quinta-feira, 20 de novembro de 2014

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 39 - Fábio Dias!



Disparada como a melhor seção do EnTHulho Musical, o "Amigo Musical Convidado" está de volta, primeiro para publicar alguns textos que ficaram pendentes aqui no blogue. Desde já peço desculpas aos queridos que me enviaram seus relatos com tanto carinho, pela demora na publicação. E, também desde já, recruto novos amigos para compartilharem suas memórias musicais nesse nosso espaço afetivo!

Para (re)começar com o pé direito, o primeiro depoimento da nova fase do blogue pertence ao dono do excelente  "O Cabide Fala": Fábio Dias!

O Fábio veio do interior de SP (São José Do Rio Preto), e mora há anos na capital paulistana, e, segundo o próprio "eu me encontrei aqui. Não me vejo morando de novo no interior". 

O seu Cabide Fala  é um site cultural bem diversificado, onde você encontra novidades do ramo artístico (teatro, tv, cinema, etc), entrevistas, comentários, críticas, tudo bem escrito, em postagens bem ricas. Certamente, seu maior diferencial (e cartão de visita) são as análises de audiência das novelas e programas televisivos. Não são apenas números - o Fábio faz questão de analisar o contexto das tramas, de explicar que "tal pico de audiência teve como razão a reviravolta na trama X", e por aí vai. Em meio a tantos sites e blogues televisivos, convém destacar o talento do rapaz em oferecer um tratamento diferenciado ao tema. 

Falando da "pessoa Fábio" (e, como sabem, o EnTHulho gosta de analisar seus participantes), apesar do pouco contato pessoal e virtual, vejo o Fábio como um rapaz bem esforçado, tranquilo e até com uma sutil ingenuidade com a qual me identifico bastante. Ele é aquele que quer que "todo mundo fique bem", e transita amigavelmente até por grupos que não tem afinidade entre si. O Fábio é exatamente este: aquele amigo do colégio que, mesmo que fique sem grupo numa eventual divisão da classe para realizar trabalhos de equipe, para ele nunca haverá tempo ruim. Vai na boa, afina-se com facilidade e segue!

Outrossim, em nossa última conversa, revelou-se bem amadurecido (pelas porradas que levou da vida) e revisou o texto que havia escrito pra mim em 2011, sustentando que "estava meloso demais". Mas, caro Fábio, digo-lhe que, ainda que estivesse assim, melosidade não é indício de fraqueza. É traço característico que denota grande sensibilidade, e isso, meu amigo, é virtude :)

Passo a palavra ao rapaz, que elegeu essa canção do Legião Urbana, na voz da saudosa Cássia Eller, como sua!


Fui pego de surpresa, quando Thiago me chamou para participar desse nobre espaço atendido pelo nome de EnTHulho. Foi nosso primeiro contato, e por isso uma honra pra mim. Mas perguntei curioso: O que devo fazer? Ele: Basta você escolher uma música brasileira que te marcou por qualquer motivo e escrever sobre ela e sobre o porquê de ter marcado tanto. Então vamos lá, eu talvez diferente de da maioria, não tenho um artista pelo qual eu sou fã, e sigo e compro CDs, não! Eu gosto de tudo, ou quase tudo! Na era antiga, antes de surgir o mp3, eu era colecionador de trilhas sonoras de novelas, filmes, mas raramente comprava um cd de uma cantora. Mas uma vez comprei um da Cássia Eller, e não imaginava que essa aquisição iria marcar tanto um período de minha vida.


