sábado, 9 de abril de 2011

TEMA DE NOVELA ESPECIAL: DOSSIÊ GUILHERME ARANTES!



"Guilherme Arantes e Roupa Nova foram quem mais se beneficiaram no
cenário musical brasileiro por terem suas músicas associadas a novelas."

Nilson Xavier



Ter música em novela significa o quê para os músicos brasileiros?
Maior visibilidade? Projeção nacional? Evidente. O alcance que as trilhas sonoras da teledramaturgia não tem limites – há casos documentados de artistas que construíram carreiras graças à presença de suas músicas nas cenas de nossas novelas.
Por outro lado, existem também os que rejeitam – consideram um crime imperdoável cogitar que suas músicas constem em trilhas sonoras televisivas – seria o mesmo que “vender a alma” de maneira bastante capitalista só para fazer sucesso.
O público também se divide. A maioria se torna fã imediatamente de uma música que toca naquela cena-chave – e no dia seguinte já está lá, ligando pra rádio pra pedir que toque (ou, nos dias de hoje, corre pra baixar da internet). Também há os detratores - quem nunca escutou um “iiih, essa música já tocou tanto na novela que não agüento mais” – reflexo do costume da novela brasileira de tocar seus temas reiteradamente...
Discussões à parte, a verdade é que a força da televisão brasileira comporta também que vários cantores e bandas “casem” com tantas cenas e personagens. Um enlace tão poderoso que por décadas e décadas permanecem de mãos dadas. Neste cenário encontra-se Guilherme Arantes, que se valeu do veículo pra alcançar a notoriedade que ostenta e pode ser considerado talvez como o cantor que mais obteve êxito com as trilhas sonoras. Não falo de quantidade, claro, mas na grandeza de sua comunicação sonora. Linguagem auditiva tão deliciosamente associada a grandes vidas fictícias de nossa telinha. Falo de Rodrigo ao som de “Meu Mundo e Nada Mais”, de Elvira ao som de “Taça de Veneno”, de “Sob o Efeito de Um Olhar”, que pontuava as cenas de Capitão Jonas em Armação dos Anjos (Vamp, aliás, volta ao ar nesta segunda feira, no canal Viva!), dentre tantas mais.
Como o trabalho é pesado, novamente convoquei uma equipe que é fera no assunto, verdadeiros críticos televisivos (e que, digam-se de passagem, bem melhores que muitos que estão por aí) para compartilharem conosco suas memórias, lembranças e emoções nas novelas ao som de Guilherme Arantes. De antemão, muitíssimo obrigado, gente!

Abaixo, 10 momentos de Guilherme que merecem ser destacados - sem ordem de preferência. Logo após, os depoimentos dos convidados.


- "MEU MUNDO E NADA MAIS" [Anjo Mau, primeira e segunda versão, Globo - 1976 e 1997)


A música na novela Anjo Mau, de Cassiano Gabus Mendes, foi a grande responsável pela popularização de Guilherme Brasil afora. Era tema do personagem Rodrigo (José Wilker), que era seduzido pela babá de seu sobrinho, Nice (Susana Vieira). Na releitura da novela feita por Maria Adelaide Amaral, em 1997, uma vez mais o tema foi utilizado, pontuando as cenas de Rodrigo, agora defendido por Kadu Moliterno. O mocinho é um dos mais sem graça da história da telenovela brasileira, na minha opinião, porém o tema é marcante e até hoje fica cravado em nossas lembranças!


“Quando fui ferido... vi tudo mudar... das verdades que eu sabia...”



- "CUIDE-SE BEM" [Duas Vidas, Globo, 1977]

A prática de compor música especialmente pra novela era bem constante nas décadas de 70 e 80. Guilherme não se fez de rogado e inseriu “Cuide-se Bem”, música com um refrão belíssimo e forte apelo sentimental na trilha de “Duas Vidas”, de Janete Clair. Muita gente ainda associa a música à trama até hoje!


“Pra nunca perder esse riso largo..e essa simpatia estampada no rosto!”


