A volta da nossa seção mensal de novidades. Aos poucos o blogue vai retomando tudo o que era :)
UM ABRAÇAÇO PELO PRÊMIO!
Quando Caetano lançou o álbum "Abraçaço" (em 2012, período no qual o EnTHulho estava inativado), vi muita gente falando que ele tinha virado "uma bicha velha, que andava falando muita besteira", e o disco foi um sucesso de repercussão, com shows lotados. Dois anos depois, o Leão da MPB é indicado a diversas categorias para o Grammy latino. Perdeu para Enrique Iglesias com "A Bossa Nova É Foda". Faturou, contudo, o prêmio mais relevante relacionado à música brasileira dentro da premiação, o de Melhor Canção Brasileira, com a mesma “A Bossa Nova É Foda”. Caetano, queridos, está em plena forma (musicalmente falando, pelo menos), e quem anda falando besteiras são vocês!
SENTE A POTÊNCIA DO TRIO!
Mônica Salmaso, Lenine e Zélia Duncan!
Quando e onde? Ontem, 25/11, no Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), foi o espetáculo de encerramento da Série de Concertos Internacionais, na Sala São Paulo. No palco, além dos três, tivemos o português Antônio Zambujo e todos foram acompanhados pelos vencedores do Melhor Álbum de Jazz no Grammy Latino, o Trio Corrente, além de participação do Quarteto de Cordas Tucca. No repertório, grandes clássicos da música popular brasileira, com canções de Tom Jobim, Edu Lobo e Chico Buarque.
ALGUÉM AÍ CHAMOU O SÍNDICO?
Demorou, mais saiu! E anda sendo bem elogiado o filme em homenagem a Tim Maia. Não assisti, mas tenho ouvido toda sorte de opinião, desde engraçado, a emotivo e "do caralho" (para acentuar bem uma das mais marcantes características do artista, o desbocamento). Alguém aí tem mais alguma opinião para expressar nos comentários? O filme, lançado no fim do mês passado, foi adaptado e dirigido por Mauro Lima, baseado nos livros Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia de Nelson Motta Empolgado!
E POR FALAR NISSO...
Já perceberam como aumentou DEMAIS o número de homenagens a músicos nos últimos anos? E nesse 2014, então? Rita Lee, Raul Seixas, Tim Maia, Cássia Eller...eu tenho uma opinião diferente dos que consideram isso um mero oportunismo. Eu creio, no sentido mais polianístico possível, que é uma maneira genuína e efetiva de manter a (boa) música viva em nossos corações...e que venham muito mais! Só recomendo que não façam apenas com músicos póstumos...
E AÍ, ESTÃO ASSISTINDO?
Globo De Ouro Palco Viva, que retornou no dia 17/11, e fica só mais essa semana. A intenção do programa foi boa, uma série de homenagens musicais aos clássicos do programa de paradas da Globo dos Anos 70, 80 e 90, com direito a seus grandes "medalhões", não esquecendo, contudo, da música (!!) contemporânea. A questão é: deu certo? Penso em fazer uma matéria sobre o programa, com minhas impressões. O que acham?
"Achei forte, e pesado", disse outra (sobre o censurado clipe de "Moon". Aliás, louvo o VEVO por permitir sua exibição, que sirva de exemplo para as gravadoras).
"Achei demais, nem parece música brasileira", Derrapou outra.
Em meio a opiniões plurais, uma segue uníssona: o xará é criativo. É novidade na música brasileira.
Só que essa "novidade" já chega a seu terceiro álbum, "Rock’n’roll Sugar Darling", lançado há duas exatas semanas. E a quantidade de pessoas que não conheciam seu trabalho é imensa, uma vez que suas divulgações tem sido praticamente (apenas) virtuais.
Sobre o álbum, eu, que acompanho seu trabalho desde 2012, fiquei satisfeito com a ausência de pudores em arriscar. E também com a decisão camaleônica, propondo-se, aqui, a assumir um lado rock de verdade, sem culpa, sem a necessidade de parecer MPB-Cult. Essa ausência total de vínculos e rótulos me faz ser ainda mais fã.
