a lista!
Para o artista do mês de Dezembro, fiz um verdadeiro referendo nas redes sociais (Twitter, Orkut e Facebook) para auferir votos entre Ney Matogrosso e Paulinho Moska. Disputa apertadíssima mas eu já tenho o vencedor. Querem saber quem foi? Amanhã aqui no blog! =D
Vamos ao ranking do mês!


Matérias sobre a artista do mês (clique para conferir):



Azul claro: estreias;
Azul-escuro: artistas que subiram;
Vermelho: artistas que desceram
Preto: artistas que mantiveram a posição

1º CHICO BUARQUE – 17 músicas (=)
2ª ZÉLIA DUNCAN - 17 músicas (=)

3ª MOSKA - 12 músicas (-1)
4ª CÁSSIA ELLER – 11 músicas (+1)
5ª MARISA MONTE - 10 músicas (-1)
6ª MARIA BETHÂNIA - 10 músicas (=)
7º DJAVAN - 9 músicas (+2)
8ª RITA LEE – 9 músicas (-1)
9º CAETANO VELOSO - 8 músicas (-1)
10º LENINE - 8 músicas (+3)
11ª ADRIANA CALCANHOTTO - 7 músicas (-1)
12ª ELIS REGINA - 7 músicas (-1)
13ª GAL COSTA - 7 músicas (-1)

14ª MARINA LIMA - 7 músicas (=)
15º MILTON NASCIMENTO – 7 músicas (+3)
16ª VANESSA DA MATA - 7 músicas (-1)
17º CAZUZA - 6 músicas (-1)
18º LEGIÃO URBANA - 6 músicas (-1)
19º NANDO REIS - 6 músicas (=)
20ª NARA LEÃO – 6 músicas (=)
21ª ANA CAROLINA - 5 músicas (=)
22ª DANIELA MERCURY - 5 músicas (=)
23ª ELIANA PRINTES - 5 músicas (=)
24º GILBERTO GIL - 5 músicas (=)
25º GUILHERME ARANTES - 5 músicas (=)
26ª NANA CAYMMI - 5 músicas (+8)
27º OS PARALAMAS DO SUCESSO - 5 músicas (-1)
28ª SIMONE - 5 músicas (-1)
29º TOQUINHO - 5 músicas (-1)
30º ZECA BALEIRO - 5 músicas (-1)
31º ALCEU VALENÇA - 4 músicas (-1)
32º ENGENHEIROS DO HAWAII - 4 músicas (-1)
33º FLÁVIO VENTURINI - 4 músicas (-1)
34º GONZAGUINHA – 4 músicas (-1)

35º OS MUTANTES - 3 músicas (+7)
36º RAUL SEIXAS - 4 músicas (-1)
37º ROBERTO CARLOS – 4 músicas (-1)
38º SKANK - 4 músicas (-1)
39º VINICIUS DE MORAIS - 4 músicas (-1)
40ª MEMÓRIA INFANTIL: XUXA - 4 músicas (-1)
41º ZÉ RAMALHO - 4 músicas (-1)
42º MEMÓRIA INFANTIL: BALÃO MÁGICO - 3 músicas (-1)
43º CHICO CÉSAR - 3 músicas (-1)
44ª CLARA NUNES - 3 músicas (-1)
45º DORIVAL CAYMMI - 3 músicas (-1)
46ª ELBA RAMALHO - 3 músicas (+24)
47ª FERNANDA ABREU - 3 músicas (-2)
48º HERBERT VIANNA - 3 músicas (-2)
49º IVAN LINS - 3 músicas (-2)
50º JORGE VERCILO - 3 músicas (-2)
51º LULU SANTOS - 3 músicas (-2)
52ª MONICA SALMASO - 3 músicas (-2)
53º O RAPPA - 3 músicas (-1)
54º PATO FU - 3 músicas (-1)
55ª RITA RIBEIRO - 3 músicas (-1)
56ª ROBERTA SÁ - 3 músicas (-1)
57º MEMÓRIA INFANTIL: TREM DA ALEGRIA - 3 músicas (-1)
58º ADONIRAN BARBOSA – 2 músicas (-1)
59ª ALZIRA ESPÍNDOLA - 2 músicas (-1)
60º ARNALDO ANTUNES - 2 músicas (-1)
61º BARÃO VERMELHO - 2 músicas (-1)

62ª BRUNA CARAM - 2 músicas (-1)
63ª BELLÔ VELOSO - 2 músicas (-1)
64º CAPITAL INICIAL - 2 músicas (-1)
65º CARLINHOS BROWN – 2 músicas (-1)
66º CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI - 2 músicas (-1)
67ª CÉU - 2 músicas (-1)
68º ED MOTTA - 2 músicas (-1)