- "AMANHÃ" [Dancin' Days, Globo, 1978]

O tema representava bem a esperança, que era o fio-condutor da vida de Júlia Matos (Sônia Braga), a presidiária e protagonista da trama de Gilberto Braga. A necessidade de sempre acreditar que “amanhã será um lindo dia!


“Amanhã, está toda a esperança, por menor que pareça, existe e é pra vicejar!”


- "14 ANOS" [Pai Herói, Globo, 1979]


Mais uma vez “trabalha” com Janete Clair. Aqui, a indicação pra música, que consta no LP “A Cara e a Coragem”, partiu do próprio Guilherme. Tratava da temática de um jovem nos anos 70, meio angustiado e perdido numa sociedade que se industrializava em nome do progresso. Na trama, pertencia ao bandido Pepo, interpretado por Osmar Prado.

“Sabe, quando eu tinha 14 anos, como todos os todos os jovens urbanos, nos bailes eu não ia dançar (e vocês)?”



- "DEIXA CHOVER" [Baila Comigo, Globo, 1981]

Naquele início dos anos 80, Guilherme Arantes estava no auge. A canção “Planeta Água", apesar de ter perdido o primeiro lugar no Festival MPB Shell, de 1981, para “Purpurina”, interpretada por Lucinha Lins, fazia o cantor ficar em voga. Este mesmo ano foi especial pois “Deixa Chover”, hit lançado no compacto homônimo, bombou na novela “Baila Comigo”, de Manoel Carlos. A música era jovial, alegre, despojada, e combinou certeiramente com a personagem Joana, professora de aeróbica da academia da novela, defendida por Betty Faria. A personagem se envolveria com um dos gêmeos da trama.

“Infelizmente nem tudo é... exatamente como a gente quer... Deixa Chover!”


- "GRAFITE" [Louco Amor, Globo, 1983]

Era tema da protagonista Patrícia, vivida por Bruna Lombardi, jovem e rica pertencente à família Drummond e apaixonada pelo filho da empregada, Luis Carlos (Fábio Junior). O tema da novela de Gilberto Braga não fez tanto sucesso, mas sem dúvida é mais um caso de música que combina demais com seu respectivo personagem.

“Na esquina do horizonte com seus olhos
Pixo o muro pra você se lembrar”


- "UM DIA, UM ADEUS" [Mandala, Globo, 1987]

Sem dúvidas a preferida da maioria dos noveleiros (como podem ler na parte do depoimento deles). É uma música melancólica, inspiradora e belíssima, um dos maiores acertos da carreira de Guilherme Arantes. Foi amplamente utilizada para as cenas da personagem Vera (Deborah Evelyn/Imara Reis). Por toda excelência e predileção, foi a que escolhi pra representar com letra de música e vídeo, ao fim da matéria.



- "OURO" [Sassaricando, Globo, 1987]

Outra bastante votada pelos noveleiros, inclusive com justificativas bem interessantes. A música era tema da “super mulher” Camila Abdalla, de Maitê Proença, na novela de Sílvio de Abreu. E mais uma vez nosso querido Guilherme Arantes nos presenteia com uma letra feita sob encomenda pra rica personagem!

“Basta um gesto e eu esqueço o resto...
Tudo o que ela toca vira ouro...!!”



- "SOB O EFEITO DE UM OLHAR" [Vamp, Globo, 1991]

Noveleiro que é noveleiro sabe bem do que fala, pois todos são quase unânimes em suas escolhas! Entendem mesmo do que funciona nas cenas, do que realmente marca e eterniza! A maioria dos consultados relembrou também “Sob o Efeito de Um Olhar”, como uma das mais marcantes da novela Vamp, de Antonio Calmon. Antes de ser infestada de vampiros, a fictícia Armação dos Anjos era uma cidade pacata e a música acentuava bem seus “takes”.

“O universo vai se abrir
Sob o efeito de um olhar...”