Acho que todo mundo quando começa uma namoro, um romance, acaba selecionando algumas músicas e diz ser a trilha sonora do casal. Ou será somente eu assim? As músicas que falam do sentimento mais nobre O AMOR, sempre conquistam os mais românticos e eu ainda sou um. Vivi intensamente uma história, e um dia acabou. Foi uma fase muito difícil, calma, não entrei em depressão, mas, fiquei com aquela dor que apenas quem viveu sabe. E na época, mas precisamente em 2004 a música que embalava essa dor era “Por Enquanto”, e um trecho que me emocionava, era um trecho que diz o que todos os casais acreditam e prometem quando começam ou vivem uma intensa relação: “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar Que tudo era pra sempre Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba”. Quem nunca acreditou nisso quando amou? Eu sempre ouvia essa música quando saia do trabalho a noite, indo pra casa. No final da música me emocionava ainda mais, pois terminava assim: “Mesmo com tantos motivos Pra deixar tudo como está Nem desistir, nem tentar agora tanto faz Estamos indo de volta pra casa.” Quando a música terminava, eu a voltava ao início. Fase difícil essa. Apenas quem passou por isso, sabe como é! Sempre quando ouço a música novamente, as memórias voltam, assim como contei.


Pesquisando sobre Cássia Eller pude notar que o currículo dela em trilhas sonoras de novelas é extenso, e fui informado pelo TH que essa música faz parte de PORTO DOS MILAGRES 2, não lembrava. O curioso é que até hoje mesmo após sua viagem eterna, ela continua presente em trilhas. Emocionando. 


Muito obrigado pelo convite Thiago!


Agora me diz, já viveu algo parecido?
Como foi?

Fábio Dias (www.ocabidefala.com)







Por Enquanto
Cássia Eller
Composição: Renato Russo

Mudaram as estações, nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Ta tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém só penso em você
E aí, então, estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa


TH - :)




quarta-feira, 19 de novembro de 2014

RITOCA MANDA RECADO.




"Sim, andei sumida até de mim.
Eis-me aqui p/ agradecer o carinho de todos vocês e dizer que doravante (essa palavra é do onça!) vamos usar cá este cantinho para postar minhas eventuais 'meditabundanças'.
Gracias muchas. Amocês!"
Rita Lee - 17/11/2014"


E você estranhando a ausência dela no Globo de Ouro Palco Viva, no dia 17/11. Mas ali, caríssimos, ela foi muito bem representada por Tulipa Ruiz :)


TH - Apenas passando...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

PARA ESCULACHAR!





Em todos esses anos de EnTHulho Musical, olha o crime: nunca pus a talentosíssima baiana Márcia Castro por essas bandas.

Vamos com ela, então, para fazer um merecido "mea culpa". Música belíssima de Gui Amabis, produtor do disco "Das Coisas Que Surgem", lançado em Agosto deste 2014!


ESCULACHO
[Márcia Castro]


E de manhã o esculacho
E ao meio dia você bate a porta
Pra me mostrar que eu estava errado
Melhor seria se tivesse dito

Eu vim de muito longe... pra lhe encontrar
E faço um puta esforço... pra lhe entender

E meus amigos bem que me avisavam
Em discussões quase sem destino
E certas coisas são inesplicáveis
Ainda mais sobre o amor extinto

Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender

Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender

E de manhã o esculacho
E ao meio dia você bate a porta
Pra me mostrar que eu estava errado
Melhor seria se tivesse dito

Eu vim de muito longe... pra lhe encontrar
E faço um puta esforço... pra lhe entender

E meus amigos bem que me avisavam
Em discussões quase sem destino
E certas coisas são inesplicáveis
Ainda mais sobre o amor extinto

Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender

Eu fiz de tudo um jeito... pra não lhe ferir
E faço um puta esforço... pra me entender 


TH - Aos poucos, o nosso carro musical vai reengrenando!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

MuDanças para não cair no esquecimento!




Gostaram do novo lay out do Blog?
Expressa exatamente essa nova fase: simples e especial. Despretensioso. Um lugar delicioso para dissertarmos sobre música.
Coloquei no plural, porque eu quero E MUITO a participação de vocês, também. Muitos amigos convidados virão. 
Muitos me enviaram textos e não tiveram os mesmos publicados por causa da parada do blogue (puta descaso meu), mas os amigos musicais convidados virão com força!