69ª ELIZETH CARDOSO – 2 músicas (=)
70ª ELZA SOARES - 2 músicas (=)
71ª FAFÁ DE BELÉM – 2 músicas (=)
72ª FERNANDA PORTO - 1 música (=)
73ª FERNANDA TAKAI - 2 músicas (=)
74º ITAMAR ASSUMPÇÃO - 2 músicas (=)
75º JAY VAQUER – 2 músicas (=)
76º JORGE BEN - 2 músicas (=)
77ª INTERNACIONAL CONVIDADA: JULIETA VENEGAS - 2 músicas (=)
78ª KÁTIA B - 2 músicas (=)
79º KID ABELHA - 2 músicas (=)
80ª LEILA PINHEIRO - 2 músicas (=)
81ª CANTRIZ: LETÍCIA SABATELLA - 2 músicas (=)
82º LOS HERMANOS - 2 músicas (=)
83ª CANTRIZ: LUCINHA LINS - 2 músicas (=)
84ª MARIA RITA - 2 músicas (=)
85ª INTERNACIONAL CONVIDADA: MERCEDES SOSA – 2 músicas (+75)
86º MORAES MOREIRA – 2 músicas (-1)
87º NEY MATOGROSSO – 2 músicas (-1)
88º OSWALDO MONTENEGRO - 2 músicas (-1)
89ª PATRICIA MARX - 1 música (-1)
90º PEDRO LUIS E A PAREDE - 2 músicas (-1)
91ª PITTY - 2 músicas (-1)
92ª SELMA REIS - 2 músicas (-1)
93º TOM ZÉ - 2 músicas (-1)
94º VEGA - 2 músicas (-1)
95ª VERÔNICA SABINO - 2 músicas (-1)
96º WADO – 2 músicas (-1)
97ª ZIZI POSSI – 2 músicas (-1)
99º 14 BIS – 1 música (-1)
99ª ALICE RUIZ - 1 música (-1)
100ª ANA CAÑAS – 1 música (-1)
101ª ANELIS ASSUMPÇÃO - 1 música (-1)
102ª ÂNGELA MARIA – 1 música (-1)
103ª ANGELA RO RO - 1 música (-1)
104º ANTONIO CARLOS NÓBREGA - 1 música (-1)
105ª AS CHICAS – 1 música (-1)
106º MEMÓRIA INFANTIL: AQUARIOUS - 1 música (-1)
107ª BANDA REFLEXU’S – 1 música (-1)
108º BANDA VEXAME – 1 música (-1)
109ª BEATRIZ AZEVEDO – 1 música (-1)
110ª BETH CARVALHO - 1 música (-1)
111ª BEBEL GILBERTO - 1 música (-1)
112ª BIQUINI CAVADÃO - 1 música (-1)
113º CARLOS MOURA - 1 música (-1)
114ª CARMEM MIRANDA - 1 música (-1)
115º MEMÓRIA INFANTIL: CICLONE - 1 música (-1)
116º CIDADE NEGRA - 1 música (-1)
117º CLAUDIO NUCCI - 1 música (-1)
118º COMADRE FLORZINHA (-1)
119º CORDEL DO FOGO ENCANTADO - 1 música (-1)
120ª DANNI CARLOS - 1 música (-1)
121ª DALVA DE OLIVEIRA – 1 música (-1)
122ª DAÚDE – 1 música (-1)
123º DEMÔNIOS DA GAROA – 1 música (-1)
124º DOMINGUINHOS - 1 música (-1)
125ª INTERNACIONAL CONVIDADA: DULCE PONTES - 1 música (-1)
126º EDU LOBO - 1 música (-1)
127º EMÍLIO SANTIAGO – 1 música (-1)
128º ERASMO CARLOS - 1 música (-1)
129ª FERNANDA GUIMARÃES - 1 música (-1)
130º FRED MARTINS - 1 música (-1)
131º GABRIEL PENSADOR - 1 música (-1)
132º GERALDO AZEVEDO - 1 música (-1)
133º GERALDO VANDRÉ - 1 música (-1)
134ª HELENA ELIS - 1 música (-1)
135º HERÓIS DA RESISTÊNCIA – 1 música (-1)
136º IRA – 1 música (-1)
137ª ISABELLA TAVIANI - 1 música (-1)
138ª JANE DUBOC – 1 música (-1)
139º JESSÉ -1 música (-1)
140ª JOVELINA PÉROLA NEGRA – 1 música (-1)
141ª LEILA MARIA - 1 música (-1)
142º LOBÃO - 1 música (-1)
143ª LUCIANA MELLO - 1 música (-1)
144º LUDOV – 1 música (-1)
145º LUPICÍNIO RODRIGUES – 1 música (-1)
146º INTERNACIONAL CONVIDADO: MADREDEUS - 1 música (-1)
147ª MARIA GADU – 1 música (-1)
148ª MARIANA AYDAR – 1 música (-1)
149ª MARTINÁLIA - 1 música (-1)
150ª MAYSA - 1 música (-1)
151º METRÔ – 1 música (=)
152º MIÚCHA – 1 música (=)
153º MOINHO - 1 música (=)
154º MOPHO – 1 música (=)
155ª NA OZETTI - 1 música (=)
156º NASI - 1 música (=)
157º NILA BRANCO - 1 música (=)
158º INTERNACIONAL CONVIDADO: NUNO MINDELLIS - 1 música (=)
159º MEMÓRIA INFANTIL: OS TRAPALHÕES – 1 música(=)
160º OTTO – 1 música (=)
161ª PAULA FERNANDES - 1 música (=)
162ª PAULA LIMA - 1 música (=)
163º PAULINHO DA VIOLA - 1 música (=)
164º RAIMUNDO FAGNER – 1 música (=)
165ª RENATA ARRUDA - 1 música (=)
166º RENATO TEIXEIRA – 1 música (=)
167º SECOS & MOLHADOS - 1 música (=)
168ª TAMY – 1 música (=)
169º TIM MAIA - 1 música (=)
170° TITÃS – 1 música (=)
171º TRIO VIRGULINO - 1 música (=)
172º MEMÓRIA INFANTIL: TURMA DA MÔNICA - 1 música (=)
173º VANDER LEE - 1 música (=)
174ª VANGE LEONEL – 1 música (=)
175ª VANIA BASTOS - 1 música (=)
176ª INTERNACIONAL CONVIDADA: VIOLETA PARRA – 1 música *ESTREIA
177ª WANDERLÉA - 1 música (-1)
178º ZÉ RENATO – 1 música *ESTREIA