- "TAÇA DE VENENO" [Deus Nos Acuda, Globo, 1992]

Se alguém tinha dúvidas do poder das trilhas sonoras... antes da reprise de “Deus Nos Acuda”, em 2004, eu tinha reescutado “Taça de Veneno” ao acaso e imediatamente me lembrei da pérfida Elvira, vilã interpretada pela grande Marieta Severo na novela de Sílvio de Abreu. Não deu outra: mais um caso de música que fica marcada pelo personagem e vice-versa. E com letra propícia, diga-se de passagem!

“Todos precisam de um veneno
pra encher a sua taça de desejo"




COMENTÁRIOS DOS NOVELEIROS:



“ Gosto muito do repertório de Guilherme Arantes, desde que era pequeno e ouvia suas canções em temas de novelas. É impossível não associar o cantor aos folhetins de televisão.
Da minha relação das canções preferidas de Guilherme Arantes, existem pelo menos três que me arremetem imediatamente aos personagens das quais elas foram temas.

- "Meu Mundo e Nada Mais", tema de Rodrigo de "Anjo Mau" nas duas versões da novela, 1976 (José Wilker) e 1997 (Kadu Moliterno).
- "Um Dia o Adeus", tema da romântica Vera (Imara Reis) em "Mandala" (1987)
- e "Ouro", tema de Camila (Maitê Proença) em "Sassaricando" (1987).

Mas existem outras duas músicas dele que eu adoro e que não associo a novelas:

- "Coisas do Brasil", lançada em meados dos anos 80 - que música linda!
- e "Taça de Veneno", dos anos 90, que eu sabia que havia sido de uma novela, mas não me recordava de qual. Thiago clareou minha lembrança: foi tema da vilã Elvira (Marieta Severo) em "Deus Nos Acuda" (1992) - novela da qual não fui fiel seguidor, por isso não lembrava!
 
Nilson Xavier (SP), dono do site “TELEDRAMATURGIA” , autor do ALMANAQUE DA TELENOVELA BRASILEIRA e especialista em telenovelas.



"O meu tema preferido do Guilherme Arantes é "Ouro" tema da Camila (Maitê Proença) em Sassaricando. A música tem um pop bem gostoso, uma melodia interessante e ao mesmo tempo uma letra que reverencia uma mulher especial pois "tudo o que ela toca vira ouro". A letra ilustrava muito bem as peripécias de Camila, a mocinha da novela - praticamente uma mulher 'maravilha'.


Wesley Vieira (MG), jornalista e roteirista, dono do blog “E Eu Não Sei”



"A música Ouro exalta o potencial de sedução de uma bela mulher, muito independente, que era a principal característica de Camila Varella, uma mulher à frente do seu tempo. Naquele tempo, uma moça sair de casa pra morar sozinha era um escândalo, não é à-toa que sua mãe Lucrécia tanto lamentava seu estilo de vida. Nesse tempo, a Maitê, junto com a Bruna Lombardi, era unanimidade como símbolo da beleza da mulher na televisão. "

Marcelo Ramos (RJ), publicitário e comunicólogo, com projeto de pesquisa em telenovela.





Quando ganhei o LP Nacional de “Mandala”, “Um Dia, Um Adeus”
logo de cara tornou-se a minha faixa favorita do disco. E até hoje me vem à
lembrança a personagem da Imara Reis, música de quem era tema.

Daniel Pepe (SP), Engenheiro Civil, integrante do blog “Agora é que são eles”



Link
Em se tratando de temas de novelas Guilherme Arantes, tenho meu TOP 3: "Meu mundo e nada mais", "Sob um efeito de um olhar" e "Um dia, um adeus", cada uma significativa a seu modo (se bem que Deixa Chover era o tema de Betty Faria em Baila Comigo... (risos).
Mas se for pra fazer a escolha de Sofia, fico com "Um dia, um adeus", tema de Vera (Imara Reis) e Creonte (Gracindo Jr.) em Mandala. Primeiro porque simpatizava com a personagem, interpretada por uma de minhas atrizes favoritas, Deborah Evelyn, na primeira fase da novela. Depois porque a música é linda (junto com "O amor e o poder" e "A paz" era uma das faixas que eu mais ouvia em meu antigo LP). Além disso, era pra lá de inspiradora. Na época escrevia mais uma de minhas “novelinhas” e a canção também entrou na trilha sonora de minha novela, claro, tema de um dos casais mais românticos. Ouço a música até hoje com o mesmo prazer e o mesmo frescor de mais de vinte anos atrás.