Para pontuar bem esse recomeço, publico, aqui, um texto enviado em 2011 pela minha amiga poetisa capixaba Carmem Silvia Presotto, coordenadora da Editora Vidráguas . Reli meus arquivos antigos e encontrei, neste belíssimo texto recheado de referências musicas, o que estava precisando pra retornar, sobretudo no título.

A sensação que tive, sem nenhuma falsa modesta, foi a mesma que um intérprete que encontra uma jóia (composição) maravilhosa, mas que por algum acaso da vida ela estava guardada. Talvez para ser usada no momento certo, pela pessoa certa ;)

A Carmen é uma maravilha de se ler, sempre teve a sensibilidade como seu maior trunfo, e conseguiu uni-la à música muitíssimo bem neste texto. Eu a conheci pelo EnTHulho Musical, e hoje tenho o grande prazer de tê-la por perto. 

E é com você, Carmen, que marco minha reestreia musical. Muitíssimo obrigado!


muDanças para não cair no esquecimento
por Carmen Presotto 

Ah, Be My Baby! Calças arrastando pelo chão, cara lavada, pachuli, flores na cabeça, tênis ou tamanco?
Andar desleixado, épocas duras, fugas.

Ditadura!

Andar desleixado…irreverência…continência!
Podres Poderes!
Brasil grande, para alguns até demais…
Imensas fronteiras, incríveis barreiras…
Apesar de Vocês!
Amamos, suamos, cantamos, dançamos, driblamos, não desbrasileiramos…
E aqui ficamos, catando mudança
De Baixo Dos Caracóis,
esperançosos de que havia baianos em dança inglesa,
beatlemaniamente saudosos e confiantes de que o
Haiti Não Fosse Aqui.

E o tempo passou na janela, no corredor, na rua, na calçada, no relógio e na fachada só Carolina não viu a marcha da Banda em Disparada, mostrando caras e bichos, pão bacana, gente sacana, livre ou em xilindró, loucos por um papo firme, enquanto canários rolavam a bola e ficava mais fácil dizer Eu Te Amo Meu Brasil, verde, amarelo, preto, branco e vermelho por tantos Quereres.

Corajosamente alguém grita:
Brasil Mostra Tua Cara!
Sem medo sejas um Super Homem…

E todas as marias, alices, anas, Mulheres e Bete Balançaram, soltaram, desenfrearam os novos Pedros Pedreiros já em Construção e o Cotidiano em suas Andanças e Travessias melhorou…
E então, tudo Vai Passar.

Ah, psiu a Gente Não Quer Só Comida…

Carmen Silvia Presotto, Dobras do Tempor, Vidráguas.



Espero que vocês, mais uma vez, se divirtam. Sejam muito bem vindos nesse novo show!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O ENSAIO ANTES DO SHOW...