TH - November Rain...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ÚLTIMA FAIXA: Sorrir pelo sabor do gesto (Crônica)




[Ao som de "Por Hoje É Só", última faixa do disco "Acesso"]


Zélia Duncan
e seu sorriso aberto.
Buscar os "dentes brancos do mundo" (de acordo com uma de suas músicas) é o real motivo pelo qual ela se arma de seu sorrisão pra estampar por aí.
Não existe frase mais verdadeira do que a de "sorria, que o mundo sorrirá junto a ti",
Sem dúvidas, a 'porta de entrada" do universo Zuncaniano para mim foi o sorriso de Zélia. Tão afável, acessível e convidativo!
Faz-nos pensar muito sério sobre a postura dos artistas. Não sinto, em Zélia, aquela supremacia imaginária que separa ídolo de fã. Não enxergo hierarquia de qualquer sorte. Pode ser puro papo de fã cego, como muitos podem pensar, mas lhes convido de bom grado a prestigiar um espetáculo de Ms. Duncan. Em todos os 9 shows contemplados por mim, ela transmitiu, além da aspereza e do talento musical, um nobilissimo sentimento empático e totalmente próximo de quem assiste, deixando claro que é tão importante pra quem contempla, como pra ela que está ali cantando.
Não quero que pensem que a moça não tem defeitos ou mau humor. Ou que seja perfeita - "quem se diz muito perfeito, na certa encontrou um jeito insosso de não ser carne e osso". Falo do que conheço: da parte disponibilizada a mim, um grande fã. Do que sinto nas entrevistas, nas respostas via Twitter, e-mail, camarins...honestamente, duvido que alguém represente tão bem o tempo inteiro. Longe disso...é genuíno, espontâneo, sincero, real!
Ainda assim, arrisco-me a dizer que não deve ser regra. Não esperemos que nossos ídolos sejam tão simpáticos ou passíveis de belos sorrisos all the time. Eles nem precisam - a comunicabilidade maior entre fã e ídolo deve ser mesmo mediante a obra. Zélia tem esse plus e eu agradeço todos os dias, mas sei de inúmeros outros artistas que admiro que passam longe de quaisquer outros atrativos em suas vidas pessoais. Pessoas são diferentes umas das outras. Por que que eles também não podem diferir entre si no tocante à resposta ao público?
Trazer o universo de Zélia até o EnTHulho foi muito tranquilo. Eu percorro muito bem por seu mundo, seus discos, músicas e acho que fizemos um bom trabalho. Além de ter sido fácil, foi extremamente prazeroso.
Que, um dia, ela veja e me diga o que achou. Com seu sorrisão e simpatia tão características...
:)


THIAGO HENRICK


"Por hoje é só...bruxas e reis sorrindo pra mim...sei que é assim. Certo é errar. Mas quando acordei corri devagar. Sem perceber, cheguei aqui!" ZD

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

TEMA DE NOVELA ESPECIAL: DOSSIÊ ZÉLIA DUNCAN!