Vitor Santos (RJ), professor, roteirista e dono do blog “Prefiro Melão - novelas e cia”



Gosto particularmente de duas: "Sob o Efeito de um Olhar" (tema da novela "Vamp"), pela poesia da música e por tudo que ela me faz imaginar. A música tem "gosto" de sol, mar e areia...
E "Taça de Veneno" porque acho uma das músicas do Guilherme que mais se adequaram a uma personagem. No caso, Elvira (Marieta Severo) em "Deus nos Acuda". Os acordes da guitarra de Frejat no arranjo da música casaram perfeitamente com a frieza e crueldade da personagem.

Guilherme Staush (RS), professor universitário e dono do blog Memória da TV, além de também integrar o projeto “Agora é que são eles”.




Meu tema de novela preferido do Guilherme é Sob Efeito de um Olhar, de Vamp. As poucas lembranças que tenho da novela, quase todas da reprise de 1993, possuem essa música como trilha sonora. Lembro de takes da fictícia Armação dos Anjos, com a ótima letra e a gostosa melodia da música rolando...

Eduardo Secco (SP), fisioterapeuta, roteirista e integrante do “Agora é que são eles”




NÃO VÁ SE PERDER POR AÍ...



Baila De Máscaras - Coquetel De Amor
Bom Presságio - Lua Cheia De Amor
Casulo - Agora É Que São Elas
Fazer Neném - Vereda Tropical
Fio Da Navalha - Partido Alto
O Amor Nascer - O Homem Proibido
O Lado Prático Do Amor - Renascer
O Melhor Vai Começar - Sol De Verão
Por Você, Com Você - Tieta
Prontos Para Amar - Porto Dos Milagres
Raça De Heróis - Que Rei Sou Eu?
Sonho De Ícaro - Caminhos Do Coração
Trilhas - A Próxima Vítima
Um Pouco Mais - Sonho Meu
Uma Espécie De Irmão - Salsa E Merengue




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ABAIXO, UM CLIP COM IMAGENS DA NOVELA VAMP, QUE REESTREIA NO CANAL VIVA AMANHÃ, AO SOM DE "SOB O EFEITO DE UM OLHAR". VÍDEO PRODUZIDO PELO FÃ CLUBE OFICIAL DE GUILHERME ARANTES!







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E AGORA, EIS O TEMA MAIS QUERIDO PELOS NOVELEIROS FÃS DAS MÚSICAS DE GUILHERME ARANTES!


UM DIA UM ADEUS
Guilherme Arantes

Só você pra dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver a luz
Estrela no deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza...

Um dia um adeus
E eu indo embora
Quanta loucura
Por tão pouca aventura...

Agora entendo
Que andei perdido
O que é que eu faço
Pra você me perdoar...

Ah! que bom seria
Se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir
Como a primeira vez
Te dar o carinho
Que você merece ter
E eu sei te amar
Como ninguém mais...

Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou...



TH - Quantos fãs já não amaram assim?


terça-feira, 5 de abril de 2011

AMIGO MUSICAL CONVIDADO # 28 - Arquimedes Diniz!