Grandes artistas referem-se ao ensaio que antecede o show como o "momento de se estar íntimo com o medo". Lá, nos ensaios, eles podem errar. Podem se permitir ao convívio com seus receios, suas inseguranças e limitações.
Na verdade, para uns, o ensaio nada mais é que uma grande alegria, parte do chamado. Já para outros, é uma tortura, é maçante, desnecessário ou até perda de tempo. Naturalmente, estes últimos são pessoas mais imediatistas, ansiosas e afobadas.
Eu me enquadro, contudo, no primeiro grupo, como uma pessoa que se prepara demais, e tem todas as oportunidades de errar, mas que não quer fazer feio na hora H, na hora que vale, no show. Mas descobri que me realizo muito mais no momento prévio ao espetáculo, pois ali, consigo ser eu mesmo, cada vez mais envolvido particularmente com meus próprios defeitos e imperfeições. Se grandes nomes de nossa música bem soubessem, registrariam muito mais os momentos dos bastidores do que o requinte final (não por acaso, eu A-MO ver os bastidores dos shows em DVD, pois ali, o contato "carne e osso" com o intérprete é garantido).
Pra que, oras, essa lenga lenga toda? É que, quando resolvi dar um "pause" no EnTHulho Musical (em Janeiro de 2012), não dei nenhuma justificativa ao público do Blogue (que estava crescendo bastante, a cada mês). Eu senti que não estava "dando" o merecido destaque às postagens como se fazia necessário. Também nunca o excluí - o blogue permaneceu ativo por muito tempo, e para a minha surpresa, com cada vez mais seguidores e visitantes. O motivo da parada e o motivo de nunca tê-lo excluído é o mesmo: estou no ensaio. Não me senti preparado para apresentar o espetáculo que o público merecia, porém nunca desisti dele. Nesse meio termo (que dura quase dois anos, diga-se de passagem), trabalhei, lutei por sobrevivência, estudei, enfim, fui "humano". Errei e me decepcionei trocentas vezes, na vida real. Acertei em diversos pontos, também. O aprendizado foi plural. E, se mantive o blogue inativo nesse período, é porque saberia que minha paz seria retirada se colocasse algo "meia-boca" "apenas para postar".

Tive alguns prejuízos. Alguns amigos musicais convidados que me enviaram texto se frustraram (com razão), por não vê-los publicados, e isso me deixou muito mal.

Pois bem, comunico, neste texto longo, que o ensaio está terminando e o blogue EnTHulho voltará ao ar, dessa vez de verdade! Definirei alguns detalhes de conteúdo, lay out, como será a abordagem nessa nova etapa do blogue (sim, pois voltar diferente sempre é melhor), e quero agradecer a todos que, nesse período de inatividade, sempre me perguntaram quando o blogue voltaria, pois sentiam saudades imensas desse universo musical que tanto nos uniu!

Para não perder o costume, fecharemos essa postagem com MÚSICA, uma bem propícia para o momento!

Saudações!!!!

P.s.: Esse post é dedicado, dentre outros amigos, aos queridos Ivan Gomes e Fabio Dias. Eles saberão o porquê. :)


Tô Voltando
Simone


Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador
Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando

Faz um cabelo bonito pra eu notar
Que eu só quero mesmo é despentear
Quero te agarrar
Pode se preparar porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estreia uma camisola
Eu tô voltando

Dá folga pra empregada
Manda a criançada pra casa da avó
Que eu to voltando

Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar
Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!

http://www.youtube.com/watch?v=kZYkB-rWTU8

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

HYPNOTIZE MUSIC



EnTHulho Musical.

Retorno em breve...

domingo, 6 de janeiro de 2013

VOZ DISTANTE...





Alguém cantando longe daqui

Alguém cantando longe, longe

Alguém cantando muito

Alguém cantando bem

Alguém cantando é bom de se ouvir

Alguém cantando alguma canção

A voz de alguém nessa imensidão

A voz de alguém que canta

A voz de um certo alguém

Que canta como que pra ninguém

A voz de alguém quando vem do coração

De quem mantém toda a pureza

Da natureza

Onde não há pecado nem perdão...


CAETANO VELOSO

EnTHulho Musical.
Em breve...

http://www.youtube.com/watch?v=kye7sZmlzpw

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

ARTISTA DO MÊS: ELIS REGINA!




 Em discussão sobre MPB certa vez com um colega, ele me fez a seguinte observação:

"Aposto que se Elis fosse viva, ela teria embregado na carreira pra se tornar mais popular. Teria "Michael Sullivanado" igual à Gal!"

Lógico que discordei. Discordei por afetividade mesmo. Posso até estar enganado, mas meu lado admirador e fã incondicional de Elis Regina jamais imaginaria que ela se venderia. na contramão de minha tese de defesa, vão as declarações da própria, ao gravar "Romaria", sobre o preconceito que as pessoas tinham por ela ter feito uma gravação tão popular. Logo ela, tão "elite" e refinada...ocorre que Elis Regina transpõe no que grava uma plenitude tamanha que se assemelha a uma oração. Revendo meus conceitos no referido debate musical, hoje penso que, mesmo se tivesse se popularizado mais nos dias de hoje, faria com uma dignidade tão grande que deixaria no chinelo tantas outras que se perderam no meio de campo de suas carreiras (Fafá, Simone, a própria Gal...).