E a postagem mais popular do EnTHulho Musical, segundo os dados na barra lateral, foi a do Dossiê Marina Lima – novelas. Tema de novela é uma das seções mais bem recebidas do blog – muito interessante constatar que os telemaníacos (eu sou um com louvor) tem um grande espaço aqui na nossa revista musical.
Então, porque não aproveitar o gancho de nossa artista do mês e fazer o mesmo, dessa vez com dez momentos de Zélia Duncan no mundo das novelas?

Lista afetiva – e vale bem mais as músicas do que as novelas em si!





1) NÃO VÁ AINDA ("Quem é Você", 1996, Globo)

A música se tornou conhecida na época do disco “Zélia Duncan”, de 94, porém a novela (que tem o argumento inicial de Ivani Ribeiro) é de 1996. Uma das melhores letras de Zélia – direta e melancólica, e instrumental bem simples, porém muito bonito. Pontuou as cenas do casal principal da trama – Maria Luiza (Elizabeth Savalla) e Afonso (Alexandre Borges) e abria o disco nacional.

2) ENQUANTO DURMO ("Salsa & Merengue", 1996, Globo)


Também de 1996, mas essa consta no álbum “Intimidade”, onde abre o disco com um barulho de trovão seguido do violãozinho bem dedilhado que é bem característico dessa fase “folk” de Zélia. A deliciosa e até polêmica música (“nas minhas costas largas que afagas enquanto durmo), era da personagem Teodora (Débora Bloch), e combinava demais com a personagem!

"Percebo até mas desaconselho..espero a chuva cair..."


3) CATEDRAL ("A Próxima Vítima", 1995, Globo e "Confissões de Adolescente, 1995, Bandeirantes)


Sem dúvidas, a mais conhecida inserção de dona Duncan no mundo das novelas. A própria confessou que, certa vez, encontrou Viviane Pasmanter (Irene, personagem cuja música era tema) e disse-lhe que nunca torceu tanto pra uma personagem reatar logo com o namorado só pra música tocar nas cenas (risos). Inegável constatar que “A Próxima Vítima” ajudou e muito a projeção de Zélia pro resto do país!
Também foi tema do seriado adolescente "Confissões de Adolescente", de 1995!

"O deserto que atravessei...ninguém me viu passar...estranha e só, nem pude ver..que o tempo é maior...olhei pra mim..."

4) ALMA ("O Clone", de 2001 e "Caminho das Índias", de 2009. Globo)


A música do disco “Sortimento” era uma das mais agradáveis da trilha nacional de “O Clone”, sendo tema de Clarice (Cissa Guimarães). A mesma música, contudo, apareceu em outra novela de Glória Perez, “Caminho das índias”, onde sublinhava as cenas de Melissa Cadore (Cristiane Torloni). Particularmente, achei muito desnecessário ressuscitar a canção noutra novela, o que só ajudou as já várias comparações que os telespectadores fizeram entre as duas tramas.

"Alma, daqui do lado de fora, nenhuma forma de trauma sobrevive"

5) ME REVELAR ("Um Anjo Caiu do Céu, 2001, Globo)

A música era tema dos personagens de Patrícia Pillar e Marcello Anthony. No entanto, não tinha absolutamente nada a ver com o universo dos personagens, visto que a letra versava, de forma muito íntima, sobre as auto-revelações do indivíduo. É mais um caso de tema que pontuou personagens apenas pelo seu instrumental..

"Tudo aqui quer me revelar...unhas roídas, ausências, visitas, flores na sala de estar"


6) VERBOS SUJEITOS ("Labirinto", de 1998, e "Malhação", de 1999. Globo)

A magnífica letra da primeira música de trabalho do disco “Acesso” (1998) integrou a trilha da minissérie “Labirinto”, de Gilberto Braga, sendo tema da perua Yoyô (Isabela Garcia). Também apareceu na fase 99 de Malhação, quando estreava o Colégio Múltipla Escolha. Toda vez que o rifle da guitarra surgia na soap opera, sabíamos que era cena da personagem de Carolina Abranches, “Marilu”, que era fascinada pelo professor Vitor (Licurgo Spinola).