Mineirim sensível


Quem aqui já teve interesse de se descobrir? De percorrer os mais labirintados mares de si mesmo, "pescar ilusões" e voltar pra casa com a cestinha repleta de sonhos encontrados, sabendo que a safra do dia seguinte tende a ser mais proveitosa?
Nossa jornada de auto-conhecimento nunca deve ser limitada. Nada que diga respeito a "nos achar" deve ter fim, a gente merece chegar aos 100 anos tendo muita coisa mais a aprender e nos surpreendendo cada vez mais.
Admiro pessoas que tem consciência disso e não ficam estagnadas apenas "vivendo", mas que buscam se soltar de amarras, sejam elas quais forem.
Enxergo esse espírito libertário em Arquimedes, a despeito do restritíssimo contato que tivemos. Mas dá pra sentir toda sua sensibilidade nas postagens confessionais que disponibiliza em seu blog, e também na maneiracomo se expressa. Linguagem lírica nesses dias de realidade tão circundante e crua. E a certeza de que píscianos (como nós) carregam em si todas as qualidades e contradições dos outros signos do zodíaco - com sensibilidade e melancolia absorta.
A música que ele escolheu resume tudo o que penso sobre pessoas que tem a consciência de caçar em si todos os anseios e mistérios de suas almas. Caçadores de nós mesmos - buscarmos no horizonte aquilo que sempre queríamos, sabendo que ao chegar lá, tem-se muitos outros a perseguir também...Nada mais a declarar...só a lê-lo (e ouvir sua eleita).



Caçando emoções...



Sabe quando você está mexido por dentro e na lembrança vêem aquelas músicas que tocam o coração. Eu sou bem assim, não aprende a desvincular o meu cérebro das minhas emoções, típico daqueles que se identificam com o signo de peixes...rs
A minha música escolhida é de um dos cantores que mais amo, mineiro de alma, coração e sentimento, Milton Nascimento, um cara que já me inspirou poesia www.aartedepoetizar.blogspot.com, e que é pura poesia. Bem é ela, Caçador de mim: composição de Luiz Carlos Sá e Sergio Magrão.
Diz muito a meu respeito, do que sinto; da minha sinceridade com as pessoas que já me apaixonei. Nunca escondi sentimento de ninguém, me sinto livre para ser assim, Caçador de mim. Nos bons combates que a vida nos impõe, nas doces lembranças que como mel permeia cada sentido, na busca incansável de bons parceiros, na busca de ser sempre Caçador de mim.

“Por tanto amor/ Por tanta emoção/ A vida me fez assim/ Doce ou atroz/ Manso ou feroz/ Eu caçador de mim”. Alguém se habilita a mergulhar neste meu mundo tão Caçador de mim?


ARQUIMEDES DINIZ
Biólogo

Blog: http://aartedepoetizar.blogspot.com



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CAÇADOR DE MIM
Milton Nascimento
Composição: Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim



TH - Deveria ser hino de todo mundo!




sexta-feira, 1 de abril de 2011

ARTISTA DO MÊS: GUILHERME ARANTES!

Hoje e no mês inteiro: emoção pra não acabar mais!


"...e o que mais me inspira é o amor, departamento mais fascinante do ser humano, que foge à racionalidade e é um mundo vasto, profundo."

Guilherme Arantes, "Anjo Bom e Perpétuo"


A música brasileira, de uns tempos pra cá, encontrou um dilema: segregou muito os conceitos de popular e "cult". A própria denominação "música popular brasileira" tornou-se inócua, pois a MPB elitizou-se. Hoje faz mais muito mais sentido chamar Luan Santana, Calcinha Preta e Calypso de músicas populares do que Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, por exemplo.
Destituindo-se de preconceitos e rótulos, no entanto, podemos chegar a uma nova concepção: e música boa, o que é, afinal?
Os mais "indies" constumam pregar que música de qualidade é aquela sem qualquer compromisso comercial como prioridade. Já outros menos críticos amam tudo aquilo que é empurrado pelo rádio. No entanto, eu fico com o terceiro grupo: "música boa é aquela que toca aqui" (mão no coração).
O novo artista do mês tem o dom de satisfazer todos os grupos. Ele não se faz de rogado de atacar de hits excessivamente comerciais (Cheia de Charme, Um Dia Um Adeus), ao mesmo tempo que assume suas raízes mais "introspectivas" e resgata de pronto o âmago da alma humana, com baladas que são verdadeiros tiros certeiros nos corações sensíveis. Aliás, sensibilidade é mesmo a palavra-chave pra definir Guilherme Arantes.
Também há de se destacar sua larga participação em trilhas sonoras de novela, e seu início, na banda Moto Perpétuo, que também será devidamente comentado ao longo desse mês de Abril.
Preparados para todo o tipo de emoção durante esse mês? Descobriremos "O Lado Prático do Amor", que nos deixará os "Olhos Vermelhos" e em "Pedacinhos". "Cuidem-se bem", pois "O Melhor Vai Começar" ;)

