
O Rock brasileiro destaca-se por ser igual ao país: vasto. Sofre influência (e ritmos) de todas as regiões. Também, tal qual o Brasil, é extremado – tem momentos de conversa séria e protestos mesclados com outros totalmente dedicados a bobagens e frivolidades.
Nem de longe pensem que ícones do rock brazuca são seres sublimes e inalcançáveis: nossos heróis nacionais chegam a ser os mais trapalhões de todo o mundo, pois nascem, chegam ao estrelato e decaem, por vezes de maneira bastante vergonhosa. Mas o legal disso é que assumem publicamente. São os músicos mais genuínos possíveis! Levam as derrotas como meras “cagadas” de carreira e já se aprontam pro próximo passo. Essa coisa quase “caseira” que as bandas possuem acaba sendo uma característica normal, aceitável e os aproxima bem mais do público.
Hoje, dia do rock, resolvi fazer um
TOP 25 com bandas ou movimentos de rock brasileiro, fazendo-lhes uma breve apresentação e registrando sua importância pra história do estilo no país. Claro, não deu pra elencar tudo, mas se faz oportuna, logo abaixo, uma pequena e esboçada lista de “menções honrosas”. Como num festival de rock, deixo aberto o espaço pros comentários, e podem me avacalhar à vontade por conta de minhas considerações. Rock e respeito nunca andaram de mãos dadas, mesmo! ;)
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1) MUTANTES

Antes mesmo de pensar nas bandas da lista, esta já me veio à cabeça como o primeiro lugar.
Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e
Rita Lee estiveram à frente de uma jóia rara, contemporânea aos
Beatles e
Beach Boys (na minha opinião, com muito mais genialidade e criatividade). Os “
Xuxuzinhos” misturavam rock, sertanejo, forró e letras esquizofrênicas, criando vários hinos que foram depois gravados por muita gente. Discussões internas, estranhamento no foco pessoal/profissional e a demissão de Rita, anos luz depois substituída por
Zélia Duncan numa “retomada” mostram que, a despeito de todos os defeitos, a banda criou algo tão original que fica com a merecida medalha de liderança!
2) LEGIÃO URBANA

Legião tem a forte crítica social, as declarações de amor pros bofes de Renato, a coerência dos álbuns e a unanimidade a seu favor. É a banda mais lendária do rock brasileiro, com o líder certo, no tempo certo. Discos pesados, melancólicos, românticos, letras eternizadas, retóricas oportunas, metáforas geniais, shows idem. E tome “beber água da fonte” com uma infinidade de canções póstumas descobertas, “últimos shows imortais”, etc..etc...
3) SEPULTURA
Está aqui para situar – e muito bem – o Brasil no mundo do Metal, desde 1984!
Sepultura é a banda brasileira de maior visibilidade lá fora, donos de um legado muito forte e um grande respeito (eu disse respeito ?)nesse ramo do rock. Medalha de bronze pra eles!
4) TITÃS
Fiz uma matéria completa da banda paulista no mês passado, que pode ser vista
aqui. Músicas ótimas, várias fases, com altos e baixos. Com músicos excepcionais (chegando até a oito, em determinado período ),
Titãs detém o título de maior banda ainda atuante do rock nacional, representando
São Paulo ao lado de
Ira!, Fica em quarto lugar!
5) O RAPPA