"Silêncio pra te convencer. Música pra te alcançar. Refrão pra enternecer. E agora só falta você!"

7) CARNE E OSSO ("Se7e Pecados",2007, Globo)

“Carne e Osso”, parceria de Zélia com Paulinho Moska, foi tema de abertura de “Se7e Pecados”. O curioso é que a música chegou à novela com uma ajudinha da própria Zélia, que cutucou a amiga Cláudia Jimenez pra dar uma força junto a Jorge Fernando, que ouviu a música e achou que tinha tudo a ver com a proposta da trama. De fato: essa música parece ter sido feita especialmente pra novela – prática que era muito comum em décadas anteriores.

"Alegria do pecado às vezes toma conta de mim. E é tão bom não ser divina..."

8) DOR ELEGANTE ("Belíssima", 2005, Globo)


A genial letra de Itamar Assumpção ganhou um belo arranjo no formato de “Reggae” e entrou pra (excelente) trilha sonora nacional de “Belíssima”, de Sílvio de Abreu. Pena que a música era tema do personagem banana de Leopoldo Pacheco (Cemil).

"Um homem com uma dor é muito mais elegante. Caminha assim de lado...como se chegando atrasado, andasse mais adiante..."



9) DIZ NOS MEUS OLHOS (INCLEMÊNCIA)("Alma Gêmea", 2005, Globo)


Assim como as duas músicas acima, “Diz nos Meus Olhos” é do álbum “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band”. A música caiu como uma luva pro clima de época da novela “Alma Gêmea”, onde era tema da vilãzona Cristina (Flávia Alessandra). Convenhamos: bem mais interessante que o excesso de sacarina da música da Fábio Junior, que tocava na abertura e nas cenas da “mocinha” Serena (Priscila Fantin).

"Pensei que haveria um pouco mais de amor para mim. Guardei cada luar, cada verso encoberto nas notas da canção"


10) TUDO SOBRE VOCÊ ("Tempos Modernos", 2010, Globo)


Passa longe de ser a melhor das novelas (ou melhor: é a novela mais horrível que eu já vi na vida!), mas “Tudo Sobre Você” é tão fofinha que parece que foi feita pra ser tema de personagem. No caso, da apagadinha Nara (Priscila Fantin).



"Não sei se eu saberia chegar até o final do dia sem você"



CURIOSIDADES/ MENÇÕES HONROSAS

Carne e Osso
não foi o único tema de abertura de Zélia Duncan. A música "Se Tiver" abria a série "Avassaladoras" (Rede Record, 2006), oriunda do filme de mesmo nome e onde a música também figurava.

A primeira música de Zélia Duncan a aparecer numa produção televisiva foi "Super-Homem, a Canção', letra de Gilberto Gil e integrante do disco "Zélia Cristina", em 1990. A produção foi a série "Delegacia de Mulheres".

Um grande tema de Zélia na tevê foi "Nos Lençóis Desse Reggae", que integrava a primeira trilha do seriado "Confissões de Adolescente", na Bandeirantes. A segunda trilha trazia "Catedral".

A bela "Às Vezes Nunca", do disco "Acesso" (1998) já foi tema de novela, mas na voz de Verônica Sabino, um ano antes (Por Amor, de Manoel Carlos) A música era tema da vilã Laura (Viviane Pasmanter).

Menções honrosas também para "Toda Vez" (Torre de Babel, tema do personagem de Vitor Fasano), "Eu Me Acerto" (Coração de Estudante, tema de Clara - Helena Ranaldi) e "Quando Esse Nego Chega", tema de locação de "Ciranda de Pedra", do disco "Eu Me Transformo em Outras".

Falando desse disco, foi dele que saiu o tema do Barão (Raul Cortez) de "Senhora do Destino": "Dream A Little Dream Of Me", regravação do clássico eternizado por Ella Fitzgerald. (correção feita por Eduardo Secco)

Além de Alma, a novela O Clone (recordista em quantidade de trilhas lançadas) trazia "1800 Colinas", parceria de Zélia com Beth Carvalho, como tema do Bar de Dona Jura (Solange Couto).

Mais parcerias nas novelas: "Você Vai Ver', com Pedro Mariano, tema de "Sabor da Paixão", e "Boas Razões", com Fernanda Takai, que tocou em "Cinquentinha".