Elis é Elis. Sem mais...


O EnTHulho Musical orgulhosamente apresenta a nova artista do mês, em data extremamente propícia: 30 anos após sua morte!




BIOGRAFIA RESUMIDA


Para muitos, Elis foi a maior cantora brasileira de todos os tempos. Incomparável em técnica e garra, a "Pimentinha", o "Furacão Elis", como era chamada, lançou compositores como João Bosco e Aldir Blanc, Renato Teixeira, Fátima Guedes. A primogênita do casal Romeu Costa e Ercy Carvalho Costa foi a primeira pessoa a inscrever sua voz como instrumento na Ordem dos Músicos.

Em 1956, passou a integrar o elenco fixo do programa, Clube do Guri, da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Em 1959, assinou seu primeiro contrato profissional com a Rádio Gaúcha também de sua cidade natal.

Em 1965, venceu o 1º. Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior) com "Arrastão" (Edu Lobo e Vinícius de Morais). Dois dias depois, estreou no Teatro Paramount (SP) o show "Elis, Jair e Jongo Trio", que, gravado ao vivo, se tornou o LP "Dois na Bossa". Com sucesso do disco, ela e Jair Rodrigues estrelaram o histórico programa semanal "O Fino da Bossa".

O programa saiu do ar em junho de 1967, porém, Elis continuou ao lado de Jair Rodrigues nos três programas da série "Frente Única - Noite da MPB" (TV Record). Em dezembro, aos 22 de idade, casou-se com Ronaldo Bôscoli, 16 anos mais velho. Logo, nasceu seu primeiro filho, João Marcelo.

O casamento terminou em 1972 e, em 1974, casou-se com o pianista César Camargo Mariano. Viveu em São Paulo, onde nasceram: Pedro, em 1975; e Maria Rita, em 1977. Em 1981, separou-se de César.

Sua carreira internacional ficou mais importante a partir de 1968, quando cantou nas TVs inglesa, holandesa, belga, suíça e sueca. De volta à TV Record, em 1969, fez a série de programas "Elis Studio", dirigida por Miéle e Bôscoli. Em maio, viajou para Londres, onde gravou um LP com o maestro inglês Peter Knight. Em junho, na Suécia, gravou um LP com o gaitista Toots Thielemans.

"Elis & Tom", disco com Tom Jobim, saiu em 1974. Na inauguração do Teatro Bandeirantes (SP), cantou ao lado de Chico Buarque, Maria Bethânia, Tim Maia e Rita Lee. No ano seguinte, lançou "Falso Brilhante", em disco e nos palcos, show que assistido por 280 mil pessoas.

Pela TV Bandeirantes, em 1979, demonstrou a sua intimidade com São Paulo em um programa no qual passeava pela cidade com Adoniran Barbosa e visitava Rita Lee. E participou do Show de Maio, com renda revertida para o fundo de greve dos metalúrgicos de São Paulo, no estúdio da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, para 5 mil pessoas.

Naquele ano, gravou "O Bêbado e a Equilibrista", imediatamente apelidado de "Hino da Anistia". No 13º Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, foi aplaudida por 11 minutos. Para agradecer a platéia, fez uma jam session com Hermeto Pascoal.

Em 1980, o show "Saudade do Brasil" reuniu no palco 24 músicos e bailarinos. No ano seguinte, fez o espetáculo "Trem Azul", com cenário de Elifas Andreato. Teve morte repentina, em 19 de janeiro de 1982. Foi velada no Teatro Bandeirantes, e vestia a camiseta proibida pela ditadura militar no show "Saudade do Brasil": a bandeira brasileira, com seu nome escrito no lugar de "Ordem e Progresso".