Não vamos entrar no mérito se
o Rappa era uma banda de reggae, de rock, de rock reggae. O rock brasileiro nunca foi linear – sempre teve influências de outros estilos em determinado ponto. O Rappa está em quinto lugar, pois, de todas as bandas desta lista, eles são os que mais põem em prática tudo aquilo que pregam em suas letras. Trabalhos sociais fiscalizados, críticas políticas ratificadas, atitudes que realmente importam. Para quem considera um elogio, eles são o nosso “
U2”
6) SKANK
Parto do mesmo princípio do
Rappa para definir o
Skank. A banda liderada por
Samuel Rosa começou como “tchacundum” e mudou radicalmente seus estilos a cada disco lançado. Em termos de prestígio, Skank fez história e até hoje os mineiros são referência para novatos.
7) RAUL SEIXAS
O esoterismo marca presença no rock nas mãos de
Raul Seixas, que explodiu na década de 70, trazendo o universo
Hippie e seus hinos ripongas que cultuaram a cabeça e sublinharam o deboche anárquico dos adolescentes daquela década.
8) SECOS & MOLHADOS
O rock é feroz, mas consegue ser docinho quando é usado pra “musicar poesias”, coisa que a banda dos anos 70, liderada por
João Ricardo e com
Ney Matogrosso como vocalista, fazia com louvor!
9) PARALAMAS DO SUCESSO
A banda liderada por
Herbert Vianna, dentre suas contemporâneas, sempre foi a mais bem colocada nas paradas, fazendo jus a seu nome, com clássicos absolutos. Manteve-se no auge nas décadas de 80 e 90, tendo o inicio de sua derrocada na de 2000. O público já não era o mesmo, Herbert havia sofrido um acidente, não havia espaço na música brasileira pra seus hits sempre tão bem certeiros...mas o carinho pessoal pela grande trajetória do grupo é muito forte ;)
10)CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI
Chegamos ao
Nordeste, e o aeroporto pousa logo ao lado das plantações sempre úmidas com caranguejos andando lado a lado nos lamaçais. CS&NZ, de
Pernambuco, eternizou o conhecido movimento “mangue-beat”, que misturava percussão nordestina e guitarras pesadas, conquistando fãs e críticas. A maioria dos roqueiros de outras vertentes fecha a cara para a importância do movimento, mas até hoje tem bastante força.
11) NOVOS BAIANOS E INVASÃO NORDESTINA
O rock na
Bahia tem cara de mistura. E os ingredientes levam baião, choro, afoxé, frevo, bossa-nova e por incrível que pareça, um tal de rock and roll! E, de seu fim, naqueles anos derradeiros dos 70, saíram vários artistas que se consagrariam com boas carreiras na MPB, casos de
Pepeu Gomes,
Moraes Moreira e
Baby Consuelo. Já a entitulda “invasão nordestina” dá-se pela arriscada tentativa de misturar estilos bem ortodoxos ao rock – inventado por alguns músicos da região
Fagner, Zé Ramalho, Belchior...
12) PLANET HEMP
Dentre as bandas dos anos 90, a liderada por
Marcelo D2 é lembrada por sua postura engajada em prol da legalização da maconha e por todas conseqüências legais acarretadas por isto. Em um determinado momento, D2 alegou que não era mais usuário, e só cantava para encher mesmo o saco (an-ham, senta lá, Cláudia), e, logo em seguida, surpreendeu público e crítica transformando-se num músico de verdade, passeando “careta” por outros estilos como samba. Ganhou e manteve respeito!
13) RAIMUNDOS

Uma das bandas mais geniais de nosso rock. Esqueçam as letras pornográficas, Esqueçam o fim abreviado pela “evangelização” de
Rodolfo. A mistura de rock punk com forró fez a cabeça e a adolescência de muitos garotos na década de 90. Popularizou o estilo
Punk, no Brasil, sempre tão underground como a banda de
João Gordo, “Ratos de Porão”
14) PITTY

Sei que várias pessoas irão torcer o nariz por ver a
Pitty representando o estilo, mas pensem: hoje, quem é a roqueira brasileira? Querendo ou não, Pitty tem a atitude, a aparência e os palavrões. Além de músicas bombando na rádio ao lado de
Lady Ga Ga e adjacências. A baiana, à sua maneira, ajuda a não sepultarem ainda o estilo nos dias de hoje.
15) KID ABELHA
O rock pode ser pop? O pop pode ser rock? Alheia a quaisquer discussões infindáveis sobre o que pode ou não no rock brasileiro,
Paula Toller sempre esteve a frente de uma verdadeira máquina de fazer hits apaixonados e inspirados. E o tempo só fez bem à vocalista, sempre mais bonita. Já à banda...
16) LOS HERMANOS
A banda criada no fim da década de 90 é da lista, a mais “MPB-ROCK existente. Tanto batalharam que conseguiram se destituir do injusto posto de mera “one hit band” (
Anna Julia) e adquiriram, à força, respeito e agrado de todos.
17)CHARLIE BROWN JR. E DEMAIS SKATE-BANDS

Não, não gosto nem nunca gostei de
Charlie Brown Jr. A banda santista liderada por
Chorão aparece aqui apenas por conseguir um feito: a partir dela, tivemos inúmeras “pseudo-CBJrs” surgindo, como
Detonautas,
CPM 22, O Surto e muitas outras. Reconheço e dou o devido mérito ao trabalho nos paulistanos, é puramente questão de gosto pessoal mesmo.
18) JORGE BEN JOR
Criador de um novo estilo musical, o “samba-rock”, além de flertar com ritmos não necessariamente brasileiros, o carioca tem uma inigualável importância para a música brasileira e é sempre bem vindo em qualquer homenagem.
19) CLUBE DE ESQUINA
– A trupe de
Minas Gerais tem uma vertente mais beatlemaníaca em seu estilo musical. Desde já vamos desassociando o rock de músicas com guitarreira pesada, que historicamente ele não é assim! O grupo/movimento musical era liderado por
Milton Nascimento e
Lô Borges
20) JOVEM GUARDA X TROPICÁLIA
Antes era apenas uma dupla:
Roberto Carlos e
Erasmo Carlos. Ambos eram campeões imbatíveis de um estilo de rock que ‘imitava’ o americano, com hits lendários como “
Calhambeque”. A
Rede Record pegou carona e, através de um programa chamado “
Jovem Guarda”, liderado pelo “Rei Roberto’, Erasmo e
Wanderléa. proliferou o estilo, dando emprego a muita gente como
Renato e seus Blue Caps (quer coisa mais americana?),
Jerry Adriani e tantos outros mais. Não, não gosto da Jovem Guarda, mas em atenção a meus pais, ela aparece na 20ª posição. Concomitante ao movimento,
Elis Regina e
Jair Rodrigues lideraram. do lado de outros artistas da MPB, um protesto contra o estilo. Surgiu assim, a seguir, o movimento entitulado
Tropicália – remanescentes da
Bossa Nova atuando com mentes pensantes e reacionárias como as de
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, e com presença muito marcante dos
Mutantes e, logo depois assumidos pelos
Doces Bárbaros. Eles não eram rock nas melodias ou nos instrumentais, mas em termos de atitude. Ganharam inúmeros festivais, foram importantes demais para todos os jovens com ideais naqueles tempos. Faziam no Brasil a fase mais “pensante” de nossa música, onde os protestos apareciam em metáforas ou em citações diretas mesmo. Oposição exata ao rock despretensioso, bobinho e gringo da Jovem Guarda.
21) CAPITAL INICIAL

A banda de
Dinho Ouro Preto, antes denominada “
Aborto-Elétrico” é a que mais resume com exatidão o rock brasileiro: começo, auge, encher rabo de dinheiro, ostracismo, morte, renascimento, recuperação de fôlego e vida estável.
22) CAZUZA E BARÃO VERMELHO

São Hours Concours em qualquer classificação, mas seria injusto não citá-los aqui. Tudo o que tenho para dizer sobre
Cazuza está
aqui!
23) ENGENHEIROS DO HAWAII
A banda do boçal
Humberto Ghessingher representa muito bem o
Rio Grande do Sul no cenário roqueiro do Brasil. Também escrevi sobre eles
aqui.
24) BANDAS EMO-CORE

Começaram a surgir no país em 2003 e são as atuais representantes do “roque”. Não tenho nada para considerar sobre as mesmas, a não ser citá-las:
Fresno, NX Zero...tem mais?
25) CELLY CAMPELO

Claro que eu não deixaria de fora a princesinha do rock.
Celly foi uma verdadeira pérola que reproduzia – bem antes da
Jovem Guarda, os maiores hits estrangeiros em versões brazucas. A única pisada de bola da saudosa garota foi abandonar o mundo do rock e virar uma “dona de casa que cuidava do marido”.
MENÇÕES HONROSAS:
IRA!
NENHUM DE NÓS
REPLICANTES
ULTRAJE A RIGOR
MAMONAS ASSASSINAS
PLEBE RUDE
MUNDO LIVRE S/A
GABRIEL PENSADOR
PEDRO LUIS E A PAREDE
SÁ, RODRIX & GUARABYRA
MAGAZINE & KID VINIL
TUTTI FRUTI
RITA LEE CARREIRA SOLO
CÁSSIA ELLER
PATO FU
R.P.M.
ANGRA & SHAMANTH - Insone, produzindo de madrugada!