" Eu não diria que estas coisas sejam elementos cênicos. Elas são a expressão artística daquilo que eu sou. Não é um personagem. Essas ideias, essa encenação e até mesmo essa afetação, são propostas visuais, mas são também o meu conteúdo existencial e, sobretudo, sonoro. Portanto, uma coisa não só interfere na outra, como faz parte uma da outra. Afetação é sinônimo de amaneirado e malicioso, deriva do verbo afetar, impressionar, sensibilizar e é antônimo de do que é natural, simples e singelo. Porque me incomodaria? Esse é o questionamento que eu faria a quem acha que isso seria um rótulo desagradável. Porque a afetação ‘assusta’ ou ‘incomoda’ tanto? Ela incomoda aos outros, não a mim. Eu sou afetado. O meu som é afetado. Propositadamente afetado. Se me rotularem como tal, será um ponto pro meu time. A afetação é uma das minhas armas, sonora e artística, contra uma música e um mercado cultural que produz heróis desafetados e desinfetados, prontos para estrelar um comercial de margarina, uma campanha antitabagista, pró-saúde, família e propriedade." , revelou, ao "Cultura PE", ano passado.
Bom, ainda não foi dessa vez que o EnTHulho Musical conseguiu entrevistá-lo, mas não iremos desistir. Por ora, que tal (re)ouvirmos o primeiro single do novo disco do "Romeu" da música?
ROMEO
Thiago Pethit
Baby, eu acho foda quando você passa Vejo um mundo em chamas E eu sou tua fumaça E eu não sei pedir que queime devagar Mas eu sei muito bem aonde quero chegar
Baby quando eu te vi eu não soube dizer Se queria matar ou se queria meter Você foi o mais perto que eu cheguei de morrer E se for pra morrer eu vou, eu vou, eu vou
Oh Romeo Romeo Romeo Ah Romeo Romeo Romeo Ah ha Romeo Romeo Romeo Ah ha Romeo Romeo Romeo
Esse teu jogo é sujo desde o começo Isso pouco importa, mas por isso eu te peço Quero entrar no teu carro e fugir com você Você foi o mais perto que cheguei de morrer.
Disparada como a melhor seção do EnTHulho Musical, o "Amigo Musical Convidado" está de volta, primeiro para publicar alguns textos que ficaram pendentes aqui no blogue. Desde já peço desculpas aos queridos que me enviaram seus relatos com tanto carinho, pela demora na publicação. E, também desde já, recruto novos amigos para compartilharem suas memórias musicais nesse nosso espaço afetivo!
Para (re)começar com o pé direito, o primeiro depoimento da nova fase do blogue pertence ao dono do excelente "O Cabide Fala": Fábio Dias!
O Fábio veio do interior de SP (São José Do Rio Preto), e mora há anos na capital paulistana, e, segundo o próprio "eu me encontrei aqui. Não me vejo morando de novo no interior".
O seu Cabide Fala é um site cultural bem diversificado, onde você encontra novidades do ramo artístico (teatro, tv, cinema, etc), entrevistas, comentários, críticas, tudo bem escrito, em postagens bem ricas. Certamente, seu maior diferencial (e cartão de visita) são as análises de audiência das novelas e programas televisivos. Não são apenas números - o Fábio faz questão de analisar o contexto das tramas, de explicar que "tal pico de audiência teve como razão a reviravolta na trama X", e por aí vai. Em meio a tantos sites e blogues televisivos, convém destacar o talento do rapaz em oferecer um tratamento diferenciado ao tema.
Falando da "pessoa Fábio" (e, como sabem, o EnTHulho gosta de analisar seus participantes), apesar do pouco contato pessoal e virtual, vejo o Fábio como um rapaz bem esforçado, tranquilo e até com uma sutil ingenuidade com a qual me identifico bastante. Ele é aquele que quer que "todo mundo fique bem", e transita amigavelmente até por grupos que não tem afinidade entre si. O Fábio é exatamente este: aquele amigo do colégio que, mesmo que fique sem grupo numa eventual divisão da classe para realizar trabalhos de equipe, para ele nunca haverá tempo ruim. Vai na boa, afina-se com facilidade e segue!