ENTREVISTA PARA A REVISTA MANCHETE (Início de 1981)


Dizem que o Fábio Jr. veio com você nesta viagem a Los Angeles, e que ele também está incluído nos planos de Wayne Shorter. É isso ou há mais coisa?

Elis – Não é nada disso

Mas você conhece o Fábio?

Elis – Conheci. Mas nem sei se ele está nos Estados Unidos

Como surgiu a idéia de gravar com Wayne Shorter?

Elis – Surgiu quando eu estava no Japão. Ele então me convidou para fazermos um disco juntos., mas não pensei que isso acontecesse tão de repente assim. No Natal, liguei para Wayne desejando-lhe felicidades e ele me disse para pegar o primeiro vôo e vir para Los Angeles. E aqui estou, na casa dele. E também passei um bom fim de semana e Nova York

É a primeira vez que vem aos Estados Unidos?

Elis - É. Eu e Wayne devemos ir ao Brasil em fevereiro, a fim de fazermos a pré-produção. Em março, estaremos gravando. Em abril, a gente volta para Los Angeles para os aparatos finais: capa, mixagem, essas coisas todas.

O disco será em inglês ou português?

Elis – A gente ainda não sabe direito. Wayne campôs muitas canções, ainda sem letras. No momento é isso que estamos discutindo e planejando.

Wayne compôs especialmente para você?

Elis – Foi. São músicas lindíssimas. Estou muito emocionada, tanta coisa começou a acontecer ao mesmo tempo...Tenho certeza que agora minha vida vai mudar. Estou pulando inteirinha. Vibrando.

Mas antes você afirmou que não queria mais compromisso com nada...

Elis – Quero dizer, apenas estou livre, leve e solta...na vida. Vou morar no centro de São Paulo., de novo. Já tenho um pequeno apartamento no Rio, devo alugar outro em São Paulo e mais um em Nova York.

Você deve saber que em Nova York a colônia brasileira é pequena e a fofoca não deixa de existir. Lembra-se do caso de Roberto Carlos?

Elis – Pois é. Mas no Brasil a mesma coisa está acontecendo comigo. Eu fico tranqüila, sob controle. Ninguém vai fazer da minha vida uma novela. Não vou sair da minha estrada por causa de fofocas. Sabe, quem paga minhas contas sou eu. (...) Alguma coisa está mudando em minha vida. Mas ainda nãos ei para onde vou. Sei apenas que não sou mais a mesma pessoa.

Saberia definir essa nova pessoa?

Elis – Não sei para onde ela está indo. Tudo leva a crer que será uma pessoa legal.

É uma espécie de renascimento seu?

Elis – Não. Starting over...just like starting over, como dizia Lennon. Sei apenas que estou na metade do caminho, há ainda uma porção de coisa a ser feita. Eu me soneguei muito. Agora apareceu, está na minha frente e eu preciso domar o bicho. Tenho de domar a fera. Olha, viver é a melhor coisa do mundo...É ótimo!




JÁ ABAIXO, PRA QUEM É HIPER FÃ DE VÍDEOS, DUAS DAS QUE CONSIDERO MELHORES ENTREVISTAS DE ELIS, PARA O PROGRAMA ENSAIO




DISCOGRAFIA

 1961 - Viva a Brotolândia
 1962 - Poema de Amor
 1963 - Elis Regina
 1963 - O Bem do Amor
 1965 - Samba - Eu Canto Assim
 1966 - Elis
 1969 - Elis - Como e Porque
 1970 - Em Pleno Verão
 1971 - Ela
 1972 - Elis
 1973 - Elis
 1974 - Elis & Tom (com Antônio Carlos Jobim)
 1974 - Elis
 1976 - Falso Brilhante
 1977 - Elis
 1979 - Essa Mulher
 1980 - Saudade do Brasil
 1980 - Elis





