segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

RANKING - ATUALIZAÇÃO MENSAL (Janeiro 2011)



Encerrando mais um mês produtivo (e porque não dizer cult?) aqui no EnTHulho.
Tom Jobim deu um ar de classe adicional ao blog, e sua obra foi amplamente explorada nas 5 matérias destinadas a ele - e a seus parceiros. Graças a Tom, falou-se muito de Vinicius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Toquinho, Gal Costa, João Gilberto e muito mais. O movimento da Bossa Nova - importantíssimo pra história musical do país, esteve em voga na maior parte das postagens.

Elis Regina
também foi homenageada - pelo amigo musical convidado Daniel Pepe e por uma crônica comemorativa aos 29 anos de sua morte. Marina Lima e Milton Carlos foram as indicações dos amigos Marcelo Ramos e Pedro Lucena. E o querido Antonio Elias também participou com uma crônica linda sobre seu xará Tom Jobim. Como vêem, um mês bem participativo no blogue!
O EnTHulho Musical também tem a premissa de ser um grande fórum de debates - e o post "Um discurso sessentista que é atualíssimo" foi uma verdadeira aula de cultura musical, que me inspirou um post futuro sobre o tema abordado.
Sem delongas, a artista do mês de Fevereiro de 2011 é Adriana Calcanhotto, uma das mais solicitadas e admiradas cantoras dentre os leitores do blogue, e prometo caprichar nas matérias sobre Drica. Não percam!
Segue, como de costume, o ranking do mês!





Matérias com o artista do mês (clique pra conferir)

-
Apresentação/Biografia
- Som Sobre Tom
- Dossiê Tom Jobim - trilhas sonoras
- Lista: parceiros de Tom Jobim
-
ÚLTIMA FAIXA: Tom Sobre Tom



Azul-claro = Estrearam
Azul-escuro = Subiram
Vermelho = Caíram
Preto = mantiveram a posição



1º CHICO BUARQUE – 17 músicas (=)
2ª ZÉLIA DUNCAN - 17 músicas (=)
3ª MOSKA - 12 músicas (=)
4ª CÁSSIA ELLER – 11 músicas (=)
5ª MARIA BETHÂNIA - 11 músicas (=)
6ª MARISA MONTE - 10 músicas (=)
7ª RITA LEE – 10 músicas (=)
8º DJAVAN - 9 músicas (=)
9ª ELIS REGINA - 9 músicas (+7)
10ª GAL COSTA - 9 músicas (+7)
11ª MARINA LIMA - 9 músicas (=)
12º CAETANO VELOSO - 8 músicas (-3)
13º LENINE - 8 músicas (-3)
14ª ADRIANA CALCANHOTTO - 7 músicas (-2)
15º CAZUZA - 7 músicas (-2)
16º GUILHERME ARANTES - 7 músicas (=)
17º MILTON NASCIMENTO – 7 músicas (=)
18ª VANESSA DA MATA - 7 músicas (=)
19º LEGIÃO URBANA - 6 músicas (=)
20º NANDO REIS - 6 músicas (=)
21ª NARA LEÃO – 6 músicas (=)
22º NEY MATOGROSSO – 6 músicas (=)
23ª ANA CAROLINA - 5 músicas (=)
24ª DANIELA MERCURY - 5 músicas (=)
25ª ELIANA PRINTES - 5 músicas (=)
26º GILBERTO GIL - 5 músicas (=)
27ª NANA CAYMMI - 5 músicas (=)
28º OS PARALAMAS DO SUCESSO - 5 músicas (=)
29ª SIMONE - 5 músicas (=)
30º TOQUINHO - 5 músicas (=)
31º VINICIUS DE MORAIS - 5 músicas (+9)
32º ZECA BALEIRO - 5 músicas (-1)
33º ALCEU VALENÇA - 4 músicas (-1)
34º ENGENHEIROS DO HAWAII - 4 músicas (-1)
35º FLÁVIO VENTURINI - 4 músicas (-1)
36º GONZAGUINHA – 4 músicas (-1)
37º OS MUTANTES - 4 músicas (-1)
38º RAUL SEIXAS - 4 músicas (-1)
39º ROBERTO CARLOS – 4 músicas (-1)
40º SKANK - 4 músicas (-1)
41ª MEMÓRIA INFANTIL: XUXA - 4 músicas (=)
42º ZÉ RAMALHO - 4 músicas (=)
43º MEMÓRIA INFANTIL: BALÃO MÁGICO - 3 músicas (=)
44º CHICO CÉSAR - 3 músicas (=)
45ª CLARA NUNES - 3 músicas (=)
46º DORIVAL CAYMMI - 3 músicas (=)
47ª ELBA RAMALHO - 3 músicas (=)
48ª FERNANDA ABREU - 3 músicas (=)
49º HERBERT VIANNA - 3 músicas (=)
50º IVAN LINS - 3 músicas (=)
51º JORGE VERCILO - 3 músicas (=)
52º LULU SANTOS - 3 músicas (=)
53ª MONICA SALMASO - 3 músicas (=)
54º O RAPPA - 3 músicas (=)
55º PATO FU - 3 músicas (=)
56ª RITA RIBEIRO - 3 músicas (=)
57ª ROBERTA SÁ - 3 músicas (=)
58º TOM JOBIM – 3 músicas *ESTREIA
59º MEMÓRIA INFANTIL: TREM DA ALEGRIA - 3 músicas (-1)
60º ADONIRAN BARBOSA – 2 músicas (-1)
61ª ALZIRA ESPÍNDOLA - 2 músicas (-1)
62º ARNALDO ANTUNES - 2 músicas (-1)
63º BARÃO VERMELHO - 2 músicas (-1)
64ª BRUNA CARAM - 2 músicas (-1)
65ª BELLÔ VELOSO - 2 músicas (-1)
66º CAPITAL INICIAL - 2 músicas (-1)
67º CARLINHOS BROWN – 2 músicas (-1)
68º CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI - 2 músicas (-1)
69ª CÉU - 2 músicas (-1)
70º ED MOTTA - 2 músicas (-1)
71ª ELIZETH CARDOSO – 2 músicas (-1)
72ª ELZA SOARES - 2 músicas (-1)
73ª FAFÁ DE BELÉM – 2 músicas (-1)
74ª FERNANDA PORTO - 1 música (-1)
75ª FERNANDA TAKAI - 2 músicas (-1)
76º ITAMAR ASSUMPÇÃO - 2 músicas (-1)
77º JAY VAQUER – 2 músicas (-1)
78º JORGE BEN - 2 músicas (-1)
79ª INTERNACIONAL CONVIDADA: JULIETA VENEGAS - 2 músicas (-1)
80ª KÁTIA B - 2 músicas (-1)
81º KID ABELHA - 2 músicas (-1)
82ª LEILA PINHEIRO - 2 músicas (-1)
83ª CANTRIZ: LETÍCIA SABATELLA - 2 músicas (-1)
84º LOS HERMANOS - 2 músicas (-1)
85ª CANTRIZ: LUCINHA LINS - 2 músicas (-1)
86ª MARIA RITA - 2 músicas (-1)
87ª INTERNACIONAL CONVIDADA: MERCEDES SOSA – 2 músicas (-1)
88º MORAES MOREIRA – 2 músicas (-1)
89º OSWALDO MONTENEGRO - 2 músicas (=)
90ª PATRICIA MARX - 1 música (=)
91º PEDRO LUIS E A PAREDE - 2 músicas (=)
92ª PITTY - 2 músicas (=)
93º SECOS & MOLHADOS - 2 músicas (-1)
94ª SELMA REIS - 2 músicas (-1)
95º TOM ZÉ - 2 músicas (-1)
96º VEGA - 2 músicas (-1)
97ª VERÔNICA SABINO - 2 músicas (-1)
98º WADO – 2 músicas (-1)
99ª ZIZI POSSI – 2 músicas (-1)
100º 14 BIS – 1 música (-1)
101ª ALICE RUIZ - 1 música (-1)
102ª ANA CAÑAS – 1 música (-1)
103ª ANELIS ASSUMPÇÃO - 1 música (-1)
104ª ÂNGELA MARIA – 1 música (-1)
105ª ANGELA RO RO - 1 música (-1)
106º ANTONIO CARLOS NÓBREGA - 1 música (-1)
107ª AS CHICAS – 1 música (-1)
108º MEMÓRIA INFANTIL: AQUARIOUS - 1 música (-1)
109ª BANDA REFLEXU’S – 1 música (-1)
110º BANDA VEXAME – 1 música (-1)
111ª BEATRIZ AZEVEDO – 1 música (-1)
112ª BETH CARVALHO - 1 música (-1)
113ª BEBEL GILBERTO - 1 música (-1)
114ª BIQUINI CAVADÃO - 1 música (-1)
115º CARLOS MOURA - 1 música (-1)
116ª CARMEM MIRANDA - 1 música (-1)
117º MEMÓRIA INFANTIL: CICLONE - 1 música (-1)
118º CIDADE NEGRA - 1 música (-1)
119º CLAUDIO NUCCI - 1 música (-1)
120º COMADRE FLORZINHA – 1 música (-1)
121º CORDEL DO FOGO ENCANTADO - 1 música (-1)
122ª DANNI CARLOS - 1 música (-1)
123ª DALVA DE OLIVEIRA – 1 música (-1)
124ª DAÚDE – 1 música (-1)
125º DEMÔNIOS DA GAROA – 1 música (-1)
126º DOMINGUINHOS - 1 música (-1)
127ª INTERNACIONAL CONVIDADA: DULCE PONTES - 1 música (-1)
128º EDU LOBO - 1 música (-1)
129º EMÍLIO SANTIAGO – 1 música (-1)
130º ERASMO CARLOS - 1 música (-1)
131ª FERNANDA GUIMARÃES - 1 música (-1)
132º FRED MARTINS - 1 música (-1)
133º GABRIEL PENSADOR - 1 música (-1)
134º GERALDO AZEVEDO - 1 música (-1)
135º GERALDO VANDRÉ - 1 música (-1)
136ª HELENA ELIS - 1 música (-1)
137º HERÓIS DA RESISTÊNCIA – 1 música (-1)
138º IRA – 1 música (-1)
139ª ISABELLA TAVIANI - 1 música (-1)
140ª JANE DUBOC – 1 música (-1)
141º JESSÉ -1 música (-1)
142ª JOVELINA PÉROLA NEGRA – 1 música (-1)
143 - JOÃO GILBERTO – 1 música *ESTREIA
144ª LEILA MARIA - 1 música (-2)
145º LOBÃO - 1 música (-2)
146ª LUCIANA MELLO - 1 música (-2)
147º LUDOV – 1 música (-2)
148º LUPICÍNIO RODRIGUES – 1 música (-2)
149º INTERNACIONAL CONVIDADO: MADREDEUS - 1 música (-2)
150ª MARIA GADU – 1 música (-2)
151ª MARIANA AYDAR – 1 música (-2)
152ª MARTINÁLIA - 1 música (-2)
153ª MAYSA - 1 música (-2)
154º METRÔ – 1 música (-2)
155º MILTON CARLOS – 1 música *ESTREIA
154º MIÚCHA – 1 música (-3)
155º MOINHO - 1 música (-3)
156º MOPHO – 1 música (-3)
157ª NA OZETTI - 1 música (-1)
158º NASI - 1 música (-1)
159º NILA BRANCO - 1 música (-1)
160º INTERNACIONAL CONVIDADO: NUNO MINDELLIS - 1 música (-1)
161º MEMÓRIA INFANTIL: OS TRAPALHÕES – 1 música(-1)
162º OTTO – 1 música (-1)
163ª PAULA FERNANDES - 1 música (-1)
164ª PAULA LIMA - 1 música (-1)
165º PAULINHO DA VIOLA - 1 música (-1)
166º RAIMUNDO FAGNER – 1 música (-1)
167ª RENATA ARRUDA - 1 música (-1)
168º RENATO TEIXEIRA – 1 música (-1)
169ª TAMY – 1 música (-1)
170º TIM MAIA - 1 música (-1)
171° TITÃS – 1 música (-1)
172º TRIO VIRGULINO - 1 música (-1)
173º MEMÓRIA INFANTIL: TURMA DA MÔNICA - 1 música (-1)
174º VANDER LEE - 1 música (-1)
175ª VANGE LEONEL – 1 música (-1)
176ª VANIA BASTOS - 1 música (-1)
177ª INTERNACIONAL CONVIDADA: VIOLETA PARRA – 1 música (-1)
178ª WANDERLÉA - 1 música (-1)
179º INTERNACIONAL CONVIDADO: ZUCO 103 - 1 música (-1)
180º ZÉ RENATO – 1 música (-1)


TH - EnTHulho Musical - de Janeiro a Janeiro!

sábado, 29 de janeiro de 2011

ÚLTIMA FAIXA: Tom Sobre Tom (Crônica)




[Cronista convidado: Antônio Elias Firmino Ferreira*, o nosso Tom :)]
[Ao som de "Carta ao Tom"]


Este Tom tem alguns pecados cometidos ao longo de sua relativamente curta vida – quem não tem, né? Um dos confessáveis publicamente é o de nunca ter dado ao outro Tom o seu devido valor até bem tarde. Foram onze anos de convivência – não mútua, logicamente, éramos eu e os discos que meu pai me obrigava a ouvir “Porque hoje é sábado” –, os dois últimos foram mais intensos por conta do início dos estudos em música (eu estava estudando no Colégio São Domingos, que tinha aulas de Música e Artes Plásticas obrigatórias). O fato é que eu não via grandes coisas no que ouvia. Dava um sono desgraçado.
A real descoberta viria na adolescência... como nunca fui uma criatura comum em meio círculo de convívio, eu trocava o Tchan facilmente por outra coisa. E em fase de descobertas e experimentos, tudo entrava na dança – baratos, sexo, ideais, religião e... música. Crescendo isolado no meio do mundo cheio de pessoas, eu buscava calmaria e lirismo no meio dos batuques incessantes supersexualizados e assim, eu redescobri aquele senhor com um chapéu indefectível na cabeça que meu velho me obrigava a ouvir “porque hoje é sábado! SARAVÁ!!!”.
Como eu, ele era brasileiro. Tão brasileiro que este era um dos seus sobrenomes! E nada mais fez que exaltar as belezas do seu País: suas matas, seus animais (pássaros, especialmente), suas mulheres, seu folclore, seu Rio de Janeiro natal.
Como qualquer brasileiro, foi camarada, fez muitos amigos ao longo da sua vida. Tão amigos que se tornaram parceiros, companheiros de jornada e trabalho – tudo regado, lógico, a um bom chope nos bares e boates da zona sul carioca e nas reuniões na casa da amiga Nara, que viriam a também ser eternizados.
Foi revolucionário em toda a calmaria de sua obra – a mistura de samba com jazz pode até ter criado algo que parece elitista por aqui, mas não é verdade. Foi simplesmente uma junção até então impensada de dois ritmos negros que deu muito certo e resultou num ritmo novo, completa e genuinamente brasileiro, reconhecido mundo afora. Um velho novo jeito de tocar, um velho novo jeito de cantar, abandonando o “dó-de-peito” em favor de vocais mais suaves, quase sussurrantes.
Claro, como os melhores, ele também falou de amor. E de desamores. E de novos amores. E de amores interferindo em outros amores (perigo...). Basicamente, há sempre um Tom para cada momento da vida deste Tom, com certeza. E de tantos outros Tons... e Antonios... Carlos... Elias... Nilzas... Jorges... Therezas... Anas... Paulos... Elizabethes... Daniéis... Doras... Franciscos... Luizas (aliás, ele cantou uma, não foi? OK, foi para uma novela...)...
Ao longo da vida, pude encontrá-lo em filmes, no teatro, na televisão, na discoteca paterna. Ainda olho para trás e vejo que muito tempo foi perdido pelo desvalor dado ao que havia para deleite e crescimento deste Tom. Mas certamente há tempo de sobra para se recuperar o perdido!



* É arquiteto de Maceió, AL e tem uma forte ligação com as artes.
Blog: http://cantinhodotom.blogspot.com/
Participação dele como Amigo Musical Convidado: http://enthulho.blogspot.com/2010/07/amigo-musica-convidado-8-antonio-tom.html



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

LISTA: PARCEIROS DE TOM JOBIM

Sérgio Ricardo, Normando Marques, Tom Jobim, Ronaldo Bôscoli e Nara Leão: reuniões da Bossa Nova.



No dia 8 de Dezembro de 1994 o coração de Tom Jobim parara de repente...centenas de balões brancos foram enviados aos céus do Rio de Janeiro em sinal de homenagem, ao som da cantada quase em uníssono “Chega de Saudade”. Só que ela só estava começando...
Em meio a uma trajetória tão gigantesca e rica, sabemos que uma andorinha só não faz verão e que nessa longa estrada Tom contou com inúmeros parceiros em sua carreira. Cantores, compositores, amigos, intérpretes...Gente que teve participação, de uma forma ou de outra, pra que momentos como o fatídico 08/12/94 tivesse sido tão triste, saudoso e memorável....
o EnTHulho reúne hoje apenas algumas estrelas que constutuíram a constelação Antonio Brasileiro.





1) VINÍCIUS DE MORAIS

Incontestável principal parceiro de Tom Jobim. O mais possessivo dos amores, por assim dizer. Juntos revolucionariam a música popular brasileira e ajudariam a fundar a Bossa Nova. É só relembrar qual foi a primeira cria de ambos pra concluir a genialidade da parceria : “Se Todas Fossem Iguais a Você”. A partir do momento em que começaram a compor juntos, o poeta passou a exigir cada vez mais exclusividade de Tom, e anos depois a afinidade se desfez devido às constantes viagens de Tom e o temperamento ciumento de Vinicius. Mas rendeu frutos eternos...
Garota de Ipanema, Chega de Saudade, Eu Sei que Vou Te Amar e Canção do Amor Demais.


2) NEWTON MENDONÇA



O nome de Newton Mendonça, um dos mais importantes componentes do grupo que revolucionou a música brasileira, permanece obscuro. Músico e compositor, o carioca que morreu jovem aos 33 anos em 1960, foi o primeiro parceiro de Tom Jobim. A dupla - que se conhecia desde a infância e adolescência passadas em meio a pianos e gaitas na Rua Nascimento Silva, no Rio de Janeiro - foi responsável pela criação de canções como Samba de Uma Nota Só, Desafinado, e Meditação. De tão admirável, o cronista José Carlos de Oliveira (em sua coluna de 1974 publicada no Jornal do Brasil) concedeu a Newton um lugar na tríade da Bossa Nova ao considerá-lo o legítimo criador do gênero "ao lado de Tom Jobim e João Gilberto.


3) JOÃO GILBERTO


Meses finais de 1957: momento em que dois jovens se reencontram. Tom Jobim e João Gilberto haviam sido apresentados tempos atrás, mas passaram um período sem se verem. Agora, nesse reencontro, Tom ouve o violão tocado de forma singular, repara nos timbres discretos, tranqüilos, profundos, da voz do amigo: cantando baixo, dando a nota exata. Tom lembra-se de Chet Baker, grande do jazz norteamericano. Em pouco estaria consumado uma das mais impactantes reuniões da música brasileira.





4) MIÚCHA


Para participar da obra de Tom, era preciso uma boa dose de amor. Amor brasileiro. E Miucha começou sua carreira justamente falando de amor ao lado de Tom. Nos vários discos lançados em parceria, sua voz tímida e suave pontuou com perfeição as crônicas amorosas de Jobim, tornando-a uma das mais lembradas comparsas do maestro. Alem de ser a figura feminina-mor do “quarteto fantástico” composto de Tom, Vinicius, ela e Toquinho.






5) ELIS REGINA


Para comemorar os dez anos de carreira, a cantora Elis Regina pediu um presente à gravadora: fazer um disco com Tom e com as músicas de Tom. O maestro relutou, mas acabou aceitando. O disco Elis & Tom, gravado no início de 1974, em Los Angeles, onde Tom estava morando, teve um começo tenso. Ele foi pego de surpresa pelo empresário de Elis Regina, Roberto de Oliveira, que telefonou avisando que um grupo de músicos e Aloysio de Oliveira estavam no avião rumo à Califórnia para gravar um LP com maestro. Tom odiava surpresas e queria mandá-los de volta. "Não é que eu seja anti-social. É que sempre funcionei, em termos profissionais, com mania de perfeccionismo. O Aloysio chegando assim, de improviso, com a Elis a tiracolo me apavorou um pouco", disse Tom na época. "Ela conhece meu repertório melhor do que eu. Elis lembrava de arranjos que eu já havia esquecido. Uma coisa incrível." dizia também o maestro.



6) FRANK SINATRA


Tom Jobim fez muito sucesso gravando discos fora do Brasil também, na década de 60. O sucessos destes fez Frank Sinatra – grande mito dos Estados Unidos, convida-lo para fazer um concerto conjunto. O disco "Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim", de 1967, com arranjos de Claus Ogerman, incluiu versões em inglês de músicas de Tom ("The Girl From Ipanema", "How Insensitive", "Dindi", "Quiet Night of Quiet Stars") e composições americanas, como "I Concentrate On You", de Cole Porter




7) TOQUINHO

Mais um parceiro, mais uma vida compartilhada....Toquinho integrava o núcleo de Tom com louvor, o que ajudou – simultaneamente, a tornarem suas obras mais memoráveis ainda. O grande destaque, na minha modesta opinião, é o LP “Tom Jobim, Miúcha, Vinicius e Toquinho”, gravado ao vivo no Canecão. A afinidade do quarteto era evidenciada a cada nota e acorde da apresentação.


8) DOLORES DURAN


A já veterana cantora Dolores Duran poderia ter sido o mais fiel e constante dos amores de Tom, se não fosse os ciúmes de Vinicius. A cantora tinha todo amor necessário pra acentuar com propriedade a obra do maestro. Na sua voz, ficaram eternizadas interpretações de luxo como “Por Causa de Você” ou “Se é por falta de Adeus” – grandes frutos da acertada parceria. "Ele ficava mexido e tinha verdadeira adoração por cantoras consagradas como Dolores e Elizeth Cardoso", cita uma fonte.







9) CHICO BUARQUE


Por intermédio de Vinicius – que freqüentava a casa Buarque de Hollanda, Tom conheceu Chico Buarque, que acabou se tornando um grande encontro da música brasileira. a primeira valsa, chamada "Imagina", composta pelo maestro, em 1947, ganhou letra de Chico alguns anos depois. E com ele Tom criou obras-primas da música brasileira, como "Retrato em Branco e Preto", "Sabiá", "Anos Dourados", "Carta do Tom" (resposta à "Carta ao Tom", de Vinicius e Toquinho), "Meninos", "Eu Vi".


10) OUTROS



– Quem são? Ronaldo Bôscoli (foto), Nara Leão, Elizeth Cardoso, Paulinho Soledade, João Stockler, Luiz Bonfá, Alcides Fernandes, Sérgio Ricardo, Carlos Lyra, Normando Marques e Roberto Mazoir, dentre outros tantos os quais Tom se afastou ao longo de suas idas aos Estados Unidos. Mas todos foram marcados – de uma forma ou de outra, pela grandiosidade do astro, além de terem parcela muito significativa a construção do mito.




Cometi alguma injustiça? Esqueci algum parceiro importante? Comente!


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SE TODAS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ
Tom Jobim e Vinícius de Morais

Vai tua vida,
Teu caminho é de paz e amor
Vai tua vida é uma linda canção de amor
Abre os teus braços
E canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar,
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar,
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol,
Como a flor,
Como a luz
Amar sem mentir,
Nem sofrer

Existiria verdade,
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você


TH - A dupla que arrebentava!



domingo, 23 de janeiro de 2011

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 23 - Daniel Pepe!

A simpatia perdida em meio aos gélidos corações paulistanos


Toda vez que vou descrever alguém nessa seção, eu cogito se serei suficiente. Se singelas palavras poderiam mesmo destacar as melhores características do convidado. Claro que não. Uso esse espaço, entretanto, pra mostrar a minha 'leitura" sobre quem muito gentilmente vem aqui e deixa seu querido relato. Graças a Deus, só tive a felicidade de, desde que o blog começou, contar com textos inspiradíssimos, de pessoas igualmente especiais. Vou começar a acreditar nessa história da "aura que atrai pessoas do bem" ao meu redor! =]
Daniel Pepe não foge à regra. Sempre quis chamá-lo pra escrever aqui no EnTHulho, mas encabulava...não sei dizer bem o porquê. Até antes da amizade, entre nós se estabeleceu um profundo respeito. Sempre cordial - na internet e pessoalmente, o Dani é aquela pessoa agradável, acessível, discreta e que te dá a sensação de reconforto. Não é preciso mais do que alguns minutos pra notarmos um ser iluminado ao nosso lado.
Posso chamar nossos amigos em comum de "nossa turma" e, em meio a eles, reconheço no Pepe características de uma pessoa que, a despeito da timidez, tem a capacidade de te deixar à vontade em qualquer tempo. O sorriso é a porta de entrada, e Daniel chama as pessoas pro seu mundo da maneira mais franca e sincera possível. Fico feliz de já termos estabelecido uma frutífera amizade - a sensação de "poder contar" com alguém é maravilhosa e, em nosos caso, recíproca!
Sigamos com o relato "redescobridor" do rapaz de São Paulo. (Tô chegando!!!).

Em tempo: Adoro quando os convidados falam das músicas "quase-escolhidas" antes de elegerem a definitiva. Dá uma ideia do gosto musical dos mesmos, que é a verdadeira essência da seção!

"Ela"


Não vou ser o primeiro nem o último a escrever aqui que é muito difícil escolher uma música que represente a nossa vida ou um momento importante dela. Por isso, achei a parte em que deliberamos para escolher uma canção que diga algo sobre nós e que ao mesmo tempo transmita aos outros o que sentimos com ela, uma etapa bastante interessante. E nessa etapa, algo em torno de dez composições me vieram à mente.
Antes Que Seja Tarde”, Pato Fu, “Catedral”, Zélia Duncan, “Tempo Perdido”, Legião e “Esotérico”, Gilberto Gil já me acompanham há um bom tempo, nos momentos mais introspectivos, de conforto e reencontro. “Cartão Postal”, Olivia Himme, é aquela nostalgia melancólica que me lembra um momento feliz que já se foi. “Toada” e “Quem Tem a Viola”, ambos do Boca Livre, são lindas, mas não se encaixam em nenhuma fase específica. “À Primeira Vista”, Daniela Mercury e “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda” , Kid Abelha , são duas importantes canções que me acompanharam num momento de paixão e encantamento.
Mas o que eu queria mesmo passar para os leitores do EnTHulho é o momento que estou passando, que já aconteceu algumas vezes em outros tempos. Uma etapa onde a mudança é necessária, pois, por imposições das circunstâncias ou decisões erradas que tomamos, ficamos mais tempo do que o preciso em alguma fase da vida. “Tocando em Frente”, do Almir Satter na voz de Bethânia ou “Sol de Primavera”, Beto Guedes, seriam boas pedidas para representar isso, cada uma com seus versos significativos. Entretanto, elas não representam perfeitamente esse meu momento de “REDESCOBRIR”!
Com uma letra muito profunda e encorajadora e uma melodia estimulante, “Redescobrir”, composição do Gonzaguinha na voz de Elis Regina, demonstra bem meu anseio atual. Ela nos faz buscar dentro de nós algo da infância (“Vai como a criança que não teme o tempo. Mistério!”) e a nossa intrínseca relação com a natureza (“Vai o bicho homem, fruto da semente. Memórias!”), ou seja, mostra que devemos voltar às raízes, nos redescobrirmos para, consequentemente, continuarmos a viver (“Redescobrir o gosto e o sabor da festa. Magia!), sempre ao lado de companheiros que elegemos para compartilhar a vida (“O suor da vida no calor de irmãos.”).



DANIEL PEPE


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REDESCOBRIR
Composição: Gonzaguinha
Interpretação: Elis Regina

Como se fora a brincadeira de roda (Memórias!)
Jogo do trabalho na dança das mãos (Macias!)
O suor dos corpos na canção da vida (Histórias!)
O suor da vida no calor de irmãos (Magia!)

Como um animal que sabe da floresta (Memórias!)
Redescobrir o sal que está na própria pele (Macia!)
Redescobrir o doce no lamber das línguas (Macias!)
Redescobrir o gosto e o sabor da festa (Magia!)

Vai o bicho homem fruto da semente (Memórias!)
Renascer da própria força, própria luz e fé (Memorias!)
Entender que tudo é nosso sempre esteve em nós (História!)
Somos a semente, ato, mente e voz (Magia!)

Não tenha medo meu menino povo (Memórias!)
Tudo principia na própria pessoa (Beleza!)
Vai como a criança que não teme o tempo (Mistério!)
Amor se fazer, é tão prazer que é como fosse dor (Magia!)



TH - Reflexão de vida e estima!




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

FLOR DE ELIS...(Crônica)



Quando nasci, Elis já tinha ido, há poucos meses...
Meu desencontro com este grande ídolo da música, ferrenha ativista política e heroína anti-ditadura não obstou, contudo, a admiração, que foi cada vez mais crescente. De pequeno eu já fui fortemente motivado a conhecer sua obra: uma das músicas que mais embalaram meus primeiros anos de vida foi "Águas de Março", que Elis canta com nosso artista do mês, Tom Jobim. "É sua porque você nasceu em Março", dizia minha mãe, fazendo uma deliciosa alusão entre a também pisciana Elis Regina e eu.
Hilário perceber que, diferente de outros tantos casos na música brasileira, nunca ouvi críticas duras à vida desregrada de Elis - como consumidora de drogas pesadas e vivendo num estado de permanente depressão. As pessoas costumam julgar demais nossos "heróis que morreram de overdose" e por outras tantas drogas imaginárias, mas o caso de Elis é completamente diferente: do inferno que foram seus últimos anos, ela foi para o paraíso. Se foi amaldiçoada em algum momento por isso, não fiquei sabendo. Soube, isso sim, de gente que tentou prejudicá-la em vida, sem sucesso.
Mas não que em sua vida não tenham existido momentos muito bons e reconhecimentos. Ganhou apelidos formidáveis como Elis-Cóptero e Pimentinha - este último casava muitíssimo bem com a baixinha invocada que não levava desaforos ditadores pra casa e a-ma-va colocar o dedo na ferida. Arrastou consigo todo o Brasil em sua festejada estreia no I Festival de Música Popular, da TV Excelsior e ganhou tanta popularidade que certamente foi o que a salvou nos anos de chumbo - onde os músicos eram covardemente censurados e exilados. Os "gorilas" que governavam o país não puderam conter tanta grandeza musicada e ativista!
Parece que a morte de Elis foi abençoada por todos - aos 36 anos, ela fez tudo o que muitos não fizeram em vidas e mais vidas somadas. O sofrimento de seus últimos anos - período em que, mesmo com altíssimas vendagens de seus Lps e shows lotados, se sentia só e insatisfeita, foi abreviado e o povo - por mais que ficasse triste com sua partida, conseguiu vê-la em paz ao menos uma vez. Hoje, 29 anos após sua morte, continua sendo cultuada, mas é um prazer constatar que ela já tinha se tornado a maior heroína da música brasileira bem antes.

Um dia o sonho acabaria. E ela o esperou acabar...

Aplausos!


THIAGO HENRICK





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FASCINAÇÃO
Elis Regina
Composição: F.D.Marchetti / M.de Feraudy [Versão Armando Louzada]

Os sonhos mais lindos sonhei.
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ.

O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece.
És fascinação, amor.

Os sonhos mais lindos sonhei.
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão mil venturas previ.

O teu corpo é luz, sedução,
Poema divino cheio de esplendor.
Teu sorriso prende, inebria e entontece.
És fascinação, amor.


TH - Mais aplausos...




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DOSSIÊ TOM JOBIM - TRILHAS SONORAS!


Desta vez farei diferente.
Não vou ater apenas às produções de TV - A obra de Tom é muito vasta e transcende a telinha.
Faremos um retrospecto cronológico sobre os veículos onde nosso querido artista do mês Antônio Brasileiro já encantou com sua obra -além dos nossos corações, claro!
As informações sobre teatro e os filmes foram retiradas do site oficial do cantor e das novelas , by myself!

1) TEATRO (Orfeu da Conceição - peça de Vinicius de Morais de 1956)



O trabalho musical no teatro de mais respaldo com Tom Jobim envolvido foi mesmo essapeça de Vinicius de Morais. Dizem, inclusive, que foi o inicio da longeva e acertadissima parceria de ambos! A peça teve cenários de Oscar Niemeyer e ficou em cartaz no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e, posteriormente, no Teatro República. A direção foi de Leo Jusi, e o elenco contava com Haroldo Costa (Orfeu), Dirce Paiva (Eurídice), Léa Garcia (Mira), Cyro Monteiro, Abdias Nascimento no papel de Aristeu (mais tarde substituído pelo único branco de todos, Chico Feitosa, que teve que se pintar de preto! Dentre as várias músicas, encontram-se as clássicas "Lamento do Morro" e "Monólogo de Orfeu"





2) CINEMA (Vários)

A quantidade de películas que prestigiam a obra de Antonio Carlos Jobim é IMENSA! Abaixo, uma relação dos principais filmes que levam as melodias do cantor.

- Pista da Grama, 1958, filme de Haroldo Costa] - Em seu livro "Antonio Carlos Jobim - uma biografia", Sergio Cabral conta:
"...Haroldo Costa havia encomendado a Tom e Vinicius uma obra inédita para a trilha sonora do filme, sendo escolhida 'Eu não existo sem você'. A música foi cantada por Elizeth Cardoso durante uma cena que mostrava uma festa realizada num casarão de Jacarepaguá (...). Acompanhando Elizete nada menos do que João Gilberto ao violão e de Tom ao piano. Choveu muito na hora da filmagem, levando os figurantes que faziam papel de convidados a correrem todos para dentro da casa, o que dificultou muito o trabalho do câmera. Resultado: o filme mostra Elizete cantando, João Gilberto tocando violão, mas não houve ângulo que permitisse à câmera enquadrar também Tom Jobim, razão pela qual os espectadores ficaram com o som do piano, mas sem a imagem do pianista." O filme conta com a participação de Yoná Magalhães e Paulo Goulart.





- Orfeu Negro, 1959, de Marcel Camus. Músicas: "A Felicidade", "O Nosso Amor" e "Frevo". No elenco, Breno Mello, Marpessa Dawn, Lourdes de Oliveira, Lea Garcia, Ademar Ferreira da Silva, dentre outros.


- Pluft, o Fantasminha, 1961, de Romain Lesage.
Aqui, a presença de Tom no filme acontece musicando a letra do Romain, o diretor e realizador do filme (Canção dos Piratas), além de participar como um dos piratas! Atores: Ira Etz, Arrelia, Ivan Junqueira, Don José Cavaca, Yan Michalsky, Renato Consorte, Haroldo Costa, Fábio Sabag, Eugenio Hirsh, Waldir Maia, Sergio Ricardo, Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Lúcio Rangel, Sérgio Porto, Otelo Caçador, Sérgio Ricardo
e o próprio Tom!







- Porto de Caixas, 1961, Paulo Cesar Saraceni. Tom Jobim assume a direção musical e cria duas obras-primas: Derradeira Primaveira (no filme, instrumental) e Valsa do Porto de Caixas. No elenco, Reginaldo Farias, Irma Alvarez, dentre outros.

- Copacabana Palace, 1972, Stefano Vanzina. Tom não participou efetivamente do filme. Apenas pequenas contribuições e a música "Água de Beber"

- Garota de Ipanema, 1967, Leon Hirszman. Um dos mais associados filmes à obra de Tom, com vários hits [Garota de Ipanema, A queda, Tema da desilusão (Garota de Ipanema), Tema de abertura (Garota de Ipanema), Lamento no morro, Surfboard, Ela é carioca] e um elenco devastador: Márcia Rodrigues, Adriano Reys, Arduino Colasanti, Jose Carlos Marques, Irene Stefania, Ruy Sohlberg, Rosita Tomaz Lopes, João Saldanha, Iracema de Alencar, Rubem Braga, Fernando Sabino, Ana Beatriz, Marisa Urban, Joel Barcellos, Ziraldo, David Drew Zingg, Arnaldo Jabor, Vinicius de Moraes, Nelita Moraes, Suzana de Moraes, Nara Leão, Chico Buarque, Baden Powell, Dorival Caymmi, Luizinho Eça, Pixinguinha, Ronnie Von, Luis Lopes Coelho, Luisa Maranhão, Regina Rosenburgo, Noelza Guimarães, Bettina, Dilmer Mariani, Ana Maria Magalhães, Zózimo Bulbul, Caio Mourão, Zaida Araujo, Antonio Carlos Araujo, Celia Bilar, Aloisio Muniz Friere, Theresinha Muniz Friere, Scarlet Maia de Castro, Helio Fernandes, João de Barro.

COMENTÁRIO DE TH: Esse filme é mesmo lendário. Já tive o prazer de contemplar e reassistir várias vezes só pra constataro retrato fiel da leitura de Tom pra o bairro carioca.




-Eu te Amo, 1981, Arnaldo Jabor. Unir dois mestres das artes brasileiras - Tom e Arnaldo, só poderia dar coisa boa! A música-título é uma das melhores de sua carreira e o elenco era perfeito para a época: Sonia Braga, Vera Fischer, Tarcísio Meira, Paulo César Peréio, Regina Casé, Maria Silvia, Flavio Santiago, Catherine Deneuve, Jean-Louis Trintignant.

- Gabriela, 1983, de Bruno Barreto. Quem não se lembra do "Tema de amor para Gabriela". A dupla Tom e Gal Costa decididamente ferveu na trilha sonora desse filme como os músicos principais sob a direção musical de Oscar Castro Neves. Músicas da trilha: Gabriela, Chegada dos retirantes, Tema de amor de Gabriela, Pulando carniça, Pensando na vida, Casório, Origens, Ataque dos jagunços, Caminho da mata, Ilhéus. Elenco: Sonia Braga, Marcello Mastroianni, Antonio Cantáfora, Paulo Goulart, Antonio Pedro, Nelson Xavier, Nicole Puzzi, Nuno Leal Maia.




- Para Viver um Grande Amor, 1983, Miguel Faria Jr. O roteiro deste filme é inspirado na peça de teatro 'Pobre Menina Rica', de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes.
Algumas das composições originais da dupla para a peça 'Pobre Menina Rica' também fazem parte da trilha sonora, cantadas por Djavan, Olivia Byington, e Zezé Motta. Há uma participação de Elba Ramalho cantando 'A Violeira', de Tom e Chico Buarque.
É difícil acreditar que Tom Jobim tenha realmente feito uma direção musical nesta trilha sonora. O crédito parece mais uma homenagem prestada ao maestro pelo diretor Miguel Faria Jr. Provavelmente, Tom colaborou com ideias, escolha das músicas, e orientações gerais. Atores: Patrícia Pillar, Djavan, Zezé Motta, Gloria Menezes, Paulo Goulart. Músicas: O morro não tem vez, A violeira, Imagina (Valsa sentimental), Meninos, eu vi.

- Fonte de Saudade, 1984, Marco Altberg.
Baseado no romance "Trilogia do Assombro", de Helena Jobim, irmã de Tom. A trilha sonora inclui dois boleros, um tango, e um trecho lento extraído da música Bangzália. Tem também uma bela valsa, que Tom sola ao piano. Lucélia Santos encabeçava (muito bem) o elenco, que ainda tinha Norma Bengell, Claudio Marzo, Xuxa Lopes, José Wilker, Paulo Betti, Thales Pan Chacon, Maria Alves, Haylton Faria, Teresa Mascarenhas, Chico Diaz, Daniel Dantas, Joana de Abreu.



3) TELEVISÃO (aqui, apenas citadas algumas produções da Rede Globo)



Tom Jobim também fez parte de um filão de produções teledramaturgicas. Resolvi elencar apenas algumas - e descobri que os autores Gilberto Braga e Manoel Carlos - que costumam sempre dar pitacos na sonoplastia de suas tramas, foram os que mais homenagearam o grande maestro em temas de personagens e nas aberturas das novelas. Citando apenas alguns exemplos clássicos...:


- Espelho Mágico (Lauro César Muniz, 1977 - música: "Vai Levando"). Daniel Filho adorava trazer a obra de Tom às produções da Globo e fez com muita classe nessa novela que tentou fazer a metalinguagem do estilo.

- Brilhante (Gilberto Braga, 1981 - música: "Luiza"). Mais uma vez Daniel Filho é diretor geral da trama e conta uma curiosidade: Tom Jobim fez a música para a abertura da trama, mas alegou que o diretor deu uma rasteira nele, pois na música ele fala dos cabelos de Vera Fisher, e ela teve seus cabelos cortados a mando do diretor, sem saber de nada.



- O Tempo e o Vento (Minissérie de Doc Comparato, 1985). A trilha da minissérie é composta praticamente inteira da obra de Tom Jobim.

- Anos Dourados (Minissérie de Gilberto Braga, 1986 - música: "Anos Dourados"). Nesta excelente minissérie, o tema de abertura era uma versão instrumental do clássico de Tom Jobim.

- O Dono do Mundo (Gilberto Braga, 1991 - Música: "Querida"). Aqui a música de Tom combinava de maneira excelente com a abertura que reproduzia uma sequência do filme "O Grande Ditador" de Charles Chaplin.



Parceria entre Tom Jobim e Manoel Carlos:

As aberturas das 5 últimas novelas de Maneco prestigiavam a bossa de Tom Jobim. As crônicas televisivas do novelista casavam muito bem com os leves arranjos da música de Tom: Por Amor (1997, com "Falando de Amor", cantada pelo "Quarteto em Cy"), Laços de Família (2000, com "Corcovado", cantada por Astrud Gilberto com participação do próprio Tom, João Gilberto e Stan Getz), Mulheres Apaixonadas (2003, com a minha preferida: "Pela Luz dos Olhos Teus", parceria de Miúcha com o Tom), Páginas da Vida (2006, com "Wave", aqui em versão instrumental) e Viver a Vida (2009, Com "Sei Lá, a vida tem sempre razão", mais uma parceria de Tom e Miúcha). Além das aberturas, as trilhas das novelas de Manoel Carlos possuem diversas músicas de Tom Jobim interpretadas por cantores diversos. Por exemplo: em "Páginas da Vida", o autor quis homenagear os 80 anos de Tom em 2007 e, além da abertura, pôs outras músicas dele nas trilhas, dentre elas a bela "Promessas", defendida magistralmente por Nana Caymmi.


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Evidente que está incompleto. Por isso deixo aberto para vocês completarem nos comentários!


TH - Ufa!!!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 22 - Marcelo Ramos!

O comunicador fissurado por trilhas sonoras de novelas!


O virtual não é o contrário do real. Este seria o irreal. E o que é o virtual, então?
O conceito nunca sairá completo. Há pessoas que falam da internet pra atribuir virtualidade ao tipo de relação que se se estabelece por este meio. Há quem minoriza, que preconiza a "vida real', o "viver a vida', num ambiente bem distante de um computador. Eu mesmo já nem sei que peso a internet ainda exerce na minha existência, mas uma coisa é fato: devo a ela grandes contatos que fiz e que quero manter pra sempre.
Marcelo Ramos: que tarefa dificil lhe definir hein? Nós, piscianos, não devemos nunca nos limitar - até por não termos limites em nossa essência sonhadora. E como acho que definição é limite, vou discorrer com um breve histórico de nosso conhecimento e as pessoas vão "pegando" quem você é por ele.
Conheci pela internet em 2009 e pessoalmente no primeiro dia de 2010. Nômade que já morou em várias cidades, a primeira afinidade foram as impressões sobre a minha Maceió. Depois veio o mesmo signo, os conhecimentos teledramaturgicos, astrológicos e, finalmente, as tão saborosas trilhas sonoras! Ainda sobra espaço pra tricotarmos sobre vida pessoal e sobre um projeto na área de Comunicação que está desenvolvendo e que, volta e meia, me pede alguma ajuda. Conversamos bem menos do que podem pensar, mas a sintonia se estabelece ainda assim e eu o admiro por vários motivos - dentre eles, a capacidade de reconhecer erros e excessos e se reinventar a partir deles.
Fã de cantoras como Adriana Calcanhotto e Marina Lima - com quem já até se comunicou pra falar sobre o quanto sofreu com suas composições - fico feliz que tenha eleito o EnTHulho Musical como um de seus blogs preferidos - e certamente já é um grande colaborador do meu espacinho - seus conhecimentos de Publicidade serão de grande valia aqui!
A seguir, o relato apaixonado do super fã e especialista em trilhas sonoras, que mora em Itatiaia, RJ. Obrigado, rapaz!

P.s.: Marcelo é mais um fã de Marina Lima que faz questão de manter a cantora - que não está em evidência nos dias de hoje, sempre lembrada e homenageada. Observando seu relato, percebo o quanto a afinidade lhe fez buscar mais e mais elementos e particularidades da obra e da vida pessoal de seu ídolo. Marina sempre terá espaço aqui no blog e seus fãs ajudam um bocado ;)



Ela domina geral no gosto dos leitores do EnTHulho Musical!


Com toda a certeza eu não fui o primeiro a escrever sobre essa diva da música pop aqui no blog. Eu pensei em escrever sobre outra música, mais intelectualmente interessante. Optei por seguir o meu coração e tornar a beber nessa fonte inesgotável de alívio imediato para qualquer tipo de dor afetiva: Marina Lima.
No começo da carreira, ela era pop total mesmo. Já nos primeiros discos, lançou músicas para as novelas “Pai Herói” (1979),Marina” (1980), “Plumas & Paetês (1981), Baila Comigo” (1981). Todos sabem que ela faz as letras junto do irmão, o respeitado filósofo carioca Antônio Cícero. Marina começou a usar os poemas do irmão e logo em seguida, a escrever as músicas junto dele. O auge desse momento pop-rock da Marina se deu com o disco “Fullgás (1984), que cedeu a faixa título para a novela "Vereda Tropical” (1984).
Em 1987 Marina lançou um de seus álbuns mais conhecidos: “Virgem”. Desse álbum saiu a faixa-tema de Tonico Ladeira (Tony Ramos) e Ana (Isabela Garcia) em “Bebê a Bordo”

“Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo”

E, bem mais tarde, outra faixa – “Uma Noite e ½” foi aproveitada como tema de abertura da minissérie “Contos de Verão”. Virgem é o signo de Marina, nascida em 17 de setembro. Foi essa faixa que eu escolhi para ilustrar meu texto.

Eu fiquei apaixonado pelas músicas de Marina em 1994 quando, já na universidade, conheci “O Chamado” através da novela “Quatro por Quatro”. Quis conhecer esse disco melhor, eu morava na capital do Rio de Janeiro e tinha amigos músicos que me orientaram.
No ano de 1993, Marina perdeu o pai, que era embaixador. Ainda estava em fase de recuperação de um amor não-correspondido. Como ela não tinha um relacionamento muito próximo com o pai, entrou numa crise de depressão e dessa introspecção, o álbum “O Chamado”. Nesse tempo Marina estava muito envolvida com estudos de Filosofia, especialmente do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Sempre orientada pelo irmão, Marina começou a fazer reuniões com amigos em casa para falarem sobre Filosofia.

“Um coração cansado de sofrer
E de amar até o fim
Acho que vou desistir”

Marina ainda estava baqueada pela paixão platônica pela modelo francesa Solange Cousseau, que viveu um tempo no Rio. Em 1991, no disco “Marina Lima”, ela fez uma música pra Solange: “Criança”. Essa paixão dolorida ainda durou algum tempo e nós, os fãs, foi quem ganhamos pois o trabalho de Marina é como o de uma ostra, que, depois de um certo tempo, produz verdadeiras pérolas.

“Eu sei
Criança, eu sei
Mas se você disser que quer
Eu vou adorar...”

O álbum “Marina Lima” também deu a cantora o Grammy pela música “Grávida” e ela ilustrou cenas de “O Dono do Mundo” com “Acontecimentos” e “Perigosas Peruas” (com “Eu Não sei Dançar”). Essa última, tema da sofrida Cidinha (Vera Fischer) foi encontrada debaixo da sua porta. O compositor, o gótico Alvin L. (Alvin Lixo) fez a música e colocou debaixo de sua porta. Acabou se tornando um amigo da cantora e fez outras canções para ela.

“Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
...

E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa pra lembrar...”


Depois de “O Chamado”, vieram outros discos que ainda traziam a marca desse disco. Aliás, eu arrisco dizer que depois do “Chamado” a obra de Marina Lima nunca mais foi a mesma. Ficou muito melhor. Foi um verdadeiro marco em sua carreira.
Dois anos após lançar “O Chamado”, Marina presenteou seus fãs com um álbum bem mais alegre mas não menos introspectivo e poético: “Abrigo” (1995). Era a hora de Marina agradecer àqueles que a “abrigaram” no seu difícil período de “O Chamado”. “Abrigo” começa com uma música de Paulinho Moska, artista carioca em que Marina apostou muitas fichas, inclusive ajudando na divulgação do seu primeiro LP. A música de Moska fez parte da trilha sonora de “Explode Coração” e foi tema da também mal-amada Vera Avelar Falcão (Maria Luisa Mendonça), casada com o protagonista Júlio (Edson Celulari) mas não era desejada pelo marido. Passou, então a se envolver com o professor de Educação Física Ivan (Herson Capri).

“Olhei pro amanhã
E não gostei do que vi
Sonhos são como deuses
Quando não se acredita neles deixam de existir
Lutei por sua alma mas admito que perdi”

Querem remédio melhor pra dor de cotovelo??

Existem vários registros de leitura da cidade do Rio de Janeiro na obra de muitos cantores e compositores. Marina também fez um belo retrato da Zona Sul Carioca. No disco “Virgem”, na faixa de mesmo título, Marina narra uma triste história de amor perdido e o bairro do Leblon é testemunha da melancolia dela:
Marina, poética e sempre apaixonada, fala da vista da casa dela. Hotel Marina é um hotel que fica na esquina da Av. Delfim Moreira (beira-mar) com a R. João Lira, à beira-mar. O farol da ilha fica nas Ilhas Cagarras, lá no fun do domar, onde é atirado o esgoto de boa parte da cidade - daí o nome “cagarras”. Vidigal é a favela que circunda o Morro Dois Irmãos e compõe a paisagem de quem olha Ipanema e do Leblon. Convido vocês para fazerem uma viagem ao Rio mas olhando da janela da Marina.



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VIRGEM
Marina Lima e Antônio Cícero

As coisas não precisam de você
Quem disse que eu
Tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os dois irmãos
Também não precisam

O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Esses nem sabem de você
O farol da Ilha
Só gira agora
Por

Outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse
Outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas

O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Não sabem de você
Nem vão querer saber
E o farol da Ilha
Procura agora

Por outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas

As coisas não precisam de você
...


TH - Linda (e explicada) letra. Obrigado, Marcelo!

*Vídeo de Bruno Luiz Berzerk




terça-feira, 11 de janeiro de 2011

SOM SOBRE TOM


"Abro a janela, e em minha paróquia não visitada por sabiás, um sabiá está cantando. O ouvido não se enganou, e é fácil de explicar. Nesta manhã, um sabiá múltiplo e comemorativo gorjeia em cada árvore de cada bairro do Rio, da Tijuca ao Leblon, pela chegada dos cinquenta anos do sabiá-mor, vulgo Tom Jobim.
O pássaro desenvolve um canto geral, em nome das aves amadas por Tom, inclusive o matita-perê, que não nasceu lá muito melodioso, e o jereba, ou urubu de cabeça vermelha, do qual obviamente não se exigem primores vocais. E sua ária festiva é justa homenagem da natureza ao compositor que soube captar para nós, entre canções de amor sofrido ou exultante, a palpitação, o lirismo surdo, o secreto recado das águas de março, das madeiras e lejes que compõem o mais antigo cenário de vida. Cenário que vamos destruindo metodicamente, em vez de preservá-lo e restaurá-lo como opção para o triste viver urbano a que nos condenamos por inclinação suicida.
Porque Tom é isso aí: o vibrátil rapaz da cidade, que leva para Ipanema e Leblon uma alma ressoante de rumores da floresta, perto da qual ele nasceu. Se ama o papo no bar, com amigos ("a cerveja locupleta os vazios da alma", diz ele), será por invencível delicadeza, que ainda agora o fez declarar a Cristina Lira: "Eu só tenho feito gostar das pessoas". E reconhecendo que "as conversas de bar procuram o longo caminho do equívoco", um dia propôs a um amigo distante "estabelecer sesmarias aéreas" de sociedade com ele. Tom sabe voar sobre miudezas e convencionalismos que atrapalham a verdadeira comunicação, sob aparência de estimulá-la.
Se vai aos Estados Unidos, para gravar sua música em nível técnico mais apurado, até nisto segue política de pássaro, que emigra na hora sazonal e volta religiosamente ao habitat na hora certa. E ao voltar, continua tão brasileiro quanto era ao sair, que isso é raiz e sobrenome dele: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, nos papéis civis. De resto, incriminá-lo de americanização, a mim parece inverter o sentido das coisas. Tom leva para a América do Norte uma límpida, sensível imagem brasileira, que lá nos faz menos desconhecidos e até amados por quem distingue, através da música, o temperamento nacional de que ela resulta. (Exportação cultural, que corresponde ao nosso interesse econômico.)
Esse generoso, espontaneo ser urbano-silvestre que é o maestro Jobim representa muita coisa mais do que uma sensibilidade pequeno-burguesa que modula crônicas de amor para consumo da classe média, a que logo adere uma suposta classe alta. É antes um criador musical que concentra o espírito do Brasil antigo, situando-o na atualidade sob condições novas. Estabelece uma continuidade emocional em formas tão cristalinas que sentimos, graças ao seu talento, a novidade dos estados permanentes de alegria, tristeza e cisma, vividos pela nossa gente, à margem de estilos e modas. Um Nazaré e um Tom dispensam colocação didática na história da música brasileira. E em Tom esse sentir brasileiro é também um sentir dos ventos, das ramagens, dos seixos, das vozes de passarinhos, que não são cariocas nem fluminenses, é a "geologia moral" do Brasil, que procuramos esquecer mas subsiste como explicação maior da gente.
Tom Jobim, deputado eleito pelos sabiás, canários e curiós para falar, não aos povos da Zona Sul, mas a toda criatura capaz de ouvir e de entender pássaros, trazendo-nos uma interpretação melódica da vida. Isso que ele faz tão bem, cativando a todos. Ou a quase todos, pois seria vão esperar que os amantes do barulho erguido à categoria de música estimassem o antibarulho, o refinamento do som organizado em fonte de prazer estético e explicação do homem por si mesmo. O som de Tom, o som que uma fada (iara, sereia, camena?) lhe deu há 50 anos, presente das matas da Tijuca ao futuro morador do Leblon, ao mais despreocupado dos mestres, e por isso também o mestre que é mais agradável reverenciar.

Salve, Tom, em claro e meigo Tom!"


CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


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Quem acompanha o trabalho do EnTHulho Musical, sabe que pouquíssimo recorro a textos de internet pra compor as postagens do blog. No máximo, utilizo informações de sites oficiais dos artistas nos tópicos de biografia do artista do mês, ou textos de amigos na seção "Amigo Musical Convidado". Ocorre que, ao coletar material pra escrever alguma coisa sobre nosso artista do mês, Tom Jobim, deparei-me com esse espetacular texto de outro ídolo meu, o Drummond. Exatamente tudo o que eu penso sobre Tom está aí. Como Drummond é do mundo e certamente adoraria homenagear o amigo, acredito que não obstaria em dispor seu texto aqui. Fecho o post, pois, musicando. Já lhe disseram que ler com música ao fundo é um prazer quase orgásmico?


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DESAFINADO
Tom Jobim
Interpretação: Joao Gilberto e Tom Jobim

Quando eu vou cantar, você não deixa
E sempre vêm a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita, mas tua beleza também pode se enganar

Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isto em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm o ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu

Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é Bossa Nova, isto é muito natural

O que você não sabe nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolley-Flex
Revelou-se a sua enorme ingratidão

Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados também bate um coração



TH - Oportuno...




É HOJE!



Amor em Quatro Atos - a série baseada na obra de Chico Buarque estreia hoje, na Rede Globo.
Por mim, mil vezes mais aguardada que o Big Brother, que começa também hoje.

Vamos relembrar a matéria que o EnTHulho Musical fez, com as músicas eleitas pra dramatizar a produção?

Clique aqui!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

UM DISCURSO SESSENTISTA QUE É ATUALÍSSIMO

Divina e maravilhosa



O ano era 1968. Caetano Veloso, expoente-mor da Tropicália, brigava com o público no III Festival da Canção. A reação da plateia ao seu "É Proibido Proibir" não foi das melhores, e a revolta do baiano foi justamente por não visualizar sua mensagem recebida. Os urros e vaias dos ouvintes impediam que o discurso anti-censura de Caetano fosse concebido como objeto de protesto naqueles anos de chumbo.
A música brasileira decididamente não era mais a mesma - além da leveza da Bossa Nova e todo o movimento da Jovem Guarda, as poesias reacionárias do movimento tropicalista causaram desde então um ruído poderoso. Os seus representantes - Gil, Caetano, Bethânia, Tom Zé, Mutantes foram endeusados e amaldiçoados ao mesmo tempo, e chegava a ser constante a quantidade de vaias e aplausos que paradoxalmente obtiam em suas manifestações artísticas.
No mesmo 68, contudo, outra música de Caetano, dessa vez composta em parceria com Gilberto Gil, conseguiu imprimir um outro discurso, que, a despeito de ter sido no calor do auge da Tropicália, ainda se faz oportuno a cada audição, nos dias de hoje. "Divino Maravilhoso" coroou o lançamento do disco de maior manifesto dos Tropicalistas, o "Tropicália ou Panis Et Circenses", no mesmo ano, com participações de Nara Leão, Gal Costa e dos Mutantes. Gal já vinha construindo sua imagem de boa moça que cantava bossa sentada num banquinho - Caetano lhe ofereceu a canção e perguntou como ela queria cantá-la: "de uma forma nova, explosiva, de uma outra maneira'. Gil se comprometeu a fazer um arranjo à altura e a moça foi projetada para todo o Brasil em Novembro do mesmo ano, ao interpretá-la no Festival da Música Brasileira, da TV Record. Causou uma estranheza inicial no público - Gal estava incrível - agressiva e cantando de forma quase irreconhecível, caprichando nos agudos e explorando sem limites toda potencialidade de sua voz. Também houve uma ruptura total de sua imagem bem comportada: polemizou com cabelo black power e colares bufantes, numa atmosfera completamente hippie. Aos poucos, suavizado pelo primeiro impacto - o público relaxou e começou a aplaudir a grandiosidade da apresentação. A mensagem era, finalmente, transmitida e entendida - atenção para o palavrão, para a palavra de ordem - tudo é perigoso, tudo é divino e maravilhoso. O jogo de paradoxos se fez oportuno e eternizou uma das melhores músicas já produzidas na música popular brasileira. E o referido episódio mostra que a maneira de se c(a)ontar é tão importante quando o conteúdo...

Discurso atual e, feliz ou infelizmente, cada vez mais verdadeiro...

Obs.: "Divino, Maravilhoso" também deu nome a um programa vanguardista que surgiu na TV Tupi e era comandado por Caetano e Gil, e tinha participação de Jorge Ben, Mutantes e da própria Gal, dentre outros. Logo abaixo, vídeo da polêmica e ovacionada apresentação na Record.



Cenas das apresentações tropicalistas: grande marco na história da MPB




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DIVINO, MARAVILHOSO
Caetano Veloso / Gilberto Gil
Interpretação: Gal Costa


Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
Atenção para a estrofe e pro refrão
Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o refrão
É preciso estar atento e forte



TH - Mais uma música-meta pra 2011!




terça-feira, 4 de janeiro de 2011

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 21 - Pedro Lucena!

O artista visual também esconde um refinado gosto musical



Uma imagem vale mais do que mil palavras. E trocentos desenhos traçam muito mais o perfil do desenhista do que se imagina!
O Pedro é um grande comunicador. Não, ele não fez Comunicação Social, ou tem programa de rádio ou auditório não. Ele se comunica (e muito bem) com sua arte. Grande artista visual, ele deposita muita paixão em tudo o que a ilustração requer. Talvez esteja aí a grande chave de seus empreendimentos cada vez mais bem sucedidos: o sentimento intenso com que trabalha.
Um dos melhores presentes que já recebi na vida foi um desenho personalizado seu. "Todo mundo é capaz de desenhar, basta ter a iniciativa" ele diz, modesto. O curioso é reconhecer seu traço em trabalhos bem inusitados, como os de obras literárias famosas (Iracema, O Cortiço, Alice) - para cada uma, ele dá sua visão peculiar, registrando sua marca. Muito fácil encontrá-lo apresentando seus projetos em exposições individuais, sublinhando com seus desenhos revistas brasileiras como Encontro, Metrópole, Zupi, Dissenso, Woof Magazine e Saúde – e internacionais como a australiana Pagesonline, a estadunidense Design for Mankind, e a israelita A5. Também podemos vê-lo estampar seus traços em camisetas para as marcas Henrique Muniz (AL), Is (MG) e Springleap (África do Sul), e também ilustrar vários livros infantis brasileiros, dentre tantos outros trabalhos gráficos.
Pedro prova, em qualquer conversa informal, que não se limita apenas ao grafite no mundo das artes. Ele possui uma carga cultural muito forte em outros ramos, como o literário e, principalmente, o musical. Grande fã de sambões antigos, ele faz seu relato ser um dos mais emocionantes que já passaram nessa seção do blog.
Conheci-o numa aula de natação e desde então rolou uma grande empatia com este gigante tagarela - é, faltou dizer que ele também é um grande comunicador por que FALA, FALA FALA, FALA e FALA pelos cotovelos! :)
O rapaz alagoano também fez Direito e é professor de Inglês e de Português para gringos! Ufa!
Abaixo, uma pequena amostra de sua arte e seu relato, trazendo para o blog a grande contribuição de Milton Carlos para o samba e, por consequência, para a música brasileira. O artista, que teve sua carreira abreviada, tinha como peculiaridade uma voz andrógina - quem ouvisse diria fácil que se tratava de uma mulher cantando. Curiosidades (das grandes) de nossa música!



Pequena amostra de sua obra: em destaque, sua leitura para o "chá" de Alice. Nos detalhes, em cima, "Reciclar" e embaixo, "Iracema".




Meus pais tinham um LP que sempre me fascinou.
Um álbum onde se via um homem de boca entreaberta e olhos um tanto suplicantes, com um violão em punho, e parecia que cantava uma canção, ou fingia cantar. Creio que fingia, pois sua expressão era muito convincente. O homem tinha um cabelo encaracolado e os dentes meio tortos, a camisa um pouco aberta deixava à mostra o peito cabeludo com uma corrente de prata que pendia sobre os pelos negros que a camisa descobria. Via-se nitidamente que o estilo era dos anos 70, pois a roupa, jóias e cabelo deixavam transparecer uma época que para mim talvez tenha sido uma das mais ricas musicalmente.
Lia-se na capa desse álbum o nome Milton Carlos, e abaixo Samba Quadrado. E era aí onde começava meu fascínio por aquele LP. O fascinante em questão comparava-se aos episódios de Charlie Brown e Snoopy que eu costumava assistir e onde via a personagem Marcie chamar a Patty Pimentinha de "senhor". Para mim aquele homem de cabelos negros encaracolados e peito de fora não condizia com a voz feminina afinadíssima que se escutava quando se punha o álbum para tocar.
Igualmente era Patty Pimentinha, uma menina a quem Marcie chamava de "senhor" sem nenhum pudor, e de qualquer forma não encaixava uma coisa com a outra, ou sim.
Hoje meu fascínio é claro, tinha a ver com minha sexualidade que já aflorava uma curiosidade pelo mundo a minha volta, e que se intrigava com esses fatos. Intrigavam-me esses seres que não estavam nos padrões que me eram apresentados como certos: pai, mãe, masculino, feminino, homem e mulher.
Milton Carlos e seu samba quadrado era imposto a mim e a meus irmãos em sábados e domingos desde que éramos muito pequenos. Meus pais adoravam e escutavam sempre, apesar do LP ter uma história à parte, quando alguém o esqueceu ao sol e ele entortou. Desespero geral! Puseram-no entre pesos e mais pesos para voltar ao normal e não é que ele quase voltou? Ficou meio torto, mas funcionava super bem e foi durante toda a minha infância e adolescência a alegria dos meus pais, e depois de um tempo a minha também, pois consegui digerir todo aquele universo mágico e triste do cantor que morreu em um acidente de carro quando sua carreira tinha começado a decolar. Morreu jovem, no início de uma fama que deixou sucessos como "Memórias do Café Nice" (a minha escolhida), "Eu juro que te morreria minha", "Piston de gafieira", "Jogo de damas", "Irônica" e "Samba quadrado", só para citar algumas de minhas favoritas. Ouvir Milton Carlos para mim tem gosto de saudade e hoje muito mais porque meu pai se foi e me arrependo de não ter entoado no cemitério, em seu sepultamento, qualquer uma dessas belíssimas canções que embalaram tantas bebedeiras, brigas, alegrias, decepções, cenas apaixonadas entre meus pais, nos fins de semana tão ensolarados de minhas memórias...

PEDRO LUCENA

Conheça o trabalho de Pedro no
http://www.pedrolucena.com/




A capa que tanto intrigou nosso convidado.




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MEMÓRIAS DO CAFÉ NICE
Composição: Artúlio Reis / Monalisa
Interpretação: Milton Carlos


Ah! Que saudade me dá
Ah! Que saudade me dá
Do bate papo
Do disse-me-disse
Lá do Café Nice
Ah! Que saudade me dá

De cadilac chegava o Chico Alves
Logo no samba queria entrar
E Ismael só na de pão com manteiga
Até esquecia a nega pra poder ficar
E o samba varava a madrugada
O Café Nice era um pedaço do céu
Num canto batucava João de Barro
Lamartine, Pixinguinha,
Almirante e Noel

Ah! Que saudade me dá...

Caymmi sem barriga e sem madeixas
Mostrava a Carmem o que é que a baiana tem
Ary Barroso no piano reclamava
Que Donga fez um samba que não é de ninguém
E o samba varava a madrugada
O Café Nice amanhecia em festa
Cartola afina a viola
Que pena que agora só a saudade é que resta

Ah! Que saudade me dá...



TH - Grande homenagem a artistas eternizados na MPB!




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