Outrossim, em nossa última conversa, revelou-se bem amadurecido (pelas porradas que levou da vida) e revisou o texto que havia escrito pra mim em 2011, sustentando que "estava meloso demais". Mas, caro Fábio, digo-lhe que, ainda que estivesse assim, melosidade não é indício de fraqueza. É traço característico que denota grande sensibilidade, e isso, meu amigo, é virtude :)
Passo a palavra ao rapaz, que elegeu essa canção do Legião Urbana, na voz da saudosa Cássia Eller, como sua!
Fui pego de surpresa, quando Thiago me chamou para participar desse nobre espaço atendido pelo nome de EnTHulho. Foi nosso primeiro contato, e por isso uma honra pra mim. Mas perguntei curioso: O que devo fazer? Ele: Basta você escolher uma música brasileira que te marcou por qualquer motivo e escrever sobre ela e sobre o porquê de ter marcado tanto. Então vamos lá, eu talvez diferente de da maioria, não tenho um artista pelo qual eu sou fã, e sigo e compro CDs, não! Eu gosto de tudo, ou quase tudo! Na era antiga, antes de surgir o mp3, eu era colecionador de trilhas sonoras de novelas, filmes, mas raramente comprava um cd de uma cantora. Mas uma vez comprei um da Cássia Eller, e não imaginava que essa aquisição iria marcar tanto um período de minha vida.
Acho que todo mundo quando começa uma namoro, um romance, acaba selecionando algumas músicas e diz ser a trilha sonora do casal. Ou será somente eu assim? As músicas que falam do sentimento mais nobre O AMOR, sempre conquistam os mais românticos e eu ainda sou um. Vivi intensamente uma história, e um dia acabou. Foi uma fase muito difícil, calma, não entrei em depressão, mas, fiquei com aquela dor que apenas quem viveu sabe. E na época, mas precisamente em 2004 a música que embalava essa dor era “Por Enquanto”, e um trecho que me emocionava, era um trecho que diz o que todos os casais acreditam e prometem quando começam ou vivem uma intensa relação: “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar Que tudo era pra sempre Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba”. Quem nunca acreditou nisso quando amou? Eu sempre ouvia essa música quando saia do trabalho a noite, indo pra casa. No final da música me emocionava ainda mais, pois terminava assim: “Mesmo com tantos motivos Pra deixar tudo como está Nem desistir, nem tentar agora tanto faz Estamos indo de volta pra casa.” Quando a música terminava, eu a voltava ao início. Fase difícil essa. Apenas quem passou por isso, sabe como é! Sempre quando ouço a música novamente, as memórias voltam, assim como contei.
Pesquisando sobre Cássia Eller pude notar que o currículo dela em trilhas sonoras de novelas é extenso, e fui informado pelo TH que essa música faz parte de PORTO DOS MILAGRES 2, não lembrava. O curioso é que até hoje mesmo após sua viagem eterna, ela continua presente em trilhas. Emocionando.
Muito obrigado pelo convite Thiago!
Agora me diz, já viveu algo parecido?
Como foi?
Fábio Dias (www.ocabidefala.com)
Por Enquanto Cássia Eller Composição: Renato Russo
Mudaram as estações, nada mudou Mas eu sei que alguma coisa aconteceu Ta tudo assim tão diferente Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar Que tudo era pra sempre Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba Mas nada vai conseguir mudar o que ficou Quando penso em alguém só penso em você E aí, então, estamos bem Mesmo com tantos motivos Pra deixar tudo como está Nem desistir, nem tentar agora tanto faz Estamos indo de volta pra casa Mesmo com tantos motivos Pra deixar tudo como está Nem desistir, nem tentar agora tanto faz Estamos indo de volta pra casa
"Sim, andei sumida até de mim. Eis-me aqui p/ agradecer o carinho de todos vocês e dizer que doravante (essa palavra é do onça!) vamos usar cá este cantinho para postar minhas eventuais 'meditabundanças'. Gracias muchas. Amocês!" Rita Lee - 17/11/2014"
E você estranhando a ausência dela no Globo de Ouro Palco Viva, no dia 17/11. Mas ali, caríssimos, ela foi muito bem representada por Tulipa Ruiz :)
Em todos esses anos de EnTHulho Musical, olha o crime: nunca pus a talentosíssima baiana Márcia Castro por essas bandas.
Vamos com ela, então, para fazer um merecido "mea culpa". Música belíssima de Gui Amabis, produtor do disco "Das Coisas Que Surgem", lançado em Agosto deste 2014!