Nos seriados, tivemos Zélia ainda em "Mulher' (Código de Acesso, integrante da segunda trilha) e em "Chiquinha Gonzaga", onde vários artistas brasileiros davam "canjas" cantando o repertório da personagem título. Zélia canta "Santa"

(Apontada por Fábio Leonardo e Marcelo Ramos) 'Jura Secreta", de autoria de Sueli Costa, gravada por Zélia, foi tema de Paco (Reynaldo Gianecchini) e Preta (Tais Araújo) na novela "Da Cor do Pecado" em 2004. A faixa acabou entrando pro disco "Eu Me Transformo em Outras" como bônus. A mesma música foi tema de abertura da novela das 18h "Memórias do Amor", mas com Simone. No show "Amigo é Casa", Zélia e Simone homenageiam a canção cantando juntas!

Por fim, a inserção mais recente de nossa cantora foi na trilha da versão 2010 de Tititi, regravando o clássico "Decadance Avec Elegance"!


Ufa! Fãs da moça, mais alguma coisa? Digam-me!


Fonte das imagens: Teledramaturgia (Nilson Xavier)/Google
Fonte do vídeo: Miguel Cremonesi
Texto: Thiago Henrick



************************************

NÃO VÁ AINDA
Christiaan Oyens/Zélia Duncan

O que você quer?
O que você sabe?
Não é fácil pra mim
Meu fogo também me arde
Às vezes
Me vejo tão triste...

Onde você vai?
Não é tão simples assim
Porque às vezes
Meu coração não responde
Só se esconde e dói...

Por favor não vá ainda
Espera anoitecer
A noite é linda
Me espera adormecer
Não vá ainda
Não, não vá ainda...

Me diga como você pode
Viver indo embora
Sem se despedaçar
Por favor me diga agora
Ou será!
Que você nem quer perceber?
Talvez você
Seja feliz sem saber...

Por favor não vá ainda
Espera anoitecer
A noite é linda
Me espera adormecer
Não vá ainda
Não, não vá ainda
...



TH - Emblemática...



terça-feira, 23 de novembro de 2010

OS MUTANTES COM ZÉLIA DUNCAN: REFLEXÃO SOBRE A DESFEITA UNIÃO


Zélia: "Foi a maior aventura da minha vida"


Primeiro vamos falar dos Mutantes. Não são aqueles lá da (grotesca) trilogia-novelística da Rede Record. Trata-se da melhor banda de rock nacional - reinventiva e surtada, reconhecida e devotada por muita gente de fora como Kurt Cobain, Beck e David Bowie. Começaram na década de 60 e sua formação original contava com Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. Sua música misturava diversos ritmos brasileiros ao rock e possuia um apelo mundial, conferindo também um puta serviço ao movimento musical da Tropicália. Hinos como "Top Top", "Fuga nº II", "Ando Meio Desligado", "Panis Et Circenses" grudavam, ironicamente por serem totalmente anti-comerciais e pregarem antes de qualquer coisa o serviço necessário ao rock no país. Num dado momento, Rita se revoltou contra o caminho que as coisas tavam indo e saiu (ou foi demitida, nunca se sabe ao certo) e a banda continuou, até anunciar sua dissolução oficial ainda na década de 70.
2006: num evento em Londres dedicado à Tropicália, o quarteto Gal Costa, Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil confirmaram presença. Choveram, então, na mídia boatos de que os Mutantes voltariam e inundaram hipóteses sobre quem substituiria Rita Lee, que não topou o regresso: "Parecem um bando de velhinhos querendo garantir a aposentadoria". Liminha, produtor e responsável por grande parte do sucesso da antiga formação, também não quis. Sérgio conheceu Zélia Duncan em certa ocasião e fez o convite por telefone: "Ela parecia realmente ser uma de nós, uma mutante convicta." Zélia, hesitante, ligou pra amiga Rita Lee e só então aceitou participar, consagrando o então retorno da banda.
Os fãs, claro, se dividiram. A alegria pela volta do grupo repartiu opiniões de quem achava que seria o mico musical do milênio, ainda mais com uma cantora de voz cheia de testosterona e completamente diferente da de Rita. "A Zélia não quer nem precisa ser a Rita. Ela vai doar um pouco do seu universo pra gente na participação e isso basta"
Ficaram juntos por um ano. Além do festejado show em Londres (que rendeu um DVD), voltaram ao Brasil e fizeram grandes shows em terras tupiniquins. Um deles, este que vos fala teve o prazer de contemplar, que foi no festejado Abril Pro Rock, de 2007, em Recife.
Então começaram os problemas. Zélia já havia deixado claro que não abandonaria sua (sólida) carreira solo, apesar de proclamar com alegria em seus shows que era uma mutante com orgulho. Lembro do mico que foi, num Altas Horas com os Mutantes, que pediram pra Zélia cantar "Catedral" no meio de uma apresentação da banda (...)
Como se concluisse um ciclo, Zélia deixou a banda e isso fez com que seu ex companheiro Sérgio Dias disparasse à imprensa: "Apressei-me em julgá-la como mutante. Ela parecia tanto sê-lo. A Zélia está mais para um "transformer"". Zélia evitou comentar sobre as declarações, mas ainda assim disparou: "Parece que quem dá esse título é a rainha da Inglaterra. Quem é menos mutante é ele (Sérgio), que fica naquele mesmo lugar". Sérgio tentou desfazer o mal entendido na imprensa, mas parecia já ser tarde...
Diferenças entre os membros à parte, vamos refletir um pouco: foi válida essa participação de Zélia nos Mutantes? Fez bem à carreira dela e somou alguma coisa à veterana banda?
Quando a notícia apareceu, minha primeira reação foi a de alegria: "Putz, minha cantora favorita, cantando na minha banda de rock preferida. Que máximo!!" Vi na TV o desempenho de Zélia com eles e tudo o que consegui pensar foi que a cantora trouxe uma dignidade gritante à banda - talvez isso pode ter, num futuro momento, soado como um defeito grave, visto que arranhou um pouco a anarquia que tanto foi marca característica de Arnaldo e Sérgio. Para a carreira de Zélia, da mesma forma, houve aspectos negativos. A cantora foi taxada de oportunista e de exagero na dose midiática. Em entrevista para o site "Música do Brasil", ela comenta o fato:

"Eu não acho que exagerei não, foi como eu quis, queria passar por isso. Era um risco tão grande que até acredito que saí ilesa. No sentido artístico foi ótimo para mim. Claro que tinha gente que queria me matar porque entrei nos Mutantes, mas sempre tem gente querendo matar outras por algum motivo. Eu tive momentos de extrema alegria com os Mutantes. O show de Londres foi maravilhoso, o show de São Paulo no Monumento do Ipiranga foi histórico, teve um em Porto Alegre que foi uma loucura, fizemos ainda um show em San Francisco, incrível. Então, eu tive a oportunidade de estar no palco com aqueles caras, e vivendo o rock'n'roll já com uma carreira solo, um privilégio para mim. Mas tinha de ter saído mesmo na hora que eu saí. Se eu tinha que ter entrado? Ah, tinha. Em relação a mim mesma, sim. E para a banda foi muito importante ali naquele momento. Eles precisavam de alguém, e algumas pessoas não tinham dado certo. E quando Sérgio me conheceu, foi fulminante. Entrei numas, liguei para a Rita, ela deu força, e falei, 'cara, vou viver isso, dane-se'. Mas a segunda turnê para a Europa foi heavy. Se não fosse, eu continuaria mais um pouco só. Eu não precisava ter saído de repente. Mas eu sou uma mulher de 44 anos (na época). Chegar, por exemplo, no aeroporto de Lisboa, não ter nenhum carregador e 50 volumes para todo mundo carregar. Desculpa, não vou fazer. Não vou, mentira, porque na hora eu fiz. Eu gosto de rock'n'roll, mas da música."

Fiquemos, então, com a reflexão, e um registro da parceria que com certeza entrará para a história do rock brasileiro!



A trupe que poderia ter dado (mais) certo (ainda)



**************************************

FUGA N. II
Os Mutantes. Participação especial: Zélia Duncan

Hoje eu vou fugir de casa
Vou levar a mala cheia de ilusão
Vou deixar alguma coisa velha
Esparramada toda pelo chão
Vou correr no automóvel enorme e forte
A sorte a morte a esperar
Vultos altos e baixos
Que me assustavam só em olhar

Pra onde eu vou, ah
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou

Faróis altos e baixos que me fotografam
A me procurar
Dois olhos de mercúrio iluminam meus passos
A me espionar
O sinal está vermelho e os carros vão passando
E eu ando, ando, ando...Minha roupa atravessa e me leva pela mão
Do chão, do chão, do chão...


TH - Eu AMO essa...seja com Rita ou com Zélia!



sábado, 20 de novembro de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO #18 - Ale Moura


Saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa.