"Minha música sai natural e espontânea. Eu faço cara feia, sou exagerada nos gestos? E eu com isso? É um problema de quem o acha. Eu sinto as coisas assim e eu simplesmente recorro a isso tudo porque às vezes a palavra não é suficiente para demonstrar as pessoas tudo que se quer dizer, não tem força para isso. O gesto é meu, o repertório quem escolhe ou eu, as letras, as músicas e tudo mais também refletem muito de mim.Música para mim é a única razão de ser, minha vida gira toda em função dela.
(…)
 
O público é um negócio tão bacana, espera algo da gente, com olhos de pidão, eu  nada mais posso fazer além de procurar satisfazê-lo. Meu carinho é tão grande, que não posso definir. Sinto-o apenas. E só posso dizer: muito obrigada e até a volta em março. Prometo tudo de mim."


CARTOMANTE
Ivan Lins. Vitor Martins


Nos dias de hoje
É bom que se proteja
Ofereça a face a quem quer que seja

Nos dias de hoje esteja tranquilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares esqueça os amigos
Não pare nas praças não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não Ponha o dedo na nossa ferida... Ah...

Nos dias de hoje
Não lhes dê motivo
Porque na verdade
Eu te quero vivo

Tenha paciencia
Deus está contigo
Deus está conosco
Até o pescoço

Já está escrito
Já está previsto
Por todas videntes
Pelas cartomantes

Está tudo nas cartas
Em todas as estrelas
No jogo dos Buzios
E nas profecias... ah...

Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!
Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada!!Cai, o Rei de espadas
Cai, o Rei de ouros
Cai, o Rei de paus
Cai, não fica nada...





quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

DESTRUINDO NO BOM SENTIDO!


Primeiríssimo sucesso de Cássia Eller, em 1990. A cantora, femininíssima, destrói positivamente um dos maiores sucessos da Legião Urbana. Vale a pena relembrar, aqui, no nosso espacinho!


LEVE O MUNDO QUE EU VOU JÁ!

Cássia Eller representava com propriedade algo curioso no universo da música brasileira. Surgida em plena década de 90, ela quebrava os paradigmas da boa-mocice careta que a década de 80 tinha imposto aos cantores de "MPB". Tirando o rock nacional, a ousadia de cantores-solo tinha se esvaído, e a lacuna dessa necessidade havia de ser preenchida. 



Eu não considero Cássia uma cantora de rock. Possuía atitude estereotipada, peitão à mostra, palavrão e carão, porém muitos roqueiros torciam a cara pra ela, pois agradava em cheio os consumidores de MPB cult, em primeiro lugar. Como eu sou e continuarei contrário a rótulos, nós não perdemos uma roqueira ou uma cantora de MPB. Perdemos uma diva, uma dama da música tupiniquim, que encontrou com dificuldade o sucesso e quando o alcançou, morreu no auge. E ousava. Ousava como ninguém. Não tinha rabo preso com gravadoras, preferindo sempre interpretar aquilo que acreditava ao invés de rápidos sucessos comerciais. Não chocava gratuitamente - sua postura às vezes agressiva tinha como único condão mascarar artisticamente sua timidez, tão conhecida por gente que a tinha "de perto". Tê-la de perto...fico a imaginar quão sortudos foram aqueles que conseguiam ter Cássia de pertinho, pois nas entrevistas e extras de DVDS, sempre tive a impressão de que era uma pessoa sensível e culta, contrariando as opiniões discordantes que insistem em analisá-la superfluamente, baseadas nas caras e bocas com as quais se apresentava publicamente.