ESCULACHO [Márcia Castro]
E de manhã o esculacho
E ao meio dia você bate a porta
Pra me mostrar que eu estava errado
Melhor seria se tivesse dito
Eu vim de muito longe... pra lhe encontrar
E faço um puta esforço... pra lhe entender
E meus amigos bem que me avisavam
Em discussões quase sem destino
E certas coisas são inesplicáveis
Ainda mais sobre o amor extinto
Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender
Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender
E de manhã o esculacho
E ao meio dia você bate a porta
Pra me mostrar que eu estava errado
Melhor seria se tivesse dito
Eu vim de muito longe... pra lhe encontrar
E faço um puta esforço... pra lhe entender
E meus amigos bem que me avisavam
Em discussões quase sem destino
E certas coisas são inesplicáveis
Ainda mais sobre o amor extinto
Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender
Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender
TH - Aos poucos, o nosso carro musical vai reengrenando!
Expressa exatamente essa nova fase: simples e especial. Despretensioso. Um lugar delicioso para dissertarmos sobre música.
Coloquei no plural, porque eu quero E MUITO a participação de vocês, também. Muitos amigos convidados virão.
Muitos me enviaram textos e não tiveram os mesmos publicados por causa da parada do blogue (puta descaso meu), mas os amigos musicais convidados virão com força!
Para pontuar bem esse recomeço, publico, aqui, um texto enviado em 2011 pela minha amiga poetisa capixaba Carmem Silvia Presotto, coordenadora da Editora Vidráguas . Reli meus arquivos antigos e encontrei, neste belíssimo texto recheado de referências musicas, o que estava precisando pra retornar, sobretudo no título. A sensação que tive, sem nenhuma falsa modesta, foi a mesma que um intérprete que encontra uma jóia (composição) maravilhosa, mas que por algum acaso da vida ela estava guardada. Talvez para ser usada no momento certo, pela pessoa certa ;)
A Carmen é uma maravilha de se ler, sempre teve a sensibilidade como seu maior trunfo, e conseguiu uni-la à música muitíssimo bem neste texto. Eu a conheci pelo EnTHulho Musical, e hoje tenho o grande prazer de tê-la por perto.
E é com você, Carmen, que marco minha reestreia musical. Muitíssimo obrigado!
muDanças para não cair no esquecimento
por Carmen Presotto
Ah, Be My Baby! Calças arrastando pelo chão, cara lavada, pachuli, flores na cabeça, tênis ou tamanco?
Andar desleixado, épocas duras, fugas.
Ditadura!
Andar desleixado…irreverência…continência!
Podres Poderes!
Brasil grande, para alguns até demais…
Imensas fronteiras, incríveis barreiras…
Apesar de Vocês!
Amamos, suamos, cantamos, dançamos, driblamos, não desbrasileiramos…
E aqui ficamos, catando mudança
De Baixo Dos Caracóis,
esperançosos de que havia baianos em dança inglesa,
beatlemaniamente saudosos e confiantes de que o
Haiti Não Fosse Aqui.
E o tempo passou na janela, no corredor, na rua, na calçada, no relógio e na fachada só Carolina não viu a marcha da Banda em Disparada, mostrando caras e bichos, pão bacana, gente sacana, livre ou em xilindró, loucos por um papo firme, enquanto canários rolavam a bola e ficava mais fácil dizer Eu Te Amo Meu Brasil, verde, amarelo, preto, branco e vermelho por tantos Quereres.
Corajosamente alguém grita:
Brasil Mostra Tua Cara!
Sem medo sejas um Super Homem…
E todas as marias, alices, anas, Mulheres e Bete Balançaram, soltaram, desenfrearam os novos Pedros Pedreiros já em Construção e o Cotidiano em suas Andanças e Travessias melhorou…
E então, tudo Vai Passar.
Ah, psiu a Gente Não Quer Só Comida…
Carmen Silvia Presotto, Dobras do Tempor, Vidráguas.
Espero que vocês, mais uma vez, se divirtam. Sejam muito bem vindos nesse novo show!
Grandes artistas referem-se ao ensaio que antecede o show como o "momento de se estar íntimo com o medo". Lá, nos ensaios, eles podem errar. Podem se permitir ao convívio com seus receios, suas inseguranças e limitações.