Descreve tantos sentimentos....perda, distância, amor, nostalgia por tempos que não voltam, por pessoas que não estão mais no nosso mundo ou se encontram distantes de nosso convívio diário. Dói. É um sentimento que dói pra caramba, nem que seja de uma cidade antiga que de alguma forma fez parte de nossa saga.
A dor nos corta de forma bem cruel às vezes. Então a saudade se torna parceira mais fiel da melancolia e pega mesmo no nosso pé, até a eliminarmos de alguma forma: matando-a quando possível ou nos conformando.
Minha relação com a Lê tem muito disso. Eu sinto muita falta de momentos que “não vivemos”. Difícil de entender? O fato é que entre minha mana e eu sempre houve muito mais “vontade” de viver junto do que isso realmente aconteceu. Tivemos fases mais próximas, experimentamos por um curto tempo o convívio cotidiano e junto mas, infelizmente, os acontecimentos e as pessoas nos fizeram passar a maior parte de nossas vidas distantes. Mas ainda assim vivo sentindo falta!
Talvez por isso não me seja custoso dizer que a amo com tanta dificuldade como (não) faço com parentes mais próximos. A gente não deveria ser assim – é reconfortante dizer pra quem se ama o quanto se ama e isso faz um bem enorme. Por mais que atitudes falem mais do que palavras, estas são bem vindas a qualquer tempo e circunstância...
Voltando à protagonista carioca da seção de hoje, a verve musical sem dúvidas é o elemento que mais nos une e hoje, dia de seu aniversário, trago-a para dar sua (ótima) dica aos leitores do EnTHulho Musical. Recomendo de olhos fechados e morrendo de vontade de dar um dos maiores calorosos abraços de saudade nela :´(
FELIZ ANIVERSÁRIO!!

P.s.: Ela não topou aparecer na foto sozinha ou colocar seu nome completo. É cheia de reservas com o mundo virtual, como outros amigos que já passaram por essa seção. O vídeo abaixo da música foi criado especialmente para a música por Dan MCphee, o "Menino Cheio de Imaginação", dono do http://www.alfarrabiodomeucoracao.blogspot.com/ . Mais um adepto da discrição da internet! =p




Brincadeira com a letra da música



Responder uma pergunta como essa foi desafiador.
Apontar uma música que me marcou a vida é sinônimo de liquidificar todos os meus momentos. São tantas músicas, artistas e emoções vivida em cada fase que eleger apenas um representante se torna impossível. E isso se agrava por eu ter uma relação sublime com poesias musicais desde pequenininha...
Eu poderia citar as mais belas letras e melodias de Toquinho e Vinícius, dupla imbatível na vivência de tantos admiradores de boa música. Poderia escolher a atitude e rebeldia de Cazuza, aquele típico ídolo de se ter posters ou colecionar fotos, sem nem ter assimilado a importância que seu comportamento inquieto teve pra desbancar o sistema (eu era uma pirralha e estava mesmo era apaixonada por ele! Rssss). Ou ainda relembrar de sucessos fofinhos de Kid Abelha, que embalaram as primeiras batidas mais fortes de meu coração por alguém...talvez mencionasse inclusive Gil e Caetano, que aprendi a amar com louvor graças aos adultos com quem quando criança mais sempre conversava, até do que com outros de minha idade.
Mas, quer saber? Memória musical que marca mesmo é a infantil e quando me recordo de bons momentos, eu sempre busco na “telinha interior” todas as cantigas que costumava ouvir quando pequena. Dentre elas, uma me fazia sambar de verdade!!! Samba lelê é acertadamente a música que mais me marcou, em qualquer versão. O curioso é que passei um boooooooom tempo “brincando de adulta” que simplesmente esqueci-me da existência da canção. Ao assistir um show do Zé Renato, ele começou a cantá-la e senti um verdadeiro “arrepio” de nostalgia. Acompanhando com o pezinho e delirando de emoção. Acho que o conceito de “música que nos marcou” é algo próximo disso!
Samba lelê é uma cantiga bonita, despreocupada e feliz. Uma verdadeira criança que quer brincar de roda. Que os pequenos de hoje sintam essa energia contagiante e batam palma junto, aplaudindo a melhor fase de suas vidas!

ALÊ MOURA



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SAMBA LELÊ
Cantiga popular. Versão: Zé Renato

Samba Lelê está doente
Está com a cabeça quebrada
Samba Lelê precisava
É de uma boa lambada

Samba, samba, samba ô Lelê
Samba, samba, samba ô lalá
Samba, Samba, Samba ô lelê
Pisa na barra da saia ô Lalá!


TH - Recordar é mesmo viver!


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