quarta-feira, 21 de julho de 2010

TEMA DE NOVELA # 1 - Romantismo em TIETA (21/07)

Começando com o pé direito, falando da trilha da inesquecível adaptação do livro de Jorge Amado.

Inicia-se hoje uma seção do EnTHulho que visa falar de uma de minhas grandes paixões: a sonoplastia da teledramaturgia!
Se música tem por obrigação sublinhar a vida da gente, é claro que ela também deve se fazer presente nas de personagens tão ricos como os que temos nas nossas novelas. As cenas tornam-se mais atraentes e charmosas com temas de fundo bem escolhidos, que, por sua força, conseguem até conduzir ações e destacar personagens. Em todos os momentos - românticos, agitados, melancólicos e até de vilania, a música se faz presente cumprindo seu papel de enriquecimento cênico. E uma trilha sonora bem refinada tem todo o mérito nisso!
Na nova seção, vou procurar fugir da obviedade e ser honesto com meu gosto pessoal, elencando temas que amo e considero ideais aos personagens. Mais um lembrete: por mais que o título da seção fale de novelas, estendo também a demais produções brasileiras (séries, especiais, filmes...).
Nada mais justo que começar com um dos maiores e arrebatadores sucessos de nossa teledramaturgia. É quase uma regra: quando uma produção traz personagens fortes, carismáticos e bonitos, numa história bem contada e interessante e ainda por cima pontua com música de qualidade, estamos diante de um grande sucesso. Tieta, com louvor, foi inesquecível!
Além de ter uma gama de personagens bem carismáticos e um enredo genial que permanece vivo na memória afetiva de muitos noveleiros, a trama de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares contava ainda com uma trilha sonora perfeita e bem harmônica, é até hoje lembrada por grandes sucessos como Meia Lua Inteira (Caetano), No Rancho Fundo (Chitãozinho & Xororó), Coração do Agreste (Fafá de Belém), Uma Nova Mulher (Simone), Tieta (Luiz Caldas - o festejado tema de abertura), Luar do Sertão (Roberta Miranda) dentre tantos outros que eram executados à exaustão na tevê e nas rádios do país em 1989. A parte romântica da novela trouxe uma balada das mais bonitas que já ouvi: a acertada parceria entre Verônica Sabino e Emílio Santiago, "Tudo o que se quer", que embalava certeiramente as cenas românticas de Ascânio (Reginaldo Faria) e Leonora (Lídia Brondi), e é a versão brasileira feita por Nelson Motta para o clássico "All I Ask Of You" de Andrew Lloyd Webber (tema de "Fantásma da Ópera"). Particularmente, eu acho esse dueto e essa versão uma das coisas mais sensíveis e lindas de nossa MPB, e eu elejo como a melhor música das duas trilhas de Tieta.
P.s.: Opinião estritamente pessoal. Conheço pessoas que amam Tieta e se lembram primeiro do tema da abertura, ou da música da Fafá...acho que comecei com o pé direito a seção, escolhendo uma novela que dá abertura a tantas opiniões e gostos diversificados em sua trilha ;)


Uma bela e entrosada parceria da MPB

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TUDO O QUE SE QUER
Emílio Santiago e Verônica Sabino

Versão: Nelson Motta



Emilio:
Olha nos meus olhos
Esquece o que passou
Aqui neste momento
Silêncio e sentimento
Sou o teu poeta
Eu sou o teu cantor
Teu rei e teu escravo
Teu rio e tua estrada

Verônica:
Vem comigo meu amado amigo
Nessa noite clara de verão
Seja sempre o meu melhor presente
Seja tudo sempre como é
É tudo que se quer

Emilio:
Leve como o vento
Quente como o sol
Em paz na claridade
Sem medo e sem saudade

Verônica:
Livre como o sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmônia

Emilio:
Eu sou teu homem, sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu par, o teu melhor amigo
Vou contigo seja aonde for
E onde estiver estou

(Ambos):
Vem comigo meu amado amigo
Sou teu barco neste mar de amor
Sou a vela que te leva longe
Da tristeza, eu sei, eu vou
Onde estiver estou
E onde estiver estou



TH - Bons duetos devem ser assim ;)


domingo, 18 de julho de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO #7 - Chimene Chiara! (18/07)

Atipica e linda! *.*


Kimene Xiara? Ximene Xiara? Xi? Ki?

Não importa a maneira que errassem a pronúncia de seu nome, ela ficaria brava de todo jeito! rs
A dona da seção de hoje, além de linda, tem espaço cativo na vida de TH, e vem provando isso dia após dia...
Nosso aniversário tem como diferença o prazo processual computado de dois dias, o que não é suficiente para nos auferir as mesmas características. Costumo dizer que ela é uma pisciana completamente atípica - do nosso signo, carrega o largo flerte com a melancolia e um pouco da porção sonhadora tão "peixes" de ser. Mas, diferente de mim (e dos demais representantes da última casa zodiacal), Chimene é mais realista, pé no chão, consciente, direta e rígida - com as outras pessoas e consigo mesma. E ainda que por dentro não aparente essa segurança toda, sua armadura assim lhe faz parecer. Vitoriosa. :)
Fomos parceiros advogados por algum tempo e reconheço tudo o que aprendi dessa sociedade. A moça pode até achar que não, mas eu reti com afinco todas as lições que ela - à sua maneira, conseguiu me imprir. É preciso mesmo ter maturidade para enxergar como as pessoas que nos amam querem nos ver vencer.
Nossa cumplicidade vem de longe: da faculdade, dos trabalhos em equipe, das horas e mais horas de papo nos banquinhos de lá, antes do início das aulas (menos quando ela chegava com aqueles óculos escuros-abelha e a cara trancada - ai de quem desrespeitasse seu momento de silêncio!), do MSN, dos encontros da turma que eu raramente ia (risos) e eu tenho o maior orgulho de dizer que, depois de graduados, ela ficou - e dentre tantos outros que poderiam ter permanecido.
Há algo mais a ser destacado: como é linda a parceria dela com sua mãe, D. Gardênia. É uma relação familiar deliciosa, tão pouco vista hoje em dia. E, por fim, seu talento para escrita, criando aquelas poesias e textos corretos, nos momentos certos, além de ser mesmo uma advogada formidável e a primeira que penso quando preciso de um help. :D
Só me resta agradecer com essas singelas palavras e desejar sempre tudo de bom pra linda garotinha, que tem a faca e o queijo na mão pra ser feliz - na vida pessoal e profissional. :)
Sempre serei muito grato. A tudo.
Adoro a participação de amigos tão queridos nessa seção do blogue. Riqueza e alegria! ;)

Ivan Lins canta a trilha musical afetiva de Chimene



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Vitoriosa...
Essa música algumas vezes faz parte da trilha sonora da minha vida.
Dos momentos em que ligo o FODA-SE!
Momentos em que tomo as rédeas da situação e o resto do mundo é um reles personagem...
Encontro-me segura de mim, confiante e até mesmo debochada, confesso!
Sorrindo vou contagiando...
Gargalhando vou divertindo...
Divertindo-me vou passando um ar de segurança e alta estima maravilhosas, muito mais visíveis e latentes aos que me observam que a mim mesma...
Vitoriosa no papel de protagonista “anônima” acostumada a ser sempre coadjuvante no teatro da vida, que deixa a timidez de lado e ganha os holofotes por alguns minutos.
Sei que posso ser e que sou vitoriosa, afinal já a fui várias vezes e a continuo sendo quando me disponho a sê-la, basta vencer minha constante inconstância...

E Ivan Lins consegue traduzir bem isso por mim. :)

CHIMENE CHIARA

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VITORIOSA
Ivan Lins
Composição: Ivan Lins / Vitor Martins

Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa...

Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza...

Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...

Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...

Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...

Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...


TH - Pode e sempre será! ;)





sexta-feira, 16 de julho de 2010

DO BATUQUE PARA O VOCAL (16/07)

O pernambucano Otto, no disco que o projetou, "Samba Pra Burro" (1998)


Se formos parar pra pensar em bateristas famosos que largaram as baquetas e assumiram a posição de vocais, nos remetemos imediatamente a Phill Collins, David Growl...mas logo a seguir nos perguntamos se há em nossa música exemplos assim.
Bem, não é exatamente um baterista, mas Otto largou a percussão de Chico Science & Nação Zumbi pra progredir como músico e se apresentar ao resto do país num excelente início: o grande disco "Samba Pra Burro", de 1998; a partir de então, cantando e compondo.
Um tipo bem incomum para o Nordeste (loiro de olhos azuis), Otto causou surpresa e admiração logo de cara com uma criativa mistura de elementos musicais diversos (drum n' bass, maracatu, samba), com efeitos sonoros eletrônicos, num trabalho bem inventivo-empolgado que lhe rendeu os maiores reconhecimentos possíveis. E até então sempre se manteve coeso em seus lançamentos posteriores, sobretudo no disco lançado pela MTV (2005). Ele também ganhou fama por namorar a talentosa atriz Alessandra Negrini por muitos anos.
Em 2004, na gélida Garanhuns (cidade de Pernambuco assustadoramente fria por conta de sua altitude), em pleno Festival de Inverno em Garanhuns, tive a oportunidade de contemplar o trabalho de Otto de perto. Quando digo perto, quero dizer primeira fila mesmo. A energia ao vivo do cantor é muito estimulante e ele se esmera, dando seu suor pra fazer o espetáculo ser inesquecível. Literalmente, diga-se de passagem, já que o cantor sua de verdade no palco e lembro bem daqueles respingos suodorentos caindo em...irc...mim.
P.S.: A letra de Bob, música que escolhi abaixo, é repleta de citações a lugares de Recife, como CDU, Ibura, Ipsep...

TH testemunhou de perto (literalmente) o suor do trabalho de Otto

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BOB
Otto

Ela é do tempo do bob lá do Pina de Copacabana
Ela é do tempo do bob lá do Pina de Copacabana
De tarde na praia o que ela gosta é de fumar e beijar seu noivo de tarde na praia o que ela gosta é de fumar e bejar seu noivo.
Ela é do tempo do bob lá do Pina de copacabana
Ela é do tempo do bob lá do Pina de copacabana
De tarde na praia o que ela gosta é de fumar e beijar seu noivo de tarde na praia o que ela gosta é de fumar e bejar seu noivo.

É Macaxeira, Imbiribeira, Bom Pastor,
É o Ibura, Ipsep, Torreão, Casa Amarela,
Boa Viagem, Genipapo, Bonifácio, Santo Amaro,
Madalena, Boa Vista, Dois irmãos, é o Cais do porto,
É Caxangá, é Brasilit, Beberibe, CDU,
Capibaribe e o Centrão, Rios.

TH - Lugares que um dia hei de voltar! ;)


terça-feira, 13 de julho de 2010

DIA DO ROCK: BREVE PASSEIO PELO ESTILO NO BRASIL! (13/07)


O Rock brasileiro destaca-se por ser igual ao país: vasto. Sofre influência (e ritmos) de todas as regiões. Também, tal qual o Brasil, é extremado – tem momentos de conversa séria e protestos mesclados com outros totalmente dedicados a bobagens e frivolidades.
Nem de longe pensem que ícones do rock brazuca são seres sublimes e inalcançáveis: nossos heróis nacionais chegam a ser os mais trapalhões de todo o mundo, pois nascem, chegam ao estrelato e decaem, por vezes de maneira bastante vergonhosa. Mas o legal disso é que assumem publicamente. São os músicos mais genuínos possíveis! Levam as derrotas como meras “cagadas” de carreira e já se aprontam pro próximo passo. Essa coisa quase “caseira” que as bandas possuem acaba sendo uma característica normal, aceitável e os aproxima bem mais do público.
Hoje, dia do rock, resolvi fazer um TOP 25 com bandas ou movimentos de rock brasileiro, fazendo-lhes uma breve apresentação e registrando sua importância pra história do estilo no país. Claro, não deu pra elencar tudo, mas se faz oportuna, logo abaixo, uma pequena e esboçada lista de “menções honrosas”. Como num festival de rock, deixo aberto o espaço pros comentários, e podem me avacalhar à vontade por conta de minhas considerações. Rock e respeito nunca andaram de mãos dadas, mesmo! ;)

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1) MUTANTES
Antes mesmo de pensar nas bandas da lista, esta já me veio à cabeça como o primeiro lugar. Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Rita Lee estiveram à frente de uma jóia rara, contemporânea aos Beatles e Beach Boys (na minha opinião, com muito mais genialidade e criatividade). Os “Xuxuzinhos” misturavam rock, sertanejo, forró e letras esquizofrênicas, criando vários hinos que foram depois gravados por muita gente. Discussões internas, estranhamento no foco pessoal/profissional e a demissão de Rita, anos luz depois substituída por Zélia Duncan numa “retomada” mostram que, a despeito de todos os defeitos, a banda criou algo tão original que fica com a merecida medalha de liderança!



2) LEGIÃO URBANA

Legião tem a forte crítica social, as declarações de amor pros bofes de Renato, a coerência dos álbuns e a unanimidade a seu favor. É a banda mais lendária do rock brasileiro, com o líder certo, no tempo certo. Discos pesados, melancólicos, românticos, letras eternizadas, retóricas oportunas, metáforas geniais, shows idem. E tome “beber água da fonte” com uma infinidade de canções póstumas descobertas, “últimos shows imortais”, etc..etc...



3) SEPULTURA



Está aqui para situar – e muito bem – o Brasil no mundo do Metal, desde 1984! Sepultura é a banda brasileira de maior visibilidade lá fora, donos de um legado muito forte e um grande respeito (eu disse respeito ?)nesse ramo do rock. Medalha de bronze pra eles!




4) TITÃS



Fiz uma matéria completa da banda paulista no mês passado, que pode ser vista aqui. Músicas ótimas, várias fases, com altos e baixos. Com músicos excepcionais (chegando até a oito, em determinado período ), Titãs detém o título de maior banda ainda atuante do rock nacional, representando São Paulo ao lado de Ira!, Fica em quarto lugar!



5) O RAPPA

Não vamos entrar no mérito se o Rappa era uma banda de reggae, de rock, de rock reggae. O rock brasileiro nunca foi linear – sempre teve influências de outros estilos em determinado ponto. O Rappa está em quinto lugar, pois, de todas as bandas desta lista, eles são os que mais põem em prática tudo aquilo que pregam em suas letras. Trabalhos sociais fiscalizados, críticas políticas ratificadas, atitudes que realmente importam. Para quem considera um elogio, eles são o nosso “U2



6) SKANK





Parto do mesmo princípio do Rappa para definir o Skank. A banda liderada por Samuel Rosa começou como “tchacundum” e mudou radicalmente seus estilos a cada disco lançado. Em termos de prestígio, Skank fez história e até hoje os mineiros são referência para novatos.



7) RAUL SEIXAS




O esoterismo marca presença no rock nas mãos de Raul Seixas, que explodiu na década de 70, trazendo o universo Hippie e seus hinos ripongas que cultuaram a cabeça e sublinharam o deboche anárquico dos adolescentes daquela década.



8) SECOS & MOLHADOS




O rock é feroz, mas consegue ser docinho quando é usado pra “musicar poesias”, coisa que a banda dos anos 70, liderada por João Ricardo e com Ney Matogrosso como vocalista, fazia com louvor!



9) PARALAMAS DO SUCESSO




A banda liderada por Herbert Vianna, dentre suas contemporâneas, sempre foi a mais bem colocada nas paradas, fazendo jus a seu nome, com clássicos absolutos. Manteve-se no auge nas décadas de 80 e 90, tendo o inicio de sua derrocada na de 2000. O público já não era o mesmo, Herbert havia sofrido um acidente, não havia espaço na música brasileira pra seus hits sempre tão bem certeiros...mas o carinho pessoal pela grande trajetória do grupo é muito forte ;)



10)CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI




Chegamos ao Nordeste, e o aeroporto pousa logo ao lado das plantações sempre úmidas com caranguejos andando lado a lado nos lamaçais. CS&NZ, de Pernambuco, eternizou o conhecido movimento “mangue-beat”, que misturava percussão nordestina e guitarras pesadas, conquistando fãs e críticas. A maioria dos roqueiros de outras vertentes fecha a cara para a importância do movimento, mas até hoje tem bastante força.



11) NOVOS BAIANOS E INVASÃO NORDESTINA



O rock na Bahia tem cara de mistura. E os ingredientes levam baião, choro, afoxé, frevo, bossa-nova e por incrível que pareça, um tal de rock and roll! E, de seu fim, naqueles anos derradeiros dos 70, saíram vários artistas que se consagrariam com boas carreiras na MPB, casos de Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Baby Consuelo. Já a entitulda “invasão nordestina” dá-se pela arriscada tentativa de misturar estilos bem ortodoxos ao rock – inventado por alguns músicos da região Fagner, Zé Ramalho, Belchior...



12) PLANET HEMP




Dentre as bandas dos anos 90, a liderada por Marcelo D2 é lembrada por sua postura engajada em prol da legalização da maconha e por todas conseqüências legais acarretadas por isto. Em um determinado momento, D2 alegou que não era mais usuário, e só cantava para encher mesmo o saco (an-ham, senta lá, Cláudia), e, logo em seguida, surpreendeu público e crítica transformando-se num músico de verdade, passeando “careta” por outros estilos como samba. Ganhou e manteve respeito!




13) RAIMUNDOS


Uma das bandas mais geniais de nosso rock. Esqueçam as letras pornográficas, Esqueçam o fim abreviado pela “evangelização” de Rodolfo. A mistura de rock punk com forró fez a cabeça e a adolescência de muitos garotos na década de 90. Popularizou o estilo Punk, no Brasil, sempre tão underground como a banda de João Gordo, “Ratos de Porão



14) PITTY



Sei que várias pessoas irão torcer o nariz por ver a Pitty representando o estilo, mas pensem: hoje, quem é a roqueira brasileira? Querendo ou não, Pitty tem a atitude, a aparência e os palavrões. Além de músicas bombando na rádio ao lado de Lady Ga Ga e adjacências. A baiana, à sua maneira, ajuda a não sepultarem ainda o estilo nos dias de hoje.



15) KID ABELHA




O rock pode ser pop? O pop pode ser rock? Alheia a quaisquer discussões infindáveis sobre o que pode ou não no rock brasileiro, Paula Toller sempre esteve a frente de uma verdadeira máquina de fazer hits apaixonados e inspirados. E o tempo só fez bem à vocalista, sempre mais bonita. Já à banda...



16) LOS HERMANOS




A banda criada no fim da década de 90 é da lista, a mais “MPB-ROCK existente. Tanto batalharam que conseguiram se destituir do injusto posto de mera “one hit band” (Anna Julia) e adquiriram, à força, respeito e agrado de todos.



17)CHARLIE BROWN JR. E DEMAIS SKATE-BANDS

Não, não gosto nem nunca gostei de Charlie Brown Jr. A banda santista liderada por Chorão aparece aqui apenas por conseguir um feito: a partir dela, tivemos inúmeras “pseudo-CBJrs” surgindo, como Detonautas, CPM 22, O Surto e muitas outras. Reconheço e dou o devido mérito ao trabalho nos paulistanos, é puramente questão de gosto pessoal mesmo.




18) JORGE BEN JOR






Criador de um novo estilo musical, o “samba-rock”, além de flertar com ritmos não necessariamente brasileiros, o carioca tem uma inigualável importância para a música brasileira e é sempre bem vindo em qualquer homenagem.



19) CLUBE DE ESQUINA




– A trupe de Minas Gerais tem uma vertente mais beatlemaníaca em seu estilo musical. Desde já vamos desassociando o rock de músicas com guitarreira pesada, que historicamente ele não é assim! O grupo/movimento musical era liderado por Milton Nascimento e Lô Borges



20) JOVEM GUARDA X TROPICÁLIA






Antes era apenas uma dupla: Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Ambos eram campeões imbatíveis de um estilo de rock que ‘imitava’ o americano, com hits lendários como “Calhambeque”. A Rede Record pegou carona e, através de um programa chamado “Jovem Guarda”, liderado pelo “Rei Roberto’, Erasmo e Wanderléa. proliferou o estilo, dando emprego a muita gente como Renato e seus Blue Caps (quer coisa mais americana?), Jerry Adriani e tantos outros mais. Não, não gosto da Jovem Guarda, mas em atenção a meus pais, ela aparece na 20ª posição. Concomitante ao movimento, Elis Regina e Jair Rodrigues lideraram. do lado de outros artistas da MPB, um protesto contra o estilo. Surgiu assim, a seguir, o movimento entitulado Tropicália – remanescentes da Bossa Nova atuando com mentes pensantes e reacionárias como as de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, e com presença muito marcante dos Mutantes e, logo depois assumidos pelos Doces Bárbaros. Eles não eram rock nas melodias ou nos instrumentais, mas em termos de atitude. Ganharam inúmeros festivais, foram importantes demais para todos os jovens com ideais naqueles tempos. Faziam no Brasil a fase mais “pensante” de nossa música, onde os protestos apareciam em metáforas ou em citações diretas mesmo. Oposição exata ao rock despretensioso, bobinho e gringo da Jovem Guarda.


21) CAPITAL INICIAL


A banda de Dinho Ouro Preto, antes denominada “Aborto-Elétrico” é a que mais resume com exatidão o rock brasileiro: começo, auge, encher rabo de dinheiro, ostracismo, morte, renascimento, recuperação de fôlego e vida estável.


22) CAZUZA E BARÃO VERMELHO




São Hours Concours em qualquer classificação, mas seria injusto não citá-los aqui. Tudo o que tenho para dizer sobre Cazuza está aqui!



23) ENGENHEIROS DO HAWAII




A banda do boçal Humberto Ghessingher representa muito bem o Rio Grande do Sul no cenário roqueiro do Brasil. Também escrevi sobre eles aqui.


24) BANDAS EMO-CORE


Começaram a surgir no país em 2003 e são as atuais representantes do “roque”. Não tenho nada para considerar sobre as mesmas, a não ser citá-las: Fresno, NX Zero...tem mais?













25) CELLY CAMPELO


Claro que eu não deixaria de fora a princesinha do rock. Celly foi uma verdadeira pérola que reproduzia – bem antes da Jovem Guarda, os maiores hits estrangeiros em versões brazucas. A única pisada de bola da saudosa garota foi abandonar o mundo do rock e virar uma “dona de casa que cuidava do marido”.


















MENÇÕES HONROSAS:


IRA!
NENHUM DE NÓS
REPLICANTES
ULTRAJE A RIGOR
MAMONAS ASSASSINAS
PLEBE RUDE
MUNDO LIVRE S/A
GABRIEL PENSADOR
PEDRO LUIS E A PAREDE
SÁ, RODRIX & GUARABYRA
MAGAZINE & KID VINIL
TUTTI FRUTI
RITA LEE CARREIRA SOLO
CÁSSIA ELLER
PATO FU
R.P.M.
ANGRA & SHAMAN


TH - Insone, produzindo de madrugada!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

AMIGO MUSICAL CONVIDADO #6 - Paulo Victor Oliveira (12/07)

"Emocional não é circunstancial, mas condicional" PVO

Esse meu querido amigo, estudante de Economia da Ufal tem, dentre tantas coisas outras em comum comigo, a maneira sincera ao se expressar quando escreve e o flerte com a melancolia.
Falando deste sentimento em específico, sempre encontrei beleza na melancolia. Músicas tristes, com pianos docemente dedilhados e violinos inspirados sempre me fizeram ter orgasmos musicais múltiplos, mas eu percebi que é um campo deveras perigoso. Minha experiência de vida me fez ter a certeza de que: "a ausência dói? não se deve, por isso, perder a vontade de viver. Devemos prosseguir, reconstruindo nossa auto-estima com perseverança, lutando contra tudo aquilo que nos faz sentir causadores de nossas desgraças e ruínas.". Hoje só tenho uma pequena paquerinha com a melancolia. Namoro firme mesmo é com a vontade de viver.
Voltando ao dono da seção de hoje, se puder lhe passar alguma mensagem positiva, é que sempre olhe dentro de si e afaste qualquer tipo de sentimento negativo ou pessimista; e que perceba o quanto é talentoso, escreve bem (estreou seu blogue, Estrelas Salpicadas, semana passada) , é inteligente e possui um excelente gosto musical, que o faz hoje enriquecer o nosso EnTHulho, trazendo mais uma parceira certeira do cenário brasileiro: Clara Nunes e Adoniran Barbosa. Há a necessidade de sempre valorizarmos aquilo que nos é bem caro. Não há porque perder o desejo de um ideal positivo; precisamos, sim, apreciarmos nossos pontos mais poderosos e seguir algum norte.
Sempre existe um.
;)


Adoniran Barbosa, estreando no EnTHulho

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Quando terá começado o meu flerte com a melancolia? Não sei. Mas as minhas mais remotas lembranças musicais são de canções tristes feito uma viagem só de ida para o desconhecido. A canção que segue, antes de ouvi-la no rádio ou no disco, ouvi entoada por minha mãe. Um primor de melodramaticidade, numa corda bamba entre o trágico e o cômico. Senhoras e senhoras, seguidores do EnTHulho, "Iracema", de Adoniran Barbosa.


PAULO VICTOR OLIVEIRA


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IRACEMA
Adoniran Barbosa
Adoniran e Clara Nunes


Iracema, eu nunca mais eu te vi
Iracema meu grande amor foi embora
Chorei, eu chorei de dor porque
Iracema, meu grande amor foi você
Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Eu falava, mas você não me escutava não
Iracema você travessou contra mão
E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato.
- Iracema, fartavam vinte dias pra o nosso casamento
Que nóis ia se casar
Você atravessou a São João
Veio um carro, te pega e te pincha no chão
Você foi para Assistência, Iracema
O chofer não teve curpa, Iracema
Paciência, Iracema, paciência

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato


TH - Positividade como lema, antes. :)


terça-feira, 6 de julho de 2010

VIDA LOUCA, EXAGERADA, ANTI-MONÓTONA E IDEOLÓGICA! 20 ANOS SEM CAZUZA (07/07)

Não é necessário esperar uma data pseudo-comemorativa redondinha para se homenagear algum artista. Quem acompanha meu blogue sabe que não ligo pra isso, que vou escrevendo sobre músicos do Brasil de acordo com minha vontade. Mas vamos dar o braço a torcer: 20 anos conta. Bastante!
Primeiras impressões sobre o homenageado: cresci ouvindo Cazuza! Aparelho de som da tia, discman da mana, rádio das empregadas, especiais no Fantástico, show no Ginásio do Sesi (esse, bem no auge da doença). Recordá-lo implica devoção a mega hits como Ideologia, Bete Balanço, Exagerado, O Tempo Não Para, Vida Louca, Vida, Faz Parte do Meu Show... Só quem viveu numa ilha deserta décadas a fio poderia se abster do barulho que nosso garoto rebelde causou no cenário musical brasileiro, pois até quem não gostava do estilo ficou conhecendo um pouco do roqueiro, nem que seja para torcer o nariz para suas atitudes - sobretudo as mais anárquicas!


Monotonia zero! Falar de Cazuza é também falar de alguém que não conseguia ficar parado. Não se estagnava, não deixava de perturbar; fazia parte da burguesia mas sua mente inquieta, nem que só fosse pra causar revolta, lhe dominava a ponto de ser reacionário até mesmo contra ela. Ele não se bastava. Era livre, voava alto, sem se preocupar com o lugar que aterrissaria ou se aterrissaria! Buscou externar suas ideias na música - estava lá, no começo dos 80's, ao lado de Frejat e junto a inúmeras outras bandas de rock urbano iniciantes, representando o estilo com o Barão Vermelho. Livre nas letras e no estilo de vida, Cazuza alcançou logo o status de ídolo na música brasileira, e o rock lhe proporcionou exatamente isso: a possibilidade de expressar sua irreverência, seus exageros e humor, além de lhe dar a chance de ser ouvido. Com isso, foi logo destituído do rótulo de 'mero mauricinho carioca", podendo, enfim, mostrar ao país toda sua inteligência e poderosa veia crítica social ilimitada.

Barão Vermelho: onde o antes mero mauricinho de Ipanema começou a ser ouvido.

Esta, aliás, é a palavra perfeita para descrever nosso homenageado. A genialidade como compositor e vocalista não impediram que seu comportamento chegasse próximo ao de roqueiros famosos, algo como o que Mick Jagger, dos Rolling Stones fazia em suas festas de bastidores - sexo, orgia com as groupies e muitas drogas. A vida desregrada do cantor trazia inúmeras confusões abafadas pela imprensa, pois a maioria delas envolvia famosos. Gente como Lauro Corona, Maria Zilda, Bebel Gilberto, todos eram facilmente elencados no rol da trajetória de Cazuza em algum momento. Mas, a despeito de escândalos, sua música é o que sempre importou. A pluralidade musical do cantor, sua inspiração e seu arsenal de ideias - aliado ao fato dele estar sempre em movimento, logo lhe fizeram mais mutante ainda. Em carreira solo, sentiu-se mais à vontade de experimentar novos horizontes, conseguindo então, passar de roqueiro rebelde a um bom representante da Música Popular Brasileira, em outros estilos, chegando até ao samba!
Com a descoberta de sua condição de soropositivo, claro, o sentimento de fim permanente de festa, num primeiro momento, lhe pareceu inevitável. Mas Cazuza conseguiu, como pouco se viu no mundo musical, transformar aquilo que seria sua entrega definitiva/sentença de morte em poesia! O sofrimento foi moldado em mensagens diretas, e sua obra encerrou-se com o mesmo brilho dos olhos do garoto exagerado que o país inteiro passou a cultuar. Hoje, 20 anos depois, percebemos que, cada tempo que passa, sua obra consegue se manter importante e sempre reverenciada. Encontramos fácil sua influência em gerações atuais e naquelas que eram contemporâneas à sua época, além do merecido respeito das anteriores! Sua jovialidade fica eternizada não só pelo fato de o garoto Agenor de Miranda Araújo Neto (nome de batismo) ter morrido aos 32 anos, mas por ser o maior representante da importância de ser jovem e consciente nesse país. E faz mesmo o poeta permanecer vivo em nossos corações. :)

Cazuza no auge e em seus momentos finais: poesia e sentimentos até diante da dor

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O POETA ESTÁ VIVO
Roberto Frejat e Dulce Quental

Baby, compra o jornal
E vem ver o sol
Ele continua a brilhar
Apesar de tanta barbaridade...

Baby escuta o galo cantar
A aurora dos nossos tempos
Não é hora de chorar
Amanheceu o pensamento...

O poeta está vivo
Com seus moinhos de vento
A impulsionar
A grande roda da história...

Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de vento...

Se você não pode ser forte
Seja pelo menos humana
Quando o papa e seu rebanho chegar
Não tenha pena...

Todo mundo é parecido
Quando sente dor
Mas nu e só ao meio dia
Só quem está pronto pro amor...

O poeta não morreu
Foi ao inferno e voltou
Conheceu os jardins do Éden
E nos contou...

TH - Homenagem mais do que merecida...

domingo, 4 de julho de 2010

MÚSICA - MEMÓRIA AFETIVA: SEM EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS (04/07)


Antes das lembranças pessoais/afetivas propriamente ditas, falemos de Gilberto Gil: a idade me impede de ter "vivenciado" o tempo das melhores canções e composições do nosso ex-ministro da cultura. Gostaria muito, por exemplo, de ter vivido no auge da Tropicália, ou na vigência dos Doces Bárbaros. Mais ainda: quando nosso ícone baiano foi exilado e valeu-se apenas de sua crítica, com metáforas musicais certeiras para externar tudo aquilo que lhe era amordaçado pelos mandos e desmandos da quartelada militar nos 60's. Adoraria ter sido um adolescente reacionário nesse cenário e poder usar a música como voz de protestos tão necessários contra a Ditadura. Acompanhar o fruto de minha pesquisa musical como se fossem lançamentos de rádio daquela época seria mesmo uma sensação orgásmica, no entanto, valho-me do pensamento de que música boa é atemporal: não importa quando as escutamos - surte-nos com efeito e grandes emoções a qualquer tempo, de todas as maneiras!
No lugar de pensamentos tão bem fundamentados como os acima, vem, em seguida os nonsenses: não é necessário, pra ratificar uma memória musical afetiva, associarmos épocas certas ou pessoas adequadas. As correlações musicais podem aparecer com ou sem motivos. São desvaneios da mente - eficazmente sublinhados pelo poder que a música tem em nossas vidas. Exemplo disso é ouvir Madalena, do mesmo Gil, e criar imediatamente um link às tardes que eu passava na casa de minha avó paterna, Noélia, in memorian. Não sei por qual razão existe essa ligação, pois ela detestava tudo do Gilberto Gil, e lá não tinha rádios ou vitrolas para ter escutado e justificar essa nostalgia subconsciente.
Logo, tanto faz se a gente viveu determinado período ou não: a música vai estar sempre lá, se fazendo presente com ou sem motivo aparente. Podemos ouvir qualquer canção-símbolo de alguma coisa e não lembrá-la apenas por isso. Só por recordar. Comunicações auditivas são mesmo esquisitas e este é mais um grande mistério do ser humano - e dos mais musicais possíveis! :D

"Madalena" foi a primeira música de trabalho do ótimo disco Parabolicamará, de 1992

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MADALENA
Gilberto Gil

Fui passear na roça
Encontrei madalena
Sentada numa pedra
Comendo farinha seca
Olhando a produção agrícola
E a pecuária
Madalena chorava
Sua mãe consolava
Dizendo assim
Pobre não tem valor
Pobre é sofredor
E quem ajuda é Senhor do Bonfim

Entra em beco sai em beco
Há um recurso madalena
Entra em beco sai em beco
Há uma santa com seu nome
Entra em beco sai em beco
Vai na próxima capela
E acende um vela
Pra não passar fome


TH - Tantas recordações...


quinta-feira, 1 de julho de 2010

APOGEU GAÚCHO?! (01/07)

Engenheiros do Hawaii

Engenheiros do Hawaii sempre foi uma das bandas do rock nacional que mais conseguiu diminuir a hegemonia de São Paulo e Rio de Janeiro na representação do estilo. Naturais do Rio Grande do Sul, e com quase três décadas de existência, o grupo conta hoje apenas com o vocalista Humberto Gessingher de remanescente.
Desde pequeno ouço coisas dos Engenheiros, e lembro que um dos primeiros contatos com a música deles foi com o seriado Armação Ilimitada, nos anos 80. Se puder fazer uma crítica baseada no pouco que conheço da banda, eu penso que foi nessa década sua melhor fase, apesar de adorar algumas coisas dos anos 90 sim. (Piano Bar, Parabólica, A Montanha, A Promessa...)
Cresci testemunhando gente indignada com o jeito arrogante de Humberto: diziam que ele flutuava ao invés de andar e colocava seu grupo no apogeu, desprezando os reles mortais restantes do mundo do rock brazuca. Não sei se procede, apesar de achar o vocalista deveras frio - tanto em entrevistas quanto no palco. Independente da torcida de nariz por conta da crítica especializada e de outros grupos musicais, uma coisa é fato: até hoje eles são amados com muito fervor por fãs cativos e fieis. O maior prestígio dos gaúchos vem da parte mais interessada - os consumidores de seu rock a la Rush, repleto de metáforas e atitude.
Em 2002 eu fui ao show da banda aqui em Maceió, na estação ferrovia, e foi lendário: além de estarem bem inspirados na apresentação, foi uma noite agradabilíssima com amigos e que até hoje é lembrada.
Às vezes precisamos mesmo de música pra tornar momentos especiais mais inesquecíveis ainda ;)



O vocalista Humberto Gessinger é o único integrante remanescente até hoje



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A PROMESSA
Humberto Gessingher
Engenheiros do Hawaii

Não vejo nada.
O que eu vejo, não me agrada.
Não ouço nada.
O que eu ouço, não diz nada
Perdi a conta
Das pérolas e porcos
Que eu cruzei, pela estrada...

Estou ligado à cabo
A tudo que acaba
De acontecer...

Propaganda
É a arma do negócio.
No nosso peito bate
Um alvo muito fácil.
Mira à laser,
Miragem de consumo,
Latas e litros
De paz teleguiada.
Estou ligado à cabo
A tudo que eles tem
Pra oferecer...

O céu é só uma promessa.
Eu tenho pressa,
Vamos nessa direção.
Atrás de um sol
Que nos aqueça
Minha cabeça
Não aguenta mais...

Tu me encontrastes
De mãos vazias;
Eu te encontrei
Na contramão.
Na hora exata,
Na encruzilhada,
Na Highway da
Super-informação.
Estamos tão ligados
Já não temos o que temer...
O céu é só uma promessa.
Eu tenho pressa,
Vamos nessa direção.
Atrás de um sol
Que nos aqueça
Minha cabeça
Não aguenta mais...




TH - Dando espaço ao cabeludo



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