Na verdade, para uns, o ensaio nada mais é que uma grande alegria, parte do chamado. Já para outros, é uma tortura, é maçante, desnecessário ou até perda de tempo. Naturalmente, estes últimos são pessoas mais imediatistas, ansiosas e afobadas.
Eu me enquadro, contudo, no primeiro grupo, como uma pessoa que se prepara demais, e tem todas as oportunidades de errar, mas que não quer fazer feio na hora H, na hora que vale, no show. Mas descobri que me realizo muito mais no momento prévio ao espetáculo, pois ali, consigo ser eu mesmo, cada vez mais envolvido particularmente com meus próprios defeitos e imperfeições. Se grandes nomes de nossa música bem soubessem, registrariam muito mais os momentos dos bastidores do que o requinte final (não por acaso, eu A-MO ver os bastidores dos shows em DVD, pois ali, o contato "carne e osso" com o intérprete é garantido).
Pra que, oras, essa lenga lenga toda? É que, quando resolvi dar um "pause" no EnTHulho Musical (em Janeiro de 2012), não dei nenhuma justificativa ao público do Blogue (que estava crescendo bastante, a cada mês). Eu senti que não estava "dando" o merecido destaque às postagens como se fazia necessário. Também nunca o excluí - o blogue permaneceu ativo por muito tempo, e para a minha surpresa, com cada vez mais seguidores e visitantes. O motivo da parada e o motivo de nunca tê-lo excluído é o mesmo: estou no ensaio. Não me senti preparado para apresentar o espetáculo que o público merecia, porém nunca desisti dele. Nesse meio termo (que dura quase dois anos, diga-se de passagem), trabalhei, lutei por sobrevivência, estudei, enfim, fui "humano". Errei e me decepcionei trocentas vezes, na vida real. Acertei em diversos pontos, também. O aprendizado foi plural. E, se mantive o blogue inativo nesse período, é porque saberia que minha paz seria retirada se colocasse algo "meia-boca" "apenas para postar".
Tive alguns prejuízos. Alguns amigos musicais convidados que me enviaram texto se frustraram (com razão), por não vê-los publicados, e isso me deixou muito mal.
Pois bem, comunico, neste texto longo, que o ensaio está terminando e o blogue EnTHulho voltará ao ar, dessa vez de verdade! Definirei alguns detalhes de conteúdo, lay out, como será a abordagem nessa nova etapa do blogue (sim, pois voltar diferente sempre é melhor), e quero agradecer a todos que, nesse período de inatividade, sempre me perguntaram quando o blogue voltaria, pois sentiam saudades imensas desse universo musical que tanto nos uniu!
Para não perder o costume, fecharemos essa postagem com MÚSICA, uma bem propícia para o momento!
Saudações!!!!
P.s.: Esse post é dedicado, dentre outros amigos, aos queridos Ivan Gomes e Fabio Dias. Eles saberão o porquê. :)
Em discussão sobre MPB certa vez com um colega, ele me fez a seguinte observação:
"Aposto que se Elis fosse viva, ela teria embregado na carreira pra se tornar mais popular. Teria "Michael Sullivanado" igual à Gal!"
Lógico que discordei. Discordei por afetividade mesmo. Posso até estar enganado, mas meu lado admirador e fã incondicional de Elis Regina jamais imaginaria que ela se venderia. na contramão de minha tese de defesa, vão as declarações da própria, ao gravar "Romaria", sobre o preconceito que as pessoas tinham por ela ter feito uma gravação tão popular. Logo ela, tão "elite" e refinada...ocorre que Elis Regina transpõe no que grava uma plenitude tamanha que se assemelha a uma oração. Revendo meus conceitos no referido debate musical, hoje penso que, mesmo se tivesse se popularizado mais nos dias de hoje, faria com uma dignidade tão grande que deixaria no chinelo tantas outras que se perderam no meio de campo de suas carreiras (Fafá, Simone, a própria Gal...).
Elis é Elis. Sem mais...
O EnTHulho Musical orgulhosamente apresenta a nova artista do mês, em data extremamente propícia: 30 anos após sua morte!