Cássia entrou na minha vida em 1994, quando ouvi sua potente versão de "Partners", na trilha sonora da novela Pátria Minha. Pouco tempo depois, fiquei pasmo ao ver alguém destruindo - no bom sentido - a música "Por Enquanto", do Legião Urbana (que fechava com chave de ouro o primeiro disco da banda, e era uma de minhas preferidas). A versão da Cássia absteve-se de qualquer regra musical ou rigor formal - começava com um sonoro "I've got a feelling, a feelling deep inside, oh yeah, oh yeah" - dos Beatles. Pensava: "como pode estar tão rica sendo tão irregular?". A resposta estava na voz. A voz de Cássia era única na música brasileira. Daquelas inconfundíveis, inimitáveis. Trovejava quando necessário e emocionava quando quase sussurrava. Rouquinha. Indefectível...às vezes delimitava mais o tom do que os acordeons, violões, violinos...era a maestra absoluta. 


Toca conhecer sua carreira nos pormenores. A fase Cazuza - a que menos prefiro - representa ainda assim a ousadia branca de uma cantora que queria porque queria homenagear seu ídolo. Suas maiores joias - "Com Você, Meu Mundo Ficaria Completo" (1999) e o póstumo "10 de Dezembro" (2002), mostram uma intérprete madura, fascinante e, porque não dizer, áspera. Já figurava fácil dentre minhas favoritas.


29 de Dezembro de 2001. O disco do ano era inevitavelmente o Acústico MTV Cássia Eller, o melhor da série de acústicos da emissora, na minha opinião. De Riachão a Nação Zumbi, Cássia conseguia mostrar uma faceta mais light da demonstrada nos discos anteriores, e ganhou público e crítica. E eu estava justamente ouvindo sua versão de "Luz do Sol" quando recebo a ligação de um amigo: "ela se foi". Parecia um parente próximo, parecia um conhecido. Era mais que isso. Uma confidente que, com suas interpretações, preenchia não apenas um vazio na música brasileira na época, mas em meu coração.


Vieram as homenagens póstumas oportunistas, os "fãs de início de carreira inveterados, os cults que torciam antes a cara que se renderam a seu fascínio, os inúmeros hits antes ignorados estourando nas rádios...e também os que falaram mal e maldiziam usuários de drogas, até achando que o acontecido tinha sido "bem feito" e por obra de Deus. Alheio a tudo isso, só me entristecia com a falta de minha tão antiga correspondente, lamentando que trilharia hoje, certamente, uma carreira rica e cada vez mais competente....Agora mesmo, sinto uma angústia profunda, inexplicável. 


Inesquecível. Always...


THIAGO HENRICK











Eu poderia ser um padre ou um dentista
Um arquiteto, um deputado ou jornalista
Eu poderia ser ator e me dar bem
Ser um poeta que escreve versos como ninguém
Eu poderia ser um general da banda
Uma modelo, um herói da propaganda
Eu poderia ser escravo do trabalho
Ser um banqueiro, um estilista do baralho

E não há nenhuma outra hipótese
Que eu não considere, mas
O que eu queria mesmo ser
É a Cássia Eller

Eu poderia ser um mágico ilusionista
Um domador, um gigolô, um psicanalista
Eu poderia ser um campeão de golfe
De luta-livre, de xadrez e do que quer que fosse
Eu poderia ser um escritor da moda
De quem se fala muito mal (e ele nem se incomoda)
Eu poderia ser um alto funcionário
Um balconista ou um bandido sangüinário

E não há nenhuma outra hipótese
Que eu não considere, mas
O que eu queria mesmo ser
É a Cássia Eller

Eu poderia ser um físico nuclear
Um astronauta, um explorador do mar
Eu poderia ser um rei do futebol
Um vagabundo ou um professor de "scol"
Eu poderia ser um grande cineasta
Um detetive e ter segredos numa pasta
Eu poderia ser um monge do Nepal
Um jardineiro, um marinheiro, etc e tal

E não há nenhuma outra hipótese
Que eu não considere, mas
O que eu queria mesmo ser
É a Cássia Eller

[PÉRICLES CAVALCANTI]



Abaixo, o super texto de meu querido Jardel Ther, dono do melhor blogue sobre a cantora, o Cássia Eller Relicário!




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