E vamos ao 40º amigo musical convidado do nosso EnTHulho. Nossa, já se vão 40 relatos emocionados de grandes pessoas que compartilharam suas melhores memórias musicais conosco aqui no blogue!
O Natival Neto é de Salvador (BA). Eu o conheci graças à internet e graças à cantora Zélia Duncan, que é sua amiga, por meio da comunidade "Estação ZD", um espaço onde se disponibiliza raridades da cantora. Por meio do Natival, cheguei também à antiga comunidade do finado Orkut "Acervo Digital do Compositor", na qual as pessoas postavam links do 4shared de regravações nos tópicos dos respectivos compositores. E, por fim, tinha também seu excelente blogue "Playlist Pessoal", que sempre foi parceiro do EnTHulho, por meio do qual fazia seleções criativíssimas e temáticas, sempre com a MPB como protagonista. Por fim, ainda maneja com afinco o excelente blogue sobre a cantora Márcia Castro. Em suma, quem relata para nós hoje é uma sumidade da MPB na internet! :D
Minha admiração por ele, contudo, vai além do bom gosto musical e de sua paixão por Zélia (que é, como sabem, minha cantora favorita, também). Tenho o prazer de ser amigo do Natival e constatar que ele tem muitas opiniões parecidas com a minha, defende os mesmos ideais, compartilha das mesmas ideias e concepções sobre o mundo. Acho que mais da metade dos meus compartilhamentos do Facebook advém dele (risos). Sabe aquela pessoa que a gente, apesar do pouco contato, sempre vai se identificar? Pois...
Uma qualidade que (AMÉM!) sempre tive nos convidados do "Amigo Musical Convidado" é a inteligência, e com este grande geminiano pesquisador da área de Letras não é diferente. Por isso, apresento-lhes seu excelente relato que, como não poderia deixar de ser, é sobre Zélia Duncan! Muitíssimo obrigado, Natival!!
P.s: De vez em quando o vejo tricotar com a Zélia virtualmente, e percebo a admiração mútua nos relatos. Zélia também tem um grande carinho por ele. Será que ela vai ler esse texto? :D
Quando Thiago me convidou para participar da sessão, fiquei muito contente. Não porque um tanto de gente me leria e eu poderia exibir meus "dotes" de escritor, mas pelo gosto de buscar lembranças relacionadas a música, essa paixão que trouxe tantas pessoas incríveis para perto de mim. Pra mim, é uma alegria imensa falar de música. Ouço música o dia todo, se não estou ouvindo, estou conversando sobre música, pensando, cantarolando e tal. Daí eu comecei a procurar alguma música e alguma história marcante. A gente sempre lembra de várias e é tão difícil pegar só uma. Mas vamos lá!
Eu sou geminiano, com todas as dores e delícias que as pessoas desse signo têm. Todas as experiências de vida sempre foram muito misturadas pra mim, o que sempre considerei positivo. Ter vários de tipos de amigos, gostar de vários tipos de comida, filme, livro e música, claro. Versatilidade é uma característica do signo (yeah!).
A minha infância musical misturava Gal Costa, Angela Maria, Rita Lee, Maria Bethânia com Sandy, Xuxa, Angélica e Eliana. Cada uma no seu devido lugar, que fique claro isso! Sempre gostei de mais cantoras e mais ainda daquelas que me levam a outras cantoras, outros artistas, outros universos. Gal Costa me abriu portas imensas na música. Por ela, cheguei a Rita Lee, que me levou a Cássia Eller, que me levou a Zélia Duncan, que me levou a um monte de gente. E é de Zélia a minha lembrança para esse post.
Lembro de quando a música "Tô" começou a tocar na Nova Brasil FM. Era o carro-chefe do novo disco "Eu me transformo em outras". Era uma música com um suingue tão legal, com uma letra tão louca, aparentemente sentido, mas com um astral muito bom. Ouvindo a gravação, dá pra você supor a felicidade de Zélia em cantar aquilo. E eu fiquei tomado por aquela música. Ficava atento à programação da rádio e quando ouvia aqueles batuques iniciais, corria pra frente do rádio.
Naquela época, eu tinha meus 14 anos e pra comprar um disco, era preciso economizar no dinheiro da merenda, o que era muito difícil (risos). Meu irmão fazia aniversário naquele mês. Ele faria 8 anos e eu consegui convencê-lo a pedir de presente o disco "Eu me transformo" a meu pai , que negou é claro, pois sabia que o presente não seria pra ele.
Mas eu me recordo o dia que consegui comprar. Foi numa dessas redes de supermercados. O estabelecimento já ia fechar e eu corri pra pegar o disco. Depois disso, foi só alegria. Esse cd me apresentou a um universo musical até então desconhecido: Itamar Assumpção, Tom Zé, Ná Ozzetti, Luiz Tatit, Cristina Buarque, etc. Meu pai que era meio resistente a Zélia, passou a observá-la com mais atenção e cuidado. O DVD homônimo só veio a confirmar tudo.
É um daqueles DVDs que eu e meu pai paramos pra assistir juntos, coisa que só fazíamos, nos meus tempos de criança.
O sorrisão-mor da MPB está de volta ao EnTHulho Musical! :D
TÔ
Tom Zé/Elton Medeiros
Zélia Duncan
Tô bem debaixo pra poder subir Tô bem de cima pra poder cair Tô dividindo pra poder sobrar Desperdiçando pra poder faltar Devagarinho pra poder caber Bem de leve pra não perdoar Tô estudando pra saber ignorar Eu tô aqui comendo para vomitar Eu tô te explicando pra te confundir Tô te confundindo pra te esclarecer Tô iluminado pra poder cegar Tô ficando cego pra poder guiar Suavemente pra poder rasgar Olho fechado pra te ver melhor Com alegria pra poder chorar Desesperado pra ter paciência Carinhoso pra poder ferir Lentamente pra não atrasar Atrás da vida pra poder morrer Eu tô me despedindo pra poder voltar!
Expressa exatamente essa nova fase: simples e especial. Despretensioso. Um lugar delicioso para dissertarmos sobre música.
Coloquei no plural, porque eu quero E MUITO a participação de vocês, também. Muitos amigos convidados virão.
Muitos me enviaram textos e não tiveram os mesmos publicados por causa da parada do blogue (puta descaso meu), mas os amigos musicais convidados virão com força!
Para pontuar bem esse recomeço, publico, aqui, um texto enviado em 2011 pela minha amiga poetisa capixaba Carmem Silvia Presotto, coordenadora da Editora Vidráguas . Reli meus arquivos antigos e encontrei, neste belíssimo texto recheado de referências musicas, o que estava precisando pra retornar, sobretudo no título. A sensação que tive, sem nenhuma falsa modesta, foi a mesma que um intérprete que encontra uma jóia (composição) maravilhosa, mas que por algum acaso da vida ela estava guardada. Talvez para ser usada no momento certo, pela pessoa certa ;)
A Carmen é uma maravilha de se ler, sempre teve a sensibilidade como seu maior trunfo, e conseguiu uni-la à música muitíssimo bem neste texto. Eu a conheci pelo EnTHulho Musical, e hoje tenho o grande prazer de tê-la por perto.
E é com você, Carmen, que marco minha reestreia musical. Muitíssimo obrigado!
muDanças para não cair no esquecimento
por Carmen Presotto
Ah, Be My Baby! Calças arrastando pelo chão, cara lavada, pachuli, flores na cabeça, tênis ou tamanco?
Andar desleixado, épocas duras, fugas.
Ditadura!
Andar desleixado…irreverência…continência!
Podres Poderes!
Brasil grande, para alguns até demais…
Imensas fronteiras, incríveis barreiras…
Apesar de Vocês!
Amamos, suamos, cantamos, dançamos, driblamos, não desbrasileiramos…
E aqui ficamos, catando mudança
De Baixo Dos Caracóis,
esperançosos de que havia baianos em dança inglesa,
beatlemaniamente saudosos e confiantes de que o
Haiti Não Fosse Aqui.
E o tempo passou na janela, no corredor, na rua, na calçada, no relógio e na fachada só Carolina não viu a marcha da Banda em Disparada, mostrando caras e bichos, pão bacana, gente sacana, livre ou em xilindró, loucos por um papo firme, enquanto canários rolavam a bola e ficava mais fácil dizer Eu Te Amo Meu Brasil, verde, amarelo, preto, branco e vermelho por tantos Quereres.
Corajosamente alguém grita:
Brasil Mostra Tua Cara!
Sem medo sejas um Super Homem…
E todas as marias, alices, anas, Mulheres e Bete Balançaram, soltaram, desenfrearam os novos Pedros Pedreiros já em Construção e o Cotidiano em suas Andanças e Travessias melhorou…
E então, tudo Vai Passar.
Ah, psiu a Gente Não Quer Só Comida…
Carmen Silvia Presotto, Dobras do Tempor, Vidráguas.
Espero que vocês, mais uma vez, se divirtam. Sejam muito bem vindos nesse novo show!
O "gentleman" Ivan Lins é o compositor perfeito pra intérpretes femininas intensas e apaixonadas pela arte de cantar. Eleger suas principais seguidoras não é tarefa fácil, por isso desta vez nem me atrevi a traçar listas. Penso em 4 nomes fundamentais e só irei discorrer sobre eles!
- Simone Bittencourt de Oliveira (na foto acima, com Ivan)
Se há alguém a quem Simone deve bastante em sua trajetória é Ivan Lins. E a afinidade entre ambos é gritante: no palco eles se entrosam de maneira invejável e a moça recupera o ar de dignidade em sua carreira quando interpreta suas composições - o que a faz voltar pra linha assobiável que ostentava assim que começou, e que foi um tanto prejudicada no decorrer da década de 80. O grande destaque, na minha opinião, é o álbum "Baiana da Gema" (2004), no qual Simone navega com profundidade e finesse nas composições de Ivan (entre baladas e sambinhas). O músico também foi idealizador do álbum e ainda tocou piano (e cantou) em algumas faixas. ("Dandara" é a minha preferida!)
Há de se destacar: o carinho sincero nutrido mutuamente entre os artistas.
- Zizi Possi
Claro que, antes de escrever alguma coisa aqui eu fiz uma pequenina "pesquisa" de campo entre meus colegas de redes sociais até chegarmos a algum consenso entre quais seriam as principais intérpretes de Ivan Lins. Alguns apontaram Zizi como a preferida - ou a que pelo menos tem o universo "mais a ver" com a esfera do compositor. Eu concordo - acho que o encontro de ambos é iluminado e Zizi - que é um medalhão da MPB, lapida ainda mais a poesia de Ivan. Minha preferida: a sua versão para a belíssima "Bilhete".
- Elis Regina
"Ivan Lins conta que a morte de Elis Regina não só desorientou os compositores que a tinham como referência, como também diminuiu a cobrança por melodias de qualidade nos andares de cima da MPB. Nas próprias palavras de Ivan, muita gente resolveu "soltar a franga" e abraçar de vez a demanda por música de consumo, uma vez que Pimentinha não estava lá para castigá-los com seu desdém." Nesse trecho, transcrito de uma matéria do Jornal Estado de São Paulo, dá pra perceber o quanto Ivan aprendeu e amadureceu após a partida da cantora, que eternizou hinos seus como "Aos nossos filhos" e "Madalena".
- Leila Pinheiro
Leila Pinheiro é outra cantora que empresta sua suavidade peculiar e doçura que toda obra de Ivan requer. É com ela que fechamos nossa lista, com uma seleção caprichada que meu "chapa" Jardel Ther fez com interpretações suas para grandes músicas de Ivan Lins. Aliás, aproveitando, ele tem um blog inteiro dedicado à obra da cantora, intitulado "Acende a cor (verde)", que resgata - com louvor - obras da cantora, além de notícias e fotos antigas. Jardel mantém o blog com outro louco por MPB, Carlos Almeida, que são inegavelmente dois parceirões do EnTHulho. Vale muito a pena conferir o trabalho dos rapazes! Clique aqui!
Abaixo, a lista das músicas da coletânea e o link para baixá-las!
01 Sambadouro (Ivan Lins e Vitor Martins) 02 De um jeito que não sai (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro) 03 Antes que seja tarde (Ivan Lins e Vitor Martins) 04 Sedução (Ivan Lins e Gonzaguinha) 05 Por favor (Ivan Lins e Aldir Blanc) 06 Lembra de mim (Ivan Lins e Vitor Martins) 07 Mãos de afeto (Ivan Lins e Vitor Martins) 08 Iluminados (Ivan Lins e Vitor Martins) – com Ivan Lins 09 Cegos de luz (Ivan Lins e Aldir Blanc) 10 Acaso (Ivan Lins e Abel Silva) 11 Acalanto (Ivan Lins, Vitor Martins e Aldir Blanc) 12 Desenredo (Ivan Lins e Gonzaguinha) 13 Renata Maria (Ivan Lins e Chico Buarque) – com Ivan Lins e Chico Buarque 14 Vitoriosa (Ivan Lins e Vitor Martins)
Já disse aqui que o carisma e a agradabilidade de Zélia Duncan são grandes trunfos seus – pouco se vê na música brasileira uma artista que consegue manter uma sinergia tão positiva com o público. Fã de Zélia, contudo, não é apenas que vai aos seus shows ou compra seus discos. Seus colegas da música volta e meia dão declarações apaixonadas e acaloradas sobre Ms. Duncan, e bolam alguma desculpa pra chegar e fazer junto alguma coisa. E ela retribui, conseguindo a proeza de ser a cantora com mais participações conjuntas com outros artistas – isso se dá, repito, à facilidade que a moça tem de convergir e deixar o parceiro totalmente à vontade. Hoje, é raro quem ainda não fez parceria com ela – O que a nossa música já teve de rivalidades, compensa com Zélia e sua bela política de “gentilezas musicais”. Seja cantando em dueto, seja gravando composições suas ou oferecendo as suas pra ela, há um elo afetivo-musical invejável quando se trata de Zélia com outras esferas musicais afins. Logo, elaborar essa lista foi uma tarefa muuuuuito árdua – mas procurei elencar os artistas que mais participam, de uma forma ou de outra, com o universo “Duncan”!
Espero que gostem do resultado!
1) RITA LEE Rita Lee está em primeiro lugar por uma razão óbvia: Zélia é hoje a cantora que mais se aproxima de seu universo. Há uma facilidade imensa em cantar suas composições – e isso se verifica em hits como “Lá Vou Eu”, ou releituras oportunas como “Pirataria”. O auge da parceria foi mesmo com “Pagu”, música de Rita musicada por Zélia que integrou o álbum 3001, de 2000. Rita retribuiu a gentileza e musicou o rap “Desconforto”, que Zélia gravou junto ao Posse-Mente-Zulu e fez parte do disco “Sortimento” (2001). Quando Zélia integrou os Mutantes, a imprensa e os fãs antigos da banda quiseram rivalizá-las, o que nunca aconteceu. Rita é categórica: “Zélia é uma coisinha fofa né?” . E é retribuída: “Salve a grande rainha Rita Lee”. De qualquer forma, a gravação de “Ambição”, no último disco de Zélia, selaria de vez a “celeuma inventada”.
2) PAULINHO MOSKA
Paulinho tem todos os elos possíveis com Zélia. Dividiram, além do músico Christiaan Oyens, grandes parcerias. Ele já fez músicas que ela gravou. Ele já musicou letras suas e também já fizeram o inverso. Seria tudo tão habitual se não fosse o amor que ambos nutrem mutuamente- evidenciado quando eventualmente conferem “canjas” em shows um do outro. É muito legal ver tamanha camaradagem num mundo artístico tão competitivo e hostil. Hits certeiros: “A Idade do Céu”. “Carne e Osso (tema de abertura de “Se7e Pecados”, atual reprise do Vale a Pena Ver de Novo), “Não”, “Sinto Encanto”... E, claro: registro a sensível composição que Zélia fez para o filho de Moska, Antônio, hoje com 13 anos - “O Tom do Amor”, que está no último disco do cantor.
3) LENINE ‘A gente é vizinho não apenas de bairro, somos vizinhos de ideias”. Lenine define, nos extras do DVD “Sortimento Vivo”, o quanto estabelece uma sintonia com a cantora. E começam um show improvisado – ora cantam uma música dela, ora dele, ora de outros – com um entendimento totalmente musical – um acorde apenas do violão pra saberem qual será a próxima música, numa afinidade impressionante. “Lenine é meu vizinho, a gente vive batendo bola. Antes do disco dele sair (Na pressão), ele foi lá em casa com o CDR, eu ouvi com ele. O mesmo aconteceu com o anterior (O Dia em que faremos contato)”. Juntos, Zélia e Lenine gravaram a canção “Naturalmente”, além de dividirem o vocal de “Bebete Vãobora”, do Jorge Ben Jor (do show especial “Cidade do Samba”); o pout-porri “Certas Coisas/Wave” (Lonas acústico) e foi ele quem fez a brincalhona letra da música-título do álbum “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band”, dela.
4) LUCINA
“Fui ver um show na Sala Funarte em Brasília e fiquei muito contente em ouvir uma cantora com uma bela voz grave igual à minha, pois eu já tinha um complexo. E vale registrar que fui completamente ignorada quando fui me apresentar a ela!”. Esse primeiro encontro torto logo a seguir rendeu uma das maiores e mais felizes parcerias musicais. Composição, música, tudo junto. Lucina representa, como própria Zélia afirma, “seu lado hippie’, logo, as canções mais confessionais e intimistas da cantora tem grande contribuição dessa mato-grossense que já tem uma bela carreira solo, infelizmente pouco conhecida na música brasileira. Parcerias das duas: “Coração na Boca”, “Eu Nunca Estava Lá”, “Eu Não Sou Eu”, dentre muitas outras. Destaque pra participação de Zélia no show “+ do que parece”, lançado no ano passado.
5) ITAMAR ASSUMPÇÃO “Meu irmão Afonso ouvia muita coisa em casa que eu sempre adorava, inclusive o Itamar Assumpção. E o meu sonho de consumo era ser backing dele. Então eu comecei a prestar atenção em suas músicas e notei que nelas nada se joga fora. Ele tem uma inteligência sofisticada, o seu jeito de baixista é diferente. A primeira vez que cantei uma música dele foi em 85, e a música foi "Beijo na Boca". E eu dizia quando eu estourei com "Catedral" que quem me inspirava era ele. Adorei quando ele me chamou para cantar” Além desse relato de Zélia a Marcelo Tas, fã que é fã da cantora sabe que desde o disco “Intimidade”, em todos seus trabalhos sempre constam ao menos uma música de Itamar. Ela é bastante fervorosa ao defendê-lo, sobretudo quando taxam-no de “maldito” “Todas as pessoas deveriam ao menos conhecer uma música de Itamar. Pra sempre vou “Itamar” “, encerra. P.s.: Bela a participação de Anelis Assumpção, filha de Itamar, com Zélia na música “Milágrimas”
6) CHRISTIAAN OYENS
Junto a Lucina, é o parceiro de composições mais constante. “meu lado pop”. Inegável o quando ambos funcionavam juntos – Christian foi responsável pelos maiores sucessos radiofônicos de Zélia. “Cateral, Não Vá Ainda”, “Enquanto Durmo”, “Verbos Sujeitos”. “Me Revelar”. O encontro de ambos aconteceu no fim dos anos 80, “num apartamento, perdido na cidade...”. Atualmente em suas carreiras paralelamente, nunca deixaram de demonstrar, um com o outro, o afeto e a gratidão de tantos anos de trabalho conjunto.
7) CÁSSIA ELLER Amiga dos tempos de Brasília, é curioso perceber que não existe registro ao vivo da reunião das cantoras. Mas a amizade realmente existiu e Zélia não economiza em homenagens reiteradas sempre que pode. Eu lembro que as más línguas disseram que, com a morte da cantora, Zélia estava disposta a ocupar o posto de maior cantora “máscula”, a ponto de até cortar os longos cabelos para soar “Cássia Eller”. Os imbecis detratores esquecem que Zélia nunca quis esse posto e que até já tinha cortado as madeixas bem antes do falecimento de Ms. Eller. No DVD “Sortimento Vivo”, o público simplesmente pára e contempla a sincera e emocionante homenagem que Zélia oferece à amiga com a dobradinha “Por Enquanto” e “Segundo Sol”. Do disco “Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band”, “Mãos Atadas”, canção de Simone Saback, era uma promessa antiga de dueto das duas que, infelizmente, esperaram demais. Já no “Amigo é Casa”, Zélia e Simone mandam uma “Gatas Extraordinárias” certeira, pertinho do fim show, para dedicar à saudosa e moleca cantora. Por fim, as vozes de Zélia e Cássia se encontram na regravação de “Get Back”, dos Beatles, no póstumo disco da cantora, “10 de Dezembro’, produzido por Nando Reis.
8) TOM ZÉ
“Dá vontade de ninar a Zélia. Ela é capaz de cantar qualquer canção como elas merecem ser cantadas. Ela tem a capacidade de viver num leque tão grande e de conviver com tanta gente, com talento de escolha tão fino, solene, generoso. É minha filhinha querida." Tom Zé define Zélia de maneira bem paternal e, como uma boa filha, ela faz de tudo pra orgulhar o “pai”. E o público. A releitura de “Tô”, do disco “Eu Me Transformo em Outras”, é uma das coisas mais lindas e engraçadinhas que Zélia já fez na sua carreira. Destaco também a participação dela no disco “Estudando o pagode”, dele e uma releitura sua pra “Cedotardar”, que canta no show “Pelo Sabor do Gesto”
9) SIMONE “Foi aí que tudo começou”, lança Simone ao terminar de cantar “Então me Diz”, versão que Zélia fez para “The Blower’s Daughter” de Damien Rice, no show “Amigo é Casa”. De fato: em 2005, Zélia participou, junto a Milton Nascimento e Ivan Lins, de um show da cigarra e desde então não se largaram mais. A afinidade foi tanta que despertou um sentimento de uma “amizade que parece ser antiga”. Tão forte que decidiram brindá-la musicalmente com o grande disco “Amigo é Casa”, projeto que prima por músicas mais estilizadas, pouco populares e que resgata Simone dos primórdios e coloca Zélia no mais alto patamar “Cult” de sua carreira. Excursionaram juntas pelo país em 2008, fazendo com que o momento ficasse registrado pra sempre em suas memórias. Inclusive, ontem estiveram no programa “Sem Censura”, e falaram um pouco desse período. Uma sintonia no palco invejável, quase nada ensaiado – só embaladas pela emoção. A música faz dessas ;)
10) FREJAT
Frejat e Zélia já gravaram juntos “Exagerado”, música que acabou sendo promocional pro filme do Cazuza, de 2004 (apesar de não constar na trilha do filme, nem em disco dele ou dela). Frejat também participou de “Mãos Atadas” – ele fora recrutado por Zélia no lugar de Cássia Eller, quem sempre deveria ter gravado a música, e conseguiu dar uma voz “roqueira” a uma melodia quase beirando ao blues. Eu sou a favor de muito mais encontros musicais entre essas duas vozes afins e sintonizadas! :)
MENÇÕES HONROSAS:
HERBERT VIANNA – Cantaram juntos a belíssima “Partir, Andar” que fez parte do disco “O Som do Sim”. Zélia a pôs no “Sortimento”, mesmo preocupada que a julgassem por ‘oportunismo”, já que Herbert havia sofrido o acidente naquele período.
HAMILTON DE HOLLANDA e demais músicos do “Eu Me Transformo em Outras"
NANÁ VASCONCELLOS (grande sintonia de ambos, evidenciada também agora com a participação no show da banda “Isca de Polícia”)
PATO FU (John, que havia feito “Todos os dias”, produziu o disco “Pelo Sabor do Gesto”, que conta com a participação vocal de Fernanda Takai)
POSSE-MENTE ZULU (No rap “Desconforto")
MUTANTES (pauta da próxima matéria da cantora no EnTHulho)
ISABELA TAVIANI (A bela “Arranjo” é das duas, e Zélia participa do show de Isabela também)
LULU SANTOS (O perfeito samba “Quisera eu” é de autoria, pasmem, do rei do pop brasileiro)
CHICO CÉSAR (E aí, amizade? Esporte Fino Confortável é dele)
NANDO REIS (Escreveu a faixa titulo do disco “Sortimento”)
ZÉ RAMALHO (A ótima “Porta de Luz”, é um dueto dos dois)
BETH CARVALHO (Zélia sempre teve um pezinho no samba. A festejada música com Beth Carvalho que o diga)
PEDRO MARIANO (Canta com Zélia a linda "Você Vai Ver")
MARTINÁLIA (A sambista lançou uma bela balada com a niteroiense, “Benditas”, além de serem bem amigas).
FRED MARTINS (Flores, quantas flores forem necessárias... Fred Martins foi uma das mais gratas descobertas de Zélia)
PEPEU GOMES E ARNALDO ANTUNES (Autores de "Alma", um dos seus maiores hits)
MARIA BETHÂNIA (Para quem não lembrava, as duas já fizeram um dueto cantando “Baila Comigo” de Rita Lee, e “Shangri-lá”)
ZECA BALEIRO (Zélia vem estabelecendo uma grande conexão com o maranhense, que já vem rendendo grandes frutos, como a ótima "Se Um Dia Me Quiseres")
NUNO MINDELLIS (O cantor angolano já cantou “Gosto do Jeito” com Zélia)
CAPITAL INICIAL (Zélia participou do acústico MTV deles, cantando a bela “Eu Vou Estar”)
ED MOTTA (“Meu grandeparceiro”, reverencia Zélia. Ela assina várias composições de discos dele, como “Mentiras Fáceis, “ À Deriva” e “Quem pode se surpreender”. )
MARINA LIMA (Marina deu um verdadeiro instrumental pra letra de "Tempestade". Eu confesso que gostei mais da releitura de Marina- a poderosa letra merecia uma melodia e ambientação bem melhor e foi o que a cantora conseguiu. Zélia canta ainda, junto a Simone, a magnífica "Grávida", do disco Marina Lima de 1991).
FITO PAEZ (O roqueiro argentino ficou encantado com o trabalho de Zélia e a chamou para cantar em seu show. Ela dueta “Furioso Petalo de Sol”.
ROBERTO CARLOS – Só uma notinha final: no show do “Pelo Sabor do Gesto”, Zélia homenageia os 50 anos do Rei cantando a quase desconhecida “I Love You” e desfere um leve desabafo “Eu não fui convidada ao castelo do rei (refere-se ao show “Elas cantam Roberto”), mas, quer saber? Aqui eu posso cantar a música que eu quiser e quantas vezes quiser"
Faltou mais alguma? É claro que sim. São inúmeras parcerias. Que tal me ajudarem?
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PAGU Zélia Duncan e Rita Lee
Mexo, remexo na inquisição Só quem já morreu na fogueira Sabe o que é ser carvão Eu sou pau pra toda obra Deus dá asas à minha cobra Minha força não é bruta Não sou freira Nem sou puta...
Porque nem! Toda feiticeira é corcunda Nem! Toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho Que muito homem
Sou rainha do meu tanque Sou Pagu indignada no palanque Fama de porra louca Tudo bem! Minha mãe é Maria Ninguém Não sou atriz Modelo, dançarina Meu buraco é mais em cima
Porque nem! Toda feiticeira é corcunda Nem! Toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho Que muito homem... Ratatá! Ratatá! Ratatá! Taratá! Taratá!...