BIOGRAFIA RESUMIDA
Para muitos, Elis foi a maior cantora brasileira de todos os tempos. Incomparável em técnica e garra, a "Pimentinha", o "Furacão Elis", como era chamada, lançou compositores como João Bosco e Aldir Blanc, Renato Teixeira, Fátima Guedes. A primogênita do casal Romeu Costa e Ercy Carvalho Costa foi a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos.
Em 1956, passou a integrar o elenco fixo do programa, Clube do Guri, da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Em 1959, assinou seu primeiro contrato profissional com a Rádio Gaúcha também de sua cidade natal.
Em 1965, venceu o 1º. Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior) com "Arrastão" (Edu Lobo e Vinícius de Morais). Dois dias depois, estreou no Teatro Paramount (SP) o show "Elis, Jair e Jongo Trio", que, gravado ao vivo, se tornou o LP "Dois na Bossa". Com sucesso do disco, ela e Jair Rodrigues estrelaram o histórico programa semanal "O Fino da Bossa".
O programa saiu do ar em junho de 1967, porém, Elis continuou ao lado de Jair Rodrigues nos três programas da série "Frente Única - Noite da MPB" (TV Record). Em dezembro, aos 22 de idade, casou-se com Ronaldo Bôscoli, 16 anos mais velho. Logo, nasceu seu primeiro filho, João Marcelo.
O casamento terminou em 1972 e, em 1974, casou-se com o pianista César Camargo Mariano. Viveu em São Paulo, onde nasceram: Pedro, em 1975; e Maria Rita, em 1977. Em 1981, separou-se de César.
Sua carreira internacional ficou mais importante a partir de 1968, quando cantou nas TVs inglesa, holandesa, belga, suíça e sueca. De volta à TV Record, em 1969, fez a série de programas "Elis Studio", dirigida por Miéle e Bôscoli. Em maio, viajou para Londres, onde gravou um LP com o maestro inglês Peter Knight. Em junho, na Suécia, gravou um LP com o gaitista Toots Thielemans.
"Elis & Tom", disco com Tom Jobim, saiu em 1974. Na inauguração do Teatro Bandeirantes (SP), cantou ao lado de Chico Buarque, Maria Bethânia, Tim Maia e Rita Lee. No ano seguinte, lançou "Falso Brilhante", em disco e nos palcos, show que assistido por 280 mil pessoas.
Pela TV Bandeirantes, em 1979, demonstrou a sua intimidade com São Paulo em um programa no qual passeava pela cidade com Adoniran Barbosa e visitava Rita Lee. E participou do Show de Maio, com renda revertida para o fundo de greve dos metalúrgicos de São Paulo, no estúdio da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, para 5 mil pessoas.
Naquele ano, gravou "O Bêbado e a Equilibrista", imediatamente apelidado de "Hino da Anistia". No 13º Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, foi aplaudida por 11 minutos. Para agradecer a platéia, fez uma jam session com Hermeto Pascoal.
Em 1980, o show "Saudade do Brasil" reuniu no palco 24 músicos e bailarinos. No ano seguinte, fez o espetáculo "Trem Azul", com cenário de Elifas Andreato. Teve morte repentina, em 19 de janeiro de 1982. Foi velada no Teatro Bandeirantes, e vestia a camiseta proibida pela ditadura militar no show "Saudade do Brasil": a bandeira brasileira, com seu nome escrito no lugar de "Ordem e Progresso".
ENTREVISTA PARA A REVISTA MANCHETE (Início de 1981)
Dizem que o Fábio Jr. veio com você nesta viagem a Los Angeles, e que ele também está incluído nos planos de Wayne Shorter. É isso ou há mais coisa?
Elis – Não é nada disso
Mas você conhece o Fábio?
Elis – Conheci. Mas nem sei se ele está nos Estados Unidos
Como surgiu a idéia de gravar com Wayne Shorter?
Elis – Surgiu quando eu estava no Japão. Ele então me convidou para fazermos um disco juntos., mas não pensei que isso acontecesse tão de repente assim. No Natal, liguei para Wayne desejando-lhe felicidades e ele me disse para pegar o primeiro vôo e vir para Los Angeles. E aqui estou, na casa dele. E também passei um bom fim de semana e Nova York
É a primeira vez que vem aos Estados Unidos?