Abaixo, a biografia dele, atualizada por Grazi Feliz Ares, publicada inicialmente no blog "Alfarrábio do Meu Coração", de MCI.



"Seu mundo e nada mais" - Por Grazi Ella Feliz Ares, de São Paulo.


Quando fui convidada para escrever uma matéria sobre Guilherme Arantes fiquei empolgada... Quem, quando criança, nunca cantou “Pegar carona nessa cauda de cometa, ver a Via Láctea, estrada tão bonita”? Quem na vida, diante de uma desilusão, nunca entoou “E eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado, à meia-noite, à meia luz, pensando, daria tudo por um modo de esquecer...”? E quem nunca assoviou em alto e bom som o início de “Descer a Serra (Sorocabana)”? Ou ainda quem, diante de uma relação desgastada, nunca admitiu: “Adeus também foi feito pra se dizer: bye bye, so long, farewell”. Afinal, todo brasileiro que se preze sabe cantar pelo menos o refrão de alguma canção desse grande compositor e intérprete, um dos mais importantes e conhecidos ícones da música brasileira.
Guilherme Lima Arantes nasceu no dia 28 de julho de 1953, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, e foi criado em Santo Amaro. Morava numa casa de arquitetura moderna para a época. Filho de Gelson Lima Arantes, médico-cirurgião formado pela USP, e Dona Hebe Planet Martuscelli, bibliotecária e tradutora, Guilherme tem duas irmãs, Ana Cristina Arantes, um ano mais velha, doutora em Educação Física, e Heloisa Arantes, nove anos mais nova, médica. Ele gosta de relembrar a infância:

“Eu passava as férias em Santos, Praia Grande, Campos do Jordão, mas principalmente em Araraquara [vem daí o carinho do cantor por minha cidade], com minha querida avó Iracema e meu avô Luiz, advogado do IAPI. Foi uma infância feliz, com muito sorvete, cinema, soltando pipa e jogando bola, meio perna de pau, mas era bom no carrinho de rolimã.” Aos seis anos Guilherme já tocava cavaquinho e, mais tarde, bandolim. Depois aprendeu a tocar piano, sozinho. Sempre apaixonado por música, lembra com carinho dos Festivais de MPB da TV Record:

“Dos anos 60, lembro-me dos festivais e sua sensação maravilhosa do novo. Meu tio Cyro Lima Arantes trabalhava na TV Record, junto ao Marcos Lázaro, e sempre pintavam convites para os Finos da Bossa, Jovem Guarda, etc. Fui um rapaz de sorte, vi com meus próprios olhos o surgimento de toda uma geração de ouro da MPB, todos novinhos, universitários tímidos no palco, sem saber bem o que fazer com a fama - que lindo - quanta diferença se a gente comparar com os ídolos de hoje, empresários milionários com sua eficiência específica, previsível, e muitas vezes corruptora, com a ascensão do "jabá". [...] Enfim, cada tempo é de um jeito - e naquela época havia muita utopia no ar - as pessoas estavam juntas pensando diferente - hoje cada um está na sua, mas todo mundo pensa igual. Lembro-me bem do Day-After do festival onde cantaram Caetano ("Alegria Alegria", uma revelação total), Chico ("Roda Viva"), Vandré ("Disparada"), "O Cantador" com Elis, Sergio Ricardo e sua atitude maravilhosa de inconformismo, Gil e Os Mutantes com "Domingo no Parque", etc.”




Compositor e letrista desde os 15 anos, iniciou seu trabalho musical em 1974 com o grupo de rock progressivo “Moto Perpétuo”:


“Já no segundo ano de Arquitetura, na FAU, conheci o Claudio Lucci, brilhante violonista, e com ele fui procurar um velho amigo, o Diógenes, o melhor baterista que vi tocar em toda minha vida. A gente formou então o Moto Perpétuo, uma banda híbrida de progressivo (a moda na época) com a MPB, principalmente mineira, influência do Clube da Esquina.”



Mas foi em 1976 que Guilherme teve sua carreira consolidada quando a balada “Meu mundo e nada mais” tornou-se canção-tema da novela Anjo Mau. Como dizia uma reportagem da época: “Guilherme deve tudo a um Anjo Mau”. A música foi apenas a primeira dos muitos sucessos de Guilherme no horário nobre:

“Não que "Meu mundo e Nada mais" tenha estourado de cara. Demorou pra tocar na rádio. Eu me lembro que no começo só tocava de madrugada, na antiga Rádio Excelsior, mas era uma emoção me ouvir no mesmo velho radinho de pilha debaixo do travesseiro (onde tantos jogos do Santos de Pelé foram acompanhados na adolescência, com inesquecível narração de Fiori Gigliotti). "Meu mundo e Nada Mais", composta em 69, viria a tocar 530 vezes na novela, que eu contei, assistindo com a minha avó Iracema, de Araraquara, que na época morava no Lar Santanna. Era um massacre, virei um sucesso instantâneo. [...] Era engraçado ser reconhecido na rua: "Olha aquele cara do Anjo Mau!". Eu não sabia o que era isso, vinha de um meio universitário diametralmente oposto ao popular. Uma vez, fui cantar no Show de Calouros do Silvio Santos, onde o Zé Fernandes me deu 4,5 (o máximo era 5), e o Brasil inteiro comentou aquilo... Ele deu 4,5 porque a letra dizia "só sobraram restos" e isso fazia cacófato com "soçobraram restos"... Grande descoberta!! Aí, eu perguntei se ele não conhecia esse recurso da poesia modernista... Silvio interrompeu dizendo: "Não, não, neste quadro o cantor não pode falar...". [...] No final do programa, havia um batalhão de fãs querendo me agarrar, eu saí correndo pela Praça Marechal Deodoro, as fãs gritando atrás, foi a coisa mais ridícula da minha parte...”

Muito sincero em suas declarações, sempre lutou contra a hegemonia das gravadoras: “Em matéria de música, não trabalho por encomenda. Não consigo fazer letras mentirosas. Só aquilo que sinto...”. Considerado por muitos o Elton John tupiniquim, Guilherme chegou a comentar em uma entrevista à revista Hitpop, em junho de 1976: “Isso tudo é cascata... a verdade é que quando comecei a escutar qualquer coisa do Elton John, a maioria das minhas músicas já estava pronta, inclusive ‘Meu mundo e nada mais’”. Até Roberto Carlos foi alvo de seus comentários, no início da carreira: “Ou prossigo evoluindo, ou terei vida curta... Não quero cair no esquema de Roberto Carlos.”
Dito e feito, Guilherme prosseguiu evoluindo como intérprete e compositor. Grandes nomes da música popular brasileira gravaram suas canções como Maria Bethânia (com a inesquecível “Brincar de viver”), Caetano Veloso (com “Amanhã”), MPB4 (com a música “Labirinto"), Fábio Júnior (que gravou “Uma espécie de irmão”), Quarteto em Cy (com “Sol do meio dia”), Zizi Possi (com “Era pra durar”) e Elis Regina, que já cantou Guilherme, no duplo sentido da palavra, como ele mesmo nos conta:

“Num jantar no Bar Lagoa, Rio, ela escreveu num guardanapo de papel que preferia estar ‘longe deste insensato mundo, com você’, e me passou por baixo da mesa. Fiquei em pânico, não sabia o que fazer. Meu casamento com Márcia estava meio balançado, terminou de balançar... Ela era muito carente, eu também, e a gente logo travou uma carinhosa amizade. Pude acompanhar sua depressiva frustração quando Herbie Hancock não cumpriu sua proposta de produzi-la nos EUA... Acho que esse era seu grande desafio - ser uma estrela internacional. Com o tempo acabei me afastando dela, só recebi um cartão no fim do ano de 1981, feito pelo Elifas Andreatto, pouco antes dela deixar este mundo ‘insensato’.”


Em 1981, Guilherme lançou “Deixa Chover”, tema da Beth Faria em “Baila Comigo”. Na mesa sessão de estúdio gravou nosso hino ambiental, “Planeta Água”, música que entraria logo a seguir no festival MPB Shell de 1981. Para decepção da plateia, Guilherme conquistou apenas o segundo lugar em um dos festivais mais injustos da MPB. A vencedora foi Lucinha Lins, com a música "Purpurina"... Ao final do Festival Guilherme comentou com humildade: “Foi Deus que quis assim...” enquanto o público vaiava “Purpurina”, a canção vencedora:

“Nem preciso contar o que aconteceu, com o segundo lugar consagrador que me pôs muito mais em evidência do que se houvesse ganhado o óbvio primeiro lugar.” – comenta.




Guilherme Arantes foi um dos pioneiros do som eletrônico. Sempre utilizou órgãos e sintetizadores, nunca deixando de lado o bom e velho piano Steinway, hoje avaliado em 90 mil dólares.
Seus 37 anos de carreira são traduzidos em incontáveis sucessos que vão do rock ao pop, passando pela MPB e new age. Pianista autodidata de talento, Guilherme é o único brasileiro a conquistar o certificado “Steinway”, uma espécie de prêmio de qualidade para os melhores pianistas do mundo. Mas ele não se aventurou apenas no mundo da música:

“No Carnaval de 2000, decidi me mudar para a Bahia, junto com todos os meus sonhos, e aluguei uma casa simples, mas adorável em Vilas do Atlântico, município de Lauro de Freitas. Constituímos uma fundação, o Instituto Planeta Água de Pesquisas Educacionais e Ambientais, para gerenciar essa proposta social/ecológica, que não é brincadeira não. Estamos implantando um trabalho sério, onde o compromisso maior é com a enxada, com o homem simples e trabalhador, com as plantas e animais do Brasil, com a música e a poesia, com os valores de uma nova era. Pretendo trazer para cá os maiores nomes do Pop brasileiro e mundial e todos os fãs serão especialmente bem-vindos na pousada. A Escola do Instituto está sendo palco de um projeto de alfabetização de adultos, parceria com a Associação do Vale Dourado, com a SEMARH, Conselho Gestor das APAs do Capivara e Guarajuba, com SENAI, SEBRAE, SESI, Prefeitura de Camaçari. Também há uma turma de Artesanato, com senhoras da região, durante as tardes.”


Neste 2011, Guilherme lançou um site com produção própria, com cifras e partituras para violão, piano e orquestra e muito material exclusivo, totalmente novo e livre de mercado fonográfico (http://www.guilhermearantes.com/ e www.guilhermearantes.com.br). Também revelou que está produzindo um trabalho bem pop, com músicas “pra cima”, com temas alegres e que vai ser um “disco de verão”, como foi o de 1982.



Guilherme Arantes hoje: maturidade e a alegria de ainda cativar cada vez mais os fãs!




****************************

AMANHÃ
Guilherme Arantes

Amanhã!
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar

Amanhã!
Redobrada a força
Pra cima que não cessa
Há de vingar

Amanhã!
Mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar

Amanhã!
A luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar!
Há de imperar!

Amanhã!
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é pra vicejar

Amanhã!
Apesar de hoje
Será a estrada que surge
Pra se trilhar

Amanhã!
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar

Amanhã!
Ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno!
Será pleno!



TH- Todos nós seremos, Guilherme!



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