Elis - É. Eu e Wayne devemos ir ao Brasil em fevereiro, a fim de fazermos a pré-produção. Em março, estaremos gravando. Em abril, a gente volta para Los Angeles para os aparatos finais: capa, mixagem, essas coisas todas.
O disco será em inglês ou português?
Elis – A gente ainda não sabe direito. Wayne campôs muitas canções, ainda sem letras. No momento é isso que estamos discutindo e planejando.
Wayne compôs especialmente para você?
Elis – Foi. São músicas lindíssimas. Estou muito emocionada, tanta coisa começou a acontecer ao mesmo tempo...Tenho certeza que agora minha vida vai mudar. Estou pulando inteirinha. Vibrando.
Mas antes você afirmou que não queria mais compromisso com nada...
Elis – Quero dizer, apenas estou livre, leve e solta...na vida. Vou morar no centro de São Paulo., de novo. Já tenho um pequeno apartamento no Rio, devo alugar outro em São Paulo e mais um em Nova York.
Você deve saber que em Nova York a colônia brasileira é pequena e a fofoca não deixa de existir. Lembra-se do caso de Roberto Carlos?
Elis – Pois é. Mas no Brasil a mesma coisa está acontecendo comigo. Eu fico tranqüila, sob controle. Ninguém vai fazer da minha vida uma novela. Não vou sair da minha estrada por causa de fofocas. Sabe, quem paga minhas contas sou eu. (...) Alguma coisa está mudando em minha vida. Mas ainda nãos ei para onde vou. Sei apenas que não sou mais a mesma pessoa.
Saberia definir essa nova pessoa?
Elis – Não sei para onde ela está indo. Tudo leva a crer que será uma pessoa legal.
É uma espécie de renascimento seu?
Elis – Não. Starting over...just like starting over, como dizia Lennon. Sei apenas que estou na metade do caminho, há ainda uma porção de coisa a ser feita. Eu me soneguei muito. Agora apareceu, está na minha frente e eu preciso domar o bicho. Tenho de domar a fera. Olha, viver é a melhor coisa do mundo...É ótimo!
JÁ ABAIXO, PRA QUEM É HIPER FÃ DE VÍDEOS, DUAS DAS QUE CONSIDERO MELHORES ENTREVISTAS DE ELIS, PARA O PROGRAMA ENSAIO
DISCOGRAFIA
1961 - Viva a Brotolândia
1962 - Poema de Amor
1963 - Elis Regina
1963 - O Bem do Amor
1965 - Samba - Eu Canto Assim
1966 - Elis
1969 - Elis - Como e Porque
1970 - Em Pleno Verão
1971 - Ela
1972 - Elis
1973 - Elis
1974 - Elis & Tom (com Antônio Carlos Jobim)
1974 - Elis
1976 - Falso Brilhante
1977 - Elis
1979 - Essa Mulher
1980 - Saudade do Brasil
1980 - Elis
"Minha música sai natural e espontânea. Eu faço cara feia, sou exagerada nos gestos? E eu com isso? É um problema de quem o acha. Eu sinto as coisas assim e eu simplesmente recorro a isso tudo porque às vezes a palavra não é suficiente para demonstrar as pessoas tudo que se quer dizer, não tem força para isso. O gesto é meu, o repertório quem escolhe ou eu, as letras, as músicas e tudo mais também refletem muito de mim.Música para mim é a única razão de ser, minha vida gira toda em função dela. (…)
O público é um negócio tão bacana, espera algo da gente, com olhos de pidão, eu nada mais posso fazer além de procurar satisfazê-lo. Meu carinho é tão grande, que não posso definir. Sinto-o apenas. E só posso dizer: muito obrigada e até a volta em março. Prometo tudo de mim."
CARTOMANTE
Ivan Lins. Vitor Martins
Nos dias de hoje
É bom que se proteja
Ofereça a face a quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranquilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares esqueça os amigos
Não pare nas praças não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não Ponha o dedo na nossa ferida... Ah...
Nos dias de hoje
Não lhes dê motivo
Porque na verdade
Eu te quero vivo
Tenha paciencia
Deus está contigo
Deus está conosco
Até o pescoço
Já está escrito
Já está previsto
Por todas videntes
Pelas cartomantes
Está tudo nas cartas
Em todas as estrelas
No jogo dos Buzios
E nas profecias... ah...
Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!